Imigrantes uma “espécie” maldita

As imagens de imigrantes perseguidos e algemados, após dois dias de viagem em alto mar, numa pequena embarcação sobrelotada, à fome e ao frio, arriscando a vida à procura de uma oportunidade, são imagens que nos deviam entristecer e revoltar, mais a mais, quando isto acontece num país que viveu estas situações, em particular nos anos sessenta e setenta, com milhares de portugueses a emigrar à procura do sonho de uma vida melhor. Tal e qual como agora o fizerem os 23 imigrantes marroquinos.

Choca-me saber que alguns foram perseguidos e algemados, como se de criminosos se tratassem. Choca-me que sejam chamados de clandestinos ou ilegais. Choca-me que sejam indesejados. A imigração é um direito. É por isso que abomino o nacionalismo ou o patriotismo, como queiram. As pessoas devem ser livres de escolher onde viver. Sem muros e sem fronteiras. Ser imigrante é um acto de grande coragem e dignidade. São pessoas que não se conformam com o destino que lhes querem traçar. Os imigrantes são pessoas à procura de uma oportunidade de vida. Afinal eles, como nós, apenas querem viver e ser felizes. É isto que os dirigentes políticos, com raras excepções, não querem perceber, envolvidos que andam em fazer a gestão do capitalismo e não a tentar resolver o problema das pessoas que sofrem.

As presidenciais francesas

lilian_thuram_21.jpegSarkozy é um homem perigoso, porque faz despertar o racismo latente do povo. A sua retórica não é quase racista. É mesmo racista! Quer criar um Ministério da Emigração e da Identidade, uma ideia perigosa. Quando se começa a separar as pessoas, um grupo aqui, outro ali, os muçulmanos no seu sítio e os negros noutro qualquer, estamos a ensinar aos mais jovens que há pessoas diferentes. Se Sarkozy vencer as eleições ou saio do país ou entro para a resistência.”

Lilian Thuram
(Nascido em França, jogador de futebol com mais internacionalizações e mais títulos internacionais, 35 anos de idade, joga actualmente no Barcelona é membro do Alto Conselho para a Integração, é também um activista político e um intelectual. É uma das vozes mais respeitadas nos meios futebolísticos, intelectuais e da imigração)

A “Bola” não é só um jornal desportivo. É por estas e por outras que é o meu jornal desportivo diário.