Eram mais que muitos.

Talvez não vá ainda adiantar grande coisa. Mas o Governo não pode dizer que não viu ou ouviu. Não pode dizer que são coisas de comunistas (nem o PCP pode ter essa veleidade). Foram 200 mil pessoas a protestar contra o Governo. Não foi uma manifestação qualquer. Não foi mais uma. Não foram uns floreados para as televisões. Foram milhares e milhares de pessoas de todos os pontos do país, de todos os partidos. Foi a maior manifestação dos últimos vinte anos. Talvez não vá ainda adiantar grande coisa. Mas é um forte sinal e um sério aviso ao Governo. E parece significar que muitos portugueses, finalmente, parecem dispostos a ir à luta em vez de ficar por queixumes inconsequentes. A luta por uma Europa social e empregos com direitos não acaba nunca. Estão de parabéns a CGTP e todos os que foram a Lisboa à manifestação. Desta vez, não pude, fisicamente, estar presente, mas estive em espírito!

Anúncios

“não atirem o Hamas para os braços da Al-Qaeda”

ismail_haniyeh_hamas_at_rally_cartoon.jpg

Tem razão o ministro dos negócios estrangeiros italiano, em contraposição às posições políticas de Bush e ao que parece ser ou conduzir a estratégia dos quatros negociadores, Estados Unidos, Nações Unidas, União Europeia, Rússia, para a paz no Médio Oriente e entre Israel e a Palestina; não se pode atirar o Hamas para os braços da Al-Qaeda.

Disse ainda. “O Hamas foi protagonista de actos terroristas, mas é também um movimento popular. Para o ocidente, não reconhecer um governo eleito democraticamente e andar de braço dado com alguns ditadores, também não é uma extraordinária lição de democracia”.

Sem nenhuma dúvida. Fazer alinhar o Hamas no chamado “eixo do mal” na perspectiva maniqueísta/bushista, é de uma imbecilidade notável, causando aproveitamentos e possíveis realinhamentos indesejáveis, e extremando ainda mais as posições, entre os defensores da paz e quem pretende manter o conflito.

O importante mesmo é “forçar” a retoma do diálogo entre o Hamas e a Fatah, para reconstruir o governo de unidade nacional na Palestina e impor diplomaticamente a negociação entre Israel e a Palestina.

Mas não é isso que pretendem os Estados Unidos e Israel, bem acompanhados pelo grupo dos quatro negociadores, mas sim isolar o Hamas.

Tenho encontro marcado com Sócrates

Se ele aparecer, esta tarde em Guimarães, no encontro dos ministros de trabalho da União Europeia.

Eu vou lá estar. A protestar. Contra Sócrates, contra a flexisegurança, contra o desemprego, contra a política económica e social deste governo. Até logo!

“Se quiser peça para sair da União Europeia”

Foi assim que o ministro da Agricultura e Pescas, Jaime Silva, respondeu ao protesto dos pescadores.

Independentemente da análise de cada um, sobre os ganhos e perdas da entrada na União Europeia, sobre os diferentes passos do processo constituinte, alguma vez, por decisão dos nossos governantes, os portugueses foram chamadas a pronunciar-se sobre o processo de integração europeia? Não fez o representante sindical o que lhe competia, chamando a atenção para os problemas do sector e dos pescadores em particular? E o representante do Governo, não lhe competiria saber ouvir, responder educadamente e explicar convenientemente as suas posições ou remeter para outra ocasião uma explicação, em vez de responder de forma malcriada? Alguém perceberá a reacção do ministro da Agricultura e Pescas senão à luz da arrogância e autismo de um Governo nervoso?

Porque não pergunta o Governo aos portugueses em referendo se querem esta Europa e processo constituinte em curso? Só através desse mecanismo o povo português poderia exprimir a sua posição de forma inequívoca.

Portugal é quem mais paga

Portugal é o país da União Europeia que mais contribui, proporcionalmente, para o orçamento da União Europeia e o Reino Unido é o que menos paga.

Ao contrário do que seria razoável os países membros não pagam em função da sua riqueza nacional, mas precisamente ao contrário. São os países mais pobres que mais pagam em percentagem do Produto Interno Bruto.

ue.jpg

Aí está o pagamento da factura com “juros” dos fundos comunitários. Não há almoços grátis.

Os pobres que paguem a crise!