O dedo na ferida!

Carvalho da Silva em entrevista ao jornal Esquerda do Bloco de Esquerda:

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“Entretanto, coloca-se também outro desafio às forças sociais e políticas, o de ir construindo alternativas porque senão também corremos o risco de estar a trabalhar [a propósito das manifestações e protestos contra o governo] para meras alternâncias contra e isso também não queremos com certeza”. (sublinhado meu).

Muito bem! As pessoas de esquerda que meditem nestas palavras sábias.

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Carvalho da Silva, doutor com distinção.

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O secretário-geral da CGTP é um doutor em sociologia, a partir de ontem.

Aproveitando a sua experiência como sindicalista, Carvalho da Silva, defendeu com brilho e distinção a sua tese de doutoramento versando as questões do trabalho, que lhe valeram a nota máxima, a distinção e louvor do júri.

Carvalho da Silva é a figura que tem reunido o consenso pessoal, político e sindical, à frente dos destinos da maior central sindical do país. Espera-se que o continue a ser.

Carvalho da Silva, ao conseguir reunir uma plêiade de mais de duzentas pessoas, de diferentes origens sociais, profissionais, políticas e partidárias, na defesa da sua tese de doutoramento, deu um bom exemplo de como é possível ser firme na luta, convicto nos ideais, radical nos actos, e ao mesmo tempo, ganhar o respeito e a consideração pessoal, quando se está nos movimentos e na cidadania, com honestidade e de forma desinteressada.

Os meus parabéns ao Carvalho da Silva.

A luta não tem donos

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Eu quero lá saber se alguém ache bem ou ache mal. Eu quero lá saber se vão sobrar provocações. Eu quero lá saber se há quem, em nome de uma falsa unidade, ache que há coisas que não devem ser ditas publicamente. Eu quero lá saber. Eu quero dizer o que penso sem pensar nas consequências. Sem ser politicamente correcto. Sem temer provocações. Eu quero dizer aos homens do aparelho da CGTP versus PC de que a rua não é deles. Que a luta e o protesto não é um exclusivo deles. Que as pessoas que participam nas greves, nas concentrações, nas manifestações, não são apenas do PC. Eu quero dizer aos homens do aparelho da CGTP versus PC que os milhares de trabalhadores que ontem foram protestar a Guimarães não eram todos do PC. Que aquilo não era uma manifestação do PC. Que a CGTP não é do PC. Que a CGTP é dos trabalhadores. É de quem a apoiar. Quero dizer-lhes que a luta é de todos os que estão em luta. E ontem eram muitos. Muitos activistas, muitos dirigentes sindicais, muitos reformados, muitos estudantes, muitos trabalhadores. Eu estive lá. Participei nos cinco quilómetros da marcha sob um sol abrasador. Gritei algumas palavras de ordem. Mas vim irritado com os homens do aparelho da CGTP versus PC. Porque me irrita o sectarismo. Porque me irrita a presunção e a arrogância. Porque me irrita pensar que alguém ache que é o dono das lutas e dos trabalhadores. Porque acho que os partidos devem estar fora dos sindicatos.

Eu vim irritado porque impediram ostensiva e “violentamente” a participação solidária de uma delegação do Bloco de Esquerda, encabeçada pelo Eurodeputado, Miguel Portas, pela deputada Mariana Aiveca, pelo coordenador da CT da AutoEuropa, António Chora, sob uma faixa contra a flexisegurança, com o símbolo do partido e também a participação da corrente sindical do MRPP, luta-unidade-vitória.

E vou ficar irritado com o Bloco de Esquerda por não denunciar esta prepotência.

A actividade sindical hoje!

Lá mais para baixo a propósito de uma opinião sobre a convenção do Bloco a conversa virou-se para a actividade sindical, com muitos comentários. Há mais de uma ano, no A hora que há-de vir!, um post sobre a actividade sindical hoje! não suscitou grande interesse, mas afinal o tema revela-se quente, tal como sempre pensei. Recoloco-o aqui novamente para marcar as minhas preocupações sobre o tema.

A actividade sindical quase não existe, em Portugal. Uns poucos, muito poucos, trabalhadores, de vez em quando, participam em algumas reuniões, nas cada vez menos reuniões, que os sindicatos promovem. Ainda assim, os que participam, na sua maioria, só lá vão, quando se sentem ameaçados nos seus direitos mais fundamentais.

Eu percebo-os.

Assomam sobre eles o medo. O medo das represálias, o medo da pressão, o medo de conotação, o medo de não renovarem o contrato, o medo de perder o emprego.

Predomina, igualmente, a ideia de que estas reuniões não adiantam nada, os discursos são palavreado repetido e de circunstância, reiteradamente ouvidos, sem consequências práticas, cantando vitórias inexistentes ou esboçando perigos iminentes, para por fim, fazerem uma declaração de guerra e serem convocados para jogos políticos de encomenda.

É assim, tem sido assim. Os sindicatos não vão aos locais de trabalho, não conversam com os trabalhadores, não os percebem, não os ouvem, não entendem os seus problemas e receios. Aparecem para distribuir uns comunicados, muito radicais na linguagem, mas nada eficazes, na explicação dos problemas, na dinamização activa, no esclarecimento personalizado, nas pequenas reuniões ou conversa a sós ou em grupo, no local de trabalho, nas pausas, nos gabinetes, nas oficinas, nos grandes espaços físicos, em comunicados à população, em tarjas, no charme à imprensa, em jornadas pontuais de rua e sensibilização das pessoas, para as suas causas.

Acabar com as greves, nas vésperas de feriados, nas pontes, no dia dos exames. Hoje ao contrários doutros tempos é preciso chamar as pessoas, conquistá-las para as suas causas, não é prejudicando-as deliberada e ostensivamente, porque até dá um certo jeito pessoal. Não, isso é ganhar inimigos, é dar argumentos aos populistas. É dar-lhes a oportunidade de denegrir uma luta.

A maioria dos sindicalistas ou estão nos gabinetes sindicais ou nas sedes “ a tempo inteiro”, ou em viagens ao estrangeiro, ou a de vez em quando a organizarem uma acção de acordo com a agenda política do partido ou da central sindical a que estão afectos.

Por isso certas acções de luta ou algumas comemorações como o primeiro de Maio, não passam de rituais. A maioria dos sindicalistas, dirigentes sindicais, dirigentes das estruturas intermédias, as uniões sindicais, ou dirigentes nacionais, estão desacreditados, institucionalizados, rendidos, acomodados, alguns estarão “vendidos”.

Hoje na sua maioria são uns burocratas para ocasiões festivas, para cumprir papéis partidários. De vez em quando, fazem uma ou outra acção conjuntural para mostrarem que existem. E lá estão sempre os mesmos: Os dirigentes de sempre, os delegados sindicais de sempre, os funcionários do partido de sempre, e os trabalhadores, carne para canhão de sempre. E os ingénuos de sempre. E ainda outros que não querem ficar de fora e conscientemente alinham em algumas destas iniciativas, para não desbaratarem um capital de unidade e luta. Alguma coisa tem de ser feita. Assim é uma tristeza.

A verdade é que nós pouco fazemos para mudar. Sabemos que não é fácil, a máquina está “fechada” para nela ninguém entrar. Mas vai faltando participação, exigência, esforço para mudar, falta determinação para o combate. Um amigo meu, dirigente sindical diz-me que está farto. Quer sair, quer voltar ao local de trabalho, mas também não vê ninguém, ninguém se aproxima. Mas se não for da cor politica também não tem hipóteses. Ele diz que os dirigentes sindicais, de um Sindicato, todos juntos e espremidos, não dão mais que alguns bons sindicalistas. Mas, apesar de tudo, quem quer ser sindicalista hoje? Quem é activista sindical? Quem quer ser dirigente sindical? E quem está interessado, como conseguir “derrubar” o muro que está vedado a outras vozes e pensamentos? O cerco da máquina partidária ou sindical abafa tudo.

É uma tristeza e lamentável. A grande verdade é que hoje a carreira profissional está primeiro. O egoísmo está primeiro, O individualismo está primeiro. Tudo poderia ser diferente se o processo de renovação se desse pacifica e livremente, sem interferência política e partidárias, e sem querer controlar a máquina, escolhendo os mais preparados, os mais disponíveis em cada momento e por períodos curtos.

Os trabalhadores só tinham a ganhar!

Congelar o mérito na Função Pública

Que vantagem terá acabar com as progressões automáticas se as progressões por avaliação do desempenho e mérito forem quase inatingíveis?

Apenas descortino uma; a redução dos custos de trabalho com os salários.

Sendo assim, poderemos vir a encontrar um maior alheamento, mais laxismo, uma desmotivação crescente, a total perda de confiança dos melhores e mais dedicados quadros da Função Pública. Será pior a emenda …

O Governo à última hora deu conta do erro e vai daí pretendeu equilibrar as coisas com um sistema de créditos para o futuro. Não acaba contudo com a desconfiança: que também os excelentes e os bons desempenhos e méritos vão ficar congelados. Depois do salários e dos resto. É muita coisa.

Compreende-se que os sindicatos não aceitem o acordo. Com a excepção de um. Há sempre um sindicato para fazer o jeito ao patrão.