Imigrantes uma “espécie” maldita

As imagens de imigrantes perseguidos e algemados, após dois dias de viagem em alto mar, numa pequena embarcação sobrelotada, à fome e ao frio, arriscando a vida à procura de uma oportunidade, são imagens que nos deviam entristecer e revoltar, mais a mais, quando isto acontece num país que viveu estas situações, em particular nos anos sessenta e setenta, com milhares de portugueses a emigrar à procura do sonho de uma vida melhor. Tal e qual como agora o fizerem os 23 imigrantes marroquinos.

Choca-me saber que alguns foram perseguidos e algemados, como se de criminosos se tratassem. Choca-me que sejam chamados de clandestinos ou ilegais. Choca-me que sejam indesejados. A imigração é um direito. É por isso que abomino o nacionalismo ou o patriotismo, como queiram. As pessoas devem ser livres de escolher onde viver. Sem muros e sem fronteiras. Ser imigrante é um acto de grande coragem e dignidade. São pessoas que não se conformam com o destino que lhes querem traçar. Os imigrantes são pessoas à procura de uma oportunidade de vida. Afinal eles, como nós, apenas querem viver e ser felizes. É isto que os dirigentes políticos, com raras excepções, não querem perceber, envolvidos que andam em fazer a gestão do capitalismo e não a tentar resolver o problema das pessoas que sofrem.

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Crueldade e vergonha

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De Miguel Portas

A 7 de Agosto, algures entre a costa tunisina e a ilha italiana de Lampedusa, dois pescadores tunisinos, regularmente inscritos no departamento marítimo de Monastir, socorreram em alto mar 44 imigrantes sem papéis, entre os quais 11 mulheres e duas crianças, pouco antes da barca em que iam se afundar. Recolhidos, os pescadores levaram-nos até porto seguro, em Lampedusa.

Por causa disto, os sete homens que constituíam a equipagem das duas embarcações, foram presos pelas autoridades italianas. Contra eles foi aberto um processo legal a 14 de Agosto, na cidade de Agrigento, no Sul de Itália que se pode concluir com uma condenação até 15 anos de cadeia. Acusação: favorecimento da imigração clandestina e tráfico de seres humanos.

Depois destes acontecimentos, repetiram-se casos em que embarcações legais quebraram o princípio da solidariedade no mar, para que as suas equipagens não incorressem em risco de prisão.

Palavras para quê? Amanhã realiza-se em Agrigento uma vigília de solidariedade que exigirá a mudança da lei. Vários eurodeputados – incluindo este vosso servidor – subscreveram um apelo que exige da Comissão Europeia e do governo italiano o fim da criminalização de quem proceda ao salvamento de náufragos, incluindo aqueles que a lei designa como “ilegais”.

Pela legalização dos imigrantes a viver e trabalhar em Portugal.

Foi aprovada a nova lei sobre a imigração.

A plataforma dos imigrantes, em representação de mais de 50 associações, considera que esta lei é insuficiente. O PS e o PSD apoiaram a proposta e o PCP e Verdes, lavaram as mãos. O BE e o CDS votaram contra.

Também acho que a lei aprovado é insuficiente e desajustada!

A lei devia, primeiro que tudo, legalizar a situação de algumas centenas de milhares de imigrantes que vivem e trabalham em Portugal, mas que, por estarem indocumentados, trabalham e vivem numa espécie de clandestinidade.

Esta gente precisa de uma oportunidade, ter acesso ao ensino, à saúde, aos serviços públicos, a organizar uma vida, na legalidade, com todos os deveres e direitos da cidadania, sem fugir à polícia.

Depois … depois sim, organize-se a sociedade, de modo a receber a imigração adequada, sem recursos à imigração irregular.

Com a lei agora aprovada, não legalizando todos os imigrantes a trabalhar e viver em Portugal, vai se fazer o quê a seguir? Dar ordem de expulsão aos ilegais? Então assumam isso porra! Deixem-se é de meias-tintas.