Até sempre!

Retiraram direitos aos trabalhadores, precarizaram mais o emprego, congelaram vencimentos, diminuíram salários reais, cresceu o desemprego, aumentou o tempo de trabalho, baixaram as comparticipações em actos médicos e em medicamentos aos mais idosos, baixaram os valores das reformas, dos subsídios de desemprego, aumentaram os impostos, as taxas moderadoras, as propinas, os combustíveis, os transportes, as rendas de casa, fecharam-se escolas, cantinas, hospitais, maternidades, aumentou o fosso entre ricos e pobres e a miséria e a fome está presente em muitas famílias … tudo em nome de um amanhã melhor para todos. Mentiroso e traidor este Governo!

Continuar a ler

Debate à esquerda

olhar_de_esquerda.jpg

À esquerda, na Blogosfera, está a travar-se um intenso e interessante debate ideológico. Muito à distância, vou acompanhando com alguma curiosidade e alguma piada, mas mesmo assim, não a suficiente, para me entusiasmar, por aí além.

Digamos que aquelas discussões são muita areia para a minha cabeça. Não apenas porque a discussão é muito teórica e especializada, tão ao gosto de jovens intelectuais e debutantes políticos, e portanto não ao alcance de pessoas comuns, como eu – com débeis conhecimentos de ciência política, de economia e dos pensadores políticos, clássicos ou contemporâneos – e cuja aprendizagem política foi a escola da vida, mas porque discussões e polémicas do género, são recorrentes e no que me toca já a tive a minha parte, há muitos e muitos anos, quando militei na OCMLP (organização comunista marxista leninista portuguesa) e a esquerda (à esquerda do PCP) se entretinha em discussões estéreis, indubitavelmente sectárias e intolerantes, mas com o mesmo denominador; estarem desligadas dos problemas reais das pessoas e das suas necessidades objectivas.

Com isto não pretendo depreciar o debate de ideias, sério, frontal, apaixonado, mais ainda sendo da minha área política, a esquerda. Apenas, pretendo deixar um alerta, como homem de esquerda; não se distraiam com coisas acessórias, com pontos finais e virgulas, com pequenas diferenças políticas cujo importância política, poderá interessar para o novo milénio. A esquerda já perdeu demasiado tempo. O que importa agora é o momento. A vida concreta das pessoas: como resolver o problema do desemprego, pagar a renda de casa, os livros dos filhos, os encargos bancários, acabar com a pobreza, dar de comer a quem precisa, uma casa a quem não tem onde dormir, protecção e segurança social aos idosos, integrar os excluídos, respeitar as diferenças, acabar com as guerras…

As pessoas de esquerda, sem deixar de cair os grandes sonhos, as suas saudáveis utopias, precisam de ser mais práticas, em nome dos que sofrem hoje. Deixando de lado, vanguardismos ou arrogâncias intelectuais e actuando com muito humildade democrática. Para ganhar a maioria social. Para ganhar o poder. Para dar combate a políticas injustas e capitalistas. Por uma esquerda nova, adulta, de confiança.

A série de debates está aqui.

Venezuela e Chavez. Uma Democracia um democrata. Até ver …melhor.

hugo_chavez-724441.jpg

Chavez foi a votos, perdeu e aceitou os resultados. A Venezuela é um país democrático. A prova está feita. Ganhou a oposição. Num regime anti-democrático as oposições não ganham as eleições. Hugo Chavez, aparentemente, também é um democrata. Agora terá de experimentar um longo “período de nojo”, se quiser apresentar novamente esta sua proposta de “revisão constitucional” aos eleitores. É o mínimo que se exige a um democrata. Em democracia ninguém é excluído e todos devem poder defender as suas posições. É assim a democracia. Até ver não têm razão quem arremessava os maiores impropérios a Chavez, como as de um ditador. Até ver.

Até ver também não têm razão quem temia a vitória do Sim. Porque em democracia não há que temer as escolhas dos eleitores. Em democracia, claro. E sendo a Venezuela uma democracia, a democracia recusou alterar alguns princípios constitucionais que a maioria, considerava ter laivos anti-democráticos. Ou pelo menos tinha receios.

Pessoalmente não tenho uma posição definitiva sobre Hugo Chavez. Não sei se é um (potencial) tirano ou se é ou revolucionário dos novos tempos. Nunca me entusiasmaram muito as boas medidas no campo político e social ou as diatribes contra o imperialismo americano ou as multinacionais, mas também nunca dei crédito a quem o qualifica de ditador ou populista. Não aprecio especialmente o estilo nem a forma como pretende instaurar o “socialismo”. Mas é cedo para julgar o seu carácter e a “bondade” das suas intenções e as suas propostas ainda não são suficientemente claras.

Mas uma coisa deveria saber Chavez se é um revolucionário; é que nos regimes democráticos a revolução, não se faz por decreto, nem o socialismo se impõem à “bruta”: em democracia, a revolução e o socialismo progride, em primeiro lugar, através da criação de poderosos mecanismos de participação livre, democrática e cidadã e também de instrumentos de controlo popular e democrático, das decisões dos órgãos do poder. É isto que os revolucionários esperam de Chavez, agora …se Chavez for realmente um revolucionário.

Aprofundar e dar mais qualidade à democracia e depois deixar nas mãos do Povo a escolha dos seus destinos, sem medos. Caso contrário, as dúvidas sobre as reais intenções de Chavez, subsistirão. Um ditador ou um revolucionário? Ou alguém bem intencionado mas com falta de cultura democrática? Estou mais inclinado para esta última. Até ver.

Luísa Mesquita expulsa do PCP

luisa-mesquita.jpg

Luísa Mesquita era uma boa deputada até ao dia… em que a direcção do partido decidiu substituí-la e ela recusou. Agora foi expulsa. Ontem, Luísa Mesquita era uma excelente deputada. Hoje, é uma mulher cheia de defeitos. Amanhã será mais uma “subjugada” aos interesses burgueses. Luísa Mesquita não mudou em meia dúzia de dias. E não mudou porque a decidiram substituir. Luísa Mesquita é o que era antes, com todos os defeitos e todas qualidades. O problema está no partido. Mas esse é o partido que os militantes querem. Tudo pelo partido e sempre com os dirigentes. Foi sempre assim. É assim que os militantes querem e também os eleitores; a avaliar pelos resultados eleitorais. Assim seja, então. Cá por mim apenas tenho que lamentar que um partido de esquerda tenha estes procedimentos.

O dedo na ferida!

Carvalho da Silva em entrevista ao jornal Esquerda do Bloco de Esquerda:

carvalho-da-silva.jpg

“Entretanto, coloca-se também outro desafio às forças sociais e políticas, o de ir construindo alternativas porque senão também corremos o risco de estar a trabalhar [a propósito das manifestações e protestos contra o governo] para meras alternâncias contra e isso também não queremos com certeza”. (sublinhado meu).

Muito bem! As pessoas de esquerda que meditem nestas palavras sábias.

Bloco de Esquerda e Sá Fernandes divididos?

safernandes.jpg

O Bloco e o PS fizeram um acordo pós eleitoral, sobre algumas matérias, que tiveram o meu apoio. Fizeram um acordo concreto, sobre meia dúzia de pontos, cuja marca é indubitavelmente de esquerda. Apenas isso. Não fizeram nenhuma coligação. Não alargaram o acordo a outras matérias. Por isso toda a acção executiva é da responsabilidade de António Costa e do PS, com excepção daqueles pontos concretos do acordo e os que decorrem dos pelouros atribuídos ao vereador Sá Fernandes. Querer atribuir outras responsabilidades ou culpas, pelos actos do executivo, a Sá Fernandes ou ao Bloco de Esquerda é pura difamação, mais a mais se alguns dos actos são também criticados por estes.

É hoje do conhecimento público (ver o blogue dos trabalhadores precários) que todos os partidos que governaram a Câmara, sozinhos ou em coligação, o CDS, PS, CDU e PSD, colocaram pessoas da sua confiança na Câmara e por lá continuam, alguns, há largos anos. São às centenas os amigos ou familiares que lá estão por clientelismo partidário.

Segundo uma lista publicada no Lisboa Alerta são muitos os avençados que estão a ganhar acima dos 2 500 euros/mês, com remunerações superiores aos funcionários do quadro a desempenhar funções idênticas, sendo que muitos deles, exercem a tempo parcial e não são necessários ao serviço. Quem está nesta situação (a tempo parcial e não é necessário) deve ser dispensado ou não deve ser renovado o contrato. Tão simples quanto isso. A Câmara não pode (e certa esquerda deveria perceber isso) perante uma falência técnica da Câmara e o regabofe de empregos criados artificialmente, dar-se ao luxo de manter esta situação, apenas para não ser acusada de “despedimentos”. Convém lembrar que os partidos que governaram Lisboa nunca levantaram esta questão, como se protegendo uns aos outros, por todos terem culpas no cartório.

Mas também há alguns outros, a recibo verde ou com contrato precário que fazem falta. Ou mesmo que não fazendo falta, tenham um mínimo suficiente de anos de trabalho efectivo e com um horário de trabalho completo. Neste caso devem integrar os quadros independentemente da forma e do modo como “entraram”, ajustando as suas remunerações aos do quadro e ao que estabelece o contrato de trabalho colectivo.

O que não entendo é a pressão de alguns militantes do Bloco de Esquerda, (ou do próprio Bloco de Esquerda, o que será mais grave) como a do deputado municipal Heitor de Sousa, sobre Sá Fernandes, ao ameaçar de ruptura do acordo, (como se fosse necessário) no caso de António Costa, não cumprir com a proposta apresentada por Sá Fernandes (recorde-se), de serem integrados no quadro todos os trabalhadores que “configurem um contrato de trabalho encapotado”.

Estas pressões sobre Sá Fernandes são inadmissíveis, vindas dos seus militantes ou do Bloco. São uma manifestação de desconfiança. Como sempre defendeu Sá Fernandes (e o próprio Bloco) todas as situações têm de ser analisadas caso a caso, para não haver injustiças. O deputado municipal não devia fazer estas declarações públicas sem consultar Sá Fernandes. Até prova em contrário, Sá Fernandes, deverá ser merecedor de todo o crédito. O Bloco não pode deixar de publicamente mostrar confiança no seu Vereador nem pode falar a várias vozes. Ou ficar-se pelas meias-tintas para agradar a todos. Assim não! Este acordo como é sabido não foi aceite por algumas correntes dentro do Bloco. É natural. As divergências são naturais nos partidos democráticos. O que não é natural é a constante guerrilha dessas correntes, sempre que discordam de uma medida de António Costa, mesmo que tenha merecido a oposição de Sá Fernandes, para denegrir e tentar romper o acordo, parecendo mais interessados em querer passar a sua posição que tentar que o acordo tenha êxito.

A posição de António Costa de deixar à arbitrariedade das chefias, os contratos que vão ou não vão ser renovados não assegura o cumprimento do que foi acordado. E isso naturalmente não pode ser aceite. A meu ver um contrato de trabalho encapotado é aquele que decorre da existência de pelo menos dois contratos de três anos de serviço cada, ou seja seis anos de exercício de funções na Câmara Municipal. No mínimo é isto que se pede a Sá Fernandes.

Acredito que Sá Fernandes, será o primeiro a denunciar, como tem sido o caso, de incumprimento de decisões colectivas ou se for caso disso a romper o acordo com o PS, no caso de verificar, que não estão a ser cumpridos os pressupostos do mesmo.

Estou com Sá Fernandes!

Limpar a palavra Socialismo

“Hu Jintao [ Presidente do Partido Comunista Chinês e Presidente da China] lançou um apelo aos 73 milhões de membros do partido para que mantenham levantada a “grande bandeira do socialismo com características chinesas”.

Sempre que a China é notícia, os camaradas comunistas do PCP que me desculpem, lembro-me sempre das relações amistosas entre o Partido Comunista Português e o Partido Comunista Chinês. Não consigo perceber estas amizades, sinceramente.

A China é um país onde impera um capitalismo de Estado selvagem e uma ditadura feroz, não tem nada a ver com o Socialismo. É preciso devolver dignidade à palavra Socialismo.

Hasta la Victoria Siempre!

fotochemarzo.jpg

UM SONHO PODE CUSTAR UMA VIDA.

FAZ HOJE, 9 DE OUTUBRO DE 2007, QUARENTA ANOS QUE UM SARGENTECO DO EXERCITO BOLIVIANO, A SOLDO DA CIA E DOS ANTICASTRISTAS, CEIFOU A VIDA A ERNESTO GUEVARA DE LA CERNA. (IRONIA DO DESTINO. CURIOSAMENTE ESSE SARGENTECO ACABA DE READQUIRIR A VISÃO P’LAS MÃOS DE MÉDICOS CUBANOS. DUPLA VITORIA DO CHE COMO ALGUÉM ESCREVEU)

“En nuestro afanoso oficio de revolucionarlo, la muerte es un accidente frecuente” escreveu Che.

Este poema de Álvaro de Oliveira lembrou-me Che, em homenagem ao guerrilheiro ouso usurpar as palavras do poeta:

“O TEU OLHAR / QUE SOLTO TE CONVOCA / E NOS CONVOCA ”

[Aquele olhar captado por Alberto Díaz Gutiérrez, – que o mundo conheceu como Alberto Korda – imortalizou na celebre fotografia de Che, tirada a dia 5/3/1960 quando este participava protesto contra a explosão de um barco que matara 136 pessoas. Alberto Korda estava então longe de imaginar que a sua foto correria mundo e se transformaria maior ícone da esquerda de todo o mundo.]

Desculparão o abuso mas hoje, particularmente hoje, senti necessidade de homenagear Che, uso para isso o espaço do Fernando, sei que ele não se me levará a mal.

De igual modo imagino que Álvaro de Oliveira não se sentirá incomodado com o uso do seu poema. Até porque, como escreveu Manuel Alegre “A qualquer momento / qualquer um / pode dizer: eu sou o Che.”

São de Alegre as palavras que ilustram a minha homenagem:

“De todos os guerrilheiros / ele é o único insepulto / nem sequer se sabe se ressuscitou / ao terceiro dia / Não está em parte nenhuma / o que significa que pode estar em toda a parte
“O foco guerrilheiro existe sempre. Em cada um de nós/ existe um foco. Uma guerrilha possível / uma insubmissão, / Nem é preciso procurar além a serra / o lugar propício / inacessível / A serra está em nós. Começa / em certas noites no nosso próprio quarto / irrompe subitamente sobre a mesa de trabalho / pode aparecer à esquina / em plena rua”

JC

Nota: O tempo, nesta altura, é curto já o tinha dito aqui, ocupado que ando noutras coisas da vida. Por isso e certamente com a cumplicidade do JC, aproveito o seu comentário para dar o destaque que Che merece, prestando-lhe a minha homenagem também.

Divagações.

carvalhodasilva.jpg

manuel-alegre.jpgflouca.jpgmiguelportas.jpg

Qual o caminho para capitalizar o descontentamento gerado pela social-democracia tecnocrática de José Sócrates? Talvez dissolver o Bloco de Esquerda para criar uma nova plataforma que junte o eleitorado de Manuel Alegre e Helena Roseta e o dinamismo de um novo líder chamado Carvalho da Silva? Não: aconteceu o mesmo na Alemanha no Verão e acontecerá em Itália ainda este ano.

(da Focus de hoje)

Será que é possível à esquerda, às várias esquerdas, esquerdas-esquerdas, encontrarem plataformas mínimas de entendimentos, cada vez mais alargadas? Serão possíveis, entendimentos que conduzam a um partido único, a um Partido da Esquerda Portuguesa, como é o meu desejo?

Que esquerda nova queremos, afinal? Estamos dispostos a sacrificar os nossos “grupos”?

É possível construir um movimento ainda mais largo e mais aberto? É possível chamar os renovadores comunistas, os independentes, os votantes de esquerda, doutros partidos a esta nova organização?

Em que domínios e quais os pontos comuns, susceptíveis de unir a esquerda, na prática e concertadamente?

Serão movimentos tipo “Movimento Intervenção Cívica”, Fórum Social, ATTAC, espaços privilegiados e adequados, de discussão, de procura dos caminhos, de reflexão sobre as escolhas fundamentais e prioritárias, da congregação dos esforços para dar forma a actuações mais eficazes?
(…)

(de A hora que há-de vir!..)

Os partidos são um instrumento político, não podem ser o fim.

Miguel Portas (citado pela Focus)

O povo não pode esperar

liberdade.jpg

Eu ando um pouco zangada com a esquerda. Em particular com o Bloco de Esquerda. Porque é do Bloco de Esquerda que espero alguma coisa mais.

O PCP sabe-se, não quer mudar nada à esquerda. A existência do PCP resume-se a fazer uma oposição conservadora e corporativista. Aos dirigentes do PCP chega-lhes a CGTP para a luta política e o protesto, uma dúzia de deputados para quase nada de relevante e um passado político na luta antifascista.

O Bloco de Esquerda deve querer mais. Eu quero mais do Bloco senão não vale a pena. O Bloco deve querer ser um partido do poder. Agora. É isso que deve anunciar. Sem isso nada feito. O Bloco com três, sete ou dez deputados, é a mesma coisa. Para mim bastava um com o tempo de antena dos sete. O Bloco de agora não é melhor que o Bloco quando tinha dois deputados. O que eu espero é um Bloco a influenciar a governação. O mais rápido possível. Com acordos ou partilhando o poder.

Com este PS de Sócrates não há acordos possíveis, mas o discurso do Bloco deve ir ao encontro das expectativas dos eleitores do PS, quebrando o PS, provocando divisões internas. Precisa de olhar igualmente para a massa de eleitores do PSD. Para isso precisa de fazer algumas reorientações no discurso político. Também na prática política. Precisa adaptar a linguagem. Inventar formulações. Ser popular. Não aparecer aos olhos dos eleitores como estando sempre do contra.

Tal não significa abdicar dos princípios, dos objectivos, das propostas políticas. O Bloco tem um projecto político e em algum momento deve ser colocado em causa.

Mas não se pretende a revolução amanhã. Pode ser depois de amanhã. Mas para isso é preciso conquistar as pessoas com inteligência. Desde que sejam povo todos os apoios são bem-vindos.

O que as pessoas, todas as pessoas de esquerda desejam, se verdadeiramente são de esquerda é antes de tudo, o bem-estar do povo, é dignidade e justiça social, são enfim melhores condições de vida para todos. E liberdades.

Quero dizer por fim que estou mais à esquerda que nunca. Mas as discussões filosóficas e ideológicas, não podem iludir um problema premente; o povo não pode esperar.

Uma nota final. Gostava de ver o PCP empenhado numa convergência à esquerda sem preconceitos e sem pretensões de liderança. Será um dia… porque o PCP é indispensável.