Imagens “sexuais” (VI)

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(recebido por e-mail)

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Hasta la Victoria Siempre!

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UM SONHO PODE CUSTAR UMA VIDA.

FAZ HOJE, 9 DE OUTUBRO DE 2007, QUARENTA ANOS QUE UM SARGENTECO DO EXERCITO BOLIVIANO, A SOLDO DA CIA E DOS ANTICASTRISTAS, CEIFOU A VIDA A ERNESTO GUEVARA DE LA CERNA. (IRONIA DO DESTINO. CURIOSAMENTE ESSE SARGENTECO ACABA DE READQUIRIR A VISÃO P’LAS MÃOS DE MÉDICOS CUBANOS. DUPLA VITORIA DO CHE COMO ALGUÉM ESCREVEU)

“En nuestro afanoso oficio de revolucionarlo, la muerte es un accidente frecuente” escreveu Che.

Este poema de Álvaro de Oliveira lembrou-me Che, em homenagem ao guerrilheiro ouso usurpar as palavras do poeta:

“O TEU OLHAR / QUE SOLTO TE CONVOCA / E NOS CONVOCA ”

[Aquele olhar captado por Alberto Díaz Gutiérrez, – que o mundo conheceu como Alberto Korda – imortalizou na celebre fotografia de Che, tirada a dia 5/3/1960 quando este participava protesto contra a explosão de um barco que matara 136 pessoas. Alberto Korda estava então longe de imaginar que a sua foto correria mundo e se transformaria maior ícone da esquerda de todo o mundo.]

Desculparão o abuso mas hoje, particularmente hoje, senti necessidade de homenagear Che, uso para isso o espaço do Fernando, sei que ele não se me levará a mal.

De igual modo imagino que Álvaro de Oliveira não se sentirá incomodado com o uso do seu poema. Até porque, como escreveu Manuel Alegre “A qualquer momento / qualquer um / pode dizer: eu sou o Che.”

São de Alegre as palavras que ilustram a minha homenagem:

“De todos os guerrilheiros / ele é o único insepulto / nem sequer se sabe se ressuscitou / ao terceiro dia / Não está em parte nenhuma / o que significa que pode estar em toda a parte
“O foco guerrilheiro existe sempre. Em cada um de nós/ existe um foco. Uma guerrilha possível / uma insubmissão, / Nem é preciso procurar além a serra / o lugar propício / inacessível / A serra está em nós. Começa / em certas noites no nosso próprio quarto / irrompe subitamente sobre a mesa de trabalho / pode aparecer à esquina / em plena rua”

JC

Nota: O tempo, nesta altura, é curto já o tinha dito aqui, ocupado que ando noutras coisas da vida. Por isso e certamente com a cumplicidade do JC, aproveito o seu comentário para dar o destaque que Che merece, prestando-lhe a minha homenagem também.

Os escravos morriam a trabalhar

Recebido por mail

O texto que se segue é da autoria de Alice Brito, advogada em Setúbal, merece que percamos um pouquinho do nosso tempo para o ler.

Se depois de lido não sentir uma revolta a estalar dentro do peito e for capaz de olhar e ouvir os nossos governantes sem se perturbar, cuide-se… porque já perdeu de todo a capacidade de se indignar e, quando assim é, eles podem continuar impunemente a sugar-nos o sangue, que ninguém ousará dizer basta.

JC

Morreu há dias a Profª Manuela Estanqueiro com 61 anos, a quem havia sido diagnosticada uma leucemia. O caso ficaria por aqui não fora a violentíssima história em que se embrulhou, espelho feroz dos tempos ferozes em que vivemos.

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Ninguém me viu por ali

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Álvaro Oliveira

O meu espaço é por eleição esta terra onde ainda se respira o ar puro das montanhas e do mar. E o olhar, este olhar que a paisagem se encarrega a pouco e pouco de ferir, perde-se ao longe, transportando a imagem degradante deste outro tempo, o nosso tempo que, de tão duro, tanto custa a esquecer: a corrupção continua à velocidade de um foguete. E outra vez a Bragaparques nesta conjuntura…

Procuro, então, libertar-me das preocupações de cada dia e é aí que reparo não ser tarefa assim tão fácil. Vou não vou, caminho nesta indecisão e retomo a leitura do Evangelho de Judas. Mais uma fantochada, digo eu. E porque é que Cristo havia de ser traído? E porque sorte teria que ser este pobre e bom apóstolo (Cristo já o sabia) eleito pelo divino para desempenhar tão vil papel?

A propósito de papel, passou estes dias por Braga, na bancada poente do estádio 1º de Maio, a Feira do Oculto. Ninguém me viu por ali. Não que o próprio cenário me ocultasse, nem esconder-me por entre os poderes mágicos dos videntes ou a estender a palma da minha mão a uma cartomante para que através das linhas ela pudesse ler-me a sina e ali mesmo assustar-me ao revelar os dias do meu destino. Tão-pouco consultar um pai de santo para me falar de um outro espírito. E que espírito!…

Do passado, pouco interessa saber; sobre o futuro prefiro caminhar ao ritmo dos acontecimentos, sempre atento ao que de melhor e de pior nesta terra se vai fazendo. E depois não é isso, estender a mão a uma cartomante é correr o risco de ficar sem ela.

Pois é, do passado apenas o passatempo dos dez mais que a equipa de Maria Elisa nos apresenta ou impinge como eleitos no honroso título de Maior Português. Entre estes, vejam bem: Salazar! E logo aqui se pode elaborar o argumento duma mais que estúpida e provocante comparação. Sabemos bem como é… Não quero nem por sombras acreditar que este gesto tenha por fim pôr meia dúzia de fascistas a esfregar as mãos de contentamento. Mas como dizia o outro «pero que los hay los hay»

Já agora, porque razão, nesta admirável dezena não teve lugar um destes videntes ou pais de santo que tudo sabem sobre as nossas vidas, sobre o nosso passado e o nosso futuro, sobre o nosso país e sobre o mundo?

Cá dentro a discussão continua como atrito. A campanha para o referendo sobre a despenalização do aborto está escaldante. Vejo que perdem o bom senso e a razão. Talvez até a loucura de querer conduzir, à força, um rio de palavras para o caudal da ameaça e do insulto e, com elas, uma a uma, fazer radicalizar a questão. Depois, rente ao concreto da vida descubro, para espanto meu, que alguns líderes religiosos fazem estalar o verniz da mansidão e da performance quando, ao arrepio de um debate que se quer digno e elevado, apelidam de criminosos assassinos os defensores do Sim. Tanto, confesso que não esperava. Nem me passa pela cabeça que, noutros tempos, por muito menos os lançariam na fogueira. Bom, não façam disto uma guerra entre católicos e ateus, nem reduzam, mais uma vez, as pessoas a números… para contar no fim.

“Em nome dos equilibrios, Louçã não pode fazer ouvidos de mercador”

O texto que abaixo transcrevo é mais do que um comentário do João Carmo Lopes ao meu post, “Louçã lidera a oposição”. É um artigo que em minha opinião coloca questões muito concretas sobre o Bloco de Esquerda, sobre os equilibrios das diferenças tendências, sobre o futuro do Bloco. Revejo-me muito no que é dito e parecendo-me um documento de extrema importância para o debate, sobre as mudanças na esquerda e sobre o projecto do Bloco, deixo-o aqui completo, esperando que suscite alguma discussão. Vamos a isso!

Por João Carmo Lopes

Louçã é evidentemente um líder, singular infelizmente. Francisco Louçã passou a fase da moda e assume-se, e pelos vistos é reconhecido, como um homem de convicções, de princípios. Um líder inteligente, competente e lutador.Porem a liderança é também uma questão de estar consciente do que está acontecer ao grupo, ao seu partido, e agir apropriadamente. Aqui tenho serias dúvidas de que Louçã se afirme.

Não há dúvida de que [Louçã]se destaca, até pela afabilidade, do grupo dos quatro que lideram o partido que ajudou a fundar. A sua estrela brilha mais que qualquer uma, dos outros três aliás, alguns são meras candeias. Mas a liderança tem também uma outra vertente, um outro aspecto se quisermos, eventualmente administrativo, mas fundamental na capacidade de harmonizar as necessidades e disponibilidades dos indivíduos, dos militantes com as exigências da organização. Nesta questão, creio que Louçã tem ainda muito para calcorrear.

Enquanto não se espartilhar por completo os acordos tácitos do bando dos quatro, não é possível dar respostas à questão que colocas quando escreves «outra coisa bem diferente é a desconfiança, a falta de audácia, o temor pela mudança, pelo novo, o conservadorismo típico dos portugueses, os fantasmas que povoam as nossas mentes, o medo de novas políticas ao arrepio do pensamento único neoliberal».Liderança é a influência exercida e dirigida, através do processo de comunicação e de organização para a prossecução de propósitos comuns, de objectivos do partido. E isso Louçã não consegue. Ainda, espero eu.

Não consegue por causa dos equilíbrios. Louçã tem carisma suficiente para poder romper com praticas que gradualmente vão ganhando corpo no partido que ajudou a fundar. Se não tiver coragem para romper com elas, se em nome dos famosos equilíbrios fizer ouvidos de mercador aos rumores que vão chegando. Se, Louçã aceitar que a próxima convenção seja mais um estafado exercício de pseudo-democracia. Isto é: Se Louçã, se escudar nas couraças dos grupos de trabalho, ditos imbuídas da génese da democracia plena, onde toda a gente discute e manda bitates mas porque esses fóruns são órgãos abertos, onde a participação é um acto voluntário, dependendo da vontade do momento. Se não se tomam decisões, porque são órgãos abertos (não eleitos) l deixam terreno para que os “chicos espertos” do tipo pato-bravo (O pato bravo não é apenas uma ave que nidifica e procria na construção civil) chamem a si a decisão. Toda a gente que participa nesses fóruns são meras figuras decorativas, servem apenas para mesclar, com tintas de democracia as decisões que já estão tomadas. A democraticite é falsa democracia, escrevo mesmo inimiga mortal da democracia plena.Louçã, não apenas mas também, tem que saber romper com este estado de coisas.

Se o fizer é credor de toda essa simpatia que este povo que temos lhe devota, escrevi intencionalmente “devota”, se o não fizer corre o risco de ser mais uma desilusão, como já foram alguns dos seus companheiros do projecto original.

Adenda: Alguém ao lado sopra-me que os meus amigos do Bloco não vão gostar desta postagem. Era o que faltava! Se assim acontecer apenas lamento. O “meu” Bloco é isto. A livre discussão, a discussão sem limites, a discussão sem paredes (mesmo de vidro). Dizer bem e dizer mal, criticar ou aplaudir mas com lealdade, para continuar a privilegiar o projecto.

PS: Adenda minha (do Fernando).