Imigrantes uma “espécie” maldita

As imagens de imigrantes perseguidos e algemados, após dois dias de viagem em alto mar, numa pequena embarcação sobrelotada, à fome e ao frio, arriscando a vida à procura de uma oportunidade, são imagens que nos deviam entristecer e revoltar, mais a mais, quando isto acontece num país que viveu estas situações, em particular nos anos sessenta e setenta, com milhares de portugueses a emigrar à procura do sonho de uma vida melhor. Tal e qual como agora o fizerem os 23 imigrantes marroquinos.

Choca-me saber que alguns foram perseguidos e algemados, como se de criminosos se tratassem. Choca-me que sejam chamados de clandestinos ou ilegais. Choca-me que sejam indesejados. A imigração é um direito. É por isso que abomino o nacionalismo ou o patriotismo, como queiram. As pessoas devem ser livres de escolher onde viver. Sem muros e sem fronteiras. Ser imigrante é um acto de grande coragem e dignidade. São pessoas que não se conformam com o destino que lhes querem traçar. Os imigrantes são pessoas à procura de uma oportunidade de vida. Afinal eles, como nós, apenas querem viver e ser felizes. É isto que os dirigentes políticos, com raras excepções, não querem perceber, envolvidos que andam em fazer a gestão do capitalismo e não a tentar resolver o problema das pessoas que sofrem.

Flexi(nse)gurança

“Quem perder o trabalho, por causa da aplicação deste modelo, não deve temer o desemprego, explicam os defensores do conceito. Porque quem ficar desempregado irá receber um subsídio tão generoso que lhes permitirá manter o nível de vida que tinham quando estavam empregados. Além disso, ser-lhes-á prestada assistência na procura de um trabalho e ser-lhes-á dada formação profissional.”

Em Portugal?

A maior vergonha!

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A Presidente da Federação dos Bancos Alimentares contra a Fome, Isabel Jonet diz que o número de pessoas a pedir ajuda para comer está a crescer com «novos pobres», pessoas que têm emprego e recebem salário, mas cujo rendimento não dá para satisfazer as necessidades da família. “A situação é alarmante”, garante Fernando Nobre, presidente da AMI (Assistência Médica Internacional).

São dois milhões de pobres em Portugal, segundo os números do INE. Um quinto da população. É uma vergonha nacional!

Uma ou duas vezes por ano, os números da pobreza aparecem a público, desta vez por ocasião do dia Mundial de Alimentação. Mas envergonhadamente, em duas linhas dos jornais. A fome e a pobreza não são notícia. São apenas números estatísticos entre tantos outros.

E no entanto estamos perante a maior crueldade das sociedades modernas. Centenas de milhares de famílias a passarem fome ou a passar pelas maiores privações, sem emprego ou com pensões de reforma muito baixos, que em muitos casos não chegam para pagar os medicamentos, enquanto, uns tantos vivem na maior opulência.

Assiste-se hoje a uma insensibilidade social repugnante por parte de quem pode fazer alguma coisa. Os Governos e as elites fogem às suas responsabilidades sociais. Sem pudor vão destruindo o edifício do Estado Social, que o rendimento social de integração ou o complemento social aos idosos, não conseguem disfarçar. Os ricos e poderosos estão-se positivamente nas tintas. Em contraste, Portugal continua a ser o país, onde o fosso entre ricos e pobres é o maior, do conjunto dos países da União Europeia.

Entretanto o Governo Sócrates vai ainda penalizar mais quem tem mais dificuldades, aumentando o IRS a aposentados com rendimentos acima dos 430 euros mensais.

Adenda: leio aqui que no Porto 3 em cada 10 portuenses, vivem com menos de dez euros por dia. Este é um país filho da puta de cáca.

Limpar a palavra Socialismo

“Hu Jintao [ Presidente do Partido Comunista Chinês e Presidente da China] lançou um apelo aos 73 milhões de membros do partido para que mantenham levantada a “grande bandeira do socialismo com características chinesas”.

Sempre que a China é notícia, os camaradas comunistas do PCP que me desculpem, lembro-me sempre das relações amistosas entre o Partido Comunista Português e o Partido Comunista Chinês. Não consigo perceber estas amizades, sinceramente.

A China é um país onde impera um capitalismo de Estado selvagem e uma ditadura feroz, não tem nada a ver com o Socialismo. É preciso devolver dignidade à palavra Socialismo.

Vulnerabilidades

Francisco Louçã considerou a eleição de Luís Meneses para Presidente do PSD, como um sinal da crise do sistema político e da sua “vulnerabilidade ao populismo”.

A mim também me preocupa o populismo enquanto “exploração das emoções e da ignorância com fins políticos”. Mas não é qualquer um que, o querendo, consegue ser “populista”.

Para ser “populista” também é preciso estar ligado ao povo, conhecer os seus problemas, dificuldades e dramas. E ter obra feita. É isso que explica, tal-qualmente, as vitórias dos Jardins, Isaltinos, Valentins, Fátimas. E também de Luís Meneses.

Mais do que a preocupação por “um sinal de crise do sistema político” a classe política bem pensante, devia aprender com o que de melhor tem esta gente; uma efectiva ligação ao povo, em vez dos discursos técnicos, estereotipados, inacessíveis à maioria das pessoas.

A vitória do Luís Meneses significou a derrota das elites, dos barões, dos intelectuais bem pensantes, dos “indígenas” do Compromisso Portugal. E para mim significou uma indicação de vontade de mudanças políticas à esquerda.

Sendo-me indiferente o estilo e a forma de fazer política de Meneses, uma espécie de santanismo travestido, pouco edificante politicamente, fico encantado com a derrota de uma parte da corja política que vem administrando o nosso “sistema político”. E estou-me nas tintas para o futuro do PSD. Ou melhor espero que se afunde …

Esperava que Louçã também se tivesse referido à derrota do “sistema político” dos poderosos derrotados.

“Juros altos precisam-se”

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O país pode bem viver com uma taxa de juros acima dos 4%, mesmo que isso seja devastador para algumas famílias“.

Editorial do Diário Económico.

Os disparates podem ser ditos por qualquer um, com um gosto particular, sobretudo quando vindos de “reputados” economistas. O Sr. Martim Avillez Figueiredo como qualquer bom neoliberal não quer saber das coisas comezinhas do dia a dia das pessoas, como ter de pagar as prestações de um empréstimo de uma casa ou a educação dos filhos, para apenas citar dois exemplos. Ele sabe e sem vergonha o afirma que os juros altos (tal como os impostos excessivos), são devastadores para algumas famílias, mas está-se nas tintas, porque o que interessa é a “competitividade das empresas, e por isso encontra motivos para exigir mais sacrifícios para que o país chegue ” lá acima onde se cruzam as economias ricas”.

Esta treta é recorrente. Já cheira mal. Os Martim’s Avilezes deste país não recebem salários de 1000€ e menos, para no dia seguinte, desembolsar metade com a prestação do empréstimo da casa. Os Martim’s Avillezes não sabem o que é ter salários de miséria e grandes encargos. Não sabem o que são dificuldades. Não conhecem uma vida de qualidade mínima. Falam de barriga cheia. Eles acham que os portugueses se endividam demais. Acima das suas posses. Não entendem que os portugueses têm o direito à esperança e ao sonho de melhores dias. O direito a pensar que os salários não vão ficar congelados ou abaixo da inflação.

Eu acho que os portugueses ouvem demais estes pretensos salvadores da pátria. Portugal sempre esteve em crise desde o 25 de Abril. Os Martim’s Avillezes de agora são as dezenas de ministros de outrora e a receita foi sempre a mesma. Apertar o cinto e sacrifícios …para uns. E por isso estamos onde estamos.

Bardamerda para os Martim’s Avillezes deste país!

Mais despedimentos

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Com a aquisição da Portugália pela TAP, são mais de 100 trabalhadores despedidos, por, supostamente, não haver lugar na nova estrutura da empresa.

As reestruturações nas empresas são necessárias e admite-se poder resultar de uma maior eficácia da organização do trabalho e do exercício das funções, um excesso de pessoal. Isso não é questionável. O que se questiona é que os trabalhadores são, regra geral, os primeiros a serem descartáveis, desprezando-se toda uma experiência e um saber acumulado, em favor de uma economia de custos, duvidosa, na hierarquia de valores dispensáveis.

Os trabalhadores têm sido tratados como comida para cão, disse um dia o famoso guru de administração de empresas, Tom Peters. Os nossos empresários e governantes pouco se importam. Nesta linha, Portugal tem os mais baixos salários, a maior precariedade, as piores condições de trabalho e cerca de meio milhão de desempregados.

Pensar Portugal é pensar num drama para a generalidade das pessoas.

118 mil desempregados sem direito a subsídio de desemprego

Para o Governo são apenas uns números. Para alguém com uma réstia de humanidade, são milhares de pessoas que vêem ser negados os mais elementares direitos de protecção social no infortúnio. Este Governo implacavelmente tecnocrata não olha às condições sociais e humanas das pessoas. Não foi isto que prometeu aos portugueses. Estamos entregue aos bichos!

Um governo surdo às necessidades básicas

O provedor de Justiça queixa-se todos os anos mas não adianta. Foi mais uma vez assim e o provedor começa a achar que de nada valem as criticas. É ao fim e ao cabo mais uma demonstração do Governo de insensibilidade social e do desprezo pelas camadas populares mais desfavorecidas e mais desprotegidas da sociedade.

As prestações sociais de apoio, como são o Rendimento de Inserção Social, a Pensão Social, o Complemento Solidário aos Idosos, são emergências sociais a grupos em dificuldade, pelo que não se compadecem com atrasos na sua atribuição, nalguns casos com mais de dois anos, pois visam responder às necessidades básicas do dia a dia dessas pessoas.

O Governo não pode fazer ouvidos moucos.

Erradicar a pobreza

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O número de pobres baixou em 270 milhões, segundo um relatório das Nações Unidas.

São boas notícias apesar de desconhecer em que linha de pobreza se deu essa descida. Os progressos, porém, são muito lentos e estão longe das metas previstas, de reduzir para metade, a pobreza extrema. Há menos pobres, mas há pobres cada vez mais pobres, em contrapartida.

Segundo o secretário-geral da ONU os países ricos continuam a fugir às suas responsabilidades e compromissos assumidos na cimeira da ONU em 2000, de reforçarem o apoio monetário, o que não tem acontecido e em alguns casos até diminuiu.

Em geral, para além dos discursos e das palavras de ocasião, pensamos todos muito pouco nos pobres.