O estratega

otelominho.jpgQuase no fim do dia

que comemora o derrube do fascismo em Portugal,

na figura do Otelo Saraiva de Carvalho,

presto a minha homenagem aos capitães de Abril.

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por Fernando Publicado em 25abril

O Abril está a dar e ainda bem.

Nos últimos 15 dias em homenagem ao 25 de Abril, coloquei no Foice dos Dedos, quase todos os dias, uma música do canto de intervenção, com uma canção e um cantor diferente. Ficaram ainda muitas canções e muitos cantores por incluir.

Reparei agora que o Foice dos Dedos como que foi invadido por entradas, acima das 500 visitas por dia. Ontem, vésperas do grande dia, chegou ao seu máximo de sempre com 738 entradas. No dia anterior, tinham sido 575 e hoje a esta hora, 21,50 horas, vai nas 631 entradas. Uma enormidade, face a uma média entre as 200 e as 300 diárias, com a excepção de um dia, em 11 de Abril, que chegou às 389 visitas.

Mas a razão porque trago à colação este facto é apenas porque associado a este número, está, e registo com muita satisfação, em grande parte, as pesquisas nos motores de busca, de palavras como 25 de Abril, músicas de Abril ou canções da resistência. É um bom sinal! Por mim que falei bastante desta data histórica e por saber que há muita gente à procura destes temas.

Bem espero a sério que este número de entradas não seja para continuar. Acuso sempre a responsabilidade. E não gosto de estar condicionado. E também porque infelizmente o 25 de Abril não é todos os dias.

Apenas por curiosidade e porque em tempos tinha lido algures que os Blogues tinham um preço, fui ver quanto valia o Foice dos Dedos. Meus amigos, por $22,581.60, está vendido (quanto é que vale em euros?). Apenas com reserva do nome, porque esse não há milhões que o paguem e além disso tem um dono, o Álvaro de Oliveira, a quem fui buscar, a um dos seus poemas, no Baladas de Orvalho, este Foice dos Dedos.

25 de Abril, sempre! Uma canção por dia (XV)

Esta madrugada deu para ver ainda um pouco na RTP 2 o concerto de apresentação do disco de José Mário Branco, “Resistir é Vencer”, no coliseu de Lisboa. E como sempre que ouço José Mário Branco, arrepio-me. José Mário Branco é a seguir a José Afonso, o mais importante nome da música portuguesa. Não falo apenas enquanto autor, compositor, cantor, do canto de intervenção, falo, enquanto, músico de todos os géneros musicais.

Assistir a um concerto de José Mário é assistir a espectáculos inesquecíveis, deslumbrantes, muito intensos. No coliseu do Porto emocionei-me, esta madrugada, senti o mesmo. As composições, os arranjos, as orquestrações, são de génio. José Mário Branco abarcar as suas composições, com muitos músicos, muitos instrumentos musicais, simpatiza com as grandes orquestrações.

Depois de tantas canções sobre o 25 de Abril que aqui fui colocando, vou terminar esta série com uma música que aprecio bastante, especialmente, se ouvida ao vivo, com aquele toque de forte sentimento que José Mário Branco, empresta às sua interpretações.

São letras, músicas, interpretações, autênticos murros no estômago quando ouço as suas músicas.

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1
Do que um homem é capaz
As coisas que ele faz
Para chegar onde quer
É capaz de dar a vida
Pra levar de vencida
Uma razão de viver
2
A vida é como uma estrada
Que vai sendo traçada
Sem nunca arrepiar caminho
E quem pensa estar parado
Vai no sentido errado
a caminhar sozinho
3
Vejo gente cuja vida
Vai sendo consumida
Por miragens de poder
agarrados a alguns ossos
No meio dos destroços
Do que nunca onde fazer
4
Vão poluindo o percurso
Co’ as sobras do discurso
Que lhes serviu pr’ abrir caminho
À custa das nossas utopias
Usurpam regalias
P’ra consumir sozinho
5
Com políticas concretas
Impõem essas metas
Que nos entram casa dentro
Como a Trilateral
Co’ a treta liberal
E as virtudes do centro
6
No lugar da consciência
A lei da concorrência
Pisando tudo pl’o caminho
P’ra castrar a juventude
Mascaram de virtude
O querer vencer sozinho
7
Ficam cínicos, brutais
Descendo cada vez mais
P’ra subir cada vez menos
Quanto mais o mal se expande
Mais acham que ser grande
É lixar os mais pequenos
8
Quem escolhe ser assim
Quando chegar ao fim
Vai ver que errou seu caminho
Quando a vida é hipotecada
No fim não sobra nada
E acaba-se sozinho
9
Mesmo sendo os poderosos
Tão fracos e gulosos
Que precisam do poder
Mesmo havendo tanta gente
P’ra quem tudo é indiferente
Passar a vida a morrer
10
Há princípios e valores
Há sonhos e amores
Que sempre irão abrir caminho
E quem viver abraçado
À vida que há ao lado
Não vai morrer sozinho
E quem morrer abraçado
À vida que vai ao lado
Não vai viver sozinho

25 de Abril, sempre! Uma música por dia (XIV). “faltam cinco minutos para as vinte e três horas…

Convosco, Paulo de Carvalho com o Eurofestival 74, E Depois do Adeus ”

Foram estas as primeiras palavras do início da arrancada do 25 de Abril, lidas por João Paulo Dinis aos microfones dos Emissores Associados de Lisboa. A canção “E depois do Adeus” era a 1ª senha do Movimento das Forças Armadas.

Quis saber quem sou
O que faço aqui
Quem me abandonou
De quem me esqueci
Perguntei por mim
Quis saber de nós
Mas o mar
Não me traz
Tua voz.

Em silêncio, amor
Em tristeza e fim
Eu te sinto, em flor
Eu te sofro, em mim
Eu te lembro, assim
Partir é morrer
Como amar
É ganhar
E perder

Tu vieste em flor
Eu te desfolhei
Tu te deste em amor
Eu nada te dei
Em teu corpo, amor
Eu adormeci
Morri nele
E ao morrer
Renasci

E depois do amor
E depois de nós
O dizer adeus
O ficarmos sós
Teu lugar a mais
Tua ausência em mim
Tua paz
Que perdi
Minha dor que aprendi
De novo vieste em flor
Te desfolhei…

E depois do amor
E depois de nós
O adeus
O ficarmos sós.

Mas foi com a canção, Grândola, Vila Morena de José Afonso, a 2ª senha, que o movimento para o derrube do regime avançou definitivamente. Esta canção de José Afonso, foi para o ar, à meia-noite e vinte, colocada por Manuel Tomás, no programa Limite da Rádio Renascença, acompanhado da leitura da primeira quadra.

Grândola, vila morena
Terra da fraternidade
O povo é quem mais ordena
Dentro de ti, ó cidade

Dentro de ti, ó cidade
O povo é quem mais ordena
Terra da fraternidade
Grândola, vila morena

Em cada esquina um amigo
Em cada rosto igualdade
Grândola, vila morena
Terra da fraternidade

Terra da fraternidade
Grândola, vila morena
Em cada rosto igualdade
O povo é quem mais ordena

À sombra d’uma azinheira
Que já não sabia a idade
Jurei ter por companheira
Grândola a tua vontade

Grândola a tua vontade
Jurei ter por companheira
À sombra duma azinheira
Que já não sabia a idade

E às 04,20 minutos da madrugada do 25 de Abril, por Joaquim Furtado era lido o primeiro comunicado do Movimento das Forças Armadas.

Aqui Posto de Comando do Movimento das Forças Armadas.
As Forças Armadas Portuguesas apelam para todos os habitantes da cidade de Lisboa no sentido de recolherem a suas casas, nas quais se devem conservar com a máxima calma. Esperamos sinceramente que a gravidade da hora que vivemos não seja tristemente assinalada por qualquer acidente pessoal para o que apelamos para o bom senso dos comandos das forças militarizadas no sentido de serem evitados quaisquer confrontos com as Forças Armadas. Tal confronto, além de desnecessário, só poderá conduzir a sérios prejuízos individuais que enlutariam e criariam divisões entre os portugueses, o que há que evitar a todo o custo.
Não obstante a expressa preocupação de não fazer correr a mínima gota de sangue de qualquer português, apelamos para o espírito cívico e profissional da classe médica, esperando a sua acorrência aos hospitais, a fim de prestar a sua eventual colaboração que se deseja, sinceramente, desnecessária.

por Fernando Publicado em 25abril

25 de Abril, sempre! Uma música por dia (XIII)

Jorge Palma – Norte (o meu)

Volto as costas ao vazio
procuro o vento frio
o caruncho pode desfrutar
do meu velho sofá
deixo as manchas de café
o candeeiro de pé
vou em busca do meu Norte

Levo imagens que sonhei
tesouros que roubei
a famosa gabardine azul
tem mais alguns rasgões
levo as horas que perdi
o espelho a quem menti
sigo em direcção ao Norte

Quantos pontos cardeais
ficarão no cais da solidão?
Quantos barcos irão naufragar,
quantos irão encalhar na pequenez
da tripulação?

Deixo os dias sempre iguais
os mundos virtuais
deixo a civilização que herdei
colher o que plantou
abandono o carrossel
a Torre de Babel
deitei fora o passaporte

Confio às constelações
as minhas convicções
quebro o gelo que se atravessar
no rumo que eu escolhi
o astrolábio que há em mim
vai respirar enfim
hei-de alcançar o meu Norte

Biografia

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Aos seis anos, e ao mesmo tempo que aprendia a ler e a escrever, iniciou os seus estudos de piano. Foi no Conservatório Nacional a sua primeira audição, aos oito anos, numa altura em que era aluno de Maria Fernanda Chichorro. Venceu o segundo prémio do Concurso Internacional de Piano, integrado no Festival das Juventudes Musicais, em Palma de Maiorca, em 1963, com uma menção honrosa do Júri. Nos seus estudos cruzou-se com o Liceu Camões e um Colégio Interno, nas Mouriscas, perto de Abrantes. Durante a adolescência e a par da formação erudita, começa a interessar-se pelo rock’n’roll, e, de um modo geral, pela música popular americana e inglesa. É por esta altura que descobre a guitarra. Bob Dylan, Led Zeppelin e Lou Reed são algumas das suas influências.

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25 de Abril, sempre! Uma música por dia (XII)

Manuel Freire – Pedra Filosofal

Eles não sabem que o sonho
é uma constante da vida
tão concreta e definida
como outra coisa qualquer

como esta pedra cinzenta
em que me sento e descanso
como este ribeiro manso
em serenos sobressaltos

como estes pinheiros altos
que em verde e oiro se agitam
como estas árvores que gritam
em bebedeiras de azul

eles não sabem que sonho
é vinho, é espuma, é fermento
bichinho alacre e sedento
de focinho pontiagudo
que fuça através de tudo
em perpétuo movimento

Eles não sabem que o sonho
é tela é cor é pincel
base, fuste, capitel
que é retorta de alquimista

mapa do mundo distante
Rosa dos Ventos Infante
caravela quinhentista
que é cabo da Boa-Esperança

Ouro, canela, marfim
florete de espadachim
bastidor, passo de dança
Columbina e Arlequim

passarola voadora
pára-raios, locomotiva
barco de proa festiva
alto-forno, geradora

cisão do átomo, radar
ultra-som, televisão
desembarque em foguetão
na superfície lunar

Eles não sabem nem sonham
que o sonho comanda a vida
que sempre que o homem sonha
o mundo pula e avança
como bola colorida
entre as mãos duma criança

Biografia

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Manuel Freire nasceu em Vagos (Aveiro), no dia 25 de Abril de 1942. Como ele contou recentemente no programa de televisão “Miguel Ângelo Ao Vivo”, tinha um irmão que era oficial do Exército e lhe telefonou no dia 25 de Abril de 1974, dando-lhe os parabéns pelo aniversário e perguntando-lhe se tinha gostado da prenda. A prenda era a Revolução dos Cravos.

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de Amos OZ – contra o fanatismo.

Ricardo Araújo Pereira vetado pelo Partido Comunista Português

Ricardo Pereira é a figura mais conhecida dos Gatos Fedorentos e já foi militante do PCP. Mas continua a ser um activista cívico. Ainda há pouco tempo esteve envolvido na campanha pela despenalização do aborto e também no cartaz/resposta contra a intolerância e o ódio dos nazis do PNR, acto pelo qual tem sofrido ele e a família ameaças físicas.

No momento em que a extrema-direita nazi, investe tudo em cativar os jovens, Ricardo Pereira constitui quase um património único, pela irreverência, pelo o humor acutilante, por ser um homem de causas. O Ricardo Pereira tem na juventude os seus principais apoios. É por isso absolutamente sectário, vetar por fanatismo partidário, Ricardo Pereira de orador principal em representação dos jovens, nas comemorações do 25 de Abril, quando todas as forças políticas estão de acordo, para querer impor um seu militante, de uma organização da juventude que ninguém conhece.

Tenho pena que a ortodoxia e sectarismo do partido, seja transversal aos militantes e atinja desta forma, os seus jovens militantes, num acto que não deveria suscitar polémica.

25 de Abril, sempre! Uma canção por dia (XI)

Maio Maduro Maio – De não saber o que me espera

De não saber o que me espera
Tirei a sorte à minha guerra
Recolhi sombras onde vira
Luzes de orvalho ao meio-dia

Vítima de só haver vaga
Entre uma mão e uma espada
Mas que maneira bicuda
De ir à guerra sem ajuda

Viemos pelo sol nascente
Vingamos a madrugada
Mas não encontramos nada
Sol e àgua sol e àgua

De linhas tortas havia
Um pouco de maresia
Mas quem vencer esta meta
Que diga se a linha é recta

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O Grupo Maio Maduro Maio, formado Por José Mário Branco, Amélia Muje e João Afonso, nasceu de propósito para cantar as canções de José Afonso em espectáculo ao vivo. E assim em 1994 saiu o disco que foi preparado, durante seis meses, segundo os autores, com a dificuldade que representa manter fidelidade ao “mestre”, na recreação das suas obras musicais. O Grupo destes cautautores, decidiu incorporar no disco algumas músicas menos conhecidas. O obra de José Afonso, pode ser recriada, reinterpretada, mas o lugar de relevo de José Afonso e a sua grande qualidade artística, não concedem espaço, para fugir aos sentimentos, aos valores, às emoções e vivências, da imortalidade da sua obra. As músicas de José Afonso são património de todos os que combatem e combateram as desigualdade e as injustiças, o fascismo e apesar das suas obras estarem por aí à mercê de qualquer um, as referências culturais, não permitem que qualquer um artista medíocre se aproprie delas, sem que não caiam no ridículo.

Não é o caso dos Maio Maduro Maio, quer pela qualidade intrínseca dos seus membros, quer pelo cuidado com que o espectáculo e o disco foi preparado. Tive o prazer e a honra de assistir a este espectáculo no Coliseu do Porto.

25 de Abril, sempre! Uma música por dia (X)

Vitorino – Menina está à janela

Menina estás à janela
com o teu cabelo à lua
não me vou daqui embora
sem levar uma prenda tua

sem levar uma prenda tua
sem levar uma prenda dela
com o teu cabelo à lua
menina estás à janela

Os olhos requerem olhos
e os corações corações
e os meus requerem os teus
em todas as ocasiões

Biografia

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Viajante de palavras e de terras, Vitorino esteve ligado a um dos mais genuínos registos da música do Alentejo, o disco do Grupo de Cantadores do Redondo. Às ‘bases’ naturais, adicionou um acumulado de experiências que passavam pelas serenatas em que participou, pelas peregrinações ‘hippies’, pela vida de Lisboa onde se fixou a partir dos 20 anos, pelas temporadas passadas em diversas cidades europeias e outros locais mais remotos, pelos contactos proporcionados por combates políticos e estilos de vida que, ainda hoje, o associam à noite, às tertúlias e aos prazeres boémios. A linha mestra condutora dos seus dois discos posteriores “Os Malteses” e em “Não Há Terra Que Resista – Contraponto” não se alterou substancialmente. Já no disco “Romances”, trabalho de 1980, abre-se de par em par outra das suas frentes preferidas: a recolha de música tradicional que transforma, molda à sua voz e aos seus padrões criativos. Este disco acabou por se tornar num dos mais importantes álbuns editados na época onde as preocupações com a preservação do nosso ameaçado património musical tradicional, imprescindível à nossa identidade nacional, se afirmavam presentes. Foi igualmente fundamental para o excelente resultado final de “Romances” a participação do multi-instrumentista Pedro Caldeira Cabral que marcou este trabalho com o seu virtuosismo e inspiração.

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25 de Abril, sempre! Uma canção por dia (IX)

Pedro Barroso – Cantarei

Vivi povo e multidão
sofri ventos sofri e mares
passei sede e solidão
muitos lugares
sofri países sem jeito
p’r’ó meu jeito de cantar
mordi penas no meu peito
e ouvi braços a gritar

e depois vivi o tempo
em que o tempo não chegava
para se dizer o tanto
que há tanto tempo se calava

vivi explosões de alegria
fiz-me andarilho a cantar
cantei noite cantei dia
canções do meu inventar

cantarei cantarei
à chuva ao sol ao vento ao mar
seara em movimento
ondulante, sem parar

Hoje resta-me este braço
de guitarra portuguesa
que nunca perde o seu espaço
e a sua beleza
hoje restam-me os abraços

nesta pátria viajada
dos que moram mesmo longe
a tantos dias de jornada

dos que fazem Portugal
no trabalho dia a dia
e me dão alma e razão
nesta porfia

por isso invento caminhos
mais cantigas viajantes
e sinto música nos dedos
com a mesma força de antes
cantarei cantarei
à chuva ao sol ao vento ao mar
seara em movimento
ondulante, sem parar

Biografia

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Pedro Barroso (Lisboa, 1950) Vai com dias apenas para Riachos, terra natal de seu pai, que ali era professor. Regressa a Lisboa e, já adolescente, estreia-se fazendo Teatro radiofónico com Odette de Saint-Maurice na ex-Emissora Nacional (1965) e, numa data que determina o seu início de carreira como cantor e autor, no programa “Zip-Zip” (Dez., 1969). Grava o seu primeiro disco “Trova-dor” (1970) e integra durante alguns anos a companhia do Teatro Experimental de Cascais, sob a direcção de Carlos Avilez. Dirige actividades e lecciona no Orfeão Académico de Lisboa.

Conclui a sua licenciatura em Educação Física (INEF, 73) e será professor efectivo no Ensino Secundário durante 23 anos. Mais tarde viria a tirar uma post-graduação em Psicoterapia Comportamental (Hosp. Júlio de Matos, 88) tendo trabalhado na área da Saúde mental e Musicoterapia durante alguns anos. Foi, neste campo, pioneiro no ensino de crianças surdas-mudas, numa escola de Ensino especial em Lisboa

Colabora activamente após o 25 de Abril em inúmeras actuações em todo o País e junto das Comunidades emigrantes. Escreve e apresenta programas de Rádio e Televisão, enquanto mantém com regularidade uma produção discográfica, ao longo de mais de trinta e cinco anos de carreira. Compôs grandes êxitos que o país aprendeu.

Cantou até hoje em praticamente todas as grandes salas portuguesas e em todo o território nacional, bem como na Alemanha, Bélgica, Brasil, Canadá, Espanha, EUA, França, Holanda, Hungria, Luxemburgo, China, Suiça e Suécia. Em muitos destes países actuou também em cadeias de TV e Rádio.

Foi convidado a dar palestras sobre a Cultura portuguesa nas Universidades de Nyemegen, Estocolmo, Toronto e Budapeste. Recebeu até hoje alguns prémios nacionais e estrangeiros. Assim, recebeu o prémio para a melhor canção (“Menina dos olhos d’água”, prémio Eles e Elas 1986) melhor disco de 87 (Prémio Directíssimo) troféu Karolinka (Festival Menschen und Meer, RDA 81) diploma de mérito da Secretaria de Estado do Ambiente pelos serviços prestados à causa do Ambiente (Ano Europeu do Ambiente 88) Troféu Lusopress para o melhor compositor português (Paris 93), troféu Pedrada no charco (Rádio Central Fm Leiria, 93); menção de mérito cultural do Município de Newark em 2003. Já em 1994 fora agraciado pela Casa do Ribatejo com o título de “Ribatejano Ilustre”.

Foi convidado para a Grande Gala da Música e do Bailado (Teatro S.Luis, Lisboa,93) junto com a Orquestra Gulbenkian e o Ballet de Monte Carlo. Foi convidado para actuar no Luxemburgo, integrado nas actividades do ano europeu da Cultura em 1994.

Cultiva um estilo pessoal onde a poesia, a independência, a frontalidade e a ironia têm o seu lugar. Os seus concertos são como que “encontros de amigos”, onde se estabelece uma funda cumplicidade.

Com a atribuição a José Saramago do Prémio Nobel da Literatura torna-se num dos muito poucos autores que com ele partilha obra publicada (canção “Afrodite”, in “Os poemas possíveis” e LP “Água mole em pedra dura”)

Vindo de uma área de intervenção crítica de expressão popular, tem sido visível a progressiva opção temática de caracter mais abrangente, onde releva uma aprofundada procura dos seus grandes temas de sempre – o Amor, a Solidariedade, a Mulher, a História, a reflexão sobre a Vida, a portugalidade…- assumindo-se como um autor sério e rigoroso, cada vez mais respeitado enquanto cantor, poeta e compositor. É também um dos pioneiros na Internet com site pessoal de carreira.

Tem colaboração dispersa por jornais e revistas e está representado em alguns Manuais escolares com textos de sua autoria.

Já no ano de 2000 é convidado para inaugurar o Café Literaire Fernando Pessoa em Genève; em 2001 para o Leitorado de Português em Toronto; em 2002 para Danbury, USA, onde recebe a chave de honra da cidade; em 2003 para a Gala da atribuição dos prémios literários Pró Verbo em Newark, USA; em 2004 para a Gala de aniversário da Casa de Portugal em S.Paulo, Brasil.

Membro activo da comunidade artística e musical integrou a direcção do Sindicato dos Músicos e foi autor em 2002 do polémico Manifesto sobre o estado da Música Portuguesa que promoveu uma reflexão profunda do país sobre os seus Autores, com audições junto de todos os Grupos Parlamentares e audiência do Ex.mo Sr. Presidente da República. Após trinta e quatro anos de Autor nela inscrito, torna-se, desde Setembro de 2003, membro eleito do Conselho Fiscal da Sociedade Portuguesa de Autores.

A par com uma fecunda discografia como autor e compositor (cerca de 30 discos editados, entre Ep’s, singles, LP’s, CD’s, Antologias várias e discos colectivos), tem publicado também poesia. (“Cantos falados” Ed. Ulmeiro, 1996; “das Mulheres e do Mundo” Ed. Mirante, 2003). Como artista plástico amador, usa o heterónimo Pedro Chora e, como tal, tem exposto desenho e escultura em várias Galerias.

Considerado como um dos últimos trovadores de uma geração de coragem que ajudou pela canção a conquistar as liberdades democráticas para Portugal, continua a constituir-se como uma alternativa sempre diferente nos seus concertos, repletos de emoção e coloquialidade.

Celebra no ano de 2004 o seu 35º aniversario de autor poeta e compositor lançando o CD “Navegador do Futuro”(Ed. Ocarina) e com actuações e concertos em Abrantes, Angra do Heroísmo, Barreiro, Benavente, Caldas da Rainha, Guarda, Leiria, Setúbal, Porto, Ponte de Lima, Riachos, Valença e Vila do Conde.

Em 2005 actua a solo no Fórum Lisboa; recebe o Prémio de melhor disco do ano atribuído pela Rádio Central FM ao CD “Navegador do Futuro” perante uma assistência de duas mil pessoas no Auditório Paulo VI, em Fátima; e vê editado o seu livro de estreia em ficção – “A história maravilhosa do país bimbo”, (Ed Calidum) em que aborda com sarcasmo e ironia alguns aspectos incompreensíveis de um país nunca identificado mas vagamente familiar.

É por fim ainda em 2005 que vê editada uma Antologia em caixa de duplo CD, com os mais relevantes temas das suas várias fases criativas – revista e remasterizada a partir das matrizes originais – registando os seus mais relevantes trabalhos realizados entre 1982 e 1990, onde avultam colaborações históricas com Mário Viegas e Sophia de Mello Breyner Andresen.