Venezuela e Chavez. Uma Democracia um democrata. Até ver …melhor.

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Chavez foi a votos, perdeu e aceitou os resultados. A Venezuela é um país democrático. A prova está feita. Ganhou a oposição. Num regime anti-democrático as oposições não ganham as eleições. Hugo Chavez, aparentemente, também é um democrata. Agora terá de experimentar um longo “período de nojo”, se quiser apresentar novamente esta sua proposta de “revisão constitucional” aos eleitores. É o mínimo que se exige a um democrata. Em democracia ninguém é excluído e todos devem poder defender as suas posições. É assim a democracia. Até ver não têm razão quem arremessava os maiores impropérios a Chavez, como as de um ditador. Até ver.

Até ver também não têm razão quem temia a vitória do Sim. Porque em democracia não há que temer as escolhas dos eleitores. Em democracia, claro. E sendo a Venezuela uma democracia, a democracia recusou alterar alguns princípios constitucionais que a maioria, considerava ter laivos anti-democráticos. Ou pelo menos tinha receios.

Pessoalmente não tenho uma posição definitiva sobre Hugo Chavez. Não sei se é um (potencial) tirano ou se é ou revolucionário dos novos tempos. Nunca me entusiasmaram muito as boas medidas no campo político e social ou as diatribes contra o imperialismo americano ou as multinacionais, mas também nunca dei crédito a quem o qualifica de ditador ou populista. Não aprecio especialmente o estilo nem a forma como pretende instaurar o “socialismo”. Mas é cedo para julgar o seu carácter e a “bondade” das suas intenções e as suas propostas ainda não são suficientemente claras.

Mas uma coisa deveria saber Chavez se é um revolucionário; é que nos regimes democráticos a revolução, não se faz por decreto, nem o socialismo se impõem à “bruta”: em democracia, a revolução e o socialismo progride, em primeiro lugar, através da criação de poderosos mecanismos de participação livre, democrática e cidadã e também de instrumentos de controlo popular e democrático, das decisões dos órgãos do poder. É isto que os revolucionários esperam de Chavez, agora …se Chavez for realmente um revolucionário.

Aprofundar e dar mais qualidade à democracia e depois deixar nas mãos do Povo a escolha dos seus destinos, sem medos. Caso contrário, as dúvidas sobre as reais intenções de Chavez, subsistirão. Um ditador ou um revolucionário? Ou alguém bem intencionado mas com falta de cultura democrática? Estou mais inclinado para esta última. Até ver.

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8 comentários a “Venezuela e Chavez. Uma Democracia um democrata. Até ver …melhor.

  1. UMA ADIVINHA
    O presidente A propõe uma nova Constituição e submete-a à votação do seu povo que vota não e o presidente acata a decisão.
    O presidente B também propõe uma Constituição. Quando uma parte do povo diz não, cessa a votação. Um pouco mais tarde, esta mesma Constituição é imposta — mas sem votação.
    Qual dos dois é o democrata? Erraram todos.
    O primeiro presidente chama-se Chávez e portanto é um populista e um ditador.
    O segundo presidente chama-se Sarkozy e União Europeia e portanto estes são democratas.
    Viva a democracia!

  2. A revolução bolivariana só poderá ter sucesso se assentar em mais participação e democracia popular. Avanços da classe trabalhadora assentes num novo culto da personalidade só poderá trazer o desastre do leste. A “imposição” de um “partido único” ou a pretenção de governar “ad eterno” só desarmam as massas para enfrentar a demagogia burguesa. A maior vantagem de Chavez – a democracia – não pode servir para a limitar. E por isso milhões de votos passaram para a abstenção. Que sirva de lição.

  3. Hoje apetece-me provocar. Logo, o que se segue, pode ser entendido como uma provocação:

    Fernando, escreves «(…) se é um revolucionário Chavez deveria saber que nos regimes democráticos a revolução, não se faz por decreto.»

    TENS RAZÃO!

    Mais adiante escreves: «nem o socialismo se impõem à “bruta”»

    CONTINUAS A TER RAZÃO! CARRADAS DE RAZÃO!

    Acrescentas: «em democracia, a revolução e o socialismo progride, em primeiro lugar, através da criação de poderosos mecanismos de participação livre, democrática e cidadã e também de instrumentos de controlo popular e democrático, das decisões dos órgãos do poder.»

    A RAZÃO CONTINUA DO TEU LADO, mas…

    diz-me que experiência socialista conheces tu onde o SOCIALISMO “progrediu mediante poderosos mecanismos de participação cidadã?” Sobretudo na América do Sul…

    [Como é evidente, pelo menos para ti que me conheces, para mim socialismo não é o que se passou no leste.]

    A experiência socialista, mais próxima do que preconizas (ou preconizamos) acabou afogada em sangue, num 11 de Setembro (de 1973) ali quase ao lado da Venezuela, onde agora se faz uma “experiência nova” para alcançar o almejado SOCIALISMO era então liderada por um tal Salvador Allende e foi afogada por um carniceiro a soldo dos EEUU, de seu nome Augusto Pinochet.

    AO COMENTAR DESTA FORMA, PROVAVELMENTE, NÃO ESTOU A PROVOCAR… PROVAVELMENTE…

    JC

  4. Não estás mesmo a provocar mas não levaria a mal se o fizesses.

    Acabas por estar de acordo comigo, parece-me ao ler o teu comentário.

    E quanto à tua pergunta: é não. Não conheço nenhum país agora, nem conheci nunca e penso que reside nesse aspecto, na”criação de PODEROSOS mecanismos de participação livre, democrática e cidadã” a par da “criação de PODEROSOS instrumentos de controlo popular e democrático, das decisões dos órgãos do poder” que a democracia e o socialismo podem consolidar-se e progredir.

    Mas este meu post arrasta uma posição política que rompe com um pensamento (que já defendi, confesso – um partido-estado, um partido vanguarda e iluminado), defendendo o princípio de que o socialismo se constrói com o povo, com democracia, com participação, com partidos.

    Já agora quando me citas, concordando: «nem o socialismo se impõem à “bruta”», importa clarificar um pequeno aspecto. Se não tenho dúvidas (para ter o apoio do povo) que o socialismo não se impõem à “bruta”, faltou acrescentar-te, como referi (“em democracia …).

    De resto admito o uso da força para derrubar uma ditadura, ou para defender uma “revolução socialista”, contra quem usar a força, contra a mesma ou contra a democracia.

    Por fim: sem dúvidas que o Chile de Allende foi uma tentativa de construir o Socialismo tal como o vejo e resultou mal, quando ainda estava no princípio e estavam ainda por “instalar” os tais mecanismo de que falo.

  5. Chavez está a aprender com a “democrática” União Europeia.

    Agora parece que falou que haverá outro referendo mas para uma revisão simplificada da Constituição…

    A principal diferença com a UE é que haverá referendo. Deste lado do Atlântico, se é simplificada, não há referendo…

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