Luísa Mesquita expulsa do PCP

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Luísa Mesquita era uma boa deputada até ao dia… em que a direcção do partido decidiu substituí-la e ela recusou. Agora foi expulsa. Ontem, Luísa Mesquita era uma excelente deputada. Hoje, é uma mulher cheia de defeitos. Amanhã será mais uma “subjugada” aos interesses burgueses. Luísa Mesquita não mudou em meia dúzia de dias. E não mudou porque a decidiram substituir. Luísa Mesquita é o que era antes, com todos os defeitos e todas qualidades. O problema está no partido. Mas esse é o partido que os militantes querem. Tudo pelo partido e sempre com os dirigentes. Foi sempre assim. É assim que os militantes querem e também os eleitores; a avaliar pelos resultados eleitorais. Assim seja, então. Cá por mim apenas tenho que lamentar que um partido de esquerda tenha estes procedimentos.

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8 comentários a “Luísa Mesquita expulsa do PCP

  1. É mais um exemplo de que os extremos se atraem. Esquerda e direita de polos opostos, são iguais entre si. Salazar não fez malhor aos deputados da Ala Liberal.
    Ou és por mim ou estás contra mim.

  2. Não simpatizo, absolutamente nada, com a decisão do PCP em expulsar a deputada em questão. Porém, recordo que ninguém obrigou Luísa Mesquita a candidatar-se pela CDU. Se o fez foi por sua livre vontade, como de livre vontade assinou a declaração que entregava a gestão do lugar ao seu partido.
    Quem não concorda, é muito simples, não se candidata por tal partido ou coligação. Sejamos francos e honestos, nesta questão o PCP tem carradas de razão. Por outro lado a deputada em questão nunca se prenunciou contra atitudes semelhantes tomadas pelo partido em relação a outros militantes e ou ex-militantes… Também não se lhe conhecem divergências profundas, diria até superficiais… Por tudo isto sou levado a concluir que Luísa Mesquita está a defender o seu “tacho”.
    Pessoalmente, repito, não simpatizo com a medida, talvez por isso, mas não só, não sou nem nunca fui militante do PCP, ainda que no sindicalismo e noutros aspectos da nossa vida colectiva estejamos eu, o partido em que milito e o PCP em convergência. Pontual como diria o líder do SINTTAV, mas convergência.
    Por outro lado, tenho serias duvidas se, embora o cargo de deputado seja nominal, as pessoas votaram no nome ou no partido.
    Lembro ainda que, militei num partido que tinha apenas um deputado, Acácio Barreiros de seu nome (infelizmente já falecido), que resolveu divergir do partido porque se fez eleger…
    Imagine-se que o deputado Acácio decidia que o lugar era seu e recusava renunciar?!
    Alguém duvida que o Carmo e a Trindade cairiam?
    Para mim o problema é simples, quem não concorda com os métodos do PCP, não se filia nem lhe presta vassalagem.
    Porem se o PCP tiver a ousadia [Tiver? Evidentemente que tem!] de determinar a vida de Associações ou Organizações populares ou dos trabalhadores, terá necessariamente a minha oposição.
    É por isso que não me entendo com o PCP. O PC entende que tem legitimidade para impor a sua vontade nas ORT’s e eu, e como eu muitos outros, entendo que essa legitimidade não lhe assiste.
    Mas isto é matéria para outra discussão.
    Mas já agora, alguém me sabe dizer em que divergem Luísa Mesquita e o PCP?

    JC

  3. C.Almeida
    O PCP não é um partido extremista de esquerda, longe disso. E tenho muitas dúvidas que essa extrema-esquerda que se “toca” seja de esquerda. E em Portugal não conheço nenhuma.

    JMFaria
    Provavelmente os Verdes não existem em Santarém.

    JC
    É verdade que os estatutos do PCP dizem que os lugares para que os militantes foram eleitos são “propriedade” do partido e não dos eleitos. E quem é militante do PCP deve conhecer os estatutos, mais ainda tratando-se de uma militante de longa data. No entanto, constitucionalmente o mandato é individual e não dos partidos, senão o partido poderia legalmente ter substituída a deputada. O facto de estar inscrito nos estatutos que os militantes “cumprem” uma missão e que os lugares devem estar à disposição do partido, dá-lhe legitimidade, junto dos militantes, para pedir a substituição de eleitos quando quiser, mas defrauda os eleitores que não sendo do partido votam na pessoa. O que afirma Luísa Mesquita, é que houve um acordo com a estrutura regional de Santarém no sentido de cumprir o mandato até ao fim, pelo que o PCP ou a Luísa Mesquita, um deles mente. Não posso por isso concordar que digas que neste caso o PCP tem carradas de razão. Não sei quem fala verdade para ter uma opinião.

    Também não conheço nenhuma posição de Luísa Mesquita contra anteriores expulsões, nem sequer divergências políticas, mas essa não é a questão. A questão para mim é que de repente para os militantes do PCP, aquela que era uma excelente deputada, de repente passou a ser “demonizada”. Basta olhar para os comentários que para aí circulam. Imagina agora que era a Odete que se recusava a sair. Deixava ela de ser a comunista que os militantes, simpatizantes ou simples eleitores, sempre apreciaram? O que eu quis dizer neste post é que o problema não é Luísa Mesquita, como não seria a Odete Santos (se tomasse a mesma posição). O problema, em minha opinião, é o partido como deixei vincado no post. Mas esse é um problema dos militantes.

    Sobre a questão de quem pertence o mandato para mim é claro que não pertence aos partidos. Pertence aos eleitores. Em caso de discordância com o desempenho de qualquer eleito, quem deve “sair” é o partido (retirando-lhe o apoio se for necessário)e ficar o eleito. Em nenhuma situação posso aceitar que um partido, qualquer que seja, queira impor a substituição de alguém que foi eleito, contra a sua vontade.

  4. Respeitando a tua posição, devo dizer-te que lendo-a e recapitulando o que escrevi no comentário a propósito da expulsão da Luísa Mesquita, registo que é mais forte a minha convicção na justeza da decisão do PCP [Sempre tendo em conta as regras que o regem e que os militantes aceitam. Eu, que não concordo com elas, não milito no PCP.]. Quanto à propriedade do mandato… é subjectivo no mínimo. Repara: Quando afirmas que o mandato pertence aos eleitores, estás a dizer uma meia verdade, nomeadamente se a afirmação tem um carácter de fundamental. O eleito não apresentou nenhum programa próprio ao eleitorado, no caso presente a deputada Luísa Mesquita fez campanha debaixo da bandeira e programa do PCP, não se lhe conhecem posições próprias sobre a matéria… Acresce que, tenho serias reservas se, sem o chapéu protector do partido Luísa Mesquita chegaria a deputada.

    Penso que o problema se prende com o bom senso, sendo que bom senso não implica que o PCP não tenha razão.
    Como é evidente no meu entendimento em caso de discordância entre o Partido e o deputado, este deve renunciar, até porque o boletim de voto, não tinha nenhum quadradinho à frente do nome Luísa Mesquita. O boletim tinha no caso concreto um quadrado em branco à frente do PCP, como dos restantes partidos candidatos. Mais o voto dos eleitores comunistas tanto foi na Luísa Mesquita como foi no candidato que se lhe seguia como nos seguintes.
    Quem não quer, não se candidata, nem assina documento de compromisso, como parece ter sido o caso.

    Mas, estranhei que não comentasses a atitude do Acácio Barreiros, quando renunciou ao mandato de deputado pela UDP. Foi ou não de dignidade?
    Eu acho que, contrariamente a Luísa Mesquita, Acácio renunciou, apesar de o mandato em termos de legislação ser pessoal. A atitude não só foi de seriedade e de honra, como foi de respeito pelos eleitores. No caso com outra atitude, o partido em questão, ficaria sem representação parlamentar, e não me parece que essa fosse a vontade dos 130 000 eleitores que na época votaram UDP.

    Lembro a propósito uma citação bíblica, usada pelo Manuel Monteiro [que também haveria de divergir] quando substituiu o ex-deputado Acácio Barreiros no parlamento, disse ele: “LEMBRA-TE HOMEM, QUE ÉS PÓ E EM PÓ TE TRANSFORMARÁS!”

    Mais tarde o Acácio foi eleito deputado nas listas do PS, alguém se apercebeu da sua presença no parlamento? O deputado era o mesmo, o partido é que não!
    Em suma, quem não concorda com o regimento e os estatutos do PCP fica fora ou faz como eu (nós) milita num partido à sua medida.

  5. Caro amigo JC
    Tu dizes que o PCP tem carradas de razão porque Luísa Mesquita assinou um documento, de acordo com os estatutos, em que os deputados colocam os lugares à disposição do Partido. Isto é uma verdade indesmentível. Mas será que isso não é subtraído se há um acordo/compromisso (segundo Luísa Mesquita) em que cumpriria o mandato até ao fim, sem o qual ela não teria aceite o convite para ser candidata e cabeça de lista? Para mim é claro que sim. Aquilo é uma disposição estatutária que perde validade se houver um acordo de que não será accionado. Assim, a ser verdade o partido devia respeitar o acordo. Se não para que vale o acordo! Nesta estória alguém mente, isso é evidente. És capaz de dizer-me quem? Eu não sei e por isso não posso tomar partido por uma das partes.

    Os eleitores votem no partido ou no candidato? Não sei. Uns (a maioria votarão no partido, outros votarão na candidata – por isso é que aparecem cartazes com a imagem da candidata ou candidatos ou se fazem convites a determinadas pessoas. Mas que o mandato é dos eleitores …não tenho dúvidas. E por isso nunca concordaria que um partido tivesse a veleidade de substituir-se aos eleitores. O partido, pode expulsar os militantes mas não pode “expulsar” os deputados (mesmo sendo os seus) que têm uma legitimidade eleitoral. O partido alega necessidade de renovação: tudo bem. Não nego a necessidade de renovação. Mas qualquer renovação não pode ser feita contra a vontade dos próprios ou ser-lhes comunicada a decisão querendo interromper um mandato, sem o qual estão a defraudar ou mesmo enganar os eleitores que votam em certas figuras e sabe-se que ás vezes essas figuras também fazem a diferença; para meter um deputado, um presidente da Câmara ou eleger um vereador.

    O PCP deve fazer as coisas pacificamente com os seus militantes. Se quer mudar a meio ou chega a acordo com eles muito bem, senão tem de ter paciência, espera pelo fim do mandato; não os expulsa. Isto para mim é elementar. E um principio básico da democracia.

    Se o PCP tem legitimidade, aceite pelos militantes, para dispor dos lugares para os quais foram eleitos (que eu não concordo, por respeito aos eleitores, mas eu não sou militante do PCP), mesmo assim nunca concordaria com uma expulsão. Mais ainda se for verdade o que diz Luísa Mesquita …que houve um acordo para cumprir o mandato até ao fim.

    Não me recordo já como foi o caso do Acácio Barreiros, mas se renunciou porque já não se identificava com os princípios do seu partido teve uma posição que o enobrece, obviamente. Não faria sentido manter-se como deputado a defender coisas que deixou de acreditar e que constituiram o seu programa eleitoral. Não é o mesmo caso de Luísa Mesquita. Esta não disse que estava em desacordo com a linha política do partido ou que estava contra o programa com que se apresentou ás eleições.

    Neste caso, insisto, a ser verdade o que Luísa Mesquita disse, ela concorda com os estatutos, mas nesse aspecto, ela entendia que no seu caso deveria levar os mandatos até ao fim e desde sempre colocou essa questão, como condição para aceitar ser candidato a qualquer lugar elegível. O que para mim é inaceitável e esse foi o motivo do post é que alguém, apenas porque não aceitou uma decisão da direcção, é logo carimbada do pior e de seguida expulsa, aparentemente com o beneplácito dos militantes. Se o “partido assim decidiu” … parece ser a máxima.

    E para terminar, com tu bem sabes. Para ser militante de um partido não se é obrigado a estar de acordo com tudo. Sejam eles os estatutos ou sobre as políticas. Pelo menos é assim que eu entendo.

  6. … e, “prontes” fiquemo-nos por aqui.
    De que vale esgrimir argumentos se no essencial estamos de acordo? O que nos separa nesta analise, creio eu, são compromissos “secretos” entre as partes, por consequência não são públicos, não sabemos quem fala verdade… enfim, questões secundárias. Na verdade, é um problema do PCP, ou melhor, deste partido e da senhora deputada Luísa Mesquita. E, não é tão singular assim. O PCP continua igual a si próprio, inédita é a posição de Luísa Mesquita que nunca antes se lhe conheceu contestação às medidas análogas do seu partido para com outros seus ex-camaradas.
    Por exemplo: Onde estava Luísa Mesquita quando o seu partido “obrigou” Carlos Sousa a renunciar à Presidência da Câmara Municipal, esse sim eleito pelo seu prestigio?

    JC

  7. JC

    Numa visita ao site dos Renovadores Comunistas dei conta deste comunicado de imprensa.
    Até parece que os plagiei (ou eles a mim)
    🙂
    Quero acrescentar que não nutro nenhuma simpatia por Luísa Mesquita. Uma frase dela em entrevista ao jornal Público é elucidativa do seu pensamento político. Perguntada se ainda era comunista, recusou assumir-se como comunista porque já não era do PCP! Realmente profundas as suas convicções ideológicas.

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