Sou arguido (III)

“… Ao autor do Apdeites é absolutamente indiferente se existem ou não motivos para que o autor do blog Foice dos dedos tenha sido constituído arguido. O que está em causa não é se a publicação do post em causa, naquele blog, poderá legalmente configurar um ilícito praticado pelo vizinho Fernando. Aquilo de que se trata, na perspectiva e na opinião do autor do Apdeites, enquanto membro de uma comunidade, é que o autor de um blog português foi constituído arguido apenas porque nunca escondeu a sua identidade, enquanto cidadão; ou seja, se ele o não tivesse feito, não se identificando ou utilizando um “nickname”, seria na prática impossível qualquer acusação. Não haveria por conseguinte arguido algum, porque não existe (ainda) nenhuma lei que obrigue um blogger a identificar-se. (…) Ficamos a saber, portanto, é essa a lição a tirar daqui, é essa a ilação, que só podemos ganhar em não divulgar a nossa identidade. Se nos mantivermos anónimos, poderemos publicar as maiores enormidades – nada nos poderá suceder. Se persistirmos em manter, com honradez, com hombridade, com honestidade, a nossa assinatura em tudo o que escrevemos, assim se vê, mais tarde ou mais cedo a chamada “justiça” nos cairá em cima, com estrondo. No fundo, no fundo, aquilo que as chamadas “autoridades” nos pretendem dizer, através deste e de outros exemplos semelhantes, é a seguinte, liminar, terrível mensagem: se nós soubermos quem tu és, mais tarde ou mais cedo havemos de te caçar, estás tramado! …”

(ler tudo no Apdeites)

Depois do 25 de Abril nunca senti necessidade, para dizer o que quis dizer, da forma que o sei dizer, de o fazer clandestinamente, unicamente pela razão de ser alguém com sentido elevado de responsabilidade. A minha identidade, a minha fotografia, a minha vida, está descrita em vários momentos aqui no Foice dos Dedos e em anteriores blogues. Tudo, portanto, muito transparente.

Para mim essa é a prova da minha seriedade. Mas também pode ser a de um tonto.

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por Fernando Publicado em Geral

15 comentários a “Sou arguido (III)

  1. Evidentemente, aquilo que a redacção do meu post releva é essa mesma (sua) seriedade; e que o trágico de isto tudo é, agora, pelos vistos, transparência implicar… problemas. Associar anonimato a clandestinidade, bom, será? Uma coisa implicará forçosamente a outra? E, se for assim, o que é que isso faz lembrar? Todos sabemos, não é?
    A minha mensagem era (e é) de solidariedade, nunca por nunca de menosprezo. Serei eu tonto por, identificadíssimo e extremamente localizável, o apoiar a si?

  2. JPG
    Antes de mais quero agradecer-lhe a solidariedade.
    Depois dizer-lhe que também tive dúvidas se ao fazer uma referência ao seu post, isso poderia acarretar-lhe algum problema. Acabei por na sequência do seu primeiro comentário no post anterior, entender que me estava a prestar um apoio “público”, (nos exactos termos em que o faz e que eu acho correctos – para quem não se conhece) e daí fazer o link ao seu post. Aliás outros blogues também fizeram referência ao assunto mas tendo em conta a forma como o fizeram, para os “proteger” sei lá de quê, não os divulguei aqui.
    No seu caso como dá um enquadramento diferente ao assunto, penso não haver por onde pegar. Obrigado uma vez mais.

  3. Caro Fernando
    Cheguei a temer que nos deixasses de novo. Mas vejo agora que a tua força interior te fez continuar firme nesta luta contra os que querem silenciar alguns bloguistas incomodos(?) na sua maneira de ver.
    Li hoje a origem deste novo atropelo à liberdade da livre expressão, consagrada Constitucionalmente. O teu alerta inicial, julgo ser suficiente para por em dúida ou não o “e-mail” que originou a trapalhada. Contudo vejo uma outra situação, aliás que reporto no meu blogue.
    Se foi a ASAE que te levou a esta situação, porquê só passados cinco meses?
    Se foram os comerciantes referidos, porque não foram eles que levantaran a questão?
    Porque é que b.viana e Laurinda, que comentaram o post e aos quais mandaste o e-mail, não voltaram a replicar?
    Acho isso muito estranho.
    Reafirmo de novo o meu apoio e fica ciente que não estarás só nesta luta. FORÇA FERNANDO.
    Um abraço
    Carvalho de Almeida – http://memoriasdofuturo.blogs.sapo.pt

  4. Meu blog é pequeno, minha voz não é muito forte
    mas estou ao teu lado sempre quando precisares Fernando.

    Quando dizes :
    Aliás outros blogues também fizeram referência ao assunto mas tendo em conta a forma como o fizeram, para os “proteger” sei lá de quê, não os divulguei aqui.

    Pessoalmente não quiz ir muito além para não te causar problemas…mas depois que li isso, não hesitei…

    Mas olha que eu não gosto de laranjas, prefiro chocolate.. 🙂

    Um beijo grande

  5. Tenho um pseudónimo e a fotografia de um macaco precisamente por isso mesmo. Não confio na escumalha que manda nesse país. Não confio nos tribunais desse país. Não confio em coisa nenhuma desse país (e sou português, note-se). Sempre fui desrespeitado (eu e a maioria dos portugueses, embora grande parte dessa maioria nem se aperceba) pelos sócrates, cavacos e afins desse país. Por isso lhes devo o mesmo respeito, ou seja, respeito nenhum. Não utilizo o meu anonimato para desrespeitar pessoas de bem. Utilizo-o para dizer o que me apetece desses animais do governo, da mesma forma que eles fazem o que bem lhes apetece com os portugueses.

    Enquanto os criminosos andam cada vez mais à solta, enquanto os políticos e alguns juízes seus amigos se refastelam à custa do nosso suor, há cada vez mais pessoas a terem de responder em tribunal por darem uma simples opinião ou por dizerem verdades inconvenientes para a corja reinante.

    Não se pode esquecer o caso recente da pseudo-licenciatura do suposto engenheiro. O blóguer em questão apenas levantou questões. Sócrates, pelo seu lado, mentiu com quantos dentes tinha. E que aconteceu? O processo sobre a fraude de Sócrates foi mandado arquivar por juízes amigos, sem o pseudo-engenheiro ter sido sequer incomodado para prestar declarações e destruindo-se todas as provas que podiam ser usadas contra ele. Ao invés, o blóguer em questão foi constituído arguido pelo pseudo-engenheiro fraudulento, apenas por ter formulado algumas questões que queria ver respondidas. Já Marcelo Rebelo de Sousa insinuou na TV, em tom jocoso, que o curso de Sócrates lhe teria saído na Farinha Amparo. E Sócrates acusou-o em tribunal por causa disso? Não, que esse é tão poderoso como Sócrates, comem todos da mesma gamela. Eles querem é gente indefesa, como os blógueres identificados.

    Finalizo. No meu blogue publico o que bem me apetecer. E sinto-me no direito de insultar aqueles que me roubam todos os dias sem que eu nada possa fazer. Por isso mantenho o anonimato. E é graças a esse anonimato que posso falar de mais este caso e dar sobre ele a opinião que bem me apetecer. E não o faço neste preciso momento porque, como disse, não pretendo prejudicar pessoas de bem (essas já têm muito quem as prejudique).

    Não sei o que é que o Fernando achará melhor para si: que isto seja falado nos outros blogues ou não, sobretudo em blogues em que, como o meu, se diz tudo o que me apetecer. Deixo-o ao seu critério.

  6. C.Almeida, temposlivres, Mac Adriano

    Na minha apresentação está escrito que “este é um espaço de análise crítica e de intervenção política e social.” É isso que tenho vindo a fazer há cerca de três anos. E assim continuará a ser enquanto o blogue existir. Por respeito aos leitores do Foice dos Dedos dei conhecimento de que fui constituído arguido por causa de um artigo aqui publicado.

    Sendo o blogue perfeitamente identificado por opção própria, naturalmente tenho de assumir tudo o que escrevo. O que não posso é, penso eu, ser responsabilizado pelo que os outros escrevem sobre este assunto. Pela parte que me toca apenas tenho que agradecer-lhes a solidariedade que demonstram, como é o Vosso caso, e pedir-lhes que tenham cuidado no que escrevem sobre este assunto, pois, não gostaria que fossem prejudicados por isso. De resto e até conhecer verdadeiramente as razões porque sou arguido vou tentar abster-me de falar, para além do essencial, para informar os leitores do foice. A opção de tomarem posição pública nos Vossos Blogues sobre este caso é um problema que me ultrapassa. Peço-vos é que se for essa a opção tenha cuidado para Vossa protecção. Obrigado uma vez mais.

  7. Respeitando a opinião dos que por varios motivos tem blogs anónimos, entendo não ser a melhor forma de lutar contra esta cambada, dar a cara defender ideias e assumir responsabilidades deve ser uma opcção de cada um, o Fernando é vitima dessa opcção por isso mais uma vez a minha solidariedade pela coragem e um incentivo a que continues a resisrir, a luta é dificil mas a vale apena lutar.

  8. O meu pai e os meus irmãos viveram a clandestinidade…Quando chegou o 25 de Abril tornaram-se activistas com nome e suportaram de tudo. Eu bem mais pequena senti tudo por alto mas fui ouvindo e assimilando naquelas reuniões de familia á roda da mesa da cozinha, duarnte a minha Juventude assumi posições a que nem sequer podia fugir devido ás posições da minha familia vi fechadas quase todas as oportunidades de emprego, fui chamada de rebelde até de pactuar com as extintas F.P. fui acusada vi menosprezada a minha maneira de ser e agir, fui apelidada de “Parva”, nunca tive nada, por dizer que não pactuava com “Graxas” com “subornos” e “Cunhas”.
    Hoje em dia a minha filha com 16 anos tem atitudes parecidas e rabuja imenso com o sistema e sabem o ke eu faço… digo-lhe esta sossegada! Acho que estou a mutilar os meus pais os meus irmãos, mas se não fôr assim ” sou tão estupida”, continuo a levar na tromba.

  9. Eu nem sei o que dizer, já passei por isso de forma diferente…ao invés de preocupar-se com blogs de pedófilos, de ladrões, de malucos…..eles se preocupam em fazer a ditadura….

    lamentável

    beijos

    Ly
    (sou solidária, se precisar de algo é só gritar gosto mto do seu blog)

  10. Fernando, acabei de o conhecer, por causa da sua visita ao Língua à Portuguesa, mas já o admiro. Respondi à sua dúvida nos comentários, a seguir ao seu. Aqui fica a minha solidariedade, e o meu acordo com os que aqui intervieram. Eu própria hesito todos os dias, nos meus vários blogues, entre dizer quem sou e ocultar a minha identidade. Concordo que, por piores que sejam as consequências, devemos ser fiéis a nós próprios e transparentes. Mas por outro lado, se isso só nos traz problemas e injustiças, para quê passarmos a vida com o coração nas mãos?

  11. Olá Fernando, muito sinceramente não sei o que te dizer para te animar a não ser que podes contar com o meu apoio.
    Eu sei que ando desaparecida por contingências da vida, mas tens o meu e-mail e qualquer dúvida escreve-me… não te acanhes que para ti tenho todo o tempo do mundo.

    Ainda não vi o post em questão nem os respectivos comentários, em especial os teus que é o que interessa – irei a isso mais tarde se a Netcabo deixar! Mas pelo que li aqui, estou mais preocupada pelo facto de teres de passar por tudo isto do que pela presumível, repito, PRESUMÍVEL, prática do crime.

    Como amiga, acho que deves procurar um Advogado, se é que já não o tens. Não é por duvidar da tua inocência mas por motivos meramente técnico-jurídicos. Por exemplo, se podes acabar já com esta brincadeira porquê arrastá-la?

    Agora, nada de confusões meu amigo. Arguido não é ser criminoso, delinquente, nem tão pouco e nesta fase processual acusado! Arguido é somente uma pessoa indiciada da prática de um crime. E somente sobre o arguido recae a presunção da inocência.

    E pelo que me parece ainda nem Arguido és. Serás constituído Arguido no dia em que fores prestares declarações. E isso não te dará só deveres processuais. Dar-te-á direitos também.

    Força nisso, conta comigo para o que quiseres e um abraço para ti.

  12. Apesar da minha amiga Cris, que muito estimo, me ter sugerido levar um advogado (por meras questões técnicas-jurídicas), depois de muito ponderar, decidi apresentar-me sozinho na audição para defender-me, no seguimento de um contacto com um advogado amigo.

    Lendo e relendo tudo o que escrevi, tenho a consciência de que não produzi nenhuma afirmação que pudesse ser considerada caluniosa ou difamatória ou que pudesse prejudicar alguém.

    Nunca foi a minha intenção neste caso, como aliás, não o foi (não o tem sido) nunca, em quaisquer outras situações, como sabe quem me conhece bem ou quem tem acompanhado o meu percurso aqui na Internet, desde há três anos, sem me esconder atrás de um anonimato.

    Perante um documento chegado às minhas mãos, alegadamente um relatório da ASAE que circulava pelos e-mail´s, apenas me limitei a exercer o meu dever de cidadania e de intervenção cívica, como sempre o fiz, dando-o a conhecer aos meus leitores, mas com uma reserva de cautela ao dizer que “tomando como” (A SER TOMADO COMO) verdadeiro, tais práticas configuravam um perigo para a saúde pública.

    Renovo os meus agradecimentos a todos quantos me têm prestado a sua solidariedade e que estejam descansados.

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