Sou arguido (II)

Como já dei conta fui constituído arguido na sequência de um artigo publicado aqui no Foice dos Dedos. Como alguns de Vós saberão (eu não sabia) não somos informados, das razões nem quem foi ou foram o ou os autores do processo, até ao dia do interrogatório. Em bom rigor não sei de que estou acusado. A única informação que obtive fui de que tinha a ver com a publicação de um artigo na Internet.

Revendo mentalmente tudo o que escrevi (e face à natureza de alguns comentários ao post), presumo que se refere a um artigo, sobre uma intervenção e eventual relatório da Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE) em estabelecimentos comerciais em Viana do Castelo, de que reproduzi uns excertos.

Contudo, também posso estar enganado. E pode vir de onde se espera tudo.

Mas o que me trás aqui, neste momento, é essencialmente fazer um agradecimento a todos quantos, por diversas formas, pessoalmente ou por telefone, e-mail, em comentários, ou através dos seus blogues, se têm manifestado solidários comigo. O meu obrigado.

Quanto ao que se seguirá estou tranquilo. Sempre soube usar a liberdade responsavelmente mas com uma saudável exigência cívica.


José Mário Branco – Queixa das almas jovens censuradas

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10 comentários a “Sou arguido (II)

  1. Caro Fernando
    Foi com surpresa e admiração que só agora leio estas notícias. Nem sempre me é possível, por falta de tempo, ler os blogs que considero de referência, independentemente de ideologia dos seus autores.
    Desde que me iniciei nestas lides tenho visto de tudo. Tivemos os nossos desajustes, mas nunca por nunca li nada de ofensivo que tenhas escrito.
    Que se dizem umas asneiras e/ou palavrões de vez em quando. É verdade.
    Que por vezes se escrevem coisas que nos saem da boca para fora, mais com o coração do que com a cabeça.
    É verdade.
    Agora e pelo que tenho vindo a aperceber é mais uma das formas de intimidação, muito mais refinadas do que aquelas que a PIDE usava. Agora é-se arguido.
    Começa-se a ter medo de novo. SALAZAR demorou muito mais tempo a instalar este clima no País. Estes são rápidos. Nada me admira que qualquer dia não me bata pela porta,sobretudo depois do que tenho escrito nesta última semana.
    Se precisares do meu testemunho, se bem que à distância estou ao teu dispor. A videoconferência também serve para isso.
    Estou agora de volta do meu blog e vou dar esta noticia à estampa.
    UM ABRAÇO FERNANDO.

  2. C.Almeida

    A diferença de opinião entre pessoas sérias não é mais que isso; diferença de opiniões.

    Obrigado pela solidariedade e disponibilidade. Quero crer que o assunto vai morrer no dia do “interrogatório”. Mas se isso não acontecer estou aqui para o que der e vier, assumindo todos os meus actos e as consequências. A minha postura na vida não sofre alterações com coisas como estas. Vou aguardar com serenidade pois creio que não cometi nenhum “crime”.

    O que importa é como dizia o JC num comentário no post anterior é que isto não sirva para nos atemorizar e comecemos a fazer a auto-censura. Isto claro sem que deixemos de ser o mais possível rigorosos no que escrevemos mas sem temer ter opinião.

  3. Força Fernando … daqui… te digo é preciso muito mais que isso para derrubar uma pessoa como tu …A verdade e a honestidade anda a incomodar muita gente, è pena… O Mundo seria muito mais bonito para se viver se fossemos assim… mais verdadeiros!

  4. Eu fico parva com estas coisas. Como é que os tribunais não hão-de estar entupidos de processos! Só agora passei por aqui, Fernando. Deixo-te um abraço solidário. Não te posso valer de muito, mas quero que saibas que estou indignada.

  5. Caro Fernando:
    Só hoje tomei cinhecimento de que é arguido. Para todos os efeitos quero que saibas que podes contar com a minha solidariedade e que se necessitares o meu blog está pronto a apoiar-te em tudo o que necessites. A liberdade na blogosfera tem de ser defendida. Espero que tudo corra bem e pelas noticias do dia 23.
    um abraço

  6. Faço minhas as palavras do último comentador.

    Com a ressalva (ou o acrescento?) de que, mesmo existindo uma publicação que prefigure calúnia e difamação (o que, provavelmente, deu origem a queixa por parte de uma das empresas referidas no post em causa), esta apenas se torna viável porque o autor deste blog se identifica. E isso sim, é intolerável. Mesmo que tenha existido qualquer prevaricação, de um ponto de vista estritamente legal, este autor é indiciado apenas porque cometeu o “erro” de não se esconder por detrás de um “nickname”. Isto não pode ser. As pessoas não podem ser perseguidas por cometerem a “estupidez” de não esconder a sua identidade civil.

  7. Fernando, tens, para já, todo o meu apoio!

    Mas quero referir uma coisa, o ser um não anónimo não é muito importante, é geralmente possível locaizar de que computador veio um dado texto.

    No teu caso acho que o melhor é dizeres que ignoras tudo. Aliás, até já deste conta que volta e meia aparecem no teu blog textos que não são da tua autoria.

    Alguém descobriu as tuas passwords e penetra no blog? Alguém utiliza o teu computador? Ignoras mas, como não tens lá nada de importante também não estás para perder tempo com investigações.

    No entanto e já que o Ministério Público está metido nisto, agradecias que se descobrissem o malandro que anda a fazer estas coisas o dissessem.

    Pelo menos dava-lhes uma data de trabalho…

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