Barcarola Negra

Companheiro que remas junto a mim,
nesta galera de escravos
em que nos embarcaram, logo depois de nascer
– é preciso acabar este fadário,
ou ir ao fundo com a nau maldita!..

Nós andamos aqui
– eu,
tu,
nós todos –
a expiar um crime que não cometemos!..

Ao longe,
pra lá das vagas altas e das montanhas de espuma,
está a terra donde nos roubaram
do colo das nossas mães!

É para lá – eu sei –
é para lá que voam
os nossos olhos tristes,
como aves de arribação, buscando os ninhos …

Pois bem.
Nós temos de ir, também com eles
– com nossos olhos meninos
que nunca serão escravos!..

É preciso coragem, companheiros
– um esforço tremendo de músculos e vontade –
é preciso largar as mãos dos remos:
– quebrar os remos
– … ou quebrar os braços! …

Alfredo Reguengo
Inédito 1945
(Poemas da Resistência)

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por Fernando Publicado em Poesia

2 comentários a “Barcarola Negra

  1. aleluia um bocado de poesia…
    ate fiquei de boca aberta ao pensar q era so de politica
    looool
    Espero que esteja tudo bem ctg…

  2. Olá Barbara.

    Que bem sentir a tua presença. Que bem encontrar-te? Onde andas? Ainda tens Blogue? Ainda continuas poeta? Talento não te faltava. Gostava de continuar a ler-te.

    Tens razão … estou a ficar cansado de certas lutas. Um beijinho.

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