Essas perguntas não que são incómodas.

Um partido político não é obrigado a ter opinião sobre todas as coisas. Do mesmo modo qualquer político não tem, igualmente, a obrigação de ser um especialista em todas as matérias. Existem situações que carecem de pesquisa, maior e melhor análise, verificação histórica, rigor científico, confronto argumentativo, contraprova, etc.

Seria pois legítimo que apanhados numa situação de desconhecimento, a maioria dos partidos e dos políticos, assumissem a ignorância com toda a honestidade e toda a clareza em vez de pregarem respostas levianas e descabidas.

Mas pior de tudo e que me aborrece solenemente são as respostas de tipo “não comento”, “ou não vou fazer comentários sobre essa situação”, para fugir às perguntas incómodas, como foi o caso do deputado do PCP, Jorge Machado, sobre questões relacionadas com a visita de Dalai Lama.

O que se espera de políticos sérios não são as fugas às questões. O que se espera dos partidos e dos dirigentes políticos responsáveis é que dêem a cara. Que assumam as suas opções e posições políticas tomadas a todo o tempo. Sem medos. Sem constrangimentos. Sob pena de serem tidos como pouco credíveis, inconsequentes, e considerados um logro político.

Julgava que este tipo de respostas fossem um exclusivo da direita. Enganei-me.

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5 comentários a “Essas perguntas não que são incómodas.

  1. Nesse caso, outra pergunta a fazer será se têm de ser os jornalistas a determinar o momento em que um político assume uma posição sobre um assunto, ou se isso pode ser feito depois da tal “pesquisa, maior e melhor análise, verificação histórica, rigor científico, confronto argumentativo, contraprova, etc.”, e sobretudo, discussão com os colegas de partido e definição de posição oficial e coerente. E isso não implica a necessidade de assumir a “ignorância com toda a honestidade e toda a clareza”. A pressão do imediatismo mediático tem de ser tida em consideração na análise dos discursos políticos.

  2. G. Mbeki a pressão do imediatismo mediático não deve obrigar ninguém a responder se não têm ainda resposta. Mas é sua obrigação dizer isso mesmo. “Sobre esse assunto ainda não temos uma posição … ou estamos a estudar ainda o caso” por exemplo. Contornar o problema fazendo dos ouvintes papalvos é que não. Mas pior mesmo, para mim é fugir com o rabo à seringa com um “não comento” nas perguntas difíceis ou incómodas. Esses não me merecem nenhuma consideração.

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