A propósito da selecção de rugby

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A presença de atletas, clubes e selecções nacionais em acontecimentos desportivos internacionais, especialmente se conquistando resultados positivos, são um grande motivo de orgulho nacional. A bandeira nacional bamboleia nas mãos o hino nacional é calorosamente cantado o povo comove-se.

Nesse momento todos são portugueses. Não há pretos ou brancos, naturais ou naturalizados, esquerdas e direitas, ricos e pobres, patrões e empregados. É uma festa e uma emoção grande.

Sem ser particularmente efusivo não deixo de vibrar com a nossa participação nesses eventos. Afinal são portuguesas as minhas origens, onde se fixam os meus afectos, as minhas raízes, os acasos da minha vida.

O que a mim não me avistarão é a erguer a bandeira nacional ou a cantar o hino. Sou absolutamente contra a exaltação dos símbolos nacionais de forma exacerbada. E bastante comedido no que respeita a patriotismos. Para mim não há Portugal e os outros. Sou um homem do mundo sem fronteiras e respeitador das diferenças.

Tudo isto a propósito da exuberância com que os atletas do rugby entoaram o hino nacional, na campanha do mundial da modalidade, que manifestamente arrebatou o coração de muita gente.

Sem querer fazer conexão, os nossos neonazis expressam com a mesma alma estes arrebatamentos nacionalistas/patriotas.

Talvez por isso é que não alinho nestas manifestações de patriotismo frenético, excessivo, sublimado.

Tudo isto não deve esconder o meu respeito e estima, pela dedicação, o amor, a dedicação, com que os atletas (amadores, por sinal) com muito brilho, disputam este campeonato com as maiores potências do mundo na modalidade.

 

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9 comentários a “A propósito da selecção de rugby

  1. Parabens a eles pela primeira prestação !
    Não te vou falar de bandeira e de hino, sabes o que penso disso.
    Desejo a esses rugbymen’s uma boa estadia aqui muito pertinho de onde vivo nesta região de Auvergne.

    E uma boa continuação para ti Fernando.
    um beijo

  2. Então isso faz dos norte-americanos, ingleses, franceses e povos de outras nacionalidades, conhecidos pelo o seu “exacerbado” nacionalismo, neonazis? Classificar amor ao país e demonstrações fortes nesse sentido como sinal de extremismo de direita é tremendamente redutor. Cada um sente o seu país como quer, mas se não formos nós a chorar pelo nosso hino, quem chorará?… (c/ tudo o que de implícito esta expressão acarreta)

  3. Flávia só maldosamente pode dizer que associo os atletas que cantaram o hino nacional aos neonazis, quando afirmo expressamente, ” sem querer fazer qualquer conexão …”.
    O que quis significar é que não é pela alma com que se canta o hino que torna as pessoas melhores, procurando com isso desfazer algumas comparações, criticas que vi por aí escritas para outras representações nacionais.
    Aproveitei para dizer que pessoalmente não sou um apologista destas manifestações de orgulho nacional, especialmente se exarcebados. E é neste aspecto que faço a comparação com o “orgulho” nacionalista dos neonazis. O “nosso” orgulho deve ser a forma como estamos na vida.
    Há um pequeno livro que lhe aconselho a ler para se perceber melhor a origem dos problemas no mundo. É de um escritor israelista de nome, Amos OZ e o livro é “contra o fanatismo”.

  4. Meu caro:

    A questão do patriotismo, para onde alguns querem levar a questão não se coadunam com a reslidade, Um hino nacional é o que é, e a que pode estar associado também. O que pensamos, eu, no meu caso pessoal, estatela-se na questão da não transmissão em canal aberto dos jogos da Selecção Portuguesa de Rugby. Apenas e só isso. Se os jogadores cantam o hino com mais ou menos sentimento, nada tem que ver com sentimentos proto-fascistas, nem quejandos. É uma forma de estar em campo, tal como a coreografia neozelandesa. Fazem parte do ritualismo e da encenação do jogo. Apenas isso. Agora como no futebol as coisas estão como estão a questão tem sido arrastada para questões transversais. Cantar daquela forma só quem lá esta pode explicar convenientemente. E de certeza que ninguém lhes ordenou que o fizessem.

  5. O ênfase com que cantaram o hino, não me aquece nem me arrefece, já o mesmo não posso dizer das ilações que alguns querem tirar dessa forma de se dizerem portugueses.

    Gostam, sentem o hino bem fundo… [contra os canhões marchar, marchaaaaaaaaaar…] Ficam com os cabelos em pé, etc… Patriotismo, essa maneira de sentir? Talvez!?

    [Creio que até se entende – Pessoalmente aprecio a diferença que sustenta a apreciada diversidade. – o talvez exagero posto no acto. No fundo aquele grupo apenas realçava a sua singularidade. Só há diversidade se formos singulares, como pessoas e como povo!]

    Contudo não vejo inocência nenhuma, no apelo dos deputados centristas para a transmissão em sinal aberto dos jogos de rugby. Se, o que se pretende é valorizar o que é “nosso”, digam-me então porque não legislam no sentido de massificar um desporto em que somos campeões mundiais? Porque não propõem, os patriotas deputados centristas, legislação adequada no sentido de facilitar a aquisição de patins aos nossos jovens?

  6. “Sem querer fazer conexão, os nossos neonazis expressam com a mesma alma estes arrebatamentos nacionalistas/patriotas.”
    Se não quer fazer qualquer conexão, porque menciona os neonazis?
    Façamos um paralelismo com o seu estilo de escrita.
    “[A propósito da existência do famoso campo de reeducação do Goulag na ex-União Soviética] Sem querer fazer conexão, os nazis expressavam da mesma forma a sua vontade de proporcionar uns bons momentos a pessoas indesejadas”.
    Também pode utilizar Guantanamo, mas não me parece que os americanos digam que é um campo de férias ou de reeducação…
    Estes estalinismos, de tentar matar as emoções, deviam ser proibidos!
    [Viu como me foi fácil com uma tirada anti-estalinista ser eu próprio estalinista?]

  7. André já respondi à sua pergunta no comentário anterior e próprio post dá resposta a isso. Basta ler com atenção e seriedade. Se deseja à força colar-me o rótulo de estalinista ou fazer crer que insinuei que os atletas do rugby são neonazis é lá consigo. Cada um canta o hino como quer ou o sente e nada tenho a ver com isso. Agora não é esse facto que determina o que “… as pessoas são no fundo”. Para o bem ou para o mal. De resto sobraram os meus elogios (no último parágrafo) para com esta selecção.
    Também fica claro que não sou propriamente um “nacionalista” e que os patriotismos exacerbados fazem-me alguma confusão. Como tudo o que cheire a fanatismos …mas esse é um problema meu e parece-me incurável.

  8. Caro Fernando,
    Por muito que lhe cheire a fanatismo a forma como a selecção de râguebi canta o hino, relembro-lhe duas ou três coisas.
    Em primeiro lugar, o râguebi é um desporto colectivo de combate, visando a ocupação do terreno adversário, sem paralelo noutro desporto colectivo internacional (exceptuando o futebol americano). Daqui decorre que surjam rituais guerreiros, como o haka maori, neste contexto. A motivação dos próprios para o “combate” é o objectivo de se cantar desta forma.
    A estimulação do sistema nervoso simpático induz resistência à dor e estes rituais são claramente estimulantes deste sistema. E acredite que jogar râguebi doi…
    Por último, se viu o final do jogo, apercebeu-se de um outro ritual do râguebi. O aplauso dos vencidos aos vencedores fazendo um túnel, e depois disso, o contrário. Para exemplo, veja: http://www.youtube.com/watch?v=5KEa9fW3lwc.
    Em jeito de conclusão, saiba que o desporto permite a codificação da violência, contribuindo para a sua regulação, quando bem enquadrado. É que isto de ter um árbitro que não deixa fazer tudo o que se quer frente a um adversário ajuda a perceber e a respeitar as regras sociais.
    Ou seja, não há qualquer fanatismo aqui… Apenas um sentimento muito forte.

  9. André
    Chegamos ao ponto. Não me incomoda nada os rituais de preparação psicológica para um jogo, assumindo qualquer forma, pelo contrário, também fui treinador de andebol muitos anos e no balneário ensaiávamos uns “gritos de guerra”. Devo dizer aliás que fiquei bem impressionado com a dança do Haca pela Nova Zelândia. Voltando à questão inicial. O que questionei foi o de se querer atribuir um maior significado “patriótico” (comparado) aos atletas de rugby pela forma empolgada como entoaram o hino. E daí o meu post.

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