Vulnerabilidades

Francisco Louçã considerou a eleição de Luís Meneses para Presidente do PSD, como um sinal da crise do sistema político e da sua “vulnerabilidade ao populismo”.

A mim também me preocupa o populismo enquanto “exploração das emoções e da ignorância com fins políticos”. Mas não é qualquer um que, o querendo, consegue ser “populista”.

Para ser “populista” também é preciso estar ligado ao povo, conhecer os seus problemas, dificuldades e dramas. E ter obra feita. É isso que explica, tal-qualmente, as vitórias dos Jardins, Isaltinos, Valentins, Fátimas. E também de Luís Meneses.

Mais do que a preocupação por “um sinal de crise do sistema político” a classe política bem pensante, devia aprender com o que de melhor tem esta gente; uma efectiva ligação ao povo, em vez dos discursos técnicos, estereotipados, inacessíveis à maioria das pessoas.

A vitória do Luís Meneses significou a derrota das elites, dos barões, dos intelectuais bem pensantes, dos “indígenas” do Compromisso Portugal. E para mim significou uma indicação de vontade de mudanças políticas à esquerda.

Sendo-me indiferente o estilo e a forma de fazer política de Meneses, uma espécie de santanismo travestido, pouco edificante politicamente, fico encantado com a derrota de uma parte da corja política que vem administrando o nosso “sistema político”. E estou-me nas tintas para o futuro do PSD. Ou melhor espero que se afunde …

Esperava que Louçã também se tivesse referido à derrota do “sistema político” dos poderosos derrotados.

Ganda noia

Vencer o Marques Mendes ou o Luís Meneses interessava-me pouco. O que contou foi que a arraia-miúda do PSD derrotaram as elites, “as armas e os barões assinalados”, as criaturas do Compromisso Portugal. Tenho a impressão de que as bases do PSD também querem mais esquerda para o país. Será por aí que o Menezes enfrentará o PS. Curioso!

Coisas minhas

O 31 da Armada é um blogue de direita. Na convenção do Bloco de Esquerda, o 31 da Armada foi credenciado como um órgão de comunicação social para cobrir o evento, o único blogue, apesar de não serem jornalistas. Fez-me impressão mas aceitei. O Bloco tem as suas peculiaridades.

O 31 da Armada “retribui” agora o convite, não ao Bloco evidentemente mas a um ex-dirigente e uma das suas figuras mais conhecidas, em especial na blogosfera, o Daniel Oliveira.

Pessoalmente não gosto destas promiscuidades sem querer questionar as opções do Daniel Oliveira com quem de resto, estou muitas vezes, mas muitas vezes mesmo de acordo, nas suas opiniões.

E isto sou eu a falar que sou um “moderado”…

por Fernando Publicado em Geral

Reconhecimento e validação de competências para mim é …

Ter competências é possuir saberes. É ter conhecimentos, capacidades e aptidões. É possuir um conjunto de qualificações teóricas e práticas que permitam desempenhos superiores em harmonia com as mesmas.

As competências adquirem-se com informação, comunicação, formação, aprendizagem, experiência, partilha de conhecimentos, vontade, dedicação e ambição. As competências são um processo de estágio contínuo e crescente, seja na escola, no emprego, ou no curso da vida, assumindo cada uma e no conjunto, em intensidade e dimensão, uma função essencial e complementar, nas várias etapas da vida pessoal e profissional, sendo que a escola nos prepara, o emprego engrandece, a vida dá amplitude.

Reconhecimento e Validação de Competências para mim é dar conformidade escolar e institucional a proficiências várias, provenientes do esforço de valorização individual, das competências formais, de reconhecidos saberes vários, da confirmação das qualificações obtidas e desenvolvidas, do efectivo grau de conhecimentos gerais e específicos, através de um modelo de aferição que se quer adequado. É ainda e também, fazer um pouco de justiça a uma geração de pessoas, precocemente, empurradas para o mercado de trabalho, por uma sociedade que não concede(u) as oportunidades de estudo a todos, esforçadas e apostadas em marcar uma presença irrenunciável.

PS: Num teste às minhas capacidades e também à intenção de voltar a estudar, cedo interrompidos, inscrevi-me no programa de reconhecimento e validação de competências. Vou passando, por isso, e até ver, a andar menos tempo por aqui. Esta foi a minha primeira resposta escrita à pergunta em título. Sem grandes primores e preocupações.

por Fernando Publicado em Geral

Pensar à esquerda (II)

(continuando)

Estando o PS tomado por políticos com princípios neoliberais e a realizar com sucesso as políticas da direita, seria espectável um suplemento de embaraço nos partidos à direita e uma oportunidade dos partidos à esquerda.

Há direita os embaraços são evidentes com um PSD destrambelhado e um CDS sufocado.

O escorregamento para a direita do PS lançou o pânico às hostes do PSD ao pressagiarem um longo afastamento da governação, depois do PS ter ocupado o espaço político que era o deles. Os rapazes do CDS por sua vez andam de cabeça perdida, sem ideias, sem propostas, sem saber que fazer para não fenecer. A direita está perturbada.

As eleições para líder do PSD vieram ainda exibir os sórdidos e inconfessáveis interesses pessoais e/ou a soldo de gente poderosa que fazem com que o PSD se mexa, patenteado nas múltiplas e nebulosas “movimentações”, dos últimos dias que envolveram destacados militantes, actuais e antigos dirigentes, ex-ministros, empresários, ao ponto de perderem a compostura com insinuações grosseiras, ataques raivosos, ofensas pessoais e acusações de toda espécie e feitio.

De há muito que se fala na refundação da direita portuguesa. Parece ter chegado o momento. Se por acaso querem chegar ao Governo do país na próxima dúzia de anos.

Há esquerda …

( a continuar com calma e tempo)

Santana Lopes abandona entrevista em directo a SIC Notícias.

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Santana Lopes é um político com muitas fragilidades, algo patético em muitas ocasiões. Santana Lopes não é um líder, não é um técnico, é politicamente instável e contraditório. Provou-o como Primeiro-ministro. Não deixou saudades. Separa-nos um oceano politicamente.

Santana Lopes, é contudo uma pessoa educada, tem um sorriso aberto e franco, tem sentido de humor e carisma. Acredito que deve ser boa pessoa.

Ontem, Santana Lopes deu uma lição de dignidade e respeitabilidade. Abandonou os estúdios da SIC Notícias depois de interrompido para um directo da chegada de Mourinho a Portugal, com uma declaração exemplar, “Eu vim com sacrifício pessoal e sou interrompido por causa da chegada de um treinador de futebol… ainda se fosse um acontecimento importante do país, do mundo, que justificasse. Acho que o país está doido. Não vou continuar a entrevista, acho que as pessoas têm de aprender”.

Completamente de acordo. Os critérios editoriais das televisões há muito que deixam a desejarem. Não é só o respeito aos entrevistados que está em causa é também o respeito devido aos telespectadores. A vários níveis da programação e informação. E de há muito tempo.

Também há muito tempo que esperava uma atitude destas. Veio por onde menos contava.

Dou os meus parabéns Santana Lopes.

Um dia de férias

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 Ílhavo, verão de 1997

Já por aqui ficamos até muito tarde. E tu, Lucinda, embalada por uma estória de infância, adormeceste. Nascia a noite por Agosto. Lembro-me: eram de um azul celeste os lençóis da cama onde nos deitamos pela primeira vez. E verdes eram os teus olhos. Verdes ainda as palavras, as tuas palavras como gaivotas a voarem no quarto: “não, não vás… agora não.”

As mãos, as nossas mãos ainda teciam passagens de outro tempo, esse apressado sopro de vida que ficou para trás. Por assim dizer, nem disso nos lembramos; apenas a sombra dos dias nos tangia o olhar e nos perpetuava os passos, um a um. Era o início de uma longa e pesada caminhada – a de carregar sobre os ombros o cinismo dos tiranos que nos perseguiram até ao fim da linha. Lembras-te? E aqueles rostos sisudos e duros atirados contra nós.

Depois tomamos o sol para o farnel dos dias e, mais tarde, bebemos a água dos dedos que brotava de uma fonte que nos era íntima: E os teus olhos verdes num brilho de orvalho matinal. Os meus perdiam-se em constantes paisagens de brancura. De qualquer modo, dois rios gigantes onde nos afogamos! Era ainda o início da linha ao atravessar os nossos meninos vinte anos.

Já por aqui ficamos até muito tarde saboreando as maçãs na primeira tentação e morremos na loucura de um pecado que nunca foi pecado. Não, não digas que me perdi ou nos perdemos. Se assim fosse, só o faríamos por amor, Lucinda. E, afinal, não foi isso que aconteceu? Não, não nos perdemos; foi aí que nos encontramos.

Depois demo-nos à vadiagem dos corpos até ao amanhecer. Os teus olhos ainda verdes e mexidos, o sabor trincado da maçã e o perdido gesto de um poema. E porque me disseste adeus para adormeceres tão cedo?

Álvaro de Oliveira 

As bestas fascistas querem passear em “liberdade” em Viana

Um grupo de fascistas planeia no próximo sábado, um passeio em Viana “pela liberdade”, segundo anuncia o blogue fascismo na rede.

Como é sabido a Constituição proíbe as organização fascistas e a difusão “.. dos valores, os princípios, os expoentes, as instituições e os métodos característicos dos regimes fascistas …”, proibindo-lhes o exercício de toda e qualquer actividade.

Cá por mim concedo o direito individual a esses energúmenos de se manifestarem em liberdade, no estrito respeito constitucional, sem contudo deixar de os considerar uns seres asquerosos, reles e desprezíveis.

A confirmar-se o desfile, espero que os cidadãos vianenses, uma terra das liberdades, da resistência antifascista e de democratas, manifestem o seu desprezo vigoroso a essas figuras abjectas.

Há coisas fantásticas, não há?

Poupando nos pormenores para melhor sublinhar as mentiras da TV Cabo, dizer-vos que desde Domingo, por volta das 14,00 horas e na sequência de um contacto meu, tive a promessa da reposição do serviço da SPORT TV, desligado por lapsos da referida empresa, para 1 hora depois. No dia seguinte, como tudo continuava igual, em resposta a um meu e-mail, afiançaram que precisariam de mais 4 horas. Já no início da tarde de hoje, falaram que era preciso mais 1 hora e há bocado, disseram-me que agora sim, era mesmo apenas mais 1 hora. Já passou e ainda nada.

Acrescentar ainda que na resposta ao meu e-mail o sistema informático da TV CABO, reenviou uma resposta automática concedendo um tempo de resposta de 6 horas ou 24 horas, conforme o contacto se desse antes ou depois das 21 horas. Responderam-me passado mais de 72 horas. Mas ainda nada mudou. Se contar o tempo em que não dei conta que não tinha o serviço da Sport TV, creio estar à quase uma semana sem serviço.

Dizer por fim que as vária chamadas telefónicas foram efectuadas para o designado número único 707 qualquer coisa, que comporta custos de chamada mais elevados. Sem contar com os tempos de espera elevados e ainda ter de gramar com publicidade nos ouvidos.

Como não tenho outra opção vou ter de continuar a aguentar estas mentiras, esta ineficiência e este operador. Nem a Joana, a Rita e a Teresinha os safavam, de outro modo!

 

Escutas telefónicas comprometedoras sobre Sócrates no caso da Independente são mandadas destruir.

Por aspectos formais não cumpridos, as escutas telefónicas “não haviam sido sujeitas, dentro do prazo previsto por lei, a um controlo por um juiz de direito”, uma juíza do Tribunal de Instrução Criminal de Lisboa, ordenou a destruição de todas as gravações telefónicas entre o Primeiro-ministro e Luís Arouca, antigo reitor da Universidade Independente, e António Morais, seu ex-professor, referente ao processo de licenciatura de José Sócrates, contra a opinião da directora do Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP), Cândida Almeida, escolhida pelo procurador-geral da República para conduzir a investigação relativa ao diploma de José Sócrates.

Nestes casos que envolvem figuras importantes já estamos habituados à anulação de “provas” baseada em incumprimentos de “aspectos formais”, “erros processuais”, “incumprimento de prazos”, eu sei lá o que mais sem que seja tido em conta a substância da acusação.

Valem os bons advogados e as boas influências para que os importantes deste país, passem de suspeitos vilões a imaculadas vitimas, num instante, acabando ainda por, regra geral, pedir fortes indemnizações ao Estado.

Sem dúvida a demonstração de que temos uma justiça para pobres e outra para ricos.