A questão do poder e alguma esquerda …e também direita

O acordo entre o PS e o Bloco para a Câmara de Lisboa continua a ser uma fonte de notícias nos jornais diários. Isto por si não teria nada de mal, afinal trata-se de um acordo inédito entre duas forças, em muitos aspectos, com propostas, práticas e programas políticos, muito distintos e opostos.

Mas as notícias têm um denominador comum. Todas elas extrapolam para um acordo, em 2009 ou mais tarde, um dia qualquer, se o PS não conseguir a maioria absoluta. Este teria sido o primeiro passo, segundo eles.

O jornal Público oferece mesmo um quarto de página, a um quase desconhecido, movimento político de extrema-esquerda, “Política Operária”, para chamar de “O acordo da vergonha” o entendimento entre o PS e o Bloco.

Vejo conjugar-se na mesma apreciação sobre o acordo e sobre os seus efeitos, pessoas de direita e pessoas de uma esquerda de “contra-poder”. Ambas as opiniões bradam contra uma “deriva de direita” que visa guiar o Bloco para dentro da área governativa, oh céus!…

Eu na minha santa ignorância penso que a ambição dos partidos é conquistar o poder, para governar o país e cumprir opções de vida, modelos de sociedade, na lógica dos interesses que norteiam cada um deles.

Estar de fora, do chamado “arco do poder”, apenas na resistência, no contra-poder, a defender os nossos interesses, os interesses dos outros mais desfavorecidos, é uma luta necessária, importante, mas por si só é inglória, desgastante, desmotivante e desistente. E claro … também com fracos resultados para quem mais precisa.

A Esquerda a sério não deve temer assumir responsabilidades. Não deve temer confrontar políticas, propostas, ideias, práticas. É assim que conquistará a confiança das pessoas, dos mais pobres, é assim que ganhará credibilidade. Um partido que não almeje a conquista ou a partilha do poder não é um partido político. É um sindicato, uma associação é outra coisa qualquer.

Esta lógica de pessoas da direita que criticam o Bloco por “correr por fora”, mas que criticam também, por querer, justamente, “correr por dentro” não tem sentido, é uma artimanha, é o medo de contaminação das propostas políticas de esquerda, na sociedade portuguesa.

De igual modo, também aquela esquerda, que teme assumir o confronto em questões melindrosas, é uma esquerda que não tem confiança no projecto político, na força das ideias, não tem confiança nos dirigentes políticos, nos militantes, na organização, no povo, não tem confiança, enfim e em última análise, na possibilidade da conquista suprema de uma sociedade mais justa, mais solidária … uma sociedade socialista.

Uma nota: estou novamente de férias e por isso com menos tempo por aqui

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12 comentários a “A questão do poder e alguma esquerda …e também direita

  1. Realmente vê-se que neste Agosto em que nem sequer há ondas decalor, nem incêndios, nem passarinhos com a gripe das aves, faltam notícias. Aí lança-se mão do que há.

    E o que há? Há a fita do BCP, o acordo do PS com o BE na Câmara de Lisboa e alguns namoricos de famosos de pacotilha, nada mais.

    Assim, os jornais e comentadores que querem dar um ar intelectual põem-se a discutir um futuro alternativo em que o PS e o BE de mãos dadas governariam o país…

  2. O problema não é o Bloco ser um “contra-poder” e por consequência fora do “arco do poder”. Na minha opinião o problema é com quem se partilha o poder, mais: nessa partilha importa saber quem engole os sapos! Nesse cenário hipotético – aliança PS/BE em 2009 – quem, dos dois faz cedências relevantes. É que em matéria de cedências convém ter presente que, com as cedências do PS os trabalhadores e povo em geral ganham – este tem uma pratica anti social, logo qualquer cedência, é um ganho social – com as cedências do BE, se as houver, o fenómeno é inverso, os trabalhadores e o povo só têm a perder. Evidentemente que os “analistas” não tardarão a concluir que esta é uma visão simplista. Simplista ou não, é real. Com os recuos do actual PS ganham os trabalhadores e o povo com os recuos do BE (com todas as suas tendências, da mais liberal à mais “ferrenha”) perdem os trabalhadores e o povo. Evidentemente que qualquer negociação pressupõe cedências – conhecemos amargamente a politica da inflexibilidade negocial e a “irreversibilidade” das conquistas – porem há limites. Espero que o bom senso impere e que internamente o BE saiba discutir democraticamente as coisas e que tenha presente que a discussão interna e a democracia são fundamentais para que “o canto da sereia” não nos tolde a razão e não nos molde a politica.
    Por ultimo só mais uma questão. Tem a ver com a “Politica Operária”.
    Sou um homem com memória, com referências por isso rejeito a expressão que usas quanto te referes à “Politica Operária”. É evidente que esta organização é desconhecida do grande público, das massas populares fundamentalmente, porem para nós não é tão desconhecida assim. Francisco Martins Rodrigues é o pai ideológico da esquerda que pela esquerda, antes do PREC e no seu curso, quis fazer qualquer coisa de extraordinário neste rincão de terra que, chamem-lhe pátria, país ou lá o que quiserem, é o pedaço que nos coube partilhar.
    Evidentemente que a “Politica Operária” é desconhecida, mas esse não é o seu erro, o erro a existir é de analise, é politico.
    Um abraço

    JC

    PS: Como fica patente, este assunto ainda fará correr muita tinta

  3. JC
    Não sei que expressão rejeitas quando me refiro à Política Operária. Um movimento quase desconhecido? Um movimento da extrema-esquerda? E não é isto verdade? Eu desse grupo apenas conheço o seu líder, Francisco Martins Rodrigues que teve um papel fundamental no corte com o revisionismo e na criação do primeiro grupo M-L, creio que o CRML, depois de cortar com o PC de que foi membro da comissão executiva, se não estou em erro, nos anos 60, e mais tarde da UDP. O que leva um jornal dar um quarto de página a Política Operária para criticar o Acordo, senão mais uma forma de atacar o Bloco e alimentar um devaneio intelectual, fora do tempo (já aconteceu isso nas anteriores legislativas) de uma coligação impensável, com este PS?

  4. Tens razão nos epitetos com que denominas a “Politica Operária”. Não disse o contrário, porem prefiro criticar essa organização pela sua politica, pelas leituras que faz, em lugar de a referenciar como grupo desconhecido. Apenas isso. Quanto às páginas que a imprensa lhes reserva… não vamos por ái. è que se o fizermos estamos a dar razão ao PC quando dizia que a imprensa trazia o BE ao colo. Os jornais e a imprensa de uma maneira geral escolhem a noticia que vende e essa pode vender.

    Até…

  5. JC
    O Público dar um quarto de página ao Política Operária tem um significado e o significado não é que este movimento político está contra o acordo em Lisboa entre o PS e BE. Isso não é razão da notícia. Uma notícia de um grupo que não tem expressão pública (desconhecida do grande público) não tem relevância nenhuma a não ser, juntamente com outras, no Público e no DN, de comentadores de direita, o de tentar condicionar o Bloco na sua actividade política autónoma e por extensão criar confusão e divisão nos simpatizantes, desde já, sobre uma matéria, acordos, coligações ou convergências com este PS. Estas notas na imprensa, a aparecer selectivamente depois do acordo de Lisboa, são pois mais do que formas de vender papel, são uma tentativa de cerco ao Bloco, não tenho dúvidas. Repara como até tu já estás a discutir um cenário hipotético de coligação com o PS em 2009. É nisto que eles investem. Mas essa discussão é extemporânea e necessariamente é impraticável ser feita com este PS de Sócrates.

  6. Pessoalmente considero que isto é uma “pau de dois bicos” para o Bloco de Esquerda… Se esta ideia de 2009 se confirmar, porque acredito (e espero) que o PS não renove a maioria absoluta, podemos ter um segundo CDS.

    O BE não é, nem pode ser pela sua forma de agir, um partido de governo e, se assumir essas tarefas, pode ter um descalabro nas eleições seguintes…

  7. É mesmo um pau de dois bicos, MAV. O Bloco contudo para se afirmar não pode ser apenas uma força de contra-poder. Não pode. Um dia qualquer, mais tarde ou mais cedo, seria(será) sempre confrontado com o exercício do poder, partilhado ou não. Um partido não pode ser apenas uma força do contra, os eleitores não aceitam isso. Não me parece contudo que este seja um tempo de qualquer acordo com o PS, e seguramente com este PS e com Sócrates. O BE estará sempre numa encruzilhada mas tem um caminho próprio a percorrer (e não aquele para o qual está a ser empurrado prematuramente e com óbvias intenções; o de condicionar a sua estratégia e criar confusão e divisão nos seus simpatizantes) e depois analisar com inteligência a conjuntura para fazer as suas opções. O que o BE não pode ser é a muleta de ninguém mas também não pode, em certas circunstâncias, fugir às suas responsabilidades, como aconteceu agora em Lisboa, na minha opinião bem.

    O Bloco corre sempre o risco de vir a ter tanto um descalabro como um salto eleitoral porque não tem uma base eleitoral muito homogénea.

  8. Vamos lá a ver se nos entendemos:

    Ponto um:
    Não me pronunciei contra o acordo entre o independente José Sá Fernandes, eleito na Lista do BE, e António Costa, ex-numero dois do Governo de José Sócrates, mas também não me pronunciei a favor. Limitei-me a manifestar inquietação sobre as cedências. Como sabes, qualquer negociação que necessariamente precede um acordo político, pressupõe ajustes programáticos, convergência (pontual ou não) e negociação propriamente dita, com ganhos e perdas para ambos os lados evidentemente. A minha preocupação, inquietação digamos, foi sobre os ganhos e as perdas: Cito-me: «O problema não é o Bloco ser um “contra-poder” e por consequência fora do “arco do poder”. Na minha opinião o problema é com quem se partilha o poder, mais: nessa partilha importa saber quem engole os sapos!» e mais adiante esclareço: «(…) com as cedências do PS os trabalhadores e povo em geral ganham – este tem uma pratica anti social, logo qualquer cedência, é um ganho social – com as cedências do BE, se as houver, o fenómeno é inverso, os trabalhadores e o povo só têm a perder.»
    Repara Fernando, no que confere às cedências bloquistas até ponho a questão como mera probabilidade, escrevi textualmente: “se as houver”. Portanto meu caro amigo, o problema do acordo em Lisboa, para mim coloca-se ao nível do negócio e dos ganhos para os trabalhadores e povo em geral.

    Ponto dois:
    Hipotética coligação em 2009 entre o PS e o BE. Sobre a matéria escreves «Repara como até tu já estás a discutir um cenário hipotético de coligação com o PS em 2009» e acrescentas que tudo isso faz parte de uma estratégia traçada por eles. Por eles entendo os adversários do Bloco.
    Meu caro, esses hipotéticos cenários é consequência directa da nossa politica. Evidentemente que o compromisso de Lisboa, acordo se quiseres, não obriga à sua repetição a nível nacional. Nem os críticos, externos e internos, têm autoridade para o criticar. No que aos externos confere, o PC por exemplo tem, não paredes, mas telhados de vidro. Todos estamos lembrados dos acordos entre o PC e o PS em Lisboa, que permitiu derrubar Abecassis, e, não houve, nem tinha que haver entendimento entre estas duas forças politicas a nível de governo central. No caso do PC a situação ainda é mais incómoda; todos estamos penso eu, igualmente lembrados, das propostas politicas para a governação feitas pelo PC e que apontavam para uma solução de entendimento entre as duas direcções partidárias (a celebre maioria de esquerda que o Dr. Cunhal tanto apregoou). Nada disso impediu ou coibiu o PC de ser um ferrenho opositor, e critico contundente, da direcção do PS. Porque carga de água não pode o Bloco fazer entendimentos pontuais, soluções que contribuam para a governabilidade da cidade e continuar a ser crítico do governo do PS?
    Não me pronuncio sobre as criticas da direita partidária (Carmona incluído) ao acordo por entender que não são sérias e correspondem apenas a “dor de corno”. No essencial a direita está frustrada, porque não conseguiu engendrar um esquema que lhe permitisse continuar a afundar a cidade. Não conseguiu manter a politica de compadrio e de compromissos com os “Bragaparques” de todas as matizes que imperaram (Imperam?) na cidade.
    Uma palavra para as criticas da senhora arquitecta: Credora que é de toda a minha simpatia, sobretudo pela irreverência e perseverança e até pelo seu percurso politico, da direita para a esquerda, [Estou farto dos adolescentes esquerdistas que, quando trintões ou quarentões, viram empedernidos social-democratas ou até paladinos do neo-liberalismo cru e duro.] porem a senhora arquitecta perde toda a credibilidade quando veste a pele de independente e acérrima critica dos partidos, como se ela não fosse desde sempre uma mulher de partido, que apenas a falta de apoio de Sócrates, a impediu de liderar o projecto do PS para Lisboa.
    Já no que confere às críticas internas entendo-as como salutares. Até porque o bloco não se pode transformar num partidos de “yes man”. No que de mim depender, e eu sou apenas um militante de base, tudo farei para manter acesso o debate. Não vejo mal nenhum nas críticas internas, antes pelo contrário. É no debate e na transparência das ideias que a politica se clarifica e se consolida.

    Evidentemente que tenho uma opinião sobre o hipotético acordo para 2009, mas como não é isso que está de momento em discussão reservo-me para outra oportunidade. Como tu próprio escreves esta «discussão é extemporânea e necessariamente é impraticável ser feita com este PS de Sócrates.»
    De momento o que me interessa é a natureza do acordo para Lisboa, o que se ganha e o que se perde. Quem ganha e quem perde. Para já, tudo indica que os lisboetas podem vir a ganhar com o exercício do poder por parte do independente José Sá Fernandes.

    Um abraço e continuação de boas ferias.

    PS: Quando escrevi: «Os jornais e a imprensa de uma maneira geral escolhem a noticia que vende e essa pode vender» não o fiz de forma cândida e inocente. Quis apenas registar, que a nossa critica, não pode assentar na maior ou menor exposição na imprensa das opiniões favoráveis ou desfavoráveis, a critica deve assentar na justeza da política ou no seu contrário. A “Politica Operária” não faz na minha opinião a melhor análise do momento político presente. Não o faz agora nem o fazem nos últimos tempos os seus dirigentes, e por isso sou aderente bloquista e não o sou da “Politica Operária”.
    Como é evidente, tal como escreves «Estas notas na imprensa, a aparecer selectivamente depois do acordo de Lisboa, são mais do que formas de vender papel, são uma tentativa de cerco ao Bloco, não tenho dúvidas!» Sejam! Mas que isso não castre a nossa irreverência, nem silencie a nossa voz o pior mal que nos pode acontecer é a auto censura.
    Isso não! Antes uma opinião fora de contexto que o silencio castrador.

  9. Fernando, contra este acordo não há só uma certa “Esquerda de contra poder”.
    A menos que haja na CP do Bloco, dessa Esquerda (houve quem votasse contra e lá só estão camaradas eleitos pela Moção A, na Convenção) . Na Concelhia na versão final do Acordo, NINGUÉM votou a favor (o Acordo foi lá aprovado por 6 votos contra 4 com uma alteração que AC parece que obrigou a ser retirada e a CP do Bloco aceitou), são todos dessa Esquerda?. Dentro da Mesa Nacional do Bloco há quem esteja contra e não são só, os camaradas eleitos pela minha Moção e a quem costumas acusar disso, são todos dessa Esquerda “contra poder”, dessa Esquerda ” que teme assumir o confronto em questões melindrosas, é uma esquerda que não tem confiança no projecto político, na força das ideias, não tem confiança nos dirigentes políticos, nos militantes, na organização, no povo, não tem confiança, enfim e em última análise, na possibilidade da conquista suprema de uma sociedade mais justa, mais solidária … uma sociedade socialista”.

    O problema não é não ter confiança nos militantes, Fernando (habitualmente preferes aderentes).O problema é não os ouvir. Nem no povo. O problema é não o ouvir. Porque sobretudo, dentro dos eleitores do Bloco não há só dessa Esquerda do “conta poder”. E não ouvir as dúvidas, as criticas, a desilusão nos locais de trabalho é perigoso (como vês se esta Esquerda, fosse tão contra poder assim, não se preocupava com as consequências eleitorais que advêm deste Acordo e que se sentem nos “mas eu votei no Costa???” “mas vocês dizem que são contra alianças com a Direita e fazem alianças com o AC? Mas o AC é de Esquerda?”, “Mas criticavam o PC e fazem igual??!!” ou a pior de todas “Venderem-se por um lugar de vereador que não vai poder fazer nada a não ser dar cobertra ao PS e ao Costa!!??São todos iguais !!”.
    Não ouvir as opiniões maioritárias na única reunião distrital em que tal foi discutido (depois de aprovado, infeleizmente) é ser perigosamente autista.

    Quanto a ter confiança nos dirigentes, neste caso concreto, não sei em quem falas….a Direcção do Bloco de Esquerda, que é a sua Mesa Nacional, ainda não foi convocada para se pronunciar sobre ele. Apesar dos diversos apelos vindos de diversos sectores (e repito, Fernando, nesta caso, não adiante quereres ver “Grupos”.

    Já agora deixa-me fazer um desabafo que também fiz numa carta que enviei ao nosso portal e para o qual ainda não recebi resposta: colocar as divergências internas, a seguir às conclusões da Direita e às manobras do Publico faz-me uma certa confusão. Sei lá, penso que são coisas diferentes… Pode-se até não concordar com elas mas sabe-se que são motivadas por razões diferentes…ou não se sabe?

    O Esquerda. Net colocava-nos s seguir ao Jerónimo de Sousa e à Roseta e …antes dos construtores civis especuladores e corruptores…antes dos amigos e corregilionários da Bragaparques.

    Não sei, apesar das divergências, acho qe mereciamos melhor companhia…ou mais respeito?

    Como escreve o JC, a auto censura , não. Fernando. Nem mesmo se me tentarem convencer que a minha posição cpincide com as manobras do Público ou com as criicas do Névoa.
    OPCP andou uma vida inteira a tentar convencer-me disso e nunca conseguiu.

  10. Isabel,
    Obviamente, para além das razões para estar contra o acordo, de uma certa esquerda que designei de contra-poder, também há outras razões, de outras pessoas de esquerda, para não estarem a favor do acordo, mas não são essas que critico fundamentalmente, embora também não concorde com a apreciação que fazem ao acordo. Por isso vejo com naturalidade que pessoas no Bloco votem de modo diferente. Não vejo motivos para que se faça um drama. Eu fiquei satisfeito que a grande maioria (com a excepção de um elemento) da comissão política assinasse o acordo, este acordo, não um acordo qualquer, ou um acordo, que não salvaguardasse um conjunto de condições que são boas para a cidade, e um acordo que tem um protagonista principal que me dá garantias e confiança. Isto faz toda a diferença. Ao contrário do que consideras este acordo é muito diferente da posição do PCP assumida noutras câmaras. Custa-me a perceber como não vês isto. É que neste acordo há um conjunto de princípios que estão escritos, que são claramente de esquerda e fizeram parte do programa do José Sá Fernandes. Achas que aconteceu isso com a CDU e Rui Rio? Achas que aconteceu isso com a CDU e Fernando Seabra?
    Apenas um parêntesis, sobre aderentes ou militantes. Não tem a ver com as minhas preferências, Isabel, é mais de qualidade de membro, em que um militante, é mais próprio de um partido com um tipo de organização mais ortodoxa, do que de um partido mais aberto como o Bloco, que tem exigências diferentes quanto à “militância” partidária. Tem a ver com a natureza dos partidos, enfim. Que tu parece não teres entendido a diferença, penso eu.
    Criticas muito a direcção do Bloco por não saber ouvir, por não estimular a discussão e a participação e eu acompanho-te, em muitas dessas criticas como sabes, serei até, porventura mais crítico, não sei. Não me parece que também aqui neste caso tenhas razão. Presumo que toda a comissão política, (órgão máximo entre convenções e mesas nacionais) acompanhou as negociações, presumo que sob a responsabilidade do coordenador nacional autárquico e de Sá Fernandes, o órgão concelhio reuniu e tomou posição, o que faltava mais? Não me digas que deveria ser alargado a todos os aderentes/militantes a discussão prévia do acordo? Os principais órgãos foram ouvidos e votaram a decisão tal como devia ser, de acordo com a legitimidade estatutária. Agora esta discussão, sim, a partir daqui, deve ser feita internamente a todos os níveis, para que tudo fique esclarecido e as posições em divergência fiquem claras.
    Dizes tu que sentes as dúvidas, as criticas, a desilusão no local de trabalho … e os apoios, o agrado no local de trabalho achas que também não houve? Só conheces pessoas a criticar, a dizer mal …pessoas do Bloco!… Olha eu conheço de todo o tipo de pessoas dentro e fora do Bloco, a dizer bem e a dizer mal. Cá por mim tento esclarecê-las. E para mim são facilmente rebatidas afirmações como as que citas: “mas eu votei Costa”, “mas vocês dizem que são contra alianças com a Direita e fazem alianças com AC?”, Mas o AC é de Esquerda’”, ou aquela que tu consideras a pior de todas e que me admiraria se tivesses dificuldade em rebater, ““Venderem-se por um lugar de vereador que não vai poder fazer nada a não ser dar cobertura ao PS e ao Costa!!?? São todos iguais!!”.
    É por essas razões que tu apontas que eu digo precisamente isto no meu post:
    “A Esquerda a sério não deve temer assumir responsabilidades. Não deve temer confrontar políticas, propostas, ideias, práticas. É assim que conquistará a confiança das pessoas, dos mais pobres, é assim que ganhará credibilidade.”
    Se não tomássemos posição com medo de ferir sensibilidades, ou com medo das reacções contrárias não seríamos um partido respeitável. Já estamos todos habituados a muitas calúnias, Isabel, e embora, ditas por alguns algumas sejam compreensíveis, ditas por outros, já devias conhecer a táctica. A que te custa mais ouvir é a mais caluniosa e a mais falsa de todas Isabel, não te intimides.
    Não sei a que te referes quando mencionas em “não ouvir, na reunião da distrital, as opiniões maioritárias (opiniões maioritárias contra o acordo? Não ouvir como?). Mas fica-me uma dúvida; a quem cabia a decisão de votar acordo? Não era à concelhia? Achas que também a distrital deveria votar? E não competiria à c.política ratificar?
    A falta de confiança, nos dirigentes, estruturas, militantes, povo, etc… falo em tese. É o que me parece a Vossa posição. Opiniões. A mesa nacional não sei se deveria ter sido convocada previamente para discutir o acordo. Talvez. Porque se tratava de um acordo de grande impacto e uma novidade na política do Bloco. Eu se fosse da comissão política ter-me-ia batido por essas reunião mas em qualquer dos casos não falta legitimidade à comissão política para decidir depois do órgão próprio a comissão concelhia ter aprovado o acordo.
    Sinceramente Isabel não consigo perceber mesmo essa suspeição ao esquerda.net, sobre colocar antes ou depois, das posições da Direita, antes ou depois das posições da Roseta ou do Jerónimo, sobre o acordo, as Vossas próprias opiniões, parece-me espírito de perseguição e mesquinho.
    Por fim Isabel, a posição de não assinar o acordo, como sabes era a mais fácil, não causava incómodos, polémicas, provavelmente tinha menos custos eleitorais a curto prazo, mas era miopia política e não dava credibilidade futura ao Bloco. Mas tinha também um custo enorme logo. Desmerecia José Sá Fernandes deixando-o pendurado e desacreditado perante a sua proposta de convergência a todas as forças de esquerda que fez durante a campanha e especialmente na noite das eleições quando afirmou aceitar um acordo baseado em 6 pontos. Como seria se Sá Fernandes aceitasse o acordo e o Bloco estives a dizer não?

  11. “É que neste acordo há um conjunto de princípios que estão escritos, que são claramente de esquerda…”.
    Nas Legislativas, o PS comprometeu-se por escrito (fazia parte do Programa) e verbalmente (fazia parte dos discursos) a criar 150.000 posto de trabalho e a revogar o Código de Trabalho. Agora o PS cria mais desemprego e prepara-se para aprovar a Flexisegurança. Consegues confiar NESTE PS, Fernando?

    “Presumo que toda a comissão política, (órgão máximo entre convenções e mesas nacionais) acompanhou as negociações, presumo que sob a responsabilidade do coordenador nacional autárquico e de Sá Fernandes…”
    Miguel Portas disse na Conferência de Imprensa em que o BE anunciou publicamente o Acordo, que este significava uma alteração na política do BE. Não era preciso que ele o disssesse. A primeira vez que nos coligamos com um Partido de Direita que é o Partido do Governo, significa essa alteração politica.O orgão máximo entre Convenções chama-se Mesa Nacional. As alterações politicas do Bloco são da responsabilidade da Convenção.
    Questionada a CP por elementos da Mesa Nacional, o Acordo foi sempre dsmentido. Foi-nos confirmado por volta das 13 horas do dia 1 de Agosto. Nessa madrugada todos os jornais já tinahmanunciado que ia ser assinado nessa noite. Qual o teor. Qual o pelouro de Sá Fernandes…tudo.

    No dia 31, por volta das 15.00 horas fui contactada por uma jornalista que me perguntou “o que pensa do Acordo que vai ser assinado amanhã?”. A essa hora o Acordo ainda nem tinha sido apresentado à Concelhia. Muito menos votado.A reunião estava marcada para as !8.30.

    “… o órgão concelhio reuniu e tomou posição…” a Concelhia de Lisboa aprovou o Acordo com uma alteração. Essa alteração, aprovada com 8 votos a favor e duas abstenções tinha no parágrafo referente ao Orçamento e Plano a frase “mantendo inteira liberdade de voto”. No Acordo divulgado para a CS como aprovado pela Concelhia, a frase desapareceu.

    “Os principais órgãos foram ouvidos e votaram a decisão tal como devia ser, de acordo com a legitimidade estatutária” Não, Fernando os principais orgãos não foram ouvidos. A Mesa Nacional é o “principal orgão” entre Convenções. Não foi convocada sobre o pretexto de que havia muita gente de férias. Ninguém me perguntou, nem a nenhum dos doze camaradas eleitos pela minha Moção, nem aos 4 eleitos pela Moção B, nem aos 2 eleitos pela Moção D se estavam de férias…na reunião de que falo no meu comentário, havia, que me lembre, 5 elemtos da Mesa Nacional, eleitos pela Lista A. Estavam em Lisboa…
    Como diz um camarada da Maioria, eleito para a Mesa Nacional pela Maioria, tens razão quanto à legitimidade estatutária…não tens quanto ao espírito dos Estatutos.

    A minha dúvida não era se se devia ter ouvido a Distrital. Perguntava se a CP não deveria ouvir os camaradas reunidos na maior reunião que me lembro em S. Bento. E sim, a posição maiorit
    ária foi contra o Acordo. As palavras mais duras foram de camardas apoiantes de sempre da Moção A. Possivelmente porque para eles foi mais inesperado…este tipo de comportamento já fazia parte das nossas criticas.

    “…mas em qualquer dos casos não falta legitimidade à comissão política para decidir depois do órgão próprio a comissão concelhia ter aprovado o acordo.” Repito Fernando, não se trata, essenciualmente de legitimidade. Repito ainda a Concelhia de Lisboa não aprovou ESTE Acordo.

    “Sinceramente Isabel não consigo perceber mesmo essa suspeição ao esquerda.net, sobre colocar antes ou depois, das posições da Direita, antes ou depois das posições da Roseta ou do Jerónimo, sobre o acordo, as Vossas próprias opiniões, parece-me espírito de perseguição e mesquinho.”
    Pois é , Fernando, posso ter todas as divergências com muitos camaradas meus de Partido. Nunca confundirei as suas posições a favor ou contra algo, com as dos adeversários e dos inimigos do Bloco, a favor ou contra algo.
    A notícia no Esquerda. Net foi publicadda depois de os questionarmos sobre o facto de, entre todos os orgãos de CS, terem sido os únicos a não darem conta de que havia membros da MN do BE que estavam contra o Acordo.
    O Esquerda.Net decidiu, então, publicar a nossa posição apelidando-nos de Tendência (ainda hoje estou para saber desde quando é que há tendências dentro do BE. Na última reunião da MN em que participei ainda não havia..), no mesmo artigo em que publicam as posições dos Névoas e Cª. Tens razão, Fernando, é mesquinho.

    António Costa não está a aceitar os seis pontos de que falava Sá Fernandes. AntónioCosta não se compromete com prazos. António Costa está-se a colar a Sá Fernandes porque isso é útil ao PS. O PS precisa de Sá Ferandes, quanto mais não seja, porque no meio dos corruptos do PS, fica-se a ganhar com a companhia de alguém que não se deixa corromper.

    Não sei como seria, Fernando. Apenas estou convicta que quem perde com este Acordo é Sá Fernandes e o Bloco. Quam ganha é AC e o PS. E que para os lisboetas, não chega a trazer vantagens. O PS encarregar-se-á de lhe retirar as virtudes.
    Ou não fosse A. Costa aluno da mesma escola de José Socrates.

  12. Isabel
    Um acordo escrito não é o mesmo que uma promessa eleitoral. Por essa linha de raciocínio o Bloco estará condenado a, EM TUDO, estar orgulhosamente só. De resto também confundes os planos autárquicos com os do Governo. Olha que os eleitores costumam distingui-los bem. Também referi este aspecto de “um documento escrito…” com posições claras de esquerda (não duvidas pois não?vê o caso das construções a custos controlados, p.e) para distinguir este acordo PS/BE, dos “acordos” do PC nos munícipios de direita que tu insistes em dizer que são iguais.
    Volto a dizer que a Direcção respeitou a legitimidade estatutária e democrática para subscrever o acordo. Foi aprovado pelo órgão próprio, a concelhia e foi ratificado pelo órgão competente, a comissão política. Outra coisa é se a CP podia ter convocado a MN! Em minha opinião podia mas não era obrigado e não é menos democrático por isso. E não sei se as razões invocadas pela CP são desonestas … Mas concordo que falta uma cultura de decisão participada, sem querer cair num basimo exagerado ou colocar em causa ótrgãos eleitos, como a CP, que dirige a actividade de direcção entre MN. Eu li o acordo e considero que o mesmo é bom. Tu não. Não vamos sair disto. Penso que tu mais do que as propostas contidas no acordo, desconfias do cumprimento do acordado por parte do PS e de António Costa. Isso não me aflige se vir a acontecer. Quem vai ficar mal é o PS. O BE não está impedido de denunciar nem de votar contra qualquer decisão isso está claro no acordo …mas iremos ver quem tem razão quando o assunto se colocar. Isabel tens uma posição de princípio de desconfiança nos dirigentes e em algumas questões da política do Bloco que te leva a põr em causa quase tudo o que vem da direcção. Eu confio tal, como disse o FL que “coêrencia não se vende” e ainda “Sá Fernandes, coerente com o seu programa, dirá sempre o que pensa e votará sempre de acordo com o seu compromisso com os eleitores e eleitoras. Não pode nem deve fazer de outro modo. A luta política para a a mudança na Câmara de Lisboa só agora começou.”
    Mas é esperar e ver.
    Registo que dizes que “não sei como seria …” se Sá Fernandes fiel à suas propostas defendesse este acordo e o Bloco, seguindo as tuas e doutros camaradas, fosse contra o acordo… Pois é mas esse é que é o ponto, também. O Bloco também por esse motivo não podia deixar o Sá Fernandes pendurado, por tudo o que fez. O Zé de um lado e o Bloco de outro era uma total irresponsabilidade política.

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