Crónica de Álvaro de Oliveira

O Álvaro Oliveira acabou de escrever mais um livro, o décimo segundo creio, uf !… é obra. Um dia destes estará por aí numa livraria qualquer. Aproveitando esta folga enviou-me esta crónica. Espero que se sigam outras.

Devaneios e Acções

O tempo passa a uma velocidade estonteante sem que eu, dado aos afazeres e solicitações do dia a dia, disso me aperceba. E as grandes transformações da vida e do mundo dão-se em catadupa e quase me passam ao lado. Uma coisa assim como se eu tivesse percorrido o caminho para o desconhecido e nele me perdesse para sempre, totalmente alheado da vida e das pessoas e sem a mais pequena noção do tempo. Isto acontece com mais frequência quando me sinto projectado do real para o imaginário a procurar descobrir as trinta e uma mil maneiras de acertar no euromilhões, salvando-me com o insucesso da descoberta para não enlouquecer. Ou ficar aparvalhado. É que as fortunas ganhas no jogo ou feitas assim do dia para a noite têm esse risco. É o triste exemplo de Joe Berardo que não se cansa de dizer disparates e fazer-se passar por um amante acérrimo da arte para mais depressa ganhar dinheiro com ela.

E o mais caricato de tudo é que a uma exposição deste senhor ninguém pode faltar… lá estava a senhora ministra, os senhores ministros e o senhor primeiro-ministro. Não tanto para revelar o esquecimento dos autores das obras expostas, mas para relevar o protagonismo que com estas encenações Joe Berardo procura.

Pronto, é esquisito, pode ser duvidoso, mas o que ele tem… tem! E querem saber? tem traquejo este magnata… e os políticos caem-lhe ali aos pés de forma quase canina! O segredo desta acção está exactamente nos biliões de acções que este homem possui, sem que alguma delas seja posta ao serviço dos outros. E porque o há-de ser? Mas acredite o leitor que só assim se chega ao prestigiado e honroso palco para receber das mãos da República o não menos brilhante e honroso título de Comendador. A mais eficaz maneira para se evitar chamar o homem pelo seu próprio nome, uma vez que não é engenheiro nem doutor. Porque em Portugal sempre houve uma escola do chavão onde se cultiva o título que substitui o nome que recebemos no batismo.

Vejam lá se não é mais chique o trato de senhor Comendador!… até porque Joe ou Berardo nem parecem nomes de pessoas. E depois uma Grã-Cruz não soa lá muito bem: “Ó senhor Grã-Cruz.” É chato…

A verdade é que mais tarde, regressado à vida real e longe de enlouquecer com a maneira fácil de não acertar no euromilhões, vejo que posso enlouquecer de espanto. À porta escancarada do dia, os multimilionários comem e comem-se uns aos outros por causa dessa coisa das acções. Ficam loucos. E eu acabo por não preencher o boletim do euromilhões. Por tal sorte sei que não vou enlouquecer.

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por Fernando Publicado em Geral

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