A luta não tem donos

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Eu quero lá saber se alguém ache bem ou ache mal. Eu quero lá saber se vão sobrar provocações. Eu quero lá saber se há quem, em nome de uma falsa unidade, ache que há coisas que não devem ser ditas publicamente. Eu quero lá saber. Eu quero dizer o que penso sem pensar nas consequências. Sem ser politicamente correcto. Sem temer provocações. Eu quero dizer aos homens do aparelho da CGTP versus PC de que a rua não é deles. Que a luta e o protesto não é um exclusivo deles. Que as pessoas que participam nas greves, nas concentrações, nas manifestações, não são apenas do PC. Eu quero dizer aos homens do aparelho da CGTP versus PC que os milhares de trabalhadores que ontem foram protestar a Guimarães não eram todos do PC. Que aquilo não era uma manifestação do PC. Que a CGTP não é do PC. Que a CGTP é dos trabalhadores. É de quem a apoiar. Quero dizer-lhes que a luta é de todos os que estão em luta. E ontem eram muitos. Muitos activistas, muitos dirigentes sindicais, muitos reformados, muitos estudantes, muitos trabalhadores. Eu estive lá. Participei nos cinco quilómetros da marcha sob um sol abrasador. Gritei algumas palavras de ordem. Mas vim irritado com os homens do aparelho da CGTP versus PC. Porque me irrita o sectarismo. Porque me irrita a presunção e a arrogância. Porque me irrita pensar que alguém ache que é o dono das lutas e dos trabalhadores. Porque acho que os partidos devem estar fora dos sindicatos.

Eu vim irritado porque impediram ostensiva e “violentamente” a participação solidária de uma delegação do Bloco de Esquerda, encabeçada pelo Eurodeputado, Miguel Portas, pela deputada Mariana Aiveca, pelo coordenador da CT da AutoEuropa, António Chora, sob uma faixa contra a flexisegurança, com o símbolo do partido e também a participação da corrente sindical do MRPP, luta-unidade-vitória.

E vou ficar irritado com o Bloco de Esquerda por não denunciar esta prepotência.

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15 comentários a “A luta não tem donos

  1. Comprendo essa tua irritação Fernando
    Sera que essas pessoas ainda não comprenderam que é a união que faz a força, que é todos unidos que se conseguera fazer algo…
    Quando é uma luta assim, não deve existir nem partidos, nem sindicatos, ha pessoas a viver mal, a precisarem que a vida melhora.
    um beijo

  2. Como eu te compreendo!
    Quantas vezes não senti a mesma “raiva”, a mesma “dor”?
    Quantas?
    Por mais quanto tempo terei de os suportar? Quantas vezes mais terei que lhes chamara “camaradas”, quando a minha vontade é chamar-lhes filhos da p.? Por quanto tempo?

    Agora até estão mais serenos, digamos que mais “tolerantes”, porque tempo houve em que estes senhores agrediam quem não seguisse à letra as suas palavras de ordem. Em tempos, numa manif do 1º de Maio em Portalegre, a minha delegação sindical atreveu-se a levar uma faixa com os seguintes dizeres: «Abaixo o governo Eanes-Mota Pinto.» a frase não agradou aos sindicalistas do PC, mas para seu azar os trabalhadores reviam-se nela e aplaudiram-na… Então não podendo impedir o hastear da faixa, a estratégia passou a ser a de queimar com pontas de cigarro os braços dos trabalhadores que seguravam a faixa, ou com objectos aguçados picá-los, provocando a sua ira de modo a que se respondessem à provocação e aparecessem aos olhos dos manifestantes como provocadores. Essa corja eram então dirigida por um tal Júlio Pires da União dos Sindicatos de Portalegre. Passados cerca de 30 anos o Júlio Pires continua a coordenar a União dos Sindicatos de Portalegre.
    Comentários para quê?

    APESAR DE TUDO QUERO POR ESTA VIA SAUDAR OS MILHARES DE TRABALHADORES QUE EM GUIMARÃES SE DISPUSERAM A INCOMODAR OS SENHORES DA EUROPA, LUTANDO CONTRA A FAMIGERADA FLEXISEGURANÇA.

  3. O Bloco de Esquerda tem sido muito meigo com os estalinistas do PCP, para eles a CGTP é sua pertença, só o PCP defende os trabalhadores. Gostam mais da direita, até fazem coligações, do que do BE ou outras organizações de esquerda, aliás, esquerda para eles é o PCP! e mais ninguém.

    posso “copiar” o teu post?

  4. Olá Fernando
    inflizmente a nossa luta tambem tem que ser contra estes senhores, concordo plenamente contigo o Bloco tem que começar a denunciar estas atitudes.
    um abraço a luta continua

  5. Alvissaras. Também já mais pessoas a aperceberem-se de que a CGTP é pertença do PCP. Sempre foi e sempre será enquanto comerem todos à mesma mesa. Os interesses do partido estão sempre à frente dos interesses dos trabalhadores. Enquanto assim for, não passamos da cepa torta.

  6. Caro Fernando,

    Não consegui perceber porque ficou tão irritado com o PCP.

    As ruas e a CGTP não são dos Comunistas, concordo plenamente consigo.

    As ruas e a CGTP são para quem defende os direitos dos trabalhadores, mas essa defesa não se pode limitar à teoria, pois só com trabalho é que se consegue defender os nossos direitos.

    Infelizmente, este infelizmente é verdadeiro e sentido, os militantes do Bloco de Esquerda que fazem algo em defesa dos trabalhadores, são muito poucos, existem sim, muitos prontos para aparecerem na comunicação social e tirarem louros do que foi feito com muito trabalho de outros.

    Quando falo em outros, não falo somente em pessoas ligadas ao PCP, falo em pessoas dos diversos partidos que acima de todas as politiquices, trabalham com consciência.

    Pessoas, essas, que não fazem negócios com os patrões, em que trocam direitos dos trabalhadores…… por importância pessoal.

    Caro Fernando,

    Tenho amigos e conhecidos em todos os partidos, trabalho diariamente com pessoas de todos os partidos, mas existe uma coisa que me entristece, ainda por cima vindo de pessoas que se intitulam-se de esquerda, que é o oportunismo.

    A si não o conheço, por isso nada tenho contra si, antes pelo contrário respeito-o, mas não me peça para respeitar pessoas que existem no BE, que só servem para servirem-se do trabalho dos outros.

    Caro Fernando,

    Não me leve a mal estas palavras, mas é a realidade, realidade esta que costumo partilhar com pessoas ligadas ao BE e dou-lhes as minhas razões, razões essas que elas conhecem, e se calhar o o Sr. Também.

    Em relação a si termino, e peço desculpas antecipadas por usar o seu blog para os seguintes comentários, mas o sentimento é superior à razão.

    Sr. José Mota Faria,

    Já vi que é pouco informado, pois confundir Lenine com Estaline só reflecte a sua falta de cultura, com um bocadinho de sorte, ainda é daqueles que diz “Lenine é fascista”, pois é…
    Pois é o Bloco de Esquerda diz-se de esquerda, mas infelizmente uma parte dos Bloquistas, são bem da direita, principalmente, para trabalhar mandam os outros, para receber o rendimento são os primeiros a chegar.

    Sr. C. Almeida,

    Não use a sua estupidez, para ofender a inteligência dos outros.

  7. Só devemos formular opiniões quando estamos informados, o que não conseguimos através dos meios de comunicação social, que estão institucionalizados.
    Uma das muitas armas que são usadas para manter o povo na ignorância é a desinformação; ignorância essa que fere, todos os dias, os nossos direitos.
    Quando estamos informados, estamos em condições de defender causas, quer no nosso local de trabalho, nos transportes, junto dos amigos, etc…
    Fica aqui o meu convite, para visitares http://tirem-as-maos-da-venezuela.blogspot.com, e desta forma seres mais um a defender uma causa com valores.
    Continuação do bom trabalho, que aqui estás a fazer.
    Cumprimentos,

  8. Fernando,

    já sabes a minha opinião sobre a forma como trabalham os sindicatos em Portugal, portanto nada do que escreveste me surpreende. E sei que a ti também não te surpreendeu essa atitude sectarista.

    Sou contra qualquer alusão a simbolos partidários em manifestações de trabalhadores. É por essa e por outras que esta luta que deveria ser mais do que nunca a luta de todos os portugueses nunca passará de um rol de intenções partidárias que só servem para provocar a instabilidade, enfraquecer os propósitos da justiça laboral e dividir a população.

    A malta confunde política com clubes de futebol e as bandeirinhas encarnadas não ajudam nada…

    Abraço
    [[]]

  9. Formiga
    Eu fico irritado com todos os sectarismos, arrogâncias e prepotências. Eu estive em Guimarães como tantos outros para protestar contra as políticas económicas e sociais do Governo e contra a flexigurança nos moldes que nos querem impor. No protesto contra estas políticas não deve haver exclusões. Afastar uma delegação de um partido político solidária com o protesto é inadmissível. Assim como foi o afastamento de uns camaradas que transportavam outra faixa que não estava identificada partidariamente e que era da corrente sindical do MRRP, presumo. A CGTP não é propriedade de nenhum partido político e todos os apoios deverão ser bem-vindos. Claro que não subscrevo a sua análise sobre o Bloco e vejo aí algum sectarismo ao insinuar que o Bloco tem uma prática não consentânea com a teoria. É melhor não entrar por aí.

  10. Do blog Igreja Velha das Taipas – Guimarães: recebi, este comentário!!!

    Não era preciso o Sr. JMFaria declara que não esteve na manif de Guimarães, porque se estivesse não escvrevia o que acolhe no seu blogue, ou então mentia descaradamente.
    Eu estive na manif e presenciei directamente os acontecimentos relatados.
    Quando se passou da concentração para o desfile, que foi promovido e organizado pela CGTP e mais ninguém, o BE e o MRPP tomaram a dianteira e procuraram ficar na grelha de partida. Os organizadores pediram para ambos recuarem, o que o MRPP, do meu amigo Teixeira, fez e o BE tentou recusar, procurando criar um facto para a imprensa relatar. E quase o conseguiu, quando o Sr. Mota, de Riba d’Ave insultou um outro participante, “mandando-o trabalhar”.
    Como disse, presenciei e testemunhei os factos. O que o Sr. Fernando diz é uma mescla de mentira e contradições – ele que di querer os partidos fora dos sindicatos, abespeinha-se quando a CGTP faz o que ele defende. Coerência, precisa-se.
    PS: o JMFaria é capaz de fazer melhor do que o seu blogue mostra.

    Eu conheço os métodos do PCP à muitos anos, vale apena dar importância? Penso que não.

  11. Trilby
    Eu não estava presente no momento em que tudo aconteceu. Segundo me disseram foi muito complicado e teriam sido mandados sair do desfile (ou não deixaram entrar não sei bem). Parece que só faltou chamar a polícia. O ambiente era francamente hostil e havia provocações de muitos manifestantes ao passar em frente à faixa do Bloco e do MRPP (presumo que fosse do MRPP a faixa não tinha símbolo partidário) Não consigo perceber tanta hostilidade. Só havia mesmo um modo de se manifestarem era pedir a presença da polícia, para não haver agressões físicas, mas compreendo que não tivessem ido por aí.

    Pode ser questionável para alguns haver símbolos partidários numa manifestação, aceito que sim, para mim não há especialmente se essa presença é simbólica e de solidariedade com a luta. Curioso é que quem estava contra a presença dos símbolos é quem tem uma presença marcadamente partidária nos sindicatos. Enfim …

  12. JM Faria
    Como disse não estava na altura dos acontecimentos mas se vi alguém indignado … esse alguém foi esse amigo do MRPP, Teixeira pelos vistos. Eu vi esse companheiro quase com os olhos em lágrimas, indignado com tudo o que se passou e foi ele que me disse o que sei e que contradiz o que essa pessoa comentou no teu Blogue. Ele estava extremamente furioso porque era um activista sindical e teria trabalhado imenso para aquela manifestação, disse-me ele “distribuí milhares de comunicados e agora sou impedido de entrar na manifestação apenas porque estou a representar uma corrente sindical alternativa na CGTP”. O que esse senhor diz neste aspecto não é verdade. Também não me parece que quisessem o Bloco e o MRPP, “encabeçar” a manifestação. Enfim … estou habituado.

  13. tanto anti-comunismo até assusta.

    estive em guimarães. vi lá o jerónimo e o miguel portas. vi 25000 trabalhadores. vi faixas sindicais e cartazes anónimos. vi confiança e determinação.

    se o bloco tentou levar uma faixa do BE, fez mal. Se ao apelo da CGTP a retirou, fez bem. Não sei, não vi.

    a unidade é necessária para os trabalhadores venderem. o anti-comunismo, não.

    um abraço,

  14. Do revisinismo ao estalinismo, viva o radicalismo pequeno-burguês de fachada socialista.

    começo por lhe dizer que embora não tenham nada contra vocês e contra a vossa participação em grandes manifestações de trabalhadores, discordo do chamam aos comunistas, “estalinistas” só os conheço no vosso partido. desde o tempo em para toda a cambada de pequeno-burgueses radicais de fachada socialista das udp´s, dos mrrp´s, psr´s, achavam de uma forma sectaria e caricata o pcp um partido revisionista, pelos os vistos hoje a opinião embora negativa mudou radicalmente para estalinistas. Considero o seu post extremamente ofensivo e de muito mau gosto para o meu partido, e no plano individual para mim que sou militante comunista. Mais uma vez o bloco demonstra o seu anticomunismo primário, aliás, um pilar imutavel das milhares facetas de transvestismo que extrema esquerda Portuguesa sofreu, extrema esquerda essa sim sectaria “estalinista”, “maoista”, “trotskisqua”, enfim qualquer coisa “antiPCpista”. A sua opinião revela traços preocupantes de uma raiva invejosa contra um partido, que por seu merito proprio, através de grandes lutas e grandes sacrificios com os trabalhadores do norte a sul do pais, que em muitos casos ao longo de varias gerações conduziram a pequenas e grandes conquistas de direitos e melhorias de vida das massas trabalhadoras. Partido esse que está sempre presente na defesa dos interesses de quem trabalha seja no local de trabalho no parlamento ou autarquias, que por isso tem uma profunda implantação no mundo do trabalho, que por isso não se estranhe que de milhares de militantes comunistas devido ao seu combate diario muitos estejam representados nos sindicatos, só lá estão, graça à confiança dos trabalhadores neles, e com o seu voto (o tempo em que não se queria comunistas nos sindicatos acabou no 25 de Abril). Essa Confiança só se ganha na luta do dia a dia no estar sempre presente, e não de um partido que só apareça quando as camaras de tv estão presentes, que quando há uma greve geral contra ataques sem precedentes às conquistas de Abril, siga as criticas da UGT contra o timming da justa greve da CGTP (talvez com medo de chatear socrates e o PS), de modo a colher dividendos politicos. Que sabendo que o principal ataque politico que se faz à CGTP é a de ser partidarizada, leve simbolos e distribua propanganda do BE nas manifistações da cental sindical. que os militantes ligados a comissões de trabalhadores ajudem o patronato a passar aos trabalhadores reduções de direitos e regalias (antonio chora autoeuropa). A vossa inveja, e infelizmente a de muita gente do bloco é de não ter muita gente ligada ao mundo do trabalho – e tambem de não ter muita gente como militante-. Mas, e de uma forma construtiva, deixe que lhe dê um concelho, rapaziada do BE “a luta é o caminho”, saiam da vossa sede onde passam imensas horas a fumar umas passas e a discutir o socialismo que está para vir, arregassem as manga e lutem, não contra o PCP, mas lutem para uma sociedade sem explorados nem exploradores lutem por uma nova sociedade, lutem pelo socialismo – se é que vocês defendem o socialismo para Portugal nesse novo vestido de social democracia para atrair o PS”

    PS: josé manuel faria dizes que o BE è muito meigo com o PCP, deviam então de ter uma postura mais bruta não é ?, talvez quem devesse ter uma posição mais bruta com vocês fosse o pcp pela maneira asquerosa como vocês tratam os comunistas.

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