Isto é que é uma merda!

fraude3254852.jpgQuando se está perante uma fraude fiscal organizada, num esquema engenhoso de evasão fiscal, branqueamento de capitais, falsificação de documentos e que envolve bancos, sociedades financeiras, escritórios de advogados, empresas de construção civil e quando é preciso ser implacável contra a burla e a fraude fiscal, será um escândalo a possibilidade de arquivamento do crime fiscal associado à “Operação Furacão”, pela simples regularização ao fisco do dinheiro envolvido nas fraudes fiscais

Isto não é mais que um convite declarado ao crime e à impunidade e não abona a credibilidade das instituições.

A máquina fiscal tão célere e predadora com pequenos delitos ou infracções fiscais, não pode, deixar em claro, um crime fiscal organizado, apenas porque, estarão envolvidas, como é público, entidades bancárias como o Banco Espírito Santo, o Banco Comercial Português, o Banco Português de Negócios ou o Finibanco. Ou ainda empresas como a Soares da Costa, a Mota-Engil, Monte Adriano ou a Zagote, para além de finíssimos advogados. Ou ainda porque nos 120 arguidos estarão nomes importante e conhecidos da nossa praça.

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Numa semana excelente na outra excedentário.

No dia 11 de Junho no Diário da República é publicado o despacho que nomeia o trabalhador, técnico profissional especialista, depois de uma avaliação de desempenho classificada de excelente. Uma semana depois, a 18 de Junho, um novo despacho coloca-o no quadro de excedentários.

O Ministério da Agricultura explica esta incongruência com o facto de não ter sido criada nenhuma vaga para a função do trabalhador.

Que dizer?

De uma semana para outra, um trabalhador é promovido, depois de um desempenho considerado de excelente e logo depois vai para um quadro de mobilidade especial, sendo que isso significa, ir para casa, ficar à espera de eventualmente ser chamado a ocupar um posto de trabalho noutro local, para ao fim de sessenta dias naquela situação, perder 1/6 do vencimento e ao fim de um ano perder 1/3 do vencimento, até ao fim dos seus dias de profissional.

É como tenho dito. O quadro de mobilidade especial (quadro de supranumerários/excedentários) é a antecâmara para o despedimento. Sem justa causa. Sem nada terem feito para isso, antes pelo contrário. É tudo a eito. E fé de que ninguém vai protestar mais.

“a continuar assim o PS deve mudar de nome. Não pode continuar a chamar-se socialista”

Avisado pelo Troll Urbano fui ler a entrevista de António Arnault, fundador do PS, e ex-ministro dos Assuntos Sociais, mais conhecido pelo “pai” do Serviço Nacional de Saúde, à revista Visão desta semana. Arrasador para o Governo e para o Partido Socialista. Deixo alguns trechos.

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Imagem daqui

Como olha para o PS, hoje?

(…) o partido está a perder alma e identidade. A continuar assim não pode chamar-se socialista, tem de mudar de nome.

A ideologia ainda conta?

Ainda faz sentido falar-se em socialismo! (…) o que resta da utopia é o Estado Social. Por isso é importante defende-lo. O socialismo é encurtar diferenças sociais e reduzir desigualdades. No fundo mudar de vida.

Não é o que tem sido feito, portanto?

(…) a prática do PS não está à altura da sua responsabilidade. Ao reclamar-se socialista, assume um legado histórico e deve ser fiel a ele.

Fala assim quem era um moderado?

(…) Hoje sou da extrema-esquerda e sou o mesmo! O partido desviou-se tanto para a direita que, porventura, até estarei quase a sair …

Como descreve a geração que está no poder?

(…) Noto falta de cultura cívica. (…). Muitos deles não têm uma ideia para Portugal, não conhecem o país. Vivem do imediatismo, da conquista do Poder. Conquistado, vivem para aguentá-lo. Esta geração vale-se mais da astúcia do que da seriedade. E aprendeu os ensinamentos de Maquiavel.

Mas há marcas de esquerda [no governo]?

Não há marcas de esquerda neste Governo. Essas deviam estar no terreno social mas, como já vimos, os direitos sociais estão um pouco proscritos. (…) Marca de esquerda era cumprir a democracia política, social, económica e cultural. Dentro do estado Social o direito à saúde é fundamental. E aí as marcas não são de esquerda…

São de quê, então?

Até a direita critica pela esquerda a política de saúde do PS! É absurdo, um escândalo! Não sei como se há-de chamar a isto!

O PS faz o que a direita teria vergonha?

O PS faz reformas que não devia. Se a direita fosse poder, não teria coragem de atacar o Serviço Nacional de Saúde como o PS. E o PS, na oposição, não deixava!

in Visão, nº 751 de 26 de Julho de 2007

Quem levanta o véu em Angola?

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A edição do Público de sábado fala dela. Chama-se Isabel dos Santos. Uma miúda. Trinta e quatro anos de idade. Dona de uma colossal fortuna. Em Angola controla a maior operadora de telecomunicações, “oferecida” pelo pai. Reparte com o grande empresário português Américo Amorim o controle do Banco Internacional de Crédito. Controla a petrolífera angolana. Tem grande presença no Banco Africano de Investimentos, em empresas de diamantes e petrolíferas. Controla todos os grandes negócios em Angola. Tem interesses económicos em muitas empresas em todo o mundo. É accionista de referência na Galp, na Portugal Telecom, Grupo Espírito Santo, Grupo Amorim, entre outros. O seu pai é o José Eduardo dos Santos, Presidente de um dos países mais corruptos do mundo onde milhares e milhares de naturais, em especial as crianças vivem na miséria e passam fome. Entretanto, Durão Barroso é um amigo da família. Não vai há muito tempo esteve no casamento da irmã mais nova de Isabel dos Santos.

Até quando esta gente ficará impune.

A quadratura do medo

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Manuel Alegre, escreve hoje no Público sobre o medo. Não sei bem o que faz o Manuel Alegre para além de escrever. Parece que é deputado mas não se dá pela sua presença. Há muito tempo. Há muitos anos. É um vice-presidente da assembleia do parlamento, sem presença activa, não intervém nos debates, não apresenta propostas, não aparece em qualquer comissão parlamentar, não participa nas iniciativas parlamentares do seu partido. Manda umas bocas, de vez em quando. Acertadas é verdade, mas sempre extemporâneas. Sempre muito atrasadas. Quando já falaram tantos. Depois de toda a esquerda. Depois de alguma direita, imagine-se. Depois de alguns dos companheiros de partido, inclusive Mário Soares, mas principalmente, Medeiros Ferreira, Vera Jardim ou Ana Gomes e tantos militantes anónimos. Depois do deputado do PSD, Paulo Rangel, ter falado de um ambiente, de “claustrofobia democrática”. Manuel Alegre de vez em quando precisa de sair do quadrado. Foi assim no passado é-o agora no presente. No vislumbre estará ainda o lugar de Presidente da República. O Manuel Alegre chega atrasado, muito atrasado. Não gosto deste tacticismo político. Manuel Alegre, para ganhar a minha simpatia e a simpatia de muitos eleitores quando for de novo candidato, ou se criar um novo partido, precisa de juntar mais naturalidade à sua intervenção política. Assim não. Mas talvez isto baste para negociar o seu futuro político com Sócrates.

Fazer um “bom discurso” sem dizer coisa nenhuma

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Clique para ampliar

Acima está um manual de “bem falar” que lhe permite falar ininterruptamente por mais de 40 Horas, sem dizer absolutamente coisa nenhuma. São possíveis cerca de dez mil variações. Combine as expressões, da 1ª até à 4ª coluna, saltando de linha, para cima ou para baixo, da forma como quiser. Construa o seu discurso para impressionar. Aqui fica um. Sem nenhum esforço. Foi só juntar. Sem repetir nenhuma frase.

Caros colegas

A complexidade dos estudos efectuados exige a precisão e a definição das novas proposições. Por outro lado, a execução deste processo, cumpre um papel essencial, de formação dos conceitos de participação geral. Assim mesmo. A actual estrutura da organização, contribui para a correcta determinação das atitudes e das atribuições da directoria. Não poderemos esquecer que a expansão da de nossa actividade, auxilia a preparação e a definição das nossas opções de desenvolvimento no futuro.

Do mesmo modo, o desenvolvimento de formas distintas de actuação, facilita a definição das condições apropriadas para os negócios. Nunca é demais insistir, uma vez que a complexidade dos estudos efectuados, obriga-nos à análise dos índices pretendidos. A experiência mostra que a consolidação das estruturas, contribui para a correcta determinação, das nossas metas financeiras e administrativas.

É fundamental ressaltar que a constante divulgação das estruturas, oferece uma oportunidade de verificação, das formas de acção.

A prática mostra que a actual estrutura da nossa organização acarreta um processo de reformulação das opções básicas para o sucesso do programa. O incentivo ao avanço tecnológico, assim como a constante divulgação de formas distintas de actuação, cumpre um papel essencial de formação, das condições apropriadas para os negócios.

Disse!

por Fernando Publicado em Geral

“… tomara que outro Zeca Afonso rasgue a mentira desta dinastia.”

Do livro Do Tempo de Quando de Adelaide Graça, as palavras da avó (Adelaide Graça) “à minha neta Camila, vinte anos depois da morte do Zeca Afonso.”

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E outras flores virão …

Olha o vento da janela e as flores no vaso. Estas são vermelhas. Estas são amarelas.

Trago-te uma boneca e biscoitos. Ah, já sei, precisas de tempo para te afeiçoares às coisas e às pessoas. E às bonecas. Preferes o boneco Tim-Tim. Eu também gostei dele mal o vi, talvez pelo jeito desarrumado e descuidado. Queres partilhar com ele o biscoito. E comigo. As migalhas não. As do chão não. São para o cão, o Taurus.

Vamos dançar. Olha os meus pés. Olha os pés desta avó.

Estás a ouvir? Estão a cantar as canções do Zeca Afonso. Estás a dizer não! Claro tu não sabes, não sabes ainda quem é o Zeca Afonso. Um dia dir-te-ei quem foram os Zecas Afonsos todos e mais aqueles de quem nunca ninguém falou.

Sabes, tomara que outro Zeca Afonso rasgue a mentira desta dinastia. De muitas outras dinastias.

Depois, meu amor, minha inocente criança … depois, sentirás o vento a correr pelo meio das árvores e a desfolhar as flores, não as do vaso, mas as dos jardins. De todos os jardins. E outras flores virão com outras cores … muitas outras cores, acredita.

E verás as pétalas, as vermelhas e as amarelas, a irem alto e a dançarem com outros pés, noutros sapatos, e as tuas bonecas e o Tim-Tim a perder as calças e o Nenuco que entretanto cresceu, a correrem na prais atrás do vento, das pétalas e das cores.

As migalhas, essas, não voam, lambe-as o cão, o gato, não todos os cães nem todos os gatos.

Ele e Ela

Mais uma incursão erótica

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Ele deixou-se conduzir. Aquele instante era há tanto tempo desejado. Retribuiu-lhe o beijo, docemente. Os lábios de ambos permaneceram colados, uns minutos, tentando adivinhar sabores, comprazendo-se no momento esperado.

Estava tudo muito calmo. As línguas tocaram-se muito de leve. Ele tomou-a só para si. Arrepanhou-a pela força dos seus lábios sequiosos, para dentro da sua boca, com tanta vontade que nem reparou no gesto mais brusco. Ela não se desfez. Apenas o leve gemido o alertara.

Ela suave e compreensivelmente pousou generosamente os seus lábios nos dele e respondeu-lhe com uma leve mordidela no lábio inferior.

Era o sinal de cumplicidade e de ousadia que ambos esperavam. Os corpos já estavam seminus.

O desejo era muito forte. Ele não estava a conseguir resistir àquele corpo com corpo. Aos beijos afectuosos dela percorrendo o seu corpo ele já não correspondia. Estava extasiado, seu corpo arrepiava-se, quase não se sentia a sua respiração, não conseguia reagir.

Os olhos dele brilhando, denunciavam-no. Ele não conseguia esconder a vontade, o desejo indómito de a tomar selvaticamente.

Ele não estava a conseguir conter-se. Ela percebeu-o bem na troca de olhares ligeiro que se seguiu.

Ela enérgica, avançou. Desabotoou-lhe os botões das calças enquanto lhe mordia levemente os bicos dos seus peitos até sentir um leve gemido. Ela estava a desbravar terreno. A conquistar tempo e espaço. A gozar o momento e o tempo. Ela estava a gerir o tempo. Tinham tempo. Havia muito tempo pela frente.

Ele estava mais inquieto. A ânsia estava estampada no seu rosto. Ele comprazia-se…

Com um pequeno gesto de corpo, ele deixou escorregar as calças pelas pernas abaixo. Ela baixou-se e suavemente tirou-lhe a última peça de roupa que faltava.

Depois… depois, agarrou-lhe no pénis já duro e levantando os olhos, como que a dizer; “pronto, amor, cheguei” num gesto sublime e único, meteu o pénis dele na sua boca até onde conseguiu entrar, apertou-o forte com os lábios e o corpo dele todo tremeu.

“Do Tempo de Quando”

O Álvaro de Oliveira faz uma breve apreciação, do último livro de Adelaide Graça.

A Prosa Poética como um Voo de Ave

na escrita de Adelaide Graça.

capa-do-tempo-de-quando-frente1.jpgNuma época em que são visíveis os avanços da globalização tecnológica e o homem tende a valorizar a sua passagem pelo mundo, desprezando pequenas e grandes guerras, ainda por cima injustas, e, por via disso, as consequentes crises que neste início de século disparam no sentido da sua resignação, é na escrita que encontramos o lugar sagrado para a visitação dos dias, estes dias que, plenos de transformação, nos levam a um constante arregaçar das mangas com o objectivo central de quebrar monotonias e enfados.

Tezvetan Todorov. Fala-nos dum objectivo da pesquisa e, sobre ele, sugere que cada acto pode revelar apenas o resultado de um tempo. E a pergunta nasce de chofre e é pertinaz: o tempo de quando? De sempre… de ontem, de hoje, de amanhã.

Acontece que este tempo que ora atravessamos é, isso sim, de procura e descoberta de novas formas poéticas. A palavra é, por assim dizer, a chave que abre portas para todas as buscas e serve de elemento a todas as formas ou regras. Ora, o objectivo da pesquisa, segundo Todorov, propõe descrever formas de linguagem próprias da poesia, por oposição à prosa. A quebrar tal ideia, e já em plena transformação de novas formas de linguagem, em inícios da década de sessenta, poetas como Nuno Júdice e Carlos de Oliveira, evidenciaram-se no uso de uma estratégia de liberdade, tendo como objecto a palavra livre, o que provocou fissuras de opinião em alguns sectores mais conservadores.

E devemos convir que os poetas e escritores quando escrevem fazem-no com a certeza dum destinatário específico que exige mudança e renovação: o leitor. Nesta exigência, o autor é o ponto de partida e o leitor o ponto de chegada, num eixo transversal que deve espraiar num mar de prazer do texto.

Neste sentido, a escritora Adelaide Graça desprezando as tradicionais “formas de linguagem próprias de poesia” traz a público uma mão cheia de poemas livres de encher o branco da página numa prosa poética onde empresta o sentido das coisas em mensagens projectadas pelo jogo irreverente de palavras que encarnam realidades e fantasias, sonhos e paixões, loucuras e enigmas, a suavidade de uma flor ou um voo de ave, imagens subtis de uma beleza funda, buscada numa vivência interpessoal, em ambientes naturais tal como escreve em “Do Tempo de Quando”: «… adormeceram todos os pássaros e todas as aves…» e transfigura um tempo sem idade pelos indizíveis carreiros da infância num traço que se adivinha a lavrar eternidades, registadas num livro que teve já apresentação no decorrer das feiras do livro de Viana do Castelo e Vila Nova de Cerveira. Aliás palcos que lhe são familiares e que a autora conhece desde o seu Limites da Razão editado em 1998.

Neste seu novo livro, encontramos páginas e páginas de prosa poética que encanta pela musicalidade e ritmo, pelo poder suave das imagens, pela discrição das coisas simples, como um voo de ave, a ocultação dos trilhos onde deixamos as nossas pegadas, pela evocação dos dias que percorrem o mesmo destino das mãos, a revelação de segredos fixados pela água dos olhos até ao pôr do sol, porque a poesia tem a particularidade de colocar o poeta antes e depois de si, depois de tudo, como se tudo fosse apenas a confissão duma loucura – a de ser-se poeta – em perfeito abandono pelas regras estabelecidas.

Nesta linha de conta, e depois de saltar adentro destas páginas e fruir da beleza que delas emerge, é-me grato dirigir-me à autora para lhe confessar: morri como se nascesse, agora nasci para morrer na beleza dum poema.

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À esquerda a escritora Adelaide Graça.