No rescaldo da convenção do Bloco de Esquerda

1- Estive presente na convenção do Bloco de Esquerda como delegado, eleito nas listas da maioria. Convivia com um dilema. O apoio global à linha política e uma critica severa ao molde da decisão política. Saio como entrei, dividido. Confiante na linha e na estratégia política, desconfiado sobre o paradigma de liderança e formas organizativas.

2 – Algumas minorias do Bloco iludem-se se presumirem, uma qualquer associação entre os seus resultados para a Mesa Nacional do Bloco e uma convergência nas críticas a aspectos do funcionamento interno, a uma concordância com a orientação política e com os protagonistas que, na convenção, expressaram posições divergentes da maioria.

3 – De igual modo a direcção do Bloco, perderá credibilidade política, se não ler, nos resultados e nas críticas, os sinais de maturidade e de exigência militante, para uma melhor e maior democracia participativa, nas decisões colectivas.

4 – A linha de actuação aprovada na convenção afirma a necessidade de conjugar mais activismo, mais organização, mais acção política, para responder no plano político e no plano ideológico, com novas e melhores propostas, à persistente e bem sucedida ofensiva ideológica, do “não há alternativa” às políticas do liberalismo económico e do neoliberalismo político. Teve a minha aprovação.

5 – Estranhei os ataques, de dentro e de fora, ao Bloco sobre um suposto desvio social-democrata na linha política. Não faz sentido. O Bloco de Esquerda é rigorosamente de esquerda e rigorosamente socialista. Basta saber ler e saber observar. E é nessa linha, com pequenas variações na forma, que deve continuar.

6 – Sou contra o direito de tendência. Se no início se afigurava justificado face às diferentes sensibilidades e afectividades políticas, agora, oito anos depois, favorece o espírito de grupo, o extremar de posições, fere a unidade do conjunto. A anunciada criação e organização de tendência, em torno da Rotura/Fer, é um sinal de dissonância permanente, por parte de um grupo político, sem expressão política, mas que faz do Bloco, a sua tribuna de exposição pública.

7 – O Bloco de Esquerda deve afirmar-se como um partido político com propostas políticas, sérias e exequíveis. Deve afirmar-se com um partido que almeja o poder. A maioria dos seus aderentes, simpatizantes e eleitores, querem um partido que os ajude a mudar as suas condições de vida. Não querem apenas um partido de resistência e de protesto, para isso têm o PCP. Não querem um partido que sirva os ricos, para isso têm o PS e o PSD. A maioria dos seus aderentes, simpatizantes e eleitores, querem um partido que fale a verdade e que contribua com propostas e com soluções, de molde a resolver os problemas da sociedade, dos mais pobres, dos trabalhadores mais prejudicados, para construir uma sociedade mais justa, mais solidária, a partir do quotidiano das pessoas.

Deixo aqui a intervenção final de Francisco Louçã

Nota suplementar: É escandaloso o tempo concedido à divulgação da convenção do Bloco se comparado com um partido com quase a mesma expressão eleitoral.

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39 comentários a “No rescaldo da convenção do Bloco de Esquerda

  1. Subscrevo integralmente o teu texto. As tuas inquietações são as minhas, as angustias também.

    Parabéns! Não sintetizaria melhor.

    Precisamos, todos dessa lucidez e já agora dessa “vigilância”. Todos, mas sobretudo o projecto politico em que nos envolvemos.

    Quanto ao “velho” tema, eleições para a CT da PT-C, enviei-te cópia do artigo que mandei para o “Participação”, se não sair {não me passa pela cabeça, mas enfim…] conto com esse espaço de liberdade para o trazer à luz do dia.

    Um abraço

    JC

  2. Fernando, tinha prometido que não discutaria, em Blogs, antes da Convenção… a Convenção acabou. Por isso apenas meia dúzia de questões:

    1ª – Pouco mais de uma semana depois da Convenção, onde alguns pontos dos Estatutos foram alterados e outras tantas propostas de alteração recusadas, não entendo porque se és contra o direito de tendência, não propuseste que esse ponto fosse retirado. Era a forma coerente de verificar se, efectivamente, a maioria do Bloco considera um erro, que oito anos depois permaneça nos Estatutos. Para mim, o direito de tendência dentro do Bloco deveria ser motivo de orgulho. O lá continuar é a certeza que, apesar das criticas que faço, este ainda é o meu Partido, mas se camaradas como tu entendem que apenas serve para “ferir a unidade de conjunto”, creio que perdeste uma oportunidade de tentar que fosse alterado.

    3ª – Não me parece correcto que acabada a Convenção se continue e falar em nós e nos outros. Os 12 camaradas eleitos pela lista C e mais os 6 eleitos pelas listas A e B, representam mais de 20% do BE e representarão mais de 20% da Mesa Nacional do Bloco. Para mim é saudável que assim seja. Só no Bloco é possível que tal aconteça e por isso estou no Bloco. Faz-me sempre confusão, Fernando, usar termos e raciocínios que não podem ser os nossos. O Bloco só representa 8% dos eleitores portugueses…dirá o nosso centrão…Talvez seja disto que se fala, quando alertamos para o risco de parlamentarização, de institucionalização, do Partido. Há mais vida para além do Parlamento e mais democracia para além da democracia parlamentar…

    3ª – Continuar a dizer que giramos à volta da Ruptura /Fer continua a ser tão descabido como continuar a dizer que a Direcção do BE gira à volta da UDP , do PSR ou da Política XXI.
    È engraçado, Fernando, mas essa foi uma certeza que me ficou na e da Convenção: Em dois dias inteiros, nenhum camarada me associou à FER. Esse fantasma, acho que vencemos. Apesar de continuar a haver excepções…

    4ª Também quero um Partido como o teu. O que nos divide é que eu quero um Partido como o teu, em que caibamos todos. Um Partido que responda hoje, mas que responda no Parlamento e nos Sindicatos. Que responda nas ruas e que volte às Escolas. Que entre nas empresas. Um Partido que seja alternativa nos Movimentos Sociais e não apenas no Parlamento.
    Um Partido que almeja o Poder, e que sabe que o Poder só vale a pena, só defende os interesses dos trabalhadores, da sociedade, dos mais pobres, se não significar abdicar de princípios, se não esquecer que é dever da Esquerda melhorar a vida aqui, mas que é principio da Esquerda querer construir uma sociedade diferente, livre, denocrática, justa e Socialista.

    5ª O teu parágrafo 2, não entendi. Votaste na Moção A. Como podes ter a certeza das razões que levaram outros camaradas a fazer outras opções? Não será um pouco sobranceira essa afirmação?

    6ª Estaremos na Mesa Nacional, os camaradas eleitos pelas Listas alternativas, com a mesma legitimidade que os camaradas eleitos pela Lista maioritária. E não só porque fomos eleitos democraticamente, mas, sobretudo, porque o Bloco hoje também é o que dele fizemos. A história, apesar de curta, do BE foi feita por todos nós. Não há donos da história do Bloco. Os 8 deputados que temos no Parlamento, o Sá Fernandes que temos e tenho a certeza que vamos continuar a ter em Lisboa, foram resultados do trabalho, do empenho, da dedicação de todos nós. TODOS. Os 100%. Assim irá continuar a ser, apesar de haver quem continue a dizer que saimos já daqui a bocadito…

  3. JC
    O Blogue está disponível para publicares o que entenderes, amigo.

    Isabel
    Cara amiga, o teu comentário dá-me razão.
    1 – Aí estás a tu a lembrar o que eu temia “Os 12 camaradas eleitos pela lista C e mais os 6 eleitos pelas listas A e B, representam mais de 20% do BE …”. Engano. Essas extrapolações não podem ser feitas assim, os resultados não devem ser uma espécie de troféu. Sendo mauzinho diria por essa linha de raciocínio que daqui a pouco estás a reivindicar a representação de X % dos eleitores do Bloco. E não apenas no Bloco aparecem listas alternativas, à direcção, Isabel. Diria que com excepção do PCP, aconteceu já em todos os outros partidos, pelo que não deveria ser essa a razão que te leve a militar no Bloco. No meu caso é o projecto, a linha política, o objectivo estratégico.
    2 – És tu que falas em nós e os outros, Isabel, não eu. Eu chamo a atenção da maioria e da minoria para a interpretação dos resultados e do debate: Nem os primeiros deve ignorar os resultados e as criticas, nem os camaradas que apresentaram propostas alternativas, devem pensar que representam uma parte do Bloco. A convenção e os debates em torno das propostas, terminaram por ora. E a linha política futura do Bloco é a que estava expressa na moção A – e foi votada por 80% dos delegados, e não outra.
    3 – Nem é descabido nem uma coisa nem outra Isabel. A diferença entre a Rotura/FER e ELES está em que ELES representando sensibilidades e afectividades políticas do passado, estão supostamente interessadas em construir um projecto novo, o do Bloco e para a Rotura/FER, em minha opinião, tendo em conta o que conheço do seu projecto político, o Bloco é um mero instrumento da sua acção política e não quer, não deseja, colocar em causa, os seus princípios ideológicos mais profundos, como os outros. Só que o Bloco é um novo partido, para mim, em construção/descontrução ideológica, unido por pressupostos da luta anticapitalista e de defesa do socialismo e pouco mais. O resto será o resultado de nova discussão política e nova discussão ideológica. O facto de a UDP/PSR/Política XXI, terem acabado com os partidos, transformando-os em associações e fóruns de discussão política foi um sinal sério de “apego” a um novo projecto de esquerda, o Bloco e de “desapego” ideológico a “conceitos e nomes” do pensamento político de esquerda. Esta é a minha análise. O tempo dos grupos e das discussões puramente ideológicas e de capelinhas acabou em nome de um novo projecto de esquerda, mais aberto e mais plural. Pelo menos espero …
    4 – Eu também não te associo à FER não obstante pensar que foste envolvida depressa demais, para além das tuas compreensíveis razões, numa oposição GLOBAL que antes nunca senti e isso é que estranho. A criação da tendência por Vós anunciada vai extremar ainda mais as tuas e as dos outros divergências. Eu tenho as minhas divergências, pontualmente, posso estar alinhado com outros, mas não alinho em grupos. Não pretendo que sejas igual a mim, mas é uma posição de princípio, fruto da minha anterior participação e experiência, na vida partidária.
    5 – No meu partido cabem todos os que se reclamam de esquerda. É uma esquerda muito ampla. Não tenho receios de “esquerdismos” e “direitismos” ambos, no plano do debate de ideias, estão condenados a serem derrotados. O partido que quero não quer disputar os movimentos sociais para substituir os outros, quer que as ideias ganhem posição, sem controleirismos, sem dirigismos, para triunfarem as ideias de esquerda, para uma nova sociedade mais justa e socialista, pois claro.
    6 – Saudei, saudo, o aparecimento de camaradas com posições criticas, não poderia ser de outra maneira. Eu também sou um crítico de sempre, em algumas coisas e nunca me inibi de o ser, em todas as ocasiões que achei importante ser. Em particular, sublinho, o papel dos camaradas que se apresentaram na lista B, agora e no passado, como consciência crítica, atentos, acutilantes, com as propostas que entendem correctas para melhorar, o funcionamento interno. Também saúdo quem se apresentou a querer discutir a linha política, como foi o caso da moção D e também, em parte da C não obstante pensar que a C o faz de forma desajustada e nalguns casos de forma arrogante.
    7 – Os 100% do Bloco não são a soma das listas A, B, C ou D é muito mais que isso. Não me vou repetir. As moções B,C e D não são 20 ou 25 %, nem a A será 75 ou 80% do Bloco (o Bloco entendido como a força que é apoiada por centenas de milhares de pessoas que nele votam).
    8 – O facto de não defender o direito de tendência não me obriga a apresentar proposta contrária quando sei que a mesma não terá vencimento na votação no actual momento. Talvez um dia, sabe-se lá. Mas essa não é uma questão que me inquiete. Entretanto vou deixando espalhado por aí a minha posição. Que fique claro que o ser contra o direito de tendência, não significa que seja contra, mesmo que não tivesse previsto estatutariamente, que os aderentes possam a cada momento, encontrar-se, discutir, reunir, e apresentar propostas comuns, obviamente.

  4. Fernando, algumas respostas a alguns dos teus pontos:

    1- Há, de facto, Partidos onde aparecem alternativas politicas. Como dizes a excepção é o PC. Noutros Partidos existem listas alternativas à Direcção. Permite-me, no entanto, que só possa comparar o comparável. Porque raio devria trazer para aqui os Partidos de Direita onde as divergências políticas se resolvem á porrada e o PS, onde as divergências politicas se situam hoje (sei que nem sempre assim foi no passado) mas hoje, em quem é quem e quem quer ser quem no aparelho? Como é lógico e porque assumidamente me considero de Esquerda não poderia dar os Partidos de Direita como exemplo. As comparações só de podem fazer com o que é comparável, repito,. Apesar das criticas e porque na Esquerda, o BE é o único Partido onde diferentes sensibilidades estão representadas na Direcção, onde diferentes projectos se discutem livremente (apesar de erros e hesitações), escrevi que só aqui podia estar. Apesar de achares que mudei muito, reservo-me o direito de acreditar que não pensas que poderia estar no PSD, no PP ou no PS…logo que a minha “guerra” não passa por aí.

    E não, Fernando, cada um de nós só representa o trabalho, o empenho, a esperança que temos dedicado ao Partido nos últimos anos. E as propostas que vamos apresentando convencidos quefazem parte desse empenho e dessa esperança. E os delegados que nos elegeram. O voto é de cada um, Como repete e bem o Francisco Louçã. Não nos pertence a nenhum de nós. De nós todos. Logo esse ser mauzinho não tem, de facto, cabimento. Os eelitores votam num Projecto, num percurso e quando muito conseguem personalizá-lo em 3 ou 4 camaradas. Não mais que isso…

    2 – Ès tu que continuas a falar nos outros, Fernando. Foste tu que falaste na FER. És tu que continuas a falar nas razões porque, segundo pensas, os camaradas da FER, estão no BE – “por parte de um grupo político, sem expressão política, mas que faz do Bloco, a sua tribuna de exposição pública.”, escreveste.
    Para agora acrescentares ” Bloco é um mero instrumento da sua acção política e não quer, não deseja, colocar em causa, os seus princípios ideológicos mais profundos, como os outros.”.
    Para ti, nas tuas palvaras, há os Nós – os que puseram o Bloco acima dos seus interesses de grupo e os Outros, os da FER, que apenas se usam do BE.
    Os nós e os outros fui eu que falei, mas és tu que “fazes respirar” no teu post.

    3- Uma tendência não extrema divergências se for usada duma forma democrática, aceitando os outros, não sectária nem dogmática- representa, apenas, uma das formas de dar corpo à Democracia interna do Partido. Como a da Revista Manifesto, por exemplo, quando lança propostas próprias para discussão pública. Que ultrapassam em muito os militantes do BE. Legitimamnete. Sem que o Mundo nem o Partido tenham acabado a seguir.

    4º- Essa de os 100% do Bloco ser muito mais do que a soma de todos os seus aderentes é um bocadito demagógica, amigo. Como é lógico o BE representa muito mais que os seus aderentes, Mas como é lógico na Convenção e na Direcção são os representantes dos seus aderentes que lá estão. As centenas de milhar de pessoas que nos dão a sua confiança, dão-na ao nosso projecto politico. Os nosos deputados corporizam, no Parlamento, “eese abraço” ao nosso projecto político. Mas a Direcção do Partido é eleita por aderentes e não por eleitores. A Convenção do Bloco é um lugar de reunião e de decisão do Partido e não um programa eleitoral.
    Sei que tu sabes que quando me referia aos 100% era disto, deste lugar e deste momento que falava. Aqui falava do BE de dentro das Sedes. O único que elege Direcções.

    5º – Fernando, continuo a achar que cometes um erro de fundo na análise que fazes do Bloco. Há grupos no BE. Não é por isso que o Bloco acaba mas não creio que seja salutar negá-lo. E não são só a FER (ou essencialmente a FER?) .
    Mas essa é uma questão que me permito não discutir aqui. Creio que há questões que devemos guardar para nossa casa. Talvez tenha cometido algumas vezes o erro de as deixar sair…mas não vai voltar a acontecer. Questões que metam pessoas, lugares, actuações…grupos, ficarão guardadas para dentro de casa. Sobretudo agora que a Convenção acbaou e que temos tanto trabalho a fazer. Eleger o Zé, por exemplo.

  5. Talvez esteja enganado, Isabel, mas no meu Bloco não cabem grupos. Cabem sensibilidades, afectividades. Cabem políticas, ideologias, pensamentos de esquerda, mas não cabem grupos. Os movimentos que apoiam o Bloco devem deixar o seu grupo lá fora em prol de um Bloco maior, virado para fora, para os trabalhadores e a população que mais sofre.
    De resto estão claras as nossas diferenças de análise mas daí não vem mal ao mundo. Eu creio que ainda não interpretas-te bem, apesar de ter ideias muito claras, provavelmente por defeito meu (tenho dificuldade em me explicar bem), sobre o meu entendimento do que deve ser o Bloco. No dia em que achar que o Bloco não é aquilo que penso que é ou que quero que seja, saio do Bloco, sem mais. Não sei porquê sempre achei que tinhas a mesma visão que eu do Bloco, até a um dia … mas atenção, eu não te critico por isso, pelo contrário. Eu é que já não tenho vontade, nem força, nem disponibilidade mental, para certas “guerras”. Um beijinho, Isabel.

  6. Duas questões rapidas.

    O Bloco precisa de mais organização( muitas vezes por falta dela não conseguimos integrar cidadãos que querem estar ao nosso lado), e se quiseres de um corpo de militantes politicos profissionais que dê o necessario apoio a organização.

    Precisa como o pão para a boca de mais debate, há que reconhecer que , muito ficou por discutir, sobretudo nos poucos plenarios de militantes, sobre as várias alternativas que eram apresentadas.

    Dito isto, não quero um partido, que seja um conjunto de capelinhas, tendências ,ou fracções.

    A maioria dos militantes que fazem parte do Bloco, são cidadãos livres que pensam pela sua cabeça, e não julgo terem necessidade de qualquer representação em tendências organizadas, que lhes ditassem ou impusessem as tacticas.

    Penso , que o espirito de grupo , que foi um dos grandes dramas da esquerda revolucionária quer antes, quer depois do 25 de Abril, ainda está muito entranhado em certas pessoas.

    Eu orgulho-me do meu percurso de fundador da UDP, mas isso foi um periodo que já passou, ao apoiar o Bloco, vesti a camisola, e por isso estranho este afã de certos camaradas, que para se identificarem precisam de siglas que hoje já não representam NADA, ou melhor foram sempre projectos residuais, com muita pouca expressão de massas, e ainda menos na luta do dia a dia.

    A forma como todos souber-mos democraticamente discutir as nossas divergências, a forma como alguns mostrarem na pratica que não estão eivados do espirito de grupo, a forma como souber-mos responder ás duras batalhas que se avizinham traçará o nosso futuro.

    Seremos um projecto com continuidade e de confiança, ou um mero fogo fátuo que se terminará em mais uma grande disilusão.

    A cada um de nós decidir, e nisso todo somos chamados a tomar posição , e todos seremos responsabilizados pelo que vier a suceder.

  7. Não me parece que seja incompatível um Bloco de Esquerda activo, moderno e como alternativa de poder, com o facto de existir tendências organizadas no movimento. A Unidade na Diversidade deve ser mais do que um lema.

  8. Também subscrevo a opinião de a. pacheco, sinto no entanto necessidade de sublinhar especificamente esta:

    «O Bloco precisa de mais organização( muitas vezes por falta dela não conseguimos integrar cidadãos que querem estar ao nosso lado)»

    Penso aliás, tal como outros amigos que por aqui aparecem, que os grupos abertos, excessivamente aberto ou por outras palavras, tão abertos que nunca sabemos se as pessoas estão ou não estão, isto é se a opinião que manifestam as vincula a alguma coisa ou é apenas um “desabafo”, que esses grupos escrevia, servem muitas vezes de trampolim e permitem escudar interesses individuais e outros por detrás dessa mescla democrática que fala de tudo e nada decide, que planeia tudo e nada concretiza, que discute tudo e nada decide.

    É notória a falta de organização. Não a organização típica dos velhos partidos ou grupos ML, mas uma outra de tipo novo. Em rede se quisermos. Conquanto permita trocar ideias, descortinar e apurar vontades, actuar em convergência. Uma organização que se liberte das tutelas e que permita aos activistas exercer na plenitude as potencialidades sem as cingir exclusivamente à estratégia da grande politica mas daquela que em cada momento nos envolve.

  9. JC
    Não sei bem o que será uma organização em rede. O problema não será uma má organização será, em minha opinião, talvez falta de organização. Mas a organização que pretendo deverá ser para formar opinião, preparar melhor a intervenção, não para dirigir, controlar, substituir por substituir.Também não me preocupo que o Bloco seja um partido aberto ou excessivamente aberto o que quer que isto seja, aliás desejo isso, não ando cá para outra coisa. Um partido que quer ser grande e de poder será sempre mais susceptível de ter albergar oportunismos, carreirismos, interesses, mas esse é um risco inevitável. O que importa é que a experiência militante não deixe que eles triunfem.

  10. Fernando, deixa-me só fazer uma pergunta para ver se estamos ou não de acordo, em algumas coisas essenciais:
    No Movimento Sindical, por exemplo, o Bloco deverá escolher apoiar listas conjuntas para Direcções Sindicais, em que os nosso projecto de Sindicalismo ( temos um, creio, que vimos falando há anos – não reformista, não correia de transmissão de Partidos, baseado em métodos eleitorais que proporcionem uma efectiva representatividade, que reveja estatutos velhos de décadas que mant~em direcções sindicais cada vez nmais afastadas das empresas e dos trabalhadores ) não é respeitado, em que acabamos por colaborar em actuações que não são as nossas, porque a isso as alianças nos obrigam – como no caso do SINTAV ou deveremos apoiar e investir em listas alternativas, que preconizem um novo tipo de sindicalismo, não refém de aparelhos e de calendários partidários, com projectos próprios, como no caso do MUDAR, do Sindicato dos Bancários do Sul? Mesmo que isso se chame ou se possa “confundir” com uma tendência?

    É que talvez a questão da organização e da falta dela, passe também por aqui…já para não falar no futuro do próprio movimento sindical, para não parecer eagerada…

  11. O SINTTAV não é exemplo para nada. Tem os estatutos mais antidemocráticos que conheço. Os estatutos foram uma criação antidemocrática ainda antes da cisão em dois da direcção, quando o sindicato era controlado totalmente pelo PCP. Esta cisão no PCP não se deu por motivos políticos mas por outros problemas de múltipla natureza, com acusações graves de ordem pessoal e não só. Não há nenhuma aliança a que os aderentes do Bloco, dirigentes do SINTTAV estejam obrigados. Os camaradas do Bloco dirigentes do SINTTAV, com a excepção do Minho, actuam por conta própria e muito mal em minha opinião. Mas é preciso perceber a história do SINTTAV e o percurso desses camaradas para fazer uma análise mais séria. Mas respondendo à tua pergunta obviamente que do que conheço do projecto MUDAR parece-me um trabalho exemplar. No SINTTAV não há trabalho político organizado e não há trabalho do Bloco nenhum, infelizmente e digo infelizmente, porque temos um conjunto de camaradas que podiam preparar mudanças internas ao nível do funcionamento interno e no futuro protagonizar uma alternativa credível ao poder pessoal do presidente que tudo decide sozinho e mal decide sem a mínima beliscadela de camaradas que tinham obrigação de não ficar calados. O MUDAR parece-me ser um bom exemplo de como se pode intervir em sindicatos/empresas para alargar a unidade e construir uma alternativa com bases sólidas. Não sei se respondi à tua questão, Isabel. Clarificando: eu estou de acordo com a organização nos locais de trabalho ou por sector de actividade onde os camaradas queiram essa organização e com o objectivo de melhorar ou construir uma alternativa que tragam benefícios aos trabalhadores. Não organização por organização ou para apresentar-se como “alternativa”, quando DE FACTO não se é alternativa nenhuma. É-se alternativa válida pelo projecto que se carrega e esse é o programa e o projecto do Bloco em minha opinião.

  12. Adenda: concorri contra a direcção do SINTTAV nas penúltimas eleições creio, quando e porque a direcção do SINTTAV, (a maioria dos actuais dirigentes) fez o golpe de alterar os estatutos, para impedir o aparecimento de alternativas (nota que a direcção é constituída por quase cem ou um pouco acima (n tenho aqui os dados) de dirigentes!!! e por cerca de 10 coordenadoras !.. , sendo que uma coordenadora pode perder as eleições numa região e ser a vencedora, como aconteceu em alguns sítios.

  13. Fernando
    O problema da organização, ou melhor da falta de organização, a que me refiro tem sobretudo incidências no mundo do trabalho. È ai e não noutro campo que a organização é deficitária. Como sabes, apenas a inexistência de um mínimo de organização, de autonomia se quiseres, tornou possível o que se passou numa das maiores empresas do país. E o que se passou foi grave. Foi e é!
    Como é evidente o processo que a Isabel refere para as eleições dos bancários assenta num modelo de trabalho, onde os bancários têm a palavra, onde os bancários reúnem e planificam a intervenção, sem, penso eu, dependerem do “comissário” e sem recurso ao mais que ultrapassado modelo da célula partidária (tipo PC).
    A organização que reivindico não é mais do que isto; reivindico que em cada palco, seja na fabrica, na oficina, no escritório, na escola, seja onde for os activistas, sem se sentirem obrigadas a frequentar, disporem de um espaço de debate, de reflexão, de partilha e de estruturação da actividade, sem estarem sujeitos ao controlo externo. Isto, apenas isto.
    Se isto se chama núcleo, se chama grupo de trabalho, se é um nó da rede, não me interessa para nada, conquanto possamos livremente trabalhar e expressar as nossas opiniões sem as sujeitar ao parecer do “comissário”.
    Como é evidente na área onde trabalho, que tu muito bem conheces, [muito provavelmente com responsabilidades minhas, mas não apenas], tal situação não foi ainda alcançada. Sendo que, estou convencido que se existisse uma rede de contactos, (livre de qualquer controlo) ou um núcleo, eventualmente um grupo de trabalho especifico, porque não? não teria sido possível os atropelos à livre participação de activistas, as calunias e as inverdades que foram lançadas sobre activistas que não aceitaram nem aceitam o controlo do Comissário Politico. A organização que reivindico é tão só a que estimule o debate e a participação dos activistas naquilo que lhes é comum.
    Sobre o SINTTAV e o Bloco um desses dias entro no debate.
    JC

  14. Isabel os sindicatos têm de deixar de ser meras correias de transmissão de partidos, sejam eles quais forem.

    Linha justa para os sindicatos, controle de direcções , para responderem não aos seus associados e ás suas reivindicações, mas ás agendas partidárias, é o glope de misericordia no sindicalismo.

    Acho que os militantes do Bloco devem intervir na vida sindical, mas não á volta de qualquer veleidade de direito de tendencia.

    Apoiar e desenvolver trabalho unitário ( realmente unitário e abranjente) tentar constituir listas á volta dos problemas concretos com os mais activos militantes sindicais, venham eles de onde vierem,combater o sectarismo, e dessa maneira ganhar o respeito das massas sindicalizadas.

    Isto para mim tem muito pouco a ver com fracções organizadas no movimento sindical.

    É logico que este trabalho terá de ter alguma organização , mas o Bloco pode regularmente convocar os seus activistas e militantes no movimento sindical e discutir as alternativas de luta.

    Agora isso não quer dizer que vá começar a constituir listas Bloco para as direcções sindicais, senão estará a cometer o mesmo erro do PCP., a partidarização do movimento sindical…

  15. Amigos, não creio que haja alternativa dentro deste Movimento sindical, mantendo-se este modelo de eleição. Estes estatutos. Com Direcções que se mantêm. durante décadas, cada vez mais corporativas, cada vez mais desfazadas das empresas, com uma linguagem que nada diz aos nossos jovens, que não sabem o que é um Contrato de Trabalho, quanto mais um Contrato Colectivo de Trabalho…

    O Bloco só cometerá o mesmo erro que o PCP se insistir neste modelo de sindicalismo do PC. Não é possível um sindicalismo correia de transmissão, se for um Sindicalismo representativo e democrático. Pura e simplesmente porque os trabalhadores têm nas suas mãs as Direcções dos seus sindicatos e não o contrário. Porque elas são eleitas por todos e, mais do que isso, representam todos.

    Não consigo entender ainda uma coisa, A.Pacheco, deveriam os bancários ter desistido de apresentar uma alternativa? A lista dos Bancários foi apresentada ao abrigo do Direito de tendência.Deveriam ter-se limitado a discutir os problemas e a concorrer em listas unitárias? Mas unitárias com quem? Com os PS/PSD e a UGT ? Ou com o Sindicato paralelo do PCP como pretendiam alguns dirigentes do BE com responsabilidades no Mundo do Trabalho? E onde estariam hoje representados os 30% de trabalhadores que votaram no MUDAR?

    Porque é que se houver militantes do Bloco com projectos próprios, defensores de um Sindicalismo novo, não devem iniciar caminhos novos e apresentar listas alternativas? Com todos os trabalhadores que se revejam nesse projecto? Sem sectarismos, partindo dos trabalhadores, mas sem medo de estarem a dividir o que quer que seja. Porque o problema maior do Movimento Sindical, hoje, não é a divisão…é o esvaziamento, a dessindicalização diária, a desmoblização.

    Faço as mesmas pergunta que deixei no Encontro do Trabalho do Bloco e que tentei deixar na Convenção (mas o tempo, amigos…os quatro minutos trocaram-me as voltas):

    Para não podermos correr o risco de virmos a ser correias de transmissão do Bloco (risco que não correremos com estatutos novos e método de eleição proporcional) aceitamos ser correias de transmissão de outros, com estes estatutos e este método anti-democrático de (não) representatividade?

    E só uma outra, se tivessemos tido todos estes medos, não deveriamos há oito anos, ter continuado a votar PC ou PS? Afinal, não desatamos a constituir listas próprias?

    Fernando, eu também sou pela altarnativa…quando há alternativa. Nos Bancários, por exemplo, havia (30% de votação é uma alternativa, ou não?)
    A questão, Fernando, é que o MUDAR não é exemplo para a maioria dos nossos camaradas dirigentes do BE…e o SINTTAV é…

    E isso não me podem desmentir…eu vi. Juro. :)))

  16. Isabel cada caso é um caso, se um sindicato permite o direito de tendencia, aí ….

    O problema é se o caminho que tu apontas não irá conduzir obrigatoriamente á constituição de uma nova central sindical do Bloco e amigos….

    Em tempos eu defendi a tendencia sindical revolucionária que trouxe muito pouco de positivo.

    Se calhar o debate terá que passar por uma discussão sobre o papel dos sindicatos no seculo XXI, face aos novos desafios da globalização, e sobretudo qual o papel dos sindicatos face aos precários , aos trabalhadores a recibo verde etc,

    Não tenho soluções, aliás penso que todos procuramos a melhor resposta, não quero é repetir experiências passadas, que tiveram o seu tempo, e que se revelaram pouco positivas.

  17. Isabel, ao ler-te recuo uns anos. Esse caminho que preconizas já foi tentado (percorrido) e com maus resultados. É uma posição que parte de um pressuposto de que nós (entenda-se quem é do Bloco) somos MELHORES, MAIS ESCLARECIDOS, logo VANGUARDISTAS. A nossa actividade sindical faz-se dentro dos sindicatos, com os trabalhadores, nos plenários, nas assembleias, apresentando ideias, propostas, sujeitando-as, conjuntamente com outras, ao escrutínio dos trabalhadores. Sou completamente contra a intervenção dos militantes do Bloco, por si, organizados, como tendência sindical. Os trabalhadores votam nas melhores propostas e nos melhores protagonistas. Basta isso. Também não sejamos injustos, a dessindicalização, a desmobilização, a pouca intervenção, não se deve apenas, nem em grande parte, às más práticas sindicais, essas contribuem, mas há outros fenómenos, como a precarização, as formas de retribuição pecuniária, o medo, muito em particular, muitos egoísmos, que explicam melhor isso. O que deve ser repensado é também o papel dos sindicatos, hoje. O que importa como dizes é apresentar propostas de democratização e renovação da actividade sindical, da maior parte dos estatutos, dando efectivo poder às assembleias sindicais, às delegações sindicais, aos delegados sindicais. É por aqui que se conquistam os sindicatos. Não com as pessoas do Bloco mas com todos os trabalhadores que defendam estas práticas, independentemente da simpatia partidária. Estou absolutamente em desacordo contigo quando dizes que não alternativa possível no seio do movimento sindical, indiciando que se deve fazer uma rotura que, sei lá, posso depreender do que dizes, possa levar até a uma nova central. É uma vez mais a ideia do Vanguardismo a ditar leis.

  18. Fernando, desculpa lá, as creio que continuas a ver escritas coisas que eu não escrevo.
    Dizes que eu digo que não há alternativa no Mov. Sindical. E metes aqui, á força, um ponto final que depois te leva a dizer que preconizo saídas e rupturas…eu escrevi :
    “… não creio que haja alternativa dentro deste Movimento sindical, mantendo-se este modelo de eleição. Estes estatutos. Com Direcções que se mantêm. durante décadas, cada vez mais corporativas, cada vez mais desfazadas das empresas, com uma linguagem que nada diz aos nossos jovens, que não sabem o que é um Contrato de Trabalho, quanto mais um Contrato Colectivo de Trabalho…”, sem nenhum ponto final a seguir a alternativa, o que muda todo o sentido do que dizes que escrevi. Dá para ver, creio.

    Depois, Fernando, basta leres o que eu escrevo, para veres que não falo em vanguardas, amigo. Nunca militei num Partido vanguarda de nada, nem sequer nunca fui leninista…”vanguarda da classe operária” é algo que não faz parte do meu dicionário político.

    Mas se não me tirares nem meteres pontos finais, hás-de ver que não é isso que lá está…e mantenho o que disse e digo sempre, mudem-se os estatutos, altere-se o método de eleição, regulamente-se o direito de tendência, parta-se de dentro das empresas e não há sindicalismo correia de transmissão. Porque haverá sindicalismo representatitivo. Aqui sim, ponto.

    Claro que não é só responsabilidade do Mov. Sindical…mas olha, eu soube ( e até faço parte duma CT, nem me considero uma trabalhadora desligada ou demobilizada) que ia haver eleições no meu Sindicato, avisada por carta na ante-véspera das eleições….enviaram-me a convocatória para as eleições…programa, listas…mas isso serve para quê?É preciso? Mandaram-me uma convocatória, tipo associação recreativa…
    Na empresa no dia das eleições (no dia das eleições, repito) o Sindicato distribui o programa (???) e a lista …ao mesmo tempo que colocava a mesa de voto no cartão de ponto. È este o Sindicalismo que queremos, Fernando? Apresentar alternativas é querer ser vanguarda iluminada?

    Votaram 17% dos sindicalizados….

    Mas olha, é Domingo e não chove (ainda). Vou à bica…um beijinho para ti também.

  19. Isabel sindicatos de burocratas e burocratizados não….aí estamos de acordo…

    Sindicatos que tenham a sua acção enraizada junto aos trabalhadores que dizem defender, direcções sindicais que sejam constituidas pelos elementos mais activos, propostas concretas de luta e defesa dos direitos dos trabalhadores… certamente.

    Mas nunca correias de transmissão de partidos…

    Nunca listas constituidas com pessoas de uma só corrente partidaria e amigos…

    Nunca sindicatos que só sirvam para meia dúzia de burocratas terem emprego garantido….

    Como é que se dá a volta a este estado de coisas, aí é que a porca torce o rabo…não há soluções milagrosas, vai-se experimentando, a ver se consegue encontrar a tal solução que dê a volta a isto…..

  20. Isabel eu reconheço que tenho uma dificuldade em me explicar pelos visto também terei de interpretar, pelo menos o que tu escreves. Não trunco palavras nem frases tuas, apenas faço interpretações do que escreves, nas linhas e nos subentendidos. Posso errar, mas não faço manipulações do que escreves. Indo ao teu comentário. Não se é ou não se não é vanguardista por se afirmar que se é ou não é, é-se pelas propostas que se apresentam e ideias que se defendem. Quando falas em os “militantes do Bloco com projecto próprio (!!)…” estás a falar de quê? De uma suposta linha sindical justa, de militante mais esclarecidos, isto é dirigismo, vanguardismo!… Quando dizes “… com todos os trabalhadores que SE REVEJAM NESSE PROJECTO…” estás a falar de quê? Novamente de dirigismo, vanguardismo, uma espécie de eles os trabalhadores que venham connosco que nós temos a linha justa!!! Quando falas em tendência organizada, está a falar em quê?
    Olha Isabel eu estou cansado e não me estou a referir a ti, convém anotar, de pseudo lideres, de suposta gente mais esclarecida, mais revolucionária. De palavrões como reformistas versus revolucionários, de esquerdas versus desvios direitistas ou social democratas. Parece que certas palavras ainda nos afligem … como ser mais revolucionário é afirmar-se que se é revolucionário, como ser-se de esquerda seja uma questão de palavras ou de uma fraseologia mais radical. Já dei para esse peditório …
    Para mim é tudo mais simples nesta questão, Isabel e já o disse acima num comentário:
    Os trabalhadores votam nas melhores propostas, nas melhores ideias, nos melhores protagonistas, estejam eles onde estiverem. Basta isso como política sindical de um militante partidário.
    E para mudar alguma coisa nos sindicatos basta apenas, dar mais poderes aos delegados, às delegações, às assembleias dos trabalhadores e nesse sentido é que devem ir as nossas propostas: mais poderes de decisão aos associados, mais democracia sindical.
    As direcções não mudam enquanto não conseguirmos que a decisão passe pelos trabalhadores. Claro que isso passa por mudar os estatutos, tornado-os mais democráticos.
    A tendência para se ser correia de transmissão dos partidos existirá sempre e não é com a democracia representativa que isso se resolve. Ser correia de transmissão num partido como o Bloco, hoje, não será porque o partido queira comandar o sindicato tipo marionetas, isso no Bloco actual não seria possível, mas porque haverá sempre a tentação de ajustarmos a acção sindical à agenda do partido.
    Para não haver correias de transmissão só com uma alteração do modelo de funcionamento dos sindicatos e do modo de decisão, tornando-os democráticos.

  21. Gostava de entender algumas dasposições aqui expressas: Da Isabel entendi as propostas e as ideias, com as quais estou aliás de acordo. Do Fernando não entendi, bem o que quer dizer, quando afirma que «para mudar alguma coisa nos sindicatos basta apenas, dar mais poderes aos delegados, às delegações, às assembleias dos trabalhadores e nesse sentido é que devem ir as nossas propostas: mais poderes de decisão aos associados, mais democracia sindical.» A minha pergunta é: Fernando está mesmo convencido disso? Ou isso é um chavão?
    Você tem associações democráticas, nalgumas colectividades por exemplo, e as pessoas não participam. Se o problema é apenas democracia porque não se envolvem nesses exemplos?*
    O problema é seguramente outro, porem não sei exactamente qual.*Veja que o bloco é uma organização democratica (É, não é?) e são tã poucos a militar, a participar nas acções… Não estará a falatar uma vaga de fundo, que agite a rapaziada

  22. Fernando,

    “Para não haver correias de transmissão só com uma alteração do modelo de funcionamento dos sindicatos e do modo de decisão, tornando-os democráticos.”, escreveste tu.

    “O Bloco só cometerá o mesmo erro que o PCP se insistir neste modelo de sindicalismo do PC. Não é possível um sindicalismo correia de transmissão, se for um Sindicalismo representativo e democrático. Pura e simplesmente porque os trabalhadores têm nas suas mãs as Direcções dos seus sindicatos e não o contrário. Porque elas são eleitas por todos e, mais do que isso, representam todos. ”
    Ou:
    “mudem-se os estatutos, altere-se o método de eleição, regulamente-se o direito de tendência, parta-se de dentro das empresas e não há sindicalismo correia de transmissão. ”

    Se quiseres continuar a ver que eu escrevo coisas diferentes e coisas diferentes do que tu escreves, o que posso fazer?

    Ah, talvez juntar em que quando escrevo “com projecto próprio”…é deste projecto próprio que falo. E não devemos ter receio de o apresentar, repito. Um projecto próprio de sindicalismo. Porque é a alternativa ao sindicalismo reformista,sectário, ao serviço de interesses e de calendários que não os dos Trabalhadores. E ao seu crescente isolamento.

    Eu escrevi: “Porque é que se houver militantes do Bloco com projectos próprios, defensores de um Sindicalismo novo, não devem iniciar caminhos novos e apresentar listas alternativas? Com todos os trabalhadores que se revejam nesse projecto? Sem sectarismos, partindo dos trabalhadores…”

    Tu escreveste: “para mudar alguma coisa nos sindicatos basta apenas, dar mais poderes aos delegados, às delegações, às assembleias dos trabalhadores e nesse sentido é que devem ir as nossas propostas: mais poderes de decisão aos associados, mais democracia sindical.”

    Tu falas em propostas , eu falo em projecto…há diferença ?

    Ah e só mesmo mesmo para terminar que a discussão já vai longo e penso que não nos vai levar muito mais longe: o Bloco tem um projecto próprio a nível político. Eu quero que também tenha a nível sindical (se preferires eu chamo-lhe propostas). Um e outro só serão viáveis se forem democráticos. Se partirem de fora e vierem para dentro…das empresas..das escolas…das ruas.
    A nível politico e no Mov. Sindical eu acho que isto é uma imposição (inclusive de sobrevivência) e não, sequer, uma opção. Só isso.

    Se continua a ver vanguardismo iluminado no que escrevo…não posso mesmo fazer nada. Tentar não escrever???
    :)))))

  23. Este debate em torno do sindicalismo versus Bloco fez-me lembrar estes versos do poema Cálice de Milton Nascimento, celebrizado por Chico Buarque/Gilberto Gil

    Como beber dessa bebida amarga?/Tragar a dor engolir a labuta?/Mesma calada a boca resta o peito/
    Silêncio na cidade não se escuta/ De que me vale ser filho da santa?/ Melhor seria ser filho da outra /
    Outra realidade menos morta / Tanta mentira tanta força bruta

    E perguntarão: Mas que tem o cu a ver com as calças?
    Responderei: Peço perdão mas tem uma certa afinidade!

    ___________

    Já agora fica o poema completo:
    Cálice
    Milton Nascimento
    Composição: Chico Buarque/Gilberto Gil

    Pai, afasta de mim este cálice
    Pai, afasta de mim este cálice
    De vinho tinto de sangue

    Como beber dessa bebida amarga?
    Tragar a dor engolir a labuta?
    Mesma calada a boca resta o peito
    Silêncio na cidade não se escuta
    De que me vale ser filho da santa?
    Melhor seria ser filho da outra
    Outra realidade menos morta
    Tanta mentira tanta força bruta

    Pai, afasta de mim este cálice
    Pai, afasta de mim este cálice
    De vinho tinto de sangue

    Como é difícil acordar calado
    Se na calada da noite eu me dano
    Quero lançar um grito desumano
    Que é uma maneira de ser escutado
    Esse silêncio todo me atordoa
    Atordoado eu permaneço atento
    Na arquibancada pra qualquer momento
    Ver emergir o monstro da lagoa

    Pai, afasta de mim este cálice
    Pai, afasta de mim este cálice
    De vinho tinto de sangue

    De muito gorda a porca já não anda
    De muito usada a faca já não corta
    Como é difícil, pai, abrir a porta
    Essa palavra presa na garganta
    Esse pileque homérico no mundo
    De que adianta ter boa vontade
    Mesmo calado o peito resta a cuca
    Dos bêbados do centro da cidade

    Pai, afasta de mim este cálice
    Pai, afasta de mim este cálice
    De vinho tinto de sangue

    Talvez o mundo não seja pequeno
    Nem seja a vida um fato consumado
    Quero inventar o meu próprio pecado
    Quero morrer do meu próprio veneno
    Quero perder de vez tua cabeça
    Minha cabeça perder teu juízo
    Quero cheirar fumaça de óleo disel
    Me embriagar até que alguém me esqueça
    Pai, afasta de mim este cálice
    Pai, afasta de mim este cálice
    De vinho tinto de sangue

    Como é difícil acordar calado
    Se na calada da noite eu me dano
    Quero lançar um grito desumano
    Que é uma maneira de ser escutado
    Esse silêncio todo me atordoa
    Atordoado eu permaneço atento
    Na arquibancada pra qualquer momento
    Ver emergir o monstro da lagoa

    Pai, afasta de mim este cálice
    Pai, afasta de mim este cálice
    De vinho tinto de sangue

    De muito gorda a porca já não anda
    De muito usada a faca já não corta
    Como é difícil, pai, abrir a porta
    Essa palavra presa na garganta
    Esse pileque homérico no mundo
    De que adianta ter boa vontade
    Mesmo calado o peito resta a cuca
    Dos bêbados do centro da cidade

    Pai, afasta de mim este cálice
    Pai, afasta de mim este cálice
    De vinho tinto de sangue

    Talvez o mundo não seja pequeno
    Nem seja a vida um fato consumado
    Quero inventar o meu próprio pecado
    Quero morrer do meu próprio veneno
    Quero perder de vez tua cabeça
    Minha cabeça perder teu juízo
    Quero cheirar fumaça de óleo disel
    Me embriagar até que alguém me esqueça

  24. O João Carlos Lopes veio aqui desempatar. Está de acordo com as propostas e as ideia da Isabel. As minhas não as percebe, mas a Isabel percebe e acha que não há diferença com as dela, eu acho que há diferenças, em que ficamos?
    Tentando ser ainda mais claro: não defendo correntes sindicais no seio dos sindicatos. A nossa linha sindical no seio dos sindicatos deve ser exigir mais democracia para permitir o aparecimento de alternativas que saiam dos trabalhadores e não dos partidos. As nossas propostas globais em política servem para intervir em tudo: nos sindicatos, associações culturais, desportivas, cívicas. São políticas que chamam as pessoas a intervir e a decidir. A nós, que por dever cívico DEVEMOS estar nesses movimentos, cabe-nos, apresentar, tendo-as, propostas e submetê-las à apreciação, sem pensar que somos os melhores, os maiores, que temos a varinha mágica de todas as soluções.

    Não defendo células, núcleos o que quer que seja para intervir nesses espaços. Apenas pontualmente e se a situação se justificar, os camaradas podem encontrar-se num qualquer grupo de trabalho, para organizar a nossa intervenção e preparar uma alternativa ou uma posição pública.
    As pessoas não são burras. Não precisam de lideres feitos à pressão. Os lideres e os projectos saem da discussão aberta e franca no seio dos movimentos e não de prévias preparações e prévias propostas.

    Isabel tu és delegada sindical ou membro da CT e precisas-te de ti apenas para ganhar esse lugar. Eu também passe a imodéstia também ganhei sempre as eleições a nível local, quer como delegado sindical, quer participando em listas de oposição à direcção sindical e à comissão de trabalhadores, perdendo, contudo a nível nacional. Não será que o que é mesmo preciso é a credibilidade pessoal e das propostas políticas? Será que se outros, companheiros da aventura, tivessem a mesma credibilidade, com o mesmo projecto, não era possível ganhar as eleições, apesar da máquina pesada e burocrata dessas organizações? Será que com um aparelho LIMPO (democrático) tudo não se tornaria mais fácil? Será que não devem estar os melhores nesses órgãos independentemente dos partidos? Acho que nisto somos capaz de estar de acordo.

    O que não concordo é com a visão de que devemos constituirmo-nos como tendência ou corrente sindical ou célula, núcleo o que quer que seja e não concordo porque conheço as experiências que já tive. Com a corrente sindical revolucionário. Que já existiu não sei se sabes.

  25. Fernando, deixa-me só voltar ao princípio desta discussão . O MUDAR é uma corrente Sindical. Uma tendência. Representa 30% dos bancários do Sul.
    Se os camaradas apenas se tivessem encontrado em grupos de trabalho para discutir…o MUDAR não existia e 30% dos Bancários do Sul não se sentiam representados no seu Sindicato.
    Ponto. É só disto que falo.
    Os nossso camaradas que lá estão, estão por eles e não pelo Bloco, seguramente.
    Na altura pediram apoio ao Bloco, simplesmente para enviar um email para todos os trabalhadores…para que a sua corrente se fizesse a partir deles, dos trabalhadores que receberiam o Email…para que fosse o mais representativa possível, o mais democrática possível, o mais aberta posível…não houve disponibilidade. Infelizmente.
    Não houve a disponibilidade que houve para o SINTTAV ou para o SPGL (eu não sei se tu recebeste…mas eu recebi emails de camardasa do Bloco durante semanas a falar nas “nossas” vitórias no SPGL e no SINTTAV…). Não recebeste?

    O MUDAR é uma tendência sindical dentro dum Sindicato da UGT, o maior Sindicato da UGT. O suporte financeiro da UGT.
    Se queres que te diga…acho muito bem que exista. Se queres que acrescente algo: o meu Sindicato não consegue eleger delegados sindicais na minha empresa, há oito anos, porque não há trabalhadores disponíveis para trabalhar num Sindicato que avisa os trabalhadores das eleições de véspera por postal de correio. Queres que lhes diga que eles estão errados? Ou que te diga, que prefiro a tendência dos Bancários à não tendência da Hotelaria?
    Estar-te-ia a mentir se dissese uma coisa ou outra.

  26. Dada a imensidão de caracteres, não sei quantos mil, ninguém terá paciência para ler o que à cadência de não sei quantas tecladelas por minuto, debitei para o teu blogue. Mas fica a opinião, para que conste

    Logo no inicio, por volta do dia 11 escrevi que: «Subscrevo integralmente o teu texto. As tuas inquietações são as minhas, as angustias também. Parabéns! Não sintetizaria melhor.»

    Escrevi então e mantenho hoje a mesma opinião no que confere, ao texto inicial.

    Porem a Isabel e até o A. Pacheco, cada qual com a sua opinião, têm provocado a evolução do debate. E, assim, onde se falava na generalidade dos temas abordados na convenção, surgiu um outro debate mais específico. O SINDICALISMO.

    Sobre isso já dei uma pequena achega outro dia, quero agora reforçar o meu ponto de vista:
    Assim devo antecipadamente esclarecer que sobre o direito de tendência não tenho ainda uma opinião muito formado, pelo que para já não me repugna mas também não me sinto incentivado a promovê-la. Refiro-me obviamente a tendências sindicais, (organizadas dentro do mesmo sindicato) porque a questão da tendência no Bloco, não faz para mim qualquer sentido. Até porque naturalmente ela acontece, (as pessoas têm perdoe-se-me a redundância, tendência para se juntarem consoante os pontos de vista que defendem) e porque assim é não carece de ser institucional.

    No Bloco há naturais tendências, por vezes até pré-alinhamentos, contudo têm tendência a disseminar-se, a desaparecerem por completo à medida que se diluem no proprio bloco as velhas organizações que lhe deram origem. È natural que haja mais afinidade entre velhos militantes da UDP enquanto bloquistas, e o mesmo se coloca entre os militantes do PSR ou da Politica XXI que entre militantes da UDP com o PSR ou com a Politica XXI. Tudo isso é natural, embora a evolução politica, diria o fluir da política, acabe por atenuar e anular por completo essas tendências. Hoje, eu que sou originário da UDP, tenho imensa facilidade em trabalhar com os ex-PSR, sinto-me aliás muito bem. Até porque independentemente das ligações que possamos manter aos ex-partidos somos assumidamente bloquistas.

    Quanto ao modelo organizacional do Bloco, pessoalmente não penso que seja o melhor, mas tem dado resultados e o Bloco vai crescendo. Mas, no que ao mundo do trabalho diz respeito, na questão da envolvência sindical/laboral a coisa pia mais fino. A organização, que não é, para o mundo do trabalho é uma falácia completa, e não é propriamente recomendável.

    Sabemos que este modelo, é a antítese da organização. Tem servido para tudo, repito para TUDO, menos para ganhar terreno no combate pela democratização dos sindicatos e pelo envolvimento das pessoas/trabalhadores na vida sindical. Cada vez somos menos a interessarmo-nos e pela coisa sindical e até pela coisa política. Envolver as pessoas é um trabalho árduo que carece de alguma consistência organizativa.

    È ingenuidade pura – Fernando desculpa lá esta “boca”, – insistir na tecla da democratização sindical, no fim das blindagens estatutárias, na necessidade de devolver os sindicatos aos trabalhadores e esperar que isso aconteça por si só. O capital tem pés de barro, já o dizia Lenine, (não é pecado falar de Vladimir Ilitch, pois não?) da mesma forma, este tipo de sindicalismo é fútil, inconsequente, inútil e antidemocrático… em suma não tem sustentação, se não cair de podre cairá de velhice… mas precisa de um empurrão e esse empurrão precisa de ser preparado que o mesmo é dizer organizado.

    Até porque ninguém deseja derrubar este sindicalismo obsoleto e deixar vingar outro supostamente moderno, mas eventualmente vendido ao neo-liberalismo. Ora para isso precisamos de reunir, de falar, de debater ideias, discuti-las (repara Fernando, não estou a colocar a questão de discutir ideias ou listas com pré-excluídos ou sem excluídos) falo apenas da necessidade das pessoas saberem que há gente que quer mudar as coisas e poderem livremente debater com essa gente que quer mudar (para melhor) a forma de o fazer.
    Isto é organização.

    Não percebo a relutância que anda por aí em relação à organização. Felizmente a convenção nesse aspecto, mas não só, fez clarificações e os estatutos permitem hoje claramente o que já antes permitiam de forma pouco expressiva, que é a constituição de núcleos de empresa, profissionais, sectoriais ou outros, desde que as pessoas queiram e se sintam motivadas. Não é condição para ser bloquista, mas se os bloquistas quiserem podem e devem constituir o núcleo.

    Penso aliás que é muito mais transparente essa forma de actuar que aquela outra que tem vigorado nalgumas empresas e que tem permitido atropelos à democracia e ao debate de ideias.

    Mais, se é verdade que os bloquistas, que são simultaneamente membros da direcção do SINTTAV, não estão obrigados a fazer valer os pontos de vista do Bloco naquela associação não é menos verdade que não se lhes conhecem propostas publicas (ou privadas) para por fim aqueles estatutos que todos conhecemos. Eu acho, é apenas a minha opinião, que deviam demarcar-se, não apenas desses estatutos como de outras acções e actos que envolvem dirigentes do SINTTAV. (Não falo apenas dos abraços de má memória, falo por exemplo do turismo sindical. Quanto custa ao SINTTAV o internacionalismo MILITANTE DO SEU Presidente? Quem na direcção ousa demarcar-se dessa pratica? O povo diz que quem cala consente.)

    Ainda sobre os estatutos, lembro que a actual direcção do SINTTAV se tinha comprometido no anterior mandato (e já então lá estavam a maioria dos actuais bloquistas) a proceder a alterações estatutárias. Não só não foram mudados como TODOS fizeram voto de silêncio sobre a matéria.

    Recordo que no meu mandato na CT, sempre me demarquei e – algumas vezes publicamente – de actos que considerei hostis para com outras ORT’s ou para com os trabalhadores e que mesmo assim houve quem criticasse a “falta de ousadia”. Estranho agora tanta tolerância em relação a aspectos que considero fundamentais.

    [Que fico claro eu não associo a direcção do SINTTAV ao Bloco. ! (Até porque a maioria daquela direcção é alinhada com o PCP, e por estranho que pareça ao sector mais ortodoxo, embora numa variante populista e personalista.) Incomoda-me associar até porque não é! Embora às vezes, como o presidente gosta de dizer “haja convergência”.

    Adiante e para concluir.
    O que adiantaria a existência de um núcleo bloquista nesta área do trabalho?

    Provavelmente pouco, eventualmente muito.

    Não sei se tem que ser núcleo, chamamar-se ou denominar-se por núcleo, sei que não pode ser nada de comparável aos núcleos das velhas organizações M-L ou no estilo das células do PCP. Não, nada disso! Se for núcleo será completamente diferente, algo que permita reflexão, que fomente unidade de vontades e convergência de acção. Pode até ser uma rede de contactos e de troca de opiniões, de observação permanente e de propostas concretas para os problemas do dia a dia, desde que permita que todos os que comungam um conjunto de ideias e ideais dominantes no Bloco (por isso são bloquistas e não outra coisa qualquer) possam partilhar e conjugar acções.

    Apesar do individualismo exacerbado que domina a sociedade, no Bloco ainda há solidariedade e pensamos que a cooperação é melhor caminho que a individualização. Ou estarei enganado?

    Como é evidente «a organização que pretendo deverá ser para formar opinião, preparar melhor a intervenção, não para dirigir, controlar, substituir por substituir» como tu muito bem escreves.

    Já agora, não creio que a Isabel esteja contra isto, aliás estou convencido que no essencial é isto que defende, mas eu não sou porta-voz de ninguém pelo que tenho dificuldade em vislumbrar as diferenças que tem alimentado este debate.

  27. Pois é, JC, não estou…daí eu não entender porque é que o Fernando faz questão em dizer que eu estou…

    Eu acho que o Fernando ficou com alguns pré-conceitos (ou preconceitos?) em relação a mim…e às coisas que ele quer à força que eu defenda e que eu não defendo (a não ser que já nem em mim possa confiar…) Nada a fazer.

    Continuarei a defender o que sempre defendi: um sindicalismo democrático. De base. A desblidagem dos estatutos de todos os Sindicatos (CGTP icluídos). Eleição pelo método proporcional, como garantia de Direcções representativas. E a obrigação de o Bloco, enquanto Partido de Esquerda Socialista , lutar por ele. E os bloquistas, já agora. Quando estão fora das Direcções sindicais…mas, sobretudo, quando estão dentro das Direcções sindicais. O que não se passa. Na maioria dos casos.

    Se entramos para as Direcções sindicais e fazemos o que os outros fazem…desde os abraços ao resto todo…camaradas, desculpem-me a franqueza, mas por favor não entremos. Os trabalhadores não nos perdoariam. E o BE não resistiria. Como alternativa. Nem sequer política.
    Para sermos iguais a eles…mais vale não sermos. Nem estarmos.
    Para só discutir…desculpem lá, camaradas e amigos. para só discutir eu poporia que o Bloco se tornasse um Grupo Recreativo, quiçá com uma componente de reflexão e não um Partido. E esperaria que o capitalismo caísse de velho como diz o JC. E já agora que os Dirigentes Sindicais que há três décadas não sabem o que é um empresa se reformassem…
    Creio que resumo o que aqui tentei dizer…se o Fernando diz que não é isto que eu penso…olhem amigos, então devo estar mesmo senil…e já não é só politicamente. Porque eu juro que releio tudo o que escrevi e é isto que leio…

  28. Isabel

    1- já me acusas-te de demagogia de truncar as tuas palavras, de fazer juízos errados, agora de ter preconceitos. Safa…
    2- porque hei-de querer que defendas o que não defendes? O que ganho com isso? Dá-me o benefício de pensar que sou honesto e não sou também propriamente um burrinho de todo e que apenas interpreto as tuas ideias e propostas em contraponto às minhas próprias que são diferentes das tuas em alguns aspectos.
    3 – não consideres que as tuas ideias ou propostas são as mais justas apenas porque aparentemente usas um fraseologia mais radical.
    4 – as minhas posições são claras, podes não concordar com elas, mas são claras … ainda não percebi se concordas com elas ou não, umas vezes dizes que não há diferenças outras vezes encontras diferenças grandes.
    5 – parece que defendendo um sindicalismo de base confias pouco nos trabalhadores e na sua inteligência para alterar as coisas. Os trabalhadores e as pessoas em geral não precisam de líderes ou pseudo-lideres. Dê-se-lhes democracia e poder de decisão. (o JC chama a isto ingenuidade, pois…)
    6 – partes de pressupostos de que tens razão nas propostas para tirar conclusões sem margem, para dúvidas. Repara no que dizes: “Eleição pelo método proporcional, como garantia de Direcções representativas. E a OBRIGAÇÃO (sublinhado meu) de o Bloco, enquanto Partido de Esquerda Socialista, lutar por ele (Mas como? Agora já fazes das tuas propostas as propostas do Bloco, -ao que julgo o Bloco, e se não é assim eu não concordo, apenas defende o método proporcional para as CT’s). E OS BLOQUISTAS” (sublinhado meu) “ (Como? Obrigação dos Bloquistas!! Centralismo democrático? era o que mais faltava (não adianta dizer que não defendes o centralismo democrático, o que atrás dizes é centralismo democrático …). Por exemplo eu para as direcções sindicais não concordo com o sistema proporcional. Defendo antes, um efectivo poder às comissões/delegações sindicais, às assembleias sindicais locais e um papel reforçado e importante dos delegados sindicais [defendo conselhos nacionais de delegados para as decisões intermédias, (com discussão prévia dos delegados com os trabalhadores) e referendos para as decisões mais importantes].
    7 – uma imprecisão Isabel, não houve camaradas dirigentes do SINTTAV, militantes do Bloco a dar abraços nenhuns (eu estive lá e sei quem deu os abraços). Já não é a primeira vez que dizes isso e insistes, apesar de corrigida.
    8- eu não quero, ninguém quer, ser igual a eles. Talvez convenha lembrar que esses camaradas do SINTTAV são pessoas que vieram do PC muito recentemente e que transportem ainda alguns vícios de origem. Não os maltratemos.
    9 – um Bloco clube de reflexão é uma provocação e no que me diz respeito à interpretação que fazes das minhas posições é uma afirmação grave. Eu defendo um Bloco organizado, interventivo, com propostas sérias. Agora o meu modelo de organização e intervenção tem a ver com a forma como eu vejo o Bloco. Parece que até aqui este modelo tem resultado embora precise ser afinado como é reconhecido por todos.
    10 – para que saibas quando se deu a convocatória para a CT da PT fui eu que pedi organização, discussão, para analisar que posição devíamos tomar como intervir. E o processo de constituição da lista e de elaboração do programa foi não diria exemplar, mas muito correcto e participado. JC está para confirmar. Como está para confirmar que se por acaso fosse eleito para a MN iria propor a intervenção organizada na PT porque há aspectos que merecem ser trabalhados.
    11 – custa-me ler estas criticas e estes processos de intenções por defender um modelo diferente sabendo que sou um apologista de organização de planeamento e de intervenção séria nos movimentos; o JC que fale sobre o meu trabalho junto dos trabalhadores da PT. Fiz reuniões, não me limitei a entregar propaganda, sala a sala, gabinete a gabinete, open space a open space e os resultados foi que em Viana foi o único local no país em que a lista B ganhou por maioria absolutíssima. É assim que vejo o nosso trabalho. O resto são tretas. Como essa do capitalismo cair de velho. Estou farto de slogans e pouco de intervenção concreta. E farto de discutir vírgulas ou pontos finais. Não é disto que esperam quem tem depositado o voto no Bloco de Esquerda. Os resultados do Bloco têm mostrado que a política do Bloco está certa. Precisam é como disse melhorar aspectos do funcionamento interno e os processos de decisão.

  29. JC
    Sobre a questão do SINTTAV sabes a minha opinião. Sobre os camaradas do Bloc dirigentes, também penso que podiam e deviam fazer mais, nomeadamente, demarcar-se de algumas das que falas. Sei contudo que alguma coisa mexe pois já há dirigentes a votar contra o plano de actividades. É contudo preciso perceber que estes camaradas vieram do PC, com um estilo de actuação dependente de um “mandante” e que alguns deles continuam a achar que não à alternativa concreta no actual quadro. Basta ver que até pessoas como tu saíram do sindicato, eu próprio com a reforma dessindicalizei-me. Que não há muitas pessoas interessadas em agarrar o dirigismo sindical, que há falta de quadros sindicais, etc, etc. Sobre a organização uma coisa é a forma como um camarada dirigente faz sentir e valer a sua posição outra é a posição que está nos estatutos.

    Insisto não defendo corrrentes organizadas nem núcleos por principio. Defendo que caso a caso e para fins específicos os camaradas se organizem se assim o entenderem. A organização não se esgota em nenhuma forma de organização. O que interessa é ter posições políticas correctas e ter protagonistas certos e depois deixar aos trabalhadores decidirem. Partidos fora dos sindicatos já! é a minha palavra de ordem.

  30. Estás enganado quanto à posição do BE quanto ao método elitoral para as Diecções Sindicais. Só para te dar um exemplo, pois tenho mesmo que sair, chamo-te a atenção para a Resolução saída do 3º Encontro do Trabalho do BE, de 2004, que creio ninguém contestou nem revogou:
    “Continuaremos a lutar pela Democracia, rejuvenescimento e combatividade. Por priviligiar a aprovação prévia de lutas, pelo direito de tendência, por fundos de greve, eleições proporcionais e democráticas., por um sindicalismo de participação e não de consumo”.

    Não são,por isso, propostas minhas são propostas do Bloco. E dos Bloquistas que as aprovaram (lembro-te que no 3º Encontro do Trabalho ainda havia uma resolução política aprovada pelos presentes. Foi esta. )
    Onde está esta “obrigação” minha?.
    Como aos Encontros do Trabalho do BE vão, esencialmente camaradas que militam no Mundo do Trabalho, não estou a usar nenum centralismo democrático…estou a propôr que se cumpra o que foi por todos aprovado. Há 3 anos…não foi noutro tempo…foi em 2004.
    Se não estás de acordo, Fernando, claro que estás no teu direito…por isso estamos no Bloco, agora não me venhas é dizer que eu imponho…uma Resolução Política tomada por um Encontro do Trabalho de Bloquestas que nenhum Convenção contestou. Nem nenhum militante publicamente discordou, se bem me lembro…

    Essa dos slogans e da falta de intervenção concreta não é comigo, Fernando. Por isso reservo-me o direito de não responder. Não estou aqui para responder em nome de ninguém.

    Só uma nota, não falei em quem andou a abraçar o Berardo. Na altura o que me desmentiram foi que tivessem havido diigentes sindicais à porta da FIL a abraçar Berardo (tinham visto lá uns refirmados de 80 anos…), quando eu afirnei numa reunião que aquela concentração era de Dirigentes Sindicais e aqueles abraço tinham sido protagonizados por dirigentes sindicais. E que nos deviamos de demarcar deste tipo de…intimidades. E eu provei (melhor o jornal do SINTTAV provou) que quem me desmentiu não tinha razão. Eram dirigentes sindicais quem abraçou Berardo.
    Agora, em resposta ao comentário do JC, escrevi que não deviamos entrar para as Direcçõoes Sindicais para fazer o que os outros fazem…e falava dos abraços. E do resto.

    Mas como eu não tenho razão, Fernando…foi isso que tu dizes que eu escrevi…que eu escrevi.
    Fiquemos, portanto, por aqui. Até porque estás em tua casa…e eu não venho para aqui acusar-te …estava a discutir e a interpretar as tuas palavras…tal como tu dizes que fazes com as minhas. Apenas isso.

    Custa-me que me aches com veleidades de achar que sou dona da verdade…e porque já são coisas a mais a custar…e há vida para além do Blog…e do Bloco, fiquemo-nos por aqui. Um dia haveremos, quem sabe, de voltar a falar nestas coisas.

  31. Não vou alimentar mais esta polémica, a qual tende a eternizar-se sem conclusões e se assim for este debate torna-se estéril.
    Porem esta situação demonstra inequivocamente que há falta de debate interno, isto é: precisa-se com urgência de mais tempo para debate, sobretudo no que ao sindicalismo diz respeito. Sem os entraves tácticos impostos em fóruns próprios (por exemplo ultimo encontro do trabalho) talvez este debate não fizesse sentido, porem o ultimo encontro sobre o trabalho defraudou seriamente as expectativas, não pelas conclusões e opções tomadas mas pela falta de tempo para a discussão. Mas o que lá vai lá vai e futuramente todos nós talvez possamos criar condições para aprofundar o debate, com tempo e com questões válidas, sobretudo questões do nosso tempo, da realidade que vivemos nas empresas e no dia a dia.
    Para que conste devo declarar que não concordei, nem concordo, com aquele modelo adoptado no ultimo encontro sobre o trabalho, onde não houve tempo para uma discussão séria e profunda. Mas e para que igualmente conste, devo esclarecer que também não concordo com a estratégia de alguns grupos de camaradas, com exemplos bem negativos nos encontros dos jovens, em que mediante uma estratégia organizada e preparada lançam um autentico assalto à tribuna, monopolizando os debates dando ideia de uma representação que efectivamente não têm. Assim também não. Quero repisar a questão: Este debate é elucidativo do que acabo de escrever. Há divergências mínimas que estão a ser empoladas e poderá haver outras eventualmente fundamentais que estão a ser desvalorizadas. Estou convencido que de viva voz e com demonstração de experiências concretas, já agora sem t5entativas de colagens ou aproveitamentos das posições de cada um, talvez pudéssemos tirar conclusões.

    Fernando, estou convencido que o Bloco defende o método proporcional também para as direcções sindicais, sendo que nessa matéria, bem como noutras não é fundamentalista, logo sabe que é um processo em crescente, e a cada passo outro passo se segue. Devo dizer-te que no ultimo congresso da CGTP os sindicalistas conotados como Bloco defenderam, pelo menos em sede de construção de propostas a tese da proporcionalidade. Era, é aliás, um ponto fundamental de demarcação.

    No que confere ao SINTTAV a minha saída, sou hoje do STPT, resulta da leitura que fiz e que me levou a concluir que aquela estrutura sindical, apesar de ter camaradas do Bloco ou próximo do Bloco, se tinha esgotado como projecto sindical dependente da omnipotência do seu presidente e da incapacidade de se desenhar uma alternativa suficientemente forte e capaz de ganhar a simpatia dos associados. A isto acresce que vivi por dentro, estava na CT, a luta intestina entre as ORT’s da PT-C. Todos têm culpa no cartório, mas umas são seguramente imperdoáveis.

    Nota ao paragrafo anterior – Por muito contraditório [Contraditório, porque acho que o projecto do SINTTAV se esgotou no papel seu presidente vitalício] que isto possa parecer sabes que não fiz parte dos órgãos sociais do SINTTAV, porque por um lado o Presidente, não tinha suficientes garantias da “minha fidelidade”, não tinha, e nunca me terá como seu apaniguado. Por outro lado o cacique da minha região tinha receio da minha hipotética presença naquele órgão regional (Coordenadora) e não me podia aceitar. Mas evidentemente que como tu muito bem sabes desde aquela reunião de Coimbra, onde alguém propôs o meu nome para esse órgão, que alguns dos presentes tudo fizera para o impedir. Alguns com o cobarde argumento, desculpa a repetição, mas reafirmo que foi um cobarde argumento, de que ali não se podia discutir o sindicato e o papel das pessoas no sindicato. A situação é tanto mais caricata quando todos sabemos onde fisicamente estávamos e que terrenos pisávamos. E, claro a coisa não aconteceu de todo porque o comissário não quis. [Dizem as más-línguas que o dito tinha receio que o putativo candidato aos órgãos sociais do SINTTAV, pudesse retirar-lhe protagonismo reduzisse o ascendente que tem sobre o grupo de bloquistas daquela estrutura sindical.] [Postas assim as coisas até parecem uma luta de galináceos, porem são mais profundas são politicas e prendem-se sobretudo com o estar na política por convicção e paixão ou por mero acidente de percurso.]

    ULTIMO: Aceito, sem qualquer relutância, no que confere à organização, o teu ponto de vista. Aceito que «caso a caso e para fins específicos os camaradas se organizem se assim o entenderem. A organização não se esgota em nenhuma forma de organização. O que interessa é ter posições políticas correctas e ter protagonistas certos e depois deixar os trabalhadores decidirem.». Como aceito que queiram constituir núcleos, grupos de trabalho ou seja lá o que entenderem, conquanto possam contribuir com o seu esforço voluntário, para no caso do sindicalismo, contribuir para a construção de uma alternativa credível, sólida e democrática.
    O que não aceito é que alguém possa instrumentalizar pessoas ao ponto de estas não se questionarem nem se sentirem incomodados com saneamentos sem procurarem tampouco conhecer os pontos de vista do dito cujo, ou dos ditos. Porque os que aceitarem sem objecção o que se passou, e tu sabes bem que assim foi, foram os mesmos que antes incentivaram e apoiaram o “saneado”.

  32. Desculpem a provocação mas as últimas seis entradas antes da minha (aqui fica o COPY – PASTE das mesmas) –

    Comentários Recentes

    – JC em No rescaldo da convenção do Bloco de Esquerda
    – isabel faria em No rescaldo da convenção do Bloco de Esquerda
    – Fernando em No rescaldo da convenção do Bloco de Esquerda
    – Fernando em No rescaldo da convenção do Bloco de Esquerda
    – isabel fariaem No rescaldo da convenção do Bloco de Esquerda
    – JC em No rescaldo da convenção do Bloco de Esquerda
    – isabel fariaem No rescaldo da convenção do Bloco de Esquerda

    todas elas abordando o mesmo tema, trabalho, e isso por si só é já motivo para reflexão.
    Sem querer dei-me conta de que o Rescaldo da Convenção do Bloco de Esquerda ainda mexe. Mexe ou parece mexer. Mas se não mexe há qualquer coisa, para traz suponho, que não está resolvida. Ou talvez não, não sei. Mas se prestarmos atenção aos seis comentários desta lista verifica-se que o problema não é propriamente a convenção, mas o mundo do trabalho e as respostas que ao Bloco se exigem.

    Ora isto quer dizer que…

    Afinal que quererá dizer? Que leitura tirar daqui?

    JCL

  33. João Lopes, isso só quer dizer, que no Bloco não há linha justa nem verdades absolutas.

    Já por varias vezes e em Blogues proximos do Bloco, cito o Troll o antigo Barnabé e agora o Arrastão, houve interessantes debates , com opiniões diversas de pessoas que se consideravam proximas do Bloco.

    Eu sei que este salutar hábito, não está muito divulgado, e que haverá pessoas que considerarão uma forma pouco correcta de debater questões, que só deveriam ser discutidas internamente.

    Discordo, se o debate fôr de ideias , e o objectivo fôr trocar experiências, e procurar novos caminhos, isso só enriquece o debate.

    È lógico que parto do principio, que TODOS terão o necessário cuidado e bom senso, para não dar armas aos nossos adversários politicos.

    Mas quanto ao debate em si, venha ele, é da contradição e dos pontos de vista diferentes que nasce a luz….

  34. Mas claro, que venha o debate, aqui ou seja noutro qualquer cenario.
    E que não se lhe coloquem ameias, limites ou regras estreitas.
    Que nunca, mas nunca mesmo, se troque o debate por qualquer imperativo de ordem burocratica, eleitoralista ou de qualquer outra natureza, muito menos por falta de tempo.
    Ora isto quer dizer que já no meu comentária de há pouco, reclamava precisamente contra isso, insurgia-me pela falta de debate.

    JCL

  35. João. ora isto quer dizer que…
    ..que o Mundo do Trabalho é um tema que não se tem discutido no Bloco.
    Algo que o recente Encontro do Trabalho continuou a adiar.
    Mas é uma discussão que terá que ser feita. sim.
    Tenho a certeza que todos acabarão por entender isso.
    Reconheço qie este não é o melhor lugar e, por isso, creio que devo, neste momento ficar por aqui…mas também não receio ser desmentida se disser que se tem evitado fazê-lo noutro(s) lugar(es). Dentro do próprio Partido, sobretudo.

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