O que é nosso deve ser nosso.

ren1.jpg

Depois da Galp e da EDP, mais uma empresa de energia é hoje privatizada, a REN, Rede Energéticas Nacionais. A REN é a empresa que gere as redes de transporte de electricidade e de gás.

Tal como com a privatização das telecomunicações, considero um erro a alienação de infra-estruturas de transporte. A experiência da venda das infra-estruturas de telecomunicações, aconselharia a ser o Estado a fazer a gestão das infra-estruturas de transporte, disponibilizando aos novos operadores, em pé de igualdade, a potência contratada, para trabalhar e para colocar no mercado, em regime de aluguer, aos seus clientes.

Não privatizando a REN, o Estado mantinha o controle sobre as infra-estruturas e sobre os recursos naturais e assegurava um tratamento igual e competente a todos, nomeadamente ao nível dos preços, e de patamares de qualidade, cabendo aos operadores, actuar em concorrência no mercado.

Com esta reprivatização, os nossos serviços públicos essenciais, que são de todos, que é nosso, que são para todos, estão todos a ser entregues ao negócio, sem controlo do Estado e sem acautelar que sirvam todos, sem exclusões. O governo dito socialista, entregou as telecomunicações, entrega a energia, um dia destes, entrega também definitiva e completamente ao mercado, as águas, a educação, a saúde.

O Governo dá o que é de todos a alguns.

O Estado delator

458391.jpgUma trabalhadora, Alice Marques, informou o ministério das Finanças, através do portal do Governo, de uma eventual fuga fiscal da empresa onde trabalhava – a fábrica Mendes Godinho, que estava em processo de dissolução e que é participada em 75% pela Parpública.

Incompreensivelmente, o Estado remeteu à administração da Empresa, a informação da trabalhadora, pelo que esta foi obrigada a aceitar o despedimento com uma redução na indemnização em 3500 euros, em troca de um processo disciplinar e um eventual despedimento sem direito a indemnização.

O Estado em vez de proteger as fontes e o sigilo, violou a protecção de confidencialidade a que está cometido, pelo uso do portal e delatou.

A trabalhadora comunicou que vai naturalmente processar o Estado.

 

Desbaratar dinheiros públicos

A anterior administração da cgd.jpg , achou que pagava demais pelos serviços da Portugal Telecom e pediu uma análise aos custos dos serviços prestados, a uma empresa de consultoria. A consultora contratada, avaliou a relação custos do serviço com a qualidade de serviço contratada e considerou haver lugar a um pedido de indemnização à PT na ordem dos 50 milhões de euros.

A contrapartida da PT poderia ser, segundo o jornal Público, a disponibilidade de baixar os custos com as telecomunicações, na ordem dos 50 por cento. Já o contrato entre o banco e a consultora, previa que os honorários a pagar à consultora, estivesse indexado ao sucesso da redução da factura, no caso, 35 por cento sobre a poupança obtida, que a ser validada a indemnização, seria de 17,5 milhões de euros.

Acontece que a nova administração da Caixa Geral de Depósitos, abandonou o pedido de indemnização, mas a consultora não enjeitou os seus honorários que acabariam por ser por decisão do tribunal de 7 milhões de euros, em função do valor estimado de 20 milhões de euros, de sobrefacturação da Portugal Telecom.

E assim a CGD acabou por não receber os 20 milhões de euros da PT e ainda teve de pagar 7 milhões de euros à consultora, apenas por laxismo e leviandade.

Não há quem peça contas a esta administração?

Sócrates defende-se

O autor do Portugal Profundo tinha dúvidas, tinha disponibilidades e sentido de serviço público. Fez o que tinha de ser feito. Investigou a licenciatura de José Sócrates. Foi, pareceu-me, um trabalho sério, exaustivo, profundo e descomprometido. As conclusões da investigação foram publicadas no Blog e não engrandeciam o primeiro-ministro.

Sobejaram muitas dúvidas sobre a licenciatura e sobretudo sobre uma licenciatura, clara e sem favores.

José Sócrates demorou a reagir e as explicações acabaram por não desacreditar as suspeições.

Agora, o autor da investigação e do Blog foi constituído arguido, presume-se que por acção de Sócrates.

Parece-me bem e parece-me mal. Parece-me bem, que Sócrates faça a defesa da honra no local apropriado. Parece-me mal, porque o autor da investigação, deveria ser apenas testemunha. E além disso, depois das primeiras denúncias, alguns órgãos de comunicação social também deram eco à investigação e também fizeram investigação própria, mencionando factos idênticos e não é sabido que tenham sido igualmente constituídos arguidos.

O autor limitou-se a mostrar os factos que recolheu, na minha perspectiva. Mas não se dramatize. Também assiste a José Sócrates o direito a fazer a defesa da sua honra.

Não há pois razões para burburinho e para críticas veladas à atitude de Sócrates, como sinto por aí na blogosfera. Não exageremos.

Vampiro capitalista

slb.jpg

Joe Berardo não tem qualquer credibilidade para alguém acreditar que pretende ajudar o Benfica. Joe Berardo se quisesse ajudar o Benfica tinha comprado as acções a 5 euros como os benfiquistas compraram. Joe Berardo quer ganhar dinheiro de forma especulativa como é seu timbre, para deixar cair a seguir o clube. Joe Berardo não é um empresário capitalista que cria valor ou invista a médio ou longo prazo. Prefiro um capitalista que venha ganhar dinheiro mas com um Benfica a conquistar títulos. Joe Berard não deve ser sequer benfiquista. Joe Berardo questiona o benfiquismo de Rui Costa porque Rui Costa foi ganhar mais dinheiro para clubes estrangeiros, no entanto Joe Berardo é apenas um sócio de há poucos anos e nunca colocou um cêntimo no clube, colaborou ou sequer investiu nas acções. O clube não pode vender as suas acções e entregar o clube a este vampiro capitalista.