Eu votaria em Sá Fernandes

jsf.jpg

Se votasse em Lisboa votava em Sá Fernandes, concorresse numa lista própria ou apoiada por qualquer partido político. Ao concorrer sobre o símbolo do Bloco de Esquerda, com o apoio do Partido da Terra, dos Renovadores Comunistas, e do movimento Lisboa é gente, José Sá Fernandes fica bem acompanhado.

Com Sá Fernandes, o país ficou a saber o que se passava em Lisboa. Com Sá Fernandes ficamos todos a saber que a cidade estava entregue aos interesses e à corrupção. Com Sá Fernandes ficamos a conhecer a verdade. Com Sá Fernandes ficamos a saber que há pessoas honestas, integras, desinteressadas e empenhadas civicamente.

Sá Fernandes um vereador sem pelouros, cumpriu o papel de oposição que lhe estava reservado; o de fiscalizar dos actos do executivo. Mas foi mais longe:

Denunciou os negócios da Bragaparques e a tentativa de corrupção; a má gestão e indícios de corrupção da EPUL que levou à intervenção da judiciária; denunciou a paralisia das bibliotecas municipais; chamou a atenção para as irregularidades (e o atraso) no túnel do Marquês, o atraso no túnel do Rossio; a desorientação política na elaboração do PDM; denunciou a não aplicação das propostas aprovadas de reabilitação dos bairros camarários; denunciou pagamentos de trabalhos não aprovados, como os ramais de acesso ao estádio do S.L.Benfica no valor de mais de 8 milhões de euros; apresentou queixa por tráfico de influências ao Ministério Público, pelo empreendimento da Marvila ao arrepio do PDM; denunciou erros urbanísticos, construções desadequadas como parques de estacionamento; denunciou as mentiras do presidente da Câmara, sobre os terrenos do parque Mayer e de avançar com projectos à revelia dos pareceres técnicos como o de Estefanea Plaza; denunciou o concurso de Urbanização do Vale de Santo António e os prémios, indevidamente, atribuídos aos administradores da EPUL; denunciou a contratação de funcionários (militantes do PSD) para empresas públicas como a Gebalis; denunciou os negócios que conduziram à aprovação de um loteamento que colide com o TGV e beneficia Luís Filipe Vieira que comprou esses terrenos à Petrogal, etc. etc.

Sá Fernandes não se conformou com “uma cidade que se desertifica, que vive ao sabor da especulação imobiliária e que não tem planeamento estratégico, onde a corrupção impera, o espaço público é desprezado, a exclusão social prolifera e o caos urbanístico está instalado” e apresentou propostas:

Um plano verde para Lisboa (ver vídeo), aprovado por unanimidade; salas de injecção assistida; plano de reabilitação dos bairros camarários; um estudo de uma rede de eléctricos rápidos de superfície em Lisboa (aprovado por unanimidade); propostas sobre o IMI; promoveu debates sobre práticas urbanistas e problemas de Lisboa, conferências internacionais sobre integração e urbanismo; fez aprovar que os novos loteamentos e nova construção ou reabilitação em Lisboa reservem uma quota das respectivas áreas para a habitação a custos controlados, etc. etc.

Mais e melhor? Em dois anos não era possível.

Por fim, Sá Fernandes, embora com um lugar garantido como vereador (embora não haja votos antecipados é inimaginável outra possibilidade), disponibilizou-se para uma coligação de toda a esquerda, sem regatear lugares, depois falhada aquela, com Helena Roseta, abdicando do primeiro lugar, mostrando com esta atitude, o seu desapego ao poder, a sua fibra, a dedicação e a honestidade de quem se entregou a Lisboa com espírito de missão e mostrou-nos também, por outro lado, os interesses mesquinhos das outras candidaturas.

Anúncios

9 comentários a “Eu votaria em Sá Fernandes

  1. Fernando,

    Simpatizo com Sá Fernandes. Sinceramente. Foi um vereador muito importante para quebrar certos ciclos viciosos na Câmara.

    Ontem assisti à entrevista de Sá Fernandes na TVI e há um pormenor que me irrita. Eu pensei que o discurso “à Jardim” fosse mais restrito, ou seja, um político antes de representar uma região tem que compreender que tem que arranjar formas de financiamento e de redução de despesas que não agrida o orçamento nacional, que deve ser justo e redistributivo. Acrescento que Lisboa e arredores já concentram a grande maioria dos investimentos do país.

    As propostas para a CML foram: 1) o aeroporto não deve sair de Lisboa para a OTA, esquecendo-se que se não for para a OTA vai para uma qualquer outra localização fora de Lisboa; 2) Os candidatos não podem concordar com a Lei das Finanças Locais porque esta diminui as verbas para Lisboa esquecendo-se que estas diminuem para todo o país e que são mais redistributivas; 3) A maior proposta para aumentar as despesas é cobrar IMI ao Estado o que até pode ser justo mas esquecendo-se que Lisboa beneficia desses edifícios estarem lá e que uma concorrência de IMI´s a nível nacional até pode fazer com que serviços públicos saiam de Lisboa.

    O que eu queria sublinhar, em síntese, é bem simples: um representante deve encontrar formas de financiamento e de controlo de custos que beneficiem a região que representa sem exigir que o país pague a ineficácia; deve também promover formas de criar riqueza na região que beneficia a cidade e as contas da Câmara e, por fim, deve ser rigoroso com o dinheiro que gere (aí concordo com a diminuição das sub-contratações). O discurso do “Estado inimigo” é um discurso regional que em nada beneficia a cidade e o país e pensei sinceramente que fosse mais gritante no discurso “jardinista”.

    Abraço,

  2. não vi a entrevista mas surpreende-me que tenha sido “à Jardim”. Pela tua descrição não teria sido mesmo, apesar de o afirmares. O Estado tem obrigações com o governo das cidades, sendo que essas obrigações não se esgotam nas verbas inscritas nas lei das finanças locais, por isso admito como razoável, o pagamento às autarquias do IMI (que creio está isento). O medo da concorrência entre municípios não é diferente à que hoje se assiste e é praticada para outros sectores. Sobre o teu ponto 1 é discutível a tua afirmação “…que se não for para a OTA vai para uma qualquer outra localização fora de Lisboa…” como sabes à muita gente a defender o “Portela + 1” (deixo aqui um artigo de Maria Manuela Aguiar). Ponto 2 – Ora essa Ricardo, porque é que um candidato/autarca não pode estar contra uma lei que atinge a sua cidade? E porque tem de concordar que é mais redistributiva!!
    Seria óptimo que não fosse necessário “agredir” o orçamento nacional com questões locais mas para isso teríamos de ter uma regionalização implementada e não uma concentração.
    Mas como não vi a entrevista …mas não tenho nada essa ideia de que Sá Fernandes se encoste ao Estado para suprir os problemas económicos e muito menos que veja o Estado como inimigo. E muito menos ainda essa comparação com Jardim ao nível do discurso.

  3. Fernando,

    Convivo muito mal com os discursos regionalistas que se baseiam na questão monetária. Convivo bem melhor com a defesa intransigente da criação de riqueza para a região, discurso que Sá Fernandes também tem. Espero que não insista muito na primeira parte, uma noção, quanto a mim, errada do que é Democracia Representativa.

    Abraço,

  4. Eu por acaso não voto em Lisboa, cidade onde nasci mas não moro.
    Mas se votasse nunca votaria em Sá Fernandes que me parece um “bom” político no sentido depreciativo que o termo por vezes toma.

    Isto apesar de, em tempos, ter votado várias vezes no PSR para tentar colocar o Louçã na Assembleia da República.

    Mas agora não, sinto-me traído pelo Bloco de Esquerda e votaria mais facilmente em Ruben de Carvalho ou até em Manuel Monteiro do que em Sá Fernandes.

    A posição europeista do BE, posição assumida para ser considerado um partido “decente” e assim poder aspirar a um lugar no Governo choca-me.

    A União Europeia está a impor um regime ultra-liberal a toda a Europa e dificilmente entendo como é que pessoas pelas quais até tinha consideração estão a dar cobertura de esquerda a este projecto ignóbil e que acabará muito mal.

    Mas, voltando a Sá Fernandes e ao que ele fez nos tempos que esteve na Câmara.

    Primeiro travou o túnel do Marquês, projecto defendido pelo Dr. Sampaio quando, há uns 16 ou 17 anos chegou à Câmara, túnel que até é bastante útil como se vai vendo.

    Pior, fez as obras demorarem mais uns anos e custarem mais uma fortuna!

    Depois há aquela história do Bragaparques que, digam o que disserem, não me tiram da cabeça que os manos Sá Fernandes fizeram o papel de agents provocateurs.

    No resto até tens razão e muito do que dizes mas isso tudo faz parte de um projecto mais vasto de aproximação do BE ao poder, projecto que até me poderia agradar se o BE não tivesse começado por vender a alma ao diabo com primeiro degrau para tal.

  5. Raio,
    Mais uma vez o teu comentário estava no meio de outros SPAM e só agora dei conta. As minhas desculpas.

    Sobre o teu comentário:

    Em primeiro lugar, votar em Sá Fernandes não é votar no BE. Sá Fernandes é mesmo independente. Quem tiver atento verifica isso com facilidade. Basta ver as propostas de coligação apresentada para Lisboa e a posição do BE sobre coligações.
    Eu avalio Sá Fernandes pelo trabalho que produziu e aí é francamente positivo. Em menos de dois anos, apresentou 40 propostas, algumas delas estruturantes como o plano verde foram aprovadas por unanimidade, fiscalizou e acompanhou como nenhum outro a actividade do executivo, denunciou irregularidade que puseram a nú, favorecimentos, interesses, eventuais corrupções. O que se pode querer mais de um membro da oposição?

    Sobre o túnel do marquês é falso que fosse por causa da sua providência cautelar que a obra derrapasse no tempo. Não estava a ver o Raio, a resvalar para a imprecisão, tão ciente dos detalhes, enveredar por criticas a Sá Fernandes, quando as responsabilidades são de outros. A responsabilidade de Sá Fernandes, no atraso, creio que terá sido de 3 meses e o resto é incompetência do executivo, em dar resposta à alterações mandadas fazer, por decisão judicial. E a questão não é estar contra a favor do túnel é se o túnel oferecia as condições adequadas para a circulação com segurança. Parece que mesmo depois de algumas alterações, os acidentes, têm acontecido.

    Também não estava a ver esta obsessão anti-BE levar ao ponto de branquear a tentativa de corrupção da Bragaparques a Sá Fernandes.

    O Bloco não fez nenhuma aproximação ao poder, nem está no seu projecto político, basta ver as teses à V convenção.

    Há muitas razões para atacar o BE mas as criticas que vejo serem feitas acertam todas ao lado. Quem o diz é alguém que acompanha de perto a sua actividade e que também vê razões para alguma critica mas que não vou agora e aqui manifestá-las.

  6. Ex,mo Senhor

    Gostaria de esclarecer V.Exa e os leitores deste Blogue que o MPT – Partido da Terra não apoia José Sá FErnandes nas eleições autárquicas intercalares de Lisboa, apresentando-se com uma candadatura propria.

    Atentamente,

    Pedro Quartin Graça
    (Presidente da Mesa do Congresso do Parrido da Terra)

  7. « e votaria mais facilmente em Ruben de Carvalho ou até em Manuel Monteiro do que em Sá Fernandes.»

    Como é evidente quem se dispõe a votar desta forma, no PCP ou na Nova Democracia, só pode por em causa o papel de Sá Fernandes na denuncia da tentativa de corrupção da Bragaparques. Os primeiros (PCP) porque têm odio de morte à sua esquerda, os segundos porque são os representantes mais requintados dos “Bragaparques” deste país.

    Há muitas razões para atacar o Bloco, mas não por essas. Mas como fica demonstrado Sá Fernandes criou alguns anti-corpos… e creio que não foi pelos seus olhos. Vejam lá que até os badamecos do CDS centraram o ataque em Sá Fernandes. Deve estar a incomodar muita gente…

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s