As escolhas políticas

troiasocrates.jpgNão há dinheiro para tudo, é verdade.

Cansa de ouvir estas palavras, mas é verdade. Não há dinheiro para tudo. Não há por onde esconder. Fecham-se escolas, cantinas, urgências, maternidades, hospitais, aumentam-se impostos, taxas moderadoras, propinas, combustíveis, transportes, rendas de casa. Retiram-se direitos sociais, reduzem-se comparticipações em actos médicos, medicamentos, congelam-se vencimentos, aumenta-se o tempo de trabalho, diminuem-se os valores das reformas, dos subsídios de desemprego, eu sei lá … em nome de não há dinheiro para tudo.

Portugal teve governos, partidos, políticos, empresários, economistas, comentadores, líderes, mas não teve, não tem, liderança e rumo. Quando teve, liderança e rumo, as nossas elites, fizeram, fazem sempre escolhas erradas. Por causa disso, atrasamo-nos. Por causa disso, temos problemas de contas públicas, temos um país adiado, sempre à espera de melhores dias. Temos um país em que uns enriquecem muito depressa, tão depressa como outros empobrecem. Um país de mais ricos e um país de mais pobres.

Estamos sempre a bater na mesma tecla; mas não há como fugir.

Os caminhos são feitos de escolhas. As escolhas determinam caminhos. Que país queremos? Que sociedade pretendemos? O governo de Sócrates tem feito escolhas.

Em nome de um amanhã melhor, Sócrates como os seus antecessores pede-nos mais sacrifícios, para não se comprometer o futuro, afirmando não haver alternativas. Uns acreditam, outros fazem de contra, outros não acreditam. Eu estou nos que não acreditam nesta políticas.

Mas não vendo ilusões. Qualquer caminho exigirá custos. Menores do que os que nos estão a ser pedidos mas custos que valham a pena.

Victor Constâncio vem agora a terreiro defender a reforma de Sócrates para a segurança social e falar nos seus efeitos nas contas públicas do Estado.

Pudera!

Com o aumento da idade da reforma, a antecipação da alteração da fórmula de calculo, a criação do imposto de sustentabilidade, que se traduzem em mais tempo de trabalho, a um abaixamento do valor de reforma nos próximos anos, equivalentes a 60 por cento do último salário, não era de esperar um efeito pelo lado da despesa nas contas públicos? Qual a admiração? O Governo limitou-se a introduzir o princípio da redução da pensão futura ou do aumento da idade da reforma, sem ensaiar um plano mais arrojado e não atingindo o pilar do regime de solidariedade intergeracional.

O que Victor Constâncio e José Sócrates não dizem é que havia outras alternativas. É preciso por isso reafirmar que este modelo de sustentabilidade da Segurança Social é conservador e desadequado. Manter a contribuição das empresas para a SS em função do número de trabalhadores é imbecil. É desincentivar a criação de postos de trabalho. É apelar ao trabalho sem direitos, à fraude fiscal. Obrigar uma empresa com muitos trabalhadores, mas pouco lucrativa, a pagar mais que uma empresa com poucos trabalhadores, mas com grande Valor Acrescentado Bruto (lucros) é um disparate pegado.

Com mais ou menos açúcar, tem sido criada a ideia de que não há alternativas a estas políticas e essa é a grande falácia dos novos tempos. As forças à esquerda do chamado arco da governação, precisam de ser mais audazes, mais prepositivos, mas consistentes, para que o descontentamento pelas políticas neo-liberais, capitalistas, não fique pelo protesto, pela resistência, e ganhe credibilidade, coerência e maturidade, e para isso exige-se uma grande mobilização de todas as forças sociais, políticas, todos os pensamentos críticos, que ajudem a destruir as ideias feitas, a inevitabilidade das soluções liberais e neo-liberais que se nos apresentam.

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