Ganhou Ramos-Horta. Paz e progresso para Timor

news.jpgTodos nós sentimos um arrepio nas espinha quando falamos de Timor. Lembrar a resistência do povo, os massacres, a crença na vitória, a capacidade de sofrimento, são momentos inesquecíveis.

Recordo-me com emoção de ter mobilizado as dezenas de trabalhadores da Portugal Telecom, para um desfile silencioso, Avenida dos Combatentes abaixo, para depositar nas águas do rio Lima, as centenas de flores que as levariam aos mares de Timor, do nosso respeito, solidariedade e condolências às famílias que viram mortos os seus filhos, na sequência da invasão indonésia.

Com as eleições presidenciais e a vitória de Ramos-Horta nas presidenciais, mais as legislativas que se seguem em breve, espera-se que Timor entre definitivamente na rota da paz, da estabilização democrática, no rumo do progresso social, político e económico, na luta contra a pobreza.

Não gostei nada de ver Ramos-Horta, Prémio Nobel da Paz, envergar uma T-Shirt estampada com a imagem de Jesus ao peito, num aproveitamento oportunista dos sentimentos religiosos do povo timorense.

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12 comentários a “Ganhou Ramos-Horta. Paz e progresso para Timor

  1. Na minha opinião que não é nada….. acho que ele se há-de aproveitar de muito mais do que isso…infelizmente! Mas o tempo irá mostrar se eu tenho razão ou não, espero sinceramente estar enganada!

  2. Não gosto de quem “cospe no prato de quem lhe oferece a sopa”.
    Como é evidente, todos temos o direito de mudar de opinião, de partido, etc… Há porem mudanças difíceis de engolir…
    Ramos Horta foi apanhado no exterior aquando da invasão indonésia, estava em missão do Governo da Fretilin a que pertencia (ao governo e ao partido)… Ficou no exterior, sempre no exterior… e foi o que se viu. Efectivamente, as suas frequentes visitas e convívio com os senhores do mundo, acabou por influenciar, a par da heróica resistência da Fretilin, o fim da ocupação.
    Recebeu o Nobel da Paz, o que nos encheu de orgulho…

    Pelo meio a prisão de Xanana e o nunca explicado comportamento na prisão indonesia. Xanana falou ou não? Entregou camaradas ou não entregou? (depois veio a relação amorosa com a jornalista australiana que o visitava na prisão)

    Depois veio a independência…

    As eleições presidenciais e legislativas. Umas ganhas por Xanana contra o primeiro presidente de Timor ( O actual regime timorense considera a fundação da Republica de Timor antes da invasão de Timor por parte dos Indonésios… nesse caso o primeiro Presidente de Timor não é o José Alexandre Gusmão ou Ray Kala xanana Gusmão mas sim o Xavier do Amaral) e as legislativas/constituinte ganhas pela Fretilin…

    Esta vitoria da Fretilim que colocou como primeiro ministro Mari Alkatiri foi muito difícil de digerir por parte de Xanana e até do Ramos Horta, os quais ao contrario de AlKatiri, se encostam cada vez mais ao poderoso vizinho australiano… (o facto das esposas de ambos serem australianas não tem nada a ver com o encosto, mas que influencia, ai isso sim… influencia…

    E há o papel da Igreja… que para alem de não tolerar um primeiro-ministro muçulmano (Mari Alkatiri) assume uma influência enorme nos destinos da jovem nação…

    E há a dualidade de critérios enquanto, Rogério Lobato ministro do governo de Mari Alkatiri e irmão do primeiro líder da resistência Nicolau Lobato, morto na noite de ano novo de 1975 ou 1976…, enquanto escrevia eu, Rogério Lobato vai para a prisão, por decisão do tribunal o major Reinaldo (claramente um homem de mão dos australianos) tem direito a acantonar-se nas montanhas (os australianos fingem que o cercam mas não cercam) e Xanana depois das acções criminosas de Reinaldo vai abraça-lo e mais tarde é Ramos Horta, no papel de primeiro ministro e candidato a presidente quem decreta o fim da perseguição a Reinaldo…

    Tudo muito estranho, tudo muito confuso, muito australiano pelo meio…

    E para culminar aparece o candidato Ramos Horta no mais descarado oportunismo com a T-Shirt de Cristo…

    Xanana que foi um extraordinário guerrilheiro e brilhante líder na guerra de libertação, depois da prisão e já na presidência foi um desastre… Ramos Horta enfim…

    O drama de Timor é a sua religião. Uniu na resistências, é verdade… mas após a independência tem minado tudo o que lhe foge ao controlo como é o caso da FRETILIM…

    Xanana até se apoderou do símbolo e bandeira da resistência (CNRT) para o “seu” partido… Xanana quer apagar da resistência o papel da FRETILIM

    Xanana tal como Horta cospem no prato de quem lhes deu a sopa…

    Para eles lembro a frase bíblica, “Lembra-te homem que és pó e em pó te transformarás”, Eles não percebem que sem o povo de Timor livre e com os seus verdadeiros referenciais não serão nada, eventualmente serviçais de uma potencia estrangeira

    J.Carmo Lopes

  3. Assino por baixo, João Carmo Lopes. Fizeste bem em relembrar esses factos. Podias colaborar mais vezes e mandares para o meu mail para postar.

    Podias por exemplo … analisar os resultados das eleições Regionais na Madeira (agora já n vale a pena). Falando a sério agora. Quando quiseres podes enviar para aqui coisas. Sei lá uma vez por semana. Que achas?

  4. “Xanana e Ramos Horta…se encostam cada vez mais ao poderoso vizinho australiano… (o facto das esposas de ambos serem australianas não tem nada a ver com o encosto, mas que influencia, ai isso sim… influencia…”

    Se calhar esta é mais uma das razões, mesmo que não seja, estas senhoras. na minha opinião, não são inocentes nes decisões que os politicos em questão tomam.
    Até vou mais longe, a Austrália conseguiu apanhá-los pelo sitio mais vulnerável de toda a gente, o Amor, para não dizer a fragilidade emocional de um ex-combatente e de um “politico” que muito lutou(?) para que Timor fosse aquilo que é hoje, e que sempre tiveram necessidade e falta, assim como toda a gente tem falta de amar e ser amado .

    Esta vitória não é mais do que aquilo que , tanto a Austrália como todo o ocidente (leia-se EUA e GB), queriam. Tenho a certeza que para o povo de Timor não vai ser grande ajuda.

    abraço

  5. O drama de Timor são dois, a Austrália e a Indonésia, dois vizinhos demasiado poderosos para serem digeridos.

    Nisto, Portugal está próximo de Timor pois também o nosso drama são dois, a Espanha e a União Europeia, dois vizinhos intragáveis e difíceis de digerir.

    Quando se começou a falar do referendo á independência, o então presidente de Timor (Habib se não estou em erro) disse numa entrevista, “A independência de Timor Leste é um absurdo, um absurdo tão grande como Portugal sair da União Europeia”.

    Claro que em Portugal ninguém comentou esta declaração e, ninguém comentou, porque ela encerrava uma grande verdade, todos os argumentos sobre a “necessidade” de Portugal estar na União Europeia, se aplicados a Timor seriam contra a independência e a favor de uma permanência no espaço indonésio. Quanto muito com um grau superior de autonomia como, aliás, os indonésios já tinham proposto.

    Na prática creio que a Indonésia perdeu Timor e que a Austrália o ganhou…

    Retificação:

    Outro dia coloquei um comentário no artigo Ai Portugal – Portugal (II) (https://charagoesquerdo.wordpress.com/2007/05/08/ai-portugal-portugal-ii/#comments)

    Nesse artigo indicava dois links. Por lapso os dois eram iguais e até estavam errados.

    Os que eu queria indicar eram:

    http://cabalas.blogspot.com/2006/02/na-cauda-do-mundo.html

    e

    http://cabalas.blogspot.com/2006/02/o-nosso-triste-futuro.html

    Deste facto peço desculpa aos leitores que tiveram paciência para me lêr.

  6. Fernando

    O teu convite… honra-me. Porem não posso responder positivamente à proposta.
    Primeiro; Porque embora mais ou menos alinhado com o Bloco (Sou bloquista, pronto!) no essencial sou um desalinhado e tenho dificuldades em aceitar certas situações. Muito provavelmente aproveitaria esta “antena” para…
    Segundo, não posso garantir assiduidade de colaboração
    Terceiro; Corro ainda o risco de me fixar nos problemas sindicais da PT e… isso pode não ser bom.

    Porem se um destes dias me apetecer dissertar sobre memórias, do PREC por exemplo, sou capaz de te enviar qualquer coisa e tu decidirás…

    Obrigado pela proposta e pelo resto… Pelo resto (este espaço de liberdade e critica) sobretudo!

  7. Raio,
    Não me parece que o melhor caminho de Portugal é fora da Europa, mas também não acredito nos dirigentes europeus.

    João Carmo Lopes,
    Manda o quiseres, como quiseres, quando quiseres, este espaço também é teu.

  8. Caro Fernando,

    “Não me parece que o melhor caminho de Portugal é fora da Europa”…

    Portugal está na Europa, é um país europeu e portanto, enquanto existir, continuará na Europa.

    Mas Europa é totalmente diferente de União Europeia. E é esta que é intrinsecamente má e que está a arruinar Portugal

    De notar que há vários níveis de integração europeia,

    Eurolândia (países com o Euro);
    União Europeia (incluí a Eurolândia);
    EEA, European Economic Agreement (incluí a União Europeia, a Noruega, a Islândia e o Liechtenstein);

    A EFTA (incluí a EEA e a Suiça).

    Posto isto porque é que Portugal tem de se enterrar no mais fundo do pântano europeu e não fica na EEA ou mesmo na Efta?

    Só teria vantagens. O durão Barroso é que perderia o tacho…

    Um abraço

  9. Caro Fernando,

    Não sei o que aconteceu. Coloquei aqui uma resposta que desapareceu…

    Bom, vou repeti-la.

    “Não me parece que o melhor caminho de Portugal é fora da Europa,”

    Portugal está na Europa e não há volta a dar a isso.

    O problema não é a Europa, o problema é a União Europeia, projecto da direita liberal e imperialista que tenta fazer um super estado europeu, de economia super liberal e conduzido só por alguns.

    É que para estar na Europa não é necessário estar na União Europeia!

    A Europa tem várias organizações integracionistas:

    Eurolândia (países da UE com o Euro);
    União Europeia;
    EEA, European Economic Agreement (UE mais Noruega, Islândia e Liechtenstein);
    EFTA (European Free Trade Association (EEA e Suiça).

    Estariamos muito melhor se estivessemos ao nível da EEA ou da EFTA! Pelo menos seriamos mais independentes e autónomos! E, claro, não tinhamos a canga do Euro.

    Um abraço

  10. Raio,
    Peço desculpa mas este comentário entrou em moderação no meio de mais de duas centenas de comentários classificados com Spam e só agora dei por ela. Agora que foi desmarcado como não SPAM, penso que não se deve repetir esta situação.
    Naturalmente refiro-me à União Europeia quando falo em fora da Europa. E posso estar enganado, admitindo que a minha análise à nossa presença nesse espaço, não é suficientemente forte, para ter uma posição consolidada, mas insisto, penso que a nossa presença na União Europeia, (politica e economicamente) trás mais vantagens que desvantagens.

  11. Caro Fernando,

    Não percebi que os comentários tinham de aguardar moderação. Peço desculpa por me ter repetido.

    “mas insisto, penso que a nossa presença na União Europeia, (politica e economicamente) trás mais vantagens que desvantagens.”

    ???? Isto é o que é repetido até á saciedade pela nossa Comunicação Social.

    Mas, lamento dizê-lo, não tem o mínimo fundamento.

    Para começar não estamos na UE de graça. Fartamo-nos de ser bombardeados com os dinheiros que a UE nos manda e que nós, na nossa ignorância, desbaratamos.

    Mas ninguém fala do quase milhão de contos diários (365 ou 366 dias por ano) que mandamos para Bruxelas.

    Depois, que vantagens é que a CEE/CE/UE nos trouxe.

    Que me lembre, desde que estamos neste inferno, só se diz que é necessário apertar o cinto, fazer sacrifícios, em suma. Por mim, estou farto de apertar o cinto!

    Depois, lembras-te, na altura a CEE era um fabuloso mercado de 400 milhões de consumidores para as empresas portuguesas.

    Mas, em 1974, cerca de um terço do nosso PIB vinham das exportações. Actualmente o valor é exactamente o mesmo!

    Economicamente a adesão à CEE/CE/UE foi um perfeito desastre e eu desafio qualquer pessoa a dizer-me o contrário e a justifica-lo.

    E, politicamente, podemos estar no maior grupo económico do Mundo mas fazemos só figura de corpo presente, mais nada.

    Por fim, o principal dano colateral da nossa adesão foi a morte da democracia.

    O nosso Parlamento pode votar um orçamento que, a primeira coisa que o Ministro das Finanças faz é ir, de chapéu na mão e de baraço ao pescoço, apresenta-lo a Bruxelas e Bruxelas pode chumba-lo e obrigar o Governo português a altera-lo independentemente do voto que houve no nosso Parlamento.

    Eu sinto-me profundamente humilhado quando vejo as idas dos nossos ministros a Bruxelas pedir instruções.

    Por fim, uma análise global, leva-nos á conclusão de que a UE acabará por ser uma imensa Juguslávia com nós a matarmo-nos uns aos outros. Qualquer análise de indole hisórica mostra que a UE traz nas suas entranhas os germes da guerra.

    Há uma integração forçada e à margem do sentir das populações da Europa. A maior parte dos cidadãos dos países europeus ou não gosta da UE, como eu, ou é indeferente. A Europa só motiva e entusiasma os eurocratas que vivem (e bem) à custa de orçamento comunitário, isto é, à nossa custa.

    Tudo acompanhado por imensas campanhas de propaganda integracionista.

    Isto é uma receita para o desastre!

    Um abraço

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