Ai Portugal. Portugal (III)

1 – Portugal à frente. Portugal foi o país que em 2006 mais cortou nos custos com o pessoal e surge muito destacado entre todos os países da UE. De resto só a Holanda e a Alemanha, tiveram custos negativos, mas insignificantes quando comparados com Portugal. O Governo diz que se deve à regra de entrada de um funcionário por cada dois que saíram. Eu prefiro destacar o congelamento salarial o congelamento das progressões automáticas (que se mantém) e a um aumento salarial inferior à inflação. Os “culpados”; os funcionários públicos

2 – Entretanto o maior “despedimento colectivo” de sempre começa a dar os primeiros passos. O quadro de mobilidade no Ministério da Agricultura já fechou, com alguns milhares de trabalhadores na lista de excedentários e com os trabalhadores e os sindicatos a interpor providências cautelares. Aguardemos pelos outros ministérios

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11 comentários a “Ai Portugal. Portugal (III)

  1. Fernando,

    Temos que ter em conta, na decisão política, uma perspectiva humana das consequências dessa mesma decisão. Isso é inegável. Daí a defender soluções políticas tão só porque é mais humano não tem resultados positivos para ninguém. Perde-se eficácia que permite criar mais emprego, mantém-se funcionários desmotivados e desvalorizados que não têm auto-estima e estrangula-se a economia real a troco de nada. Refiro-me, obviamente, à situação do Ministério da Agricultura. Que critério podemos forçar, sim forçar, para daqui a uns dias este Ministério ter mais funcionários que agricultores? Não encontras, num país cujos sectores fortes são o secundário e principalmente o terciário, nenhuma razão para a mobilidade?

    Adicionalmente é pouco sério, e conheces bem as propostas para não defenderes isso nestes termos, chamar ao que se passa de despedimento colectivo. Mesmo que não hajam recolocações noutro ministério, mesmo que não hajam tentativas de formação e requalificação, mesmo que o Estado não volte a chamar estes funcionários, a situação destes está longe de ser um despedimento. No limite continuam até à reforma, e este pormenor é importante, a receber um mínimo de 2/3 do ordenado o que dá um maior conforto – em relação a uma situação de subsídio de desemprego – para procurar outras opções, acumuláveis com esses 2/3. No limite dos limites, falhada a procura de emprego alternativo, falhada a hipótese de reintegração por requalificação ou simples mobilidade, falhada qualquer chamada por parte do Estado… não podemos dizer que ficam no mesmo desespero de verem terminar o subsídio de desemprego e ficarem sem nada. Acho, porém, que, após não serem chamados até certa data, que devia ser considerada uma indemnização adicional.

    No fundo, Fernando, sejamos humanos mas também racionais. É que às vezes as maiores desumanidades estão escondidas atrás dos actos humanos.

    Cumprimentos,

  2. Realmente o Sr. Fala muito bem … sim, visto assim a frio, o Sr. deve ter muita razão, sacrifiquemos a razão humana para termos uma melhor situação financeira mas se esses trabalhadores tiverem grandes ordenados 2/3 talvez nem seja pouco agora imagine 2/3 de 500 ou mesmo 600 euros voçê vivia assim descansado? com filhos a estudar contas para pagar, roupa, sapatos para comprar, comida para comer.. não sei se o sr. viveria. com essa racionalidade..

  3. Ricardo,
    Vou fazer-te o desafio de deixares por um momento a visão do economista para olhares para a medida em concreto e para o impacto nos trabalhadores.

    Repito ao Ricardo.

    Estas medidas que o Governo pretende evidenciar como muito generosas não tem nada de generosas para os trabalhadores.

    Os trabalhadores forem empurrados para esta situação. Parece ser normal que lhes sejam asseguradas condições mínimas, tal como são asseguradas no sector privado.

    O Ricardo acha que são benevolentes estas medidas, mas em alguns casos são piores do que as condições de despedimento no sector privado. Porque não há direito a indemnização, não há direito a rescisões por mútuo acordo, não há direito a aposentações antecipadas, como acontece e aconteceu em muitas empresas privadas (aconteceu na minha empresa, p.exemplo).

    O que o governo faz é pagar a prestações a indemnização a que teriam direito esses trabalhadores se estivessem no privado.

    a) uma medida que afasta dezenas de milhares de trabalhadores, das suas funções ad aeternum, até à aposentação, é um despedimento colectivo (desta vez sem aspas).

    b) Oferecer a esses trabalhadores, (até à aposentação no limite) uma remuneração de 2/3 do vencimento (o equivalente ao subsidio de desemprego) NÃO É NENHUM BENEFÍCIO.

    c) Os trabalhadores ATIRADOS para a inactividade (despedimento) recebem aquele subsidio mas em CONTRAPARTIDA não recebem nenhuma INDEMNIZAÇÃO que pode ultrapassar aqueles valores.

    d) Não podem negociar rescisões por mútuo acordo que normalmente são de 2, 5 salários por cada ano e com valores mínimos a rondar os 120 a 150 mil euros.

    É isto que pretendo mostrar ao Ricardo; que vai haver para muitos trabalhadores (dezenas de milhares de trabalhadores) um despedimento colectivo, por muito que não goste da palavra e que o governo não faz mais que a sua obrigação e peca por defeito ao não contemplar a possibilidade de rescisões por mútuo acordo ou a reforma antecipada.

    E estou a ser sério, Ricardo.

    Actualização: É como diz a Nelly não te esqueças que há pessoas no sector público a ganhar pouco mais que o salário mínimo. Parece mesmo que esses 2/3 do vencimento poderão servir alguns directores ou subdirectores de serviços, quadros superiores ou médios, que com 2/3 ou 1/3 se ingressarem no privado (a recibo verde, já agora, para enganar o sistema) poderão tirar algum proveito.

  4. Fernando,

    Definitivamente não nos conseguimos entender neste tema. Nunca utilizei as palavras generoso e benevolente porque o Estado não o está a ser. Agora temos visões bem diferentes do Estado e da sua sustentabilidade. Continuo a acreditar que uma visão do Estado tal como o concebemos nos anos 80 só vai levar a cada vez mais desmotivação, ineficácia e congelamentos. Mas não vou insistir.

    Porventura deixo só mais uma nota. Curioso que nem uma palavra sobre a mobilidade do Ministério da Agricultura. Porventura é melhor, mesmo que já não tenham utilidade, deixar acumular funcionários num Ministério que quase já não tem funções que o justifiquem.

    Abraço,

  5. Nelly,

    Claramente estou a ser muito desumano. Sou assim, nada posso fazer. Com certeza viveríamos todos melhor se alargássemos os seus critérios para cada vez mais pessoas. Aí seria muito mais humano.

    Já agora, a título de curiosidade, se considera que é mais humano manter postos de trabalho desnecessários como explica aos que não têm emprego porque há dinheiro mal gasto pelo Estado que assim é mais humano?

  6. Sou a favor da mobilidade, Ricardo, sabes isso. Mas não é isso que está em causa nesta nossa saudável discussão. Sem dúvidas que temos divergências sobre este aspecto e sobre outros no tocante ao papel do Estado. Um abraço.

  7. E considera Humano, engrossar a lista de desempregados’?? desculpe mas não percebi a sua questão…dinheiro mal gasto no estado eu considero os vencimentos altissimos de directores de serviços ou do Banco de Portugal e afins e reformas chorudas de quem esteve 1 ou 2 anos em director de algo e saia com 3000 contos de reforma,isso são dinheiros mal gastos na minha opinião. e se podem antecipar reformas de quem não faz nada melhor antecipariam as de quem trabalha não é deixar as pessoas a viverem de misérias ou de cursos de formação de chicalarica(desculpe) o meu palavreado não é tão refinado principalmente quando estou zangada não com o sr. mas com a vida e com a porcaria de Estado que temos …. sorry!!!

  8. Nelly,

    Estou de acordo com as situações que focou. É verdade que há muito desperdício no Estado, o que não faço é deixar de defender algumas coisas porque outras estão mal.

    Explico melhor a pergunta que coloquei. Repara que quando o Estado gasta mal os seus recursos está a exigir da economia real mais do que necessário e logo essa mesma economia real investe ou contrata menos em comparação o que, só por si, limita a criação de emprego. Também o Estado, ao manter funcionários a mais para os serviços que disponibiliza ou em serviços que já não oferecem qualquer tipo de apoio à economia está, ele próprio, a prejudicar o emprego. É isto que defendo, ou seja, às vezes não é mantendo um posto de trabalho que estamos a defender o emprego. É o caso do que acontece no Ministério da Agricultura que, face à falta de instrumentos do Estado, ao proteger postos de emprego está a criar mais desemprego indirectamente. Por isso perguntei se queres perguntar àqueles que não arranjam trabalho se é humano manter postos de trabalho que impedem que a economia possa oferecer mais empregos. É o desafio da produtividade ao serviço do emprego.

  9. O posto de trabalho vale muito para ser dispensado, Ricardo. Eu diria mesmo que não tem preço. Por isso convivo muito mal com alguns que se “passeiam” pelo emprego e não dão valor acrescentado ao posto de trabalho. Mas também convivo pessimamente com a naturalidade com que se fala de perda do emprego, esquecendo que por trás de alguém que perde o emprego, pode estar em causa a vida de uma pessoa, de uma família, isto sem querer ser demagógico.

    A Nelly não me leva a mal por falar nisto, ela já o disse num comentário e eu não o esqueci, que é uma mãe com dois filhos a sustentar uma família com o salário mínimo nacional. Será que alguém conhecedor concreto desta realidade, não reage com muita emoção a este drama que é de imaginar -se numa situação equiparada; alguém que vai sofrer MAIS uma perda de vencimento num salário de miséria?

    O problema não é apenas os trabalhadores do Ministério da Agricultura, como as dezenas de milhares de outros que vêm por aí, ficarem sem trabalho, é também as MÁS soluções que lhes são oferecidas para esta situação para a qual nada contribuíram, para a qual deram durante dezenas de anos, em muitos casos, o melhor do seu saber e esforço.

    São os trabalhadores responsáveis pelo fim da nossa agricultura, da nossa pesca, pela não aposta nas culturas biológicas, para a falta de uma política florestal, etc, etc.

    Ricardo, todos sabemos que manter postos de trabalho artificiais, trabalhadores improdutivos, serviços inúteis, chefes incompetentes, gestores “partidários, políticos fracos, é mal, é péssimo, mas porque raio as saídas onde sempre afectar os mais fracos? Porque é que as soluções é sempre mais e dos mesmo, a receita de sempre, para os suspeitos do costume? Sim os suspeitos do costume! Os trabalhadores, responsáveis pela falta de produtividade, pelo laxismo, pela crise da economia, pela … cadé os outros?

    Todos sabemos porquê e não é preciso, sequer ser marxista.

  10. Exacto, tratou-se de um despedimento sem justa causa e sem direito a indemnização.
    Quanto muito, parte da indemnização é paga a alguns dos trabalhadores (os quadros superiores e dirigentes) em prestações suaves juntamente com o subsídio de desemprego a que teriam direito se estivessem no sector privado.
    Quanto a mobilidade não vai haver nenhuma! Os que têm bons contactos (partidários, por exemplo) mal passarão pelo Serviço de Mobilidade,serão imediatamente colocados noutros lugares.
    Isto independentemente de serem bons ou maus.
    A aplicação do novo sistema de classificação já está a mostrar isto, mostrando os que são para ficar e os que são para pôr a andar.

    Quanto à Nelly que refere os bons ordenados dos directores gerais, quero dizer-lhe que ela é uma vítima da propaganda, Excepto o ogre das Finanças, o Dr. Paulo Macedo que tem um vencimento especial, fora da tabela, os outros geralmente ganham pela tabela e têm um ordenado que é um quinto ou menos de um gestor de uma empresa privada. E têm direito a uma reforma normal de funcionário público.

    Para acabar é conveniente referir que estas pseudo reformas são uma imposição do Politburo de Bruxelas (vulgo Comissão Europeia) e estão a ser aplicadas em toda a europa embora mais suavemente.

  11. Eu falo do que me aniquila , falta de dinheiro.. lol
    conheço gente que ,pronto, estudaram tiveram oportunidade na vida para isso e alguns aproveitaram-na fizeram bem mas o certo é que eu não tive nunca oportunidade na vida, nem isso tive, “oportunidade” ! Há gente nos ministerios a ganhar balurdios ,para mim balurdios já considero assim uns 800 contos.. ta a ver a minha miséria ( até dá para rir)há uma diferença tão grande de salarios que me choca, se recebessem menos sejam as pessoas quem forem, sejam drs ou não, se as ditas tabelas dos mais altos se aproximassem dos mais baixos talvez não fosse preciso despedir tanta gente quem sabe se a economia não se equilibrava ( isto eu falando do mais simples que há), será que não seria uma ideia para esses “dinheiros mal gastos”???

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