Violência policial em manifestação pacífica no 25 de Abril

Sei o que é participar em actos de violência. Estive envolvido em alguns de natureza política.

Estive no cerco ao Palácio de Cristal, no primeiro congresso do CDS. Hoje considero um erro político, como tantos outros. Estávamos num período revolucionário, havia uma tentativa de reorganização dos fascistas, o CDS aparecia aos olhos de todos como o partido onde legalmente se procuravam “acobertar”. A reacção das forças militares foi muito violenta. Confesso que tive medo, com a resposta brutal das forças policiais e militares. Assustei-me com os disparos, com os tanques a avançar sobre nós, com a GNR a cavalo a entrar pelos cafés, pelos restaurantes, onde os manifestantes se refugiavam, assustei-me com os bastões a vergastar em toda as pessoas que lhes apareciam pela frente, surpreendeu-me a resposta dos manifestantes, com o incêndio de viaturas paradas, o furo dos pneus, o virar de pernas para os carros estacionados, etc.

Participei no assalto e assisti ao incêndio da embaixada de Espanha, no Porto, aquando da condenação à morte pelo governo franquista, de militantes da ETA e da FRAP. Quando a extrema-direita fascista, assaltava, incendiava sedes de partidos de esquerda, colocava bombas, assassinava militantes de esquerda, estive também estive em todas as manifestações de rua, bloqueei estradas, armei-me de matracas, de cocktails molotov, de pedras, participei em verdadeiras batalhas campais, com fascistas e outros elementos da extrema-direita, também, em resposta, apadrinhei a invasão de sedes partidárias, obstruí a realização de comícios, participei na ocupação de casas, enfim, vivi com intensidade todo o período designado como PREC.

Apesar de alguns erros, muitos erros, não me arrependo de nada, os exageros, eram próprios da época, eram a nossa defesa dos ideais de Abril, eram acções eminentemente políticas, não eram actos de vandalismo, não eram perversos, não eram provocadores. Eram sentidos!

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Bem isto a propósito da carga policial (que me tinha passado despercebido, envolvido que andei noutras coisas) sobre um grupo de cidadãos, que designaram de anarcas-punks, depois de terem comemorado pacificamente o 25 de Abril, ao modo de uma ideologia que renega os políticos, a política, os partidos, os governos, bem ao estilo, de paz e amor, uns charros, umas cervejolas e uma grafitadas.

Segundo o que por aí consta e está registada em fotografias e vídeos, a polícia cercou o grupo e bateu forte e feio, apanhando por medida, todos os que por ali passava ou assistiam, incrédulos.

O que me surpreende é que passados trinta e três anos a polícia continue a usar estes métodos bárbaros e indiscriminados, não olhando a meios nem a quem batem.

Mesmo acreditando no relatório da polícia de terem grafitado algumas paredes, atirado tinta a montras dos bancos, ou mesmo partindo montras (o que estará por confirmar) a polícia não pode usar da força violenta e indiscriminadamente, sobre quem pratica, sobre quem assiste, ou sobre quem passa, mas o parece aos olhos de muitos é haver uma dualidade de critérios, com os grupos de neonazis que incitam à violência, ao ódio, que batem, perseguem e assassinam cidadãos apenas porque, são de cor, imigrantes, ou perfilham ideias políticas de esquerda.

Isto não significa aprovação pelos actos dos manifestantes, pelo contrário, mas importa apurar, a justificação para tanta brutalidade por parte da PSP e o que parece ser alguma complacência com os actos nazis.

Ver vídeos aqui , aqui e aqui.

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por Fernando Publicado em Geral

2 comentários a “Violência policial em manifestação pacífica no 25 de Abril

  1. Fernando, estou chocado com o que acabei de ver nos vídeos que colocaste no Foice. Como é possivel a policia entender que esta foi uma forma natural de acabar com uma manif pacífica.

    Estive na Manif da avenida da Liberdade e era notório o desagrado de alguns agentes da autoridade por terem que ali estar a desempenhar serviço. Não sei se era por não gostarem de trabalhar em dia de feriado ou se por razões ideológicas, a verdade é que esta carga policial só pode ser interpretada como uma acção de abuso de autoridade. As marcas que alguns apresentam no corpo são indiciadoras de uma profunda selvajaria por parte da polícia.

    Abraço
    [[]]

  2. Só hoje é que tive oportunidade de ver estas imagens, impressionante a forma como a bófia actuou, faz lembrar os tempos que terminaram(?) nesse dia há 33 anos.

    um abraço

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