25 de Abril, sempre! Uma canção por dia (XV)

Esta madrugada deu para ver ainda um pouco na RTP 2 o concerto de apresentação do disco de José Mário Branco, “Resistir é Vencer”, no coliseu de Lisboa. E como sempre que ouço José Mário Branco, arrepio-me. José Mário Branco é a seguir a José Afonso, o mais importante nome da música portuguesa. Não falo apenas enquanto autor, compositor, cantor, do canto de intervenção, falo, enquanto, músico de todos os géneros musicais.

Assistir a um concerto de José Mário é assistir a espectáculos inesquecíveis, deslumbrantes, muito intensos. No coliseu do Porto emocionei-me, esta madrugada, senti o mesmo. As composições, os arranjos, as orquestrações, são de génio. José Mário Branco abarcar as suas composições, com muitos músicos, muitos instrumentos musicais, simpatiza com as grandes orquestrações.

Depois de tantas canções sobre o 25 de Abril que aqui fui colocando, vou terminar esta série com uma música que aprecio bastante, especialmente, se ouvida ao vivo, com aquele toque de forte sentimento que José Mário Branco, empresta às sua interpretações.

São letras, músicas, interpretações, autênticos murros no estômago quando ouço as suas músicas.

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1
Do que um homem é capaz
As coisas que ele faz
Para chegar onde quer
É capaz de dar a vida
Pra levar de vencida
Uma razão de viver
2
A vida é como uma estrada
Que vai sendo traçada
Sem nunca arrepiar caminho
E quem pensa estar parado
Vai no sentido errado
a caminhar sozinho
3
Vejo gente cuja vida
Vai sendo consumida
Por miragens de poder
agarrados a alguns ossos
No meio dos destroços
Do que nunca onde fazer
4
Vão poluindo o percurso
Co’ as sobras do discurso
Que lhes serviu pr’ abrir caminho
À custa das nossas utopias
Usurpam regalias
P’ra consumir sozinho
5
Com políticas concretas
Impõem essas metas
Que nos entram casa dentro
Como a Trilateral
Co’ a treta liberal
E as virtudes do centro
6
No lugar da consciência
A lei da concorrência
Pisando tudo pl’o caminho
P’ra castrar a juventude
Mascaram de virtude
O querer vencer sozinho
7
Ficam cínicos, brutais
Descendo cada vez mais
P’ra subir cada vez menos
Quanto mais o mal se expande
Mais acham que ser grande
É lixar os mais pequenos
8
Quem escolhe ser assim
Quando chegar ao fim
Vai ver que errou seu caminho
Quando a vida é hipotecada
No fim não sobra nada
E acaba-se sozinho
9
Mesmo sendo os poderosos
Tão fracos e gulosos
Que precisam do poder
Mesmo havendo tanta gente
P’ra quem tudo é indiferente
Passar a vida a morrer
10
Há princípios e valores
Há sonhos e amores
Que sempre irão abrir caminho
E quem viver abraçado
À vida que há ao lado
Não vai morrer sozinho
E quem morrer abraçado
À vida que vai ao lado
Não vai viver sozinho

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7 comentários a “25 de Abril, sempre! Uma canção por dia (XV)

  1. Fernando, partilho das tuas palavras sobre o Zé Mário e já agora partilho contigo uma “coisinha minha”. O meu pai foi militante e candidato a deputado pela UDP nas 1ªs eleições livres, foi um anti-fascista e um lutador. Morreu com Alzheimer faz pouco tempo e sofreu desta doença durante 10 anos. Já não sabia o meu nome nem tinha autonomia para fazer a vida normal mas ainda reagia e se comovia quando ouvia o Zé Mário cantar.

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