25 de Abril, sempre! Uma música por dia (X)

Vitorino – Menina está à janela

Menina estás à janela
com o teu cabelo à lua
não me vou daqui embora
sem levar uma prenda tua

sem levar uma prenda tua
sem levar uma prenda dela
com o teu cabelo à lua
menina estás à janela

Os olhos requerem olhos
e os corações corações
e os meus requerem os teus
em todas as ocasiões

Biografia

vitorino.jpg

Viajante de palavras e de terras, Vitorino esteve ligado a um dos mais genuínos registos da música do Alentejo, o disco do Grupo de Cantadores do Redondo. Às ‘bases’ naturais, adicionou um acumulado de experiências que passavam pelas serenatas em que participou, pelas peregrinações ‘hippies’, pela vida de Lisboa onde se fixou a partir dos 20 anos, pelas temporadas passadas em diversas cidades europeias e outros locais mais remotos, pelos contactos proporcionados por combates políticos e estilos de vida que, ainda hoje, o associam à noite, às tertúlias e aos prazeres boémios. A linha mestra condutora dos seus dois discos posteriores “Os Malteses” e em “Não Há Terra Que Resista – Contraponto” não se alterou substancialmente. Já no disco “Romances”, trabalho de 1980, abre-se de par em par outra das suas frentes preferidas: a recolha de música tradicional que transforma, molda à sua voz e aos seus padrões criativos. Este disco acabou por se tornar num dos mais importantes álbuns editados na época onde as preocupações com a preservação do nosso ameaçado património musical tradicional, imprescindível à nossa identidade nacional, se afirmavam presentes. Foi igualmente fundamental para o excelente resultado final de “Romances” a participação do multi-instrumentista Pedro Caldeira Cabral que marcou este trabalho com o seu virtuosismo e inspiração.


Em 2004, Vitorino propôs uma viagem ao imaginário do futebol romântico, que nos fazia sonhar,
longe do “tudo se compra e tudo se vende”com o sugestivo “Ninguém nos Ganha aos Matraquilhos”.

Já nos finais de 2002 Vitorino lança “As mais bonitas 2”, um disco que reúne alguns dos seus maiores êxitos como “Desde el dia en que te vi”, “O dia em que me queiras” e “Alentejanas e amorosas”.
No ano de 2001 é lançado o seu último trabalho de originais, intitulado “Alentejanas e Amorosas”. É um CD no qual Vitorino apresenta uma colecção de excelentes canções e que em mês e meio alcançou mais de 10.000 cópias vendidas, ou seja “Disco de prata”.

Em 1999 grava em Cuba um disco de Boleros com o Septeto Habanero que tem por título “La Habanna 99”. O projecto resultou do encontro durante a EXPO 98 entre o cantor do Redondo e uma das mais míticas formações da música popular de La Habana. Este CD foi um grande êxito, vendido cerca de 40.000 cópias. Os espectáculos resultantes deste trabalho foram tamb´ºem um grande sucesso nos anos 200 e 2001, tendo Vitorino e o grupo Septeto Habanero realizado inúmeros espectáculos de norte a sul do país.

1995 traz-nos uma nova incursão pelo mundo cativante de Vitorino. “Canção do Bandido”, editado a 14 de Novembro, a exemplo do seu último trabalho de originais, tem António Lobo Antunes como responsável pelas letras, à excepção de “Fado Triste”, “Tocador da Concertina” e “Cruel Vento”, cujos créditos se devem a Vitorino. Uma das notas marcantes deste disco é que dos seus 13 temas, boa parte são fados. Vitorino explica: “Os textos na sua maioria chamam-se fados, que neste caso reportam a histórias do quotidiano; as personagens com que nos cruzamos diariamente, que se deslocam para os centros urbanos, quer seja para trabalhar, quer seja para passear, como fazem os reformados. Os ambientes (os tiques) são de fado, quer nos textos, quer nas músicas. ” E acrescenta: ” é um disco muito visual, fílmico. Tem um ou dois heróis, mas o resto são anti-heróis. É um álbum mais lírico do que triunfal.”

Em finais de 1993 é editada a compilação “As Mais Bonitas” que reunindo os grandes êxitos da sua carreira alcança vendas espectaculares, ultrapassando o galardão disco de platina.

Em 1992 segue-se nova surpresa. “Eu Que Me Comovo Por Tudo E Por Nada”, é escrito, exceptuando uma nova versão de “Marcha de Alcântara”, por António Lobo Antunes; ficcionista consagrado, ficou responsável pelas letras do novo álbum deste seu amigo. Lobo Antunes, com letras agridoces, retrata uma Lisboa que se perdeu e vidas que se perdem. Vitorino responde a rigor: compõe melodias em compasso de dança – do tango à valsa, do bolero ao mambo, onde não falta uma canção de embalar. Os arranjos são confiados a João Paulo Esteves da Silva que se rodeia de instrumentos de Música Clássica numa formação de Câmara.
Unânimemente reconhecido pela crítica e pelo público, o elevado grau de qualidade artística e de produção alcançado na transposição do disco “Eu Que Me Comovo Por Tudo E Por Nada” (álbum vencedor do Prémio José Afonso/93 e do Se7e de Ouro/92 para Música Popular) para o palco, resultou da atitude desde sempre interessada e empenhada utilizada por Vitorino nos projectos em que participa, nunca prescindindo da sua total independência e autonomia criativa. As suas assumidas e sempre presentes raízes alentejanas são uma marca que parece surgir do ‘fundo dos tempos’, nunca deixando Vitorino de lhes acrescentar um ‘toque’ de modernidade e de as enriquecer com o culto da poesia e da palavra

Na continuidade ao seu gosto pelos os grupos, Vitorino aparece com a formação de “Lua Extravagante”, nome por que responde a partir de 1990 o quarteto formado com Filipa Pais e os seus irmãos Janita e Carlos Salomé. O sucesso que este grupo rápidamente alcançou motivado pelo seu reconhecido valor artístico e importância do seu trabalho, permitiu a divulgação de algum do nosso património musical e a concretização de contactos e projectos com uma posterior geração de músicos que, sendo membros de alguns dos mais importantes grupos de pop e rock da actualidade, não recusaram participar em alguns projectos de muito interesse artístico.

“Sul” e “Negro Fado” serão outros tantos passos em frente na construção de uma obra que não tem pontos baixos e que sempre foi considerada de vanguarda, onde pontificaram trabalhos com raízes distintas e múltiplas colaborações, como por exemplo o trabalho sobre um tema musical de António Pinho Vargas ou as experiências realizadas a partir de formas musicais quase inesperadas (as mornas, as marchas populares, o ‘reggae’). Vitorino teima em não perder o norte, em arriscar sempre. Formalmente, algumas das suas grandes aventuras chegariam ainda mais tarde.

A coerência foi-se mantendo com o decorrer dos anos, mesmo quando os caminhos e estilos musicais escolhidos por Vitorino eram naturalmente alargados. “Flor de La Mar” será novamente um trabalho marcante a todos os títulos, chegando o seu autor a explanar uma variedade de acompanhamentos instrumentais que rompia com os limites habituais da ‘canção de palavra’ nacional. Nesse período, surgiu outra das canções que ajudou a definir a categoria e a atitude de uma carreira – canção chamada “Queda do Império”. Em 1984, com “Leitaria Garrett”, outra experiência bem sucedida, Vitorino reafirmou o seu amor e cumplicidade com Lisboa, pelas tradições ameaçadas, por uma série de comportamentos em extinção e vítimas de um ‘progresso’ cego e desumanizador da cidade, por figuras e sítios que as novas ‘condições de vida’ fizeram desaparecer. Desde a canção-título à “Tragédia da Rua das Gáveas”, Vitorino conduz uma viagem pela capital de que todos sentem saudades, mesmo os que nunca tiveram hipótese de a conhecer realmente

Presente em alguns momentos-chave da Música Popular Portuguesa (por exemplo o célebre concerto de Março de 1974, no Coliseu), Vitorino foi companheiro de palco e canções de José Afonso, Adriano Correia de Oliveira, Fausto, Sérgio Godinho e outros nomes fundamentais da música portuguesa dos últimos trinta anos, estreando-se em 1975 com o seu primeiro disco assinado com nome próprio, editado num dos periodos de maior agitação social da História recente de Portugal. “Semear Salsa Ao Reguinho” foi logo considerado, apesar das condicionantes existentes na época, um ponto de referência na redefinição de padrões estéticos e caminhos que a música popular viria a trilhar a partir do meio da década de 70. Nesse primeiro disco estava incluída a canção que se viria a tornar o seu êxito/emblema mais famoso, transformando-se numa das canções mais importantes e divulgadas do imaginário colectivo português – “Menina Estás À Janela”.

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