25 de Abril, sempre! Uma canção por dia (IX)

Pedro Barroso – Cantarei

Vivi povo e multidão
sofri ventos sofri e mares
passei sede e solidão
muitos lugares
sofri países sem jeito
p’r’ó meu jeito de cantar
mordi penas no meu peito
e ouvi braços a gritar

e depois vivi o tempo
em que o tempo não chegava
para se dizer o tanto
que há tanto tempo se calava

vivi explosões de alegria
fiz-me andarilho a cantar
cantei noite cantei dia
canções do meu inventar

cantarei cantarei
à chuva ao sol ao vento ao mar
seara em movimento
ondulante, sem parar

Hoje resta-me este braço
de guitarra portuguesa
que nunca perde o seu espaço
e a sua beleza
hoje restam-me os abraços

nesta pátria viajada
dos que moram mesmo longe
a tantos dias de jornada

dos que fazem Portugal
no trabalho dia a dia
e me dão alma e razão
nesta porfia

por isso invento caminhos
mais cantigas viajantes
e sinto música nos dedos
com a mesma força de antes
cantarei cantarei
à chuva ao sol ao vento ao mar
seara em movimento
ondulante, sem parar

Biografia

pedrobarroso1.jpg

Pedro Barroso (Lisboa, 1950) Vai com dias apenas para Riachos, terra natal de seu pai, que ali era professor. Regressa a Lisboa e, já adolescente, estreia-se fazendo Teatro radiofónico com Odette de Saint-Maurice na ex-Emissora Nacional (1965) e, numa data que determina o seu início de carreira como cantor e autor, no programa “Zip-Zip” (Dez., 1969). Grava o seu primeiro disco “Trova-dor” (1970) e integra durante alguns anos a companhia do Teatro Experimental de Cascais, sob a direcção de Carlos Avilez. Dirige actividades e lecciona no Orfeão Académico de Lisboa.

Conclui a sua licenciatura em Educação Física (INEF, 73) e será professor efectivo no Ensino Secundário durante 23 anos. Mais tarde viria a tirar uma post-graduação em Psicoterapia Comportamental (Hosp. Júlio de Matos, 88) tendo trabalhado na área da Saúde mental e Musicoterapia durante alguns anos. Foi, neste campo, pioneiro no ensino de crianças surdas-mudas, numa escola de Ensino especial em Lisboa

Colabora activamente após o 25 de Abril em inúmeras actuações em todo o País e junto das Comunidades emigrantes. Escreve e apresenta programas de Rádio e Televisão, enquanto mantém com regularidade uma produção discográfica, ao longo de mais de trinta e cinco anos de carreira. Compôs grandes êxitos que o país aprendeu.

Cantou até hoje em praticamente todas as grandes salas portuguesas e em todo o território nacional, bem como na Alemanha, Bélgica, Brasil, Canadá, Espanha, EUA, França, Holanda, Hungria, Luxemburgo, China, Suiça e Suécia. Em muitos destes países actuou também em cadeias de TV e Rádio.

Foi convidado a dar palestras sobre a Cultura portuguesa nas Universidades de Nyemegen, Estocolmo, Toronto e Budapeste. Recebeu até hoje alguns prémios nacionais e estrangeiros. Assim, recebeu o prémio para a melhor canção (“Menina dos olhos d’água”, prémio Eles e Elas 1986) melhor disco de 87 (Prémio Directíssimo) troféu Karolinka (Festival Menschen und Meer, RDA 81) diploma de mérito da Secretaria de Estado do Ambiente pelos serviços prestados à causa do Ambiente (Ano Europeu do Ambiente 88) Troféu Lusopress para o melhor compositor português (Paris 93), troféu Pedrada no charco (Rádio Central Fm Leiria, 93); menção de mérito cultural do Município de Newark em 2003. Já em 1994 fora agraciado pela Casa do Ribatejo com o título de “Ribatejano Ilustre”.

Foi convidado para a Grande Gala da Música e do Bailado (Teatro S.Luis, Lisboa,93) junto com a Orquestra Gulbenkian e o Ballet de Monte Carlo. Foi convidado para actuar no Luxemburgo, integrado nas actividades do ano europeu da Cultura em 1994.

Cultiva um estilo pessoal onde a poesia, a independência, a frontalidade e a ironia têm o seu lugar. Os seus concertos são como que “encontros de amigos”, onde se estabelece uma funda cumplicidade.

Com a atribuição a José Saramago do Prémio Nobel da Literatura torna-se num dos muito poucos autores que com ele partilha obra publicada (canção “Afrodite”, in “Os poemas possíveis” e LP “Água mole em pedra dura”)

Vindo de uma área de intervenção crítica de expressão popular, tem sido visível a progressiva opção temática de caracter mais abrangente, onde releva uma aprofundada procura dos seus grandes temas de sempre – o Amor, a Solidariedade, a Mulher, a História, a reflexão sobre a Vida, a portugalidade…- assumindo-se como um autor sério e rigoroso, cada vez mais respeitado enquanto cantor, poeta e compositor. É também um dos pioneiros na Internet com site pessoal de carreira.

Tem colaboração dispersa por jornais e revistas e está representado em alguns Manuais escolares com textos de sua autoria.

Já no ano de 2000 é convidado para inaugurar o Café Literaire Fernando Pessoa em Genève; em 2001 para o Leitorado de Português em Toronto; em 2002 para Danbury, USA, onde recebe a chave de honra da cidade; em 2003 para a Gala da atribuição dos prémios literários Pró Verbo em Newark, USA; em 2004 para a Gala de aniversário da Casa de Portugal em S.Paulo, Brasil.

Membro activo da comunidade artística e musical integrou a direcção do Sindicato dos Músicos e foi autor em 2002 do polémico Manifesto sobre o estado da Música Portuguesa que promoveu uma reflexão profunda do país sobre os seus Autores, com audições junto de todos os Grupos Parlamentares e audiência do Ex.mo Sr. Presidente da República. Após trinta e quatro anos de Autor nela inscrito, torna-se, desde Setembro de 2003, membro eleito do Conselho Fiscal da Sociedade Portuguesa de Autores.

A par com uma fecunda discografia como autor e compositor (cerca de 30 discos editados, entre Ep’s, singles, LP’s, CD’s, Antologias várias e discos colectivos), tem publicado também poesia. (“Cantos falados” Ed. Ulmeiro, 1996; “das Mulheres e do Mundo” Ed. Mirante, 2003). Como artista plástico amador, usa o heterónimo Pedro Chora e, como tal, tem exposto desenho e escultura em várias Galerias.

Considerado como um dos últimos trovadores de uma geração de coragem que ajudou pela canção a conquistar as liberdades democráticas para Portugal, continua a constituir-se como uma alternativa sempre diferente nos seus concertos, repletos de emoção e coloquialidade.

Celebra no ano de 2004 o seu 35º aniversario de autor poeta e compositor lançando o CD “Navegador do Futuro”(Ed. Ocarina) e com actuações e concertos em Abrantes, Angra do Heroísmo, Barreiro, Benavente, Caldas da Rainha, Guarda, Leiria, Setúbal, Porto, Ponte de Lima, Riachos, Valença e Vila do Conde.

Em 2005 actua a solo no Fórum Lisboa; recebe o Prémio de melhor disco do ano atribuído pela Rádio Central FM ao CD “Navegador do Futuro” perante uma assistência de duas mil pessoas no Auditório Paulo VI, em Fátima; e vê editado o seu livro de estreia em ficção – “A história maravilhosa do país bimbo”, (Ed Calidum) em que aborda com sarcasmo e ironia alguns aspectos incompreensíveis de um país nunca identificado mas vagamente familiar.

É por fim ainda em 2005 que vê editada uma Antologia em caixa de duplo CD, com os mais relevantes temas das suas várias fases criativas – revista e remasterizada a partir das matrizes originais – registando os seus mais relevantes trabalhos realizados entre 1982 e 1990, onde avultam colaborações históricas com Mário Viegas e Sophia de Mello Breyner Andresen.

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5 comentários a “25 de Abril, sempre! Uma canção por dia (IX)

  1. Sempre adorei a música do Pedro Barroso, tem poemas fabulosos, nunca compreendi porque não é mais conhecido. Parabéns pelas óptimas escolhas músicais que têm passado por aqui. Um abraço.

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