Sobre o Bloco e alternativas

be.gif O Bloco nasceu, cresceu, conquistou o respeito de muita gente, goza de simpatia política de vários sectores da sociedade, de trabalhadores, de intelectuais, das populações, de movimentos sociais, porque tem sido uma oposição séria, credível, respeitável, aberta. O Bloco arrumou para o canto os pequenos partidos da extrema-esquerda, radicais, extremistas, vanguardistas, ideologicamente intactos, acantonados nas ortodoxias dos pensadores políticos do passado, uns respeitáveis, outros nem por isso, outros de todo, altamente reprováveis.

Foi este questionar das ideologias, melhor dito, esta capacidade de colocar em causa, ideias feitas, verdades inquestionáveis e ser capaz de arrancar para a arquitectura de um modelo, capaz de fazer o casamento de esquerdas, na base de pressupostos e dos denominadores comuns e intransferíveis, das esquerdas, que fizeram voltar à actividade política, todos aqueles, com passado político irrepreensível, que não obstante, terem abandonado a actividade partidária, mantiveram um activismo político, social e cívico não se rendendo a belos cantos, porventura sedutores, não renegando tudo aquilo porque sempre lutaram, ao contrário de outros.

Os partidos, os movimentos, são feitos por pessoas, com as suas qualidades e defeitos. Mas o Bloco tem sabido gerir, uma actividade cheia, rica, intensa, a exigir respostas imediatas, solicitações vária, com perspicácia, inteligência, com mérito, mas não isenta de erros. Todos concordamos com isto! Agora os desafios são ainda maiores. O Bloco cresceu muito, implantou-se, tem uma base social de apoio larga, tem novos activistas, gente de várias origens ideológicas e partidárias, tem autarcas, tem responsabilidades acrescidas, precisa de encontrar novas respostas, para as novas responsabilidades.

O Bloco em oito anos é hoje um partido que colhe as simpatias mas também colhe muitos ódios em vários sectores que se confrontam na sociedade. Isso é não é mal. É um sintoma de que o Bloco não se descaracterizou. E deve por isso manter o caminho traçado, em termos da estratégia e dos grandes princípios da política, desde o início fundador e que tão bons resultados alcançaram. Não deixar de dizer o que tem de ser dito, no tom e na forma, algumas vezes ríspida e radical, quando estiverem a ser beliscados os direitos fundamentais das pessoas, e a sua dignidade e sabe ser flexível, responsável, consistente, quando for preciso reunir consensos, ampliar apoios, para fazer pequenas conquistas, com mestria, com inteligência, face à complexidade de opiniões, de interesses, a que há que dar resposta.

Mas o grande desafio no plano nacional é combater a filosofia reinante de que não alternativa à nova/velha ideologia revisitada às políticas Socráticas que se tem traduzido em ataques aos direitos sociais, à universalidade de serviços, em mais desemprego e desigualdades sociais.

Cabe ao Bloco desmontar esta falácia bem montada. E para isso é preciso apresentar propostas políticas, sérias, rigorosas, confiáveis e consistentes, que afirmem uma alternativa de esquerda, social e política, o mais larga e plural possível, sem preconceitos “ideológicos”, em desalinho com o projecto político capitalista de que “é isto ou nada ” que os governos do Centrão político tem vindo paulatinamente a adoptar, com algum protesto é certo, bastante resignação, e muita aceitação e com o apadrinhamento de sectores que se deixaram cegar por este marketing político.

Naturalmente este caminho trás dificuldades, problemas, arrasta oportunismos, protagonismos, aproveitamentos indesejáveis. Mas esse é o risco de quem pretende construir uma verdadeira alternativa de esquerda, de defesa dos direitos sociais, dos serviços universais, de uma sociedade e um mundo melhor, mais justo, mais solidário, para ser melhor vivido, por todos, tendo em atenção particular, os que de entre nós mais sofrem com as desigualdades, e sem condições dignas de existência. E quanto mais depressa melhor.

Não é com fechamentos ideológicos, com políticas restritivas, num tempo em que a globalização requer adaptação política e ideológica, para corresponder aos novos tempos e novas necessidades, (mas que vai criando novas desigualdades) das pessoas. A alternativa que é apresentada quer o advento do socialismo, a revolução social, protagonizada pelos trabalhadores maioritários, quer uma nova ordem mundial socialista. Eu quero ajudar a vida das pessoas já, quero políticas sociais já, estado social já, serviços universais já, menos desemprego já, menos desigualdades, agora.

Os milhões de pobres deste país, as centenas de milhares de pessoas a passarem fome neste país, não podem esperar, por “amanhãs” melhores e irrealizáveis, querem a vida melhor e mais digna agora. Isto não é demagogia!

Sei os riscos de políticas abrangentes, sabemos que haverá muito oportunismos, mas cabe-nos fazer alguma coisa para melhorar a vida das pessoas e mudar a sociedade e não apenas fazer declarações pungidas, mas sem correspondência prática. Pela parte que me toca podem estar descansados que não pretendo nenhuns lugares, mas contariam decerto com a minha vigilância e oposição a desvios aos rumos traçados.

Para terminar este apontamento ao contrário de alguns camaradas, parece-me que a actividade política do Bloco, não deve ser disputar o terreno com o PC, nos sindicatos, nas empresas, nas associações, a manifestar-se contra as lutas de calendário do PCP versus CGTP, para impor as nossas lutas de calendário.

Relembro o que já aqui escrevi sobre esta matéria e sobre isto, caros camaradas do Bloco, críticos de agora ou críticos de sempre, na altura gostaria de ter ouvidos as Vossas vozes. As minhas opiniões são conhecidas de há muito.

“Há um debate que tem de ser feito no Bloco de Esquerda. Um debate que se prende com formas de organização do trabalho político os processos de comunicação, do debate, da intervenção e decisão.

Não é na proliferação de núcleos, de grupos de trabalho, na presença organizada nas empresas, nas associações culturais, nas associações de trabalhadores ou noutras de expressão cívica que o Bloco deve fazer sentir a sua presença. Os activistas do Bloco, não devem estar organizados para influenciar, para conquistar posições, determinar políticas, como se uma qualquer competição estivesse a ser disputada.

As mulheres e homens de esquerda, os bloquistas em particular, devem estar presentes, é uma exigência cívica, para participar na discussão, contribuir para as soluções, para promover a alteração de políticas desacertadas, umas vezes brigando, outras vezes concertando, outras vezes, se necessário, rompendo, saindo ou constituindo alternativas válidas e consequentes.

O molde da participação individual, deve ser sólido no argumentário, o que presume a existência de políticas sectoriais consistentes (a requerer debates continuados e alargados) e concomitantemente, claro nos propósitos, para não haver temores de controlos externos às organizações. Quero dizer que o Bloco não deve controlar, nem sequer ter tentações de controlar os movimentos, cabendo-lhe apenas propiciar aos seus activistas, espaços e modelos de discussão, para a aquisição de uma nova cultura política, concordante com um projecto mais amplo de construção de uma alternativa de esquerda consequente. É assim que vejo a participação democrática.

Assim, mais do que grupos de trabalho, defendo a criações de fóruns de discussão temáticos, continuados e abrangentes. Só especificidades concretas poderão determinar, uma organização temporária, para dar concurso a essa questão pontual. O Bloco não deve ter correntes, tendências, “organização”, no seio desses movimentos.

O foco deverá ser pois, na definição das grandes linhas de rumo, seja na grande política seja nas questões sectoriais, para “formar” opiniões e criar ambientes favoráveis às boas decisões a tomar pelos envolvidos.

A instituição de uma carta de ética política e de compromissos partidários dos activistas do Bloco seria um sinal para todos, de uma nova forma de fazer e estar na política.

Logo não é de “estrutura” mas da política que falo quando pretendemos discutir modelos de trabalho e de organização.

Penso não estar enganado se disser que esta filosofia está estabelecida, nas linhas ou entrelinhas da estratégia política e nos documentos oficiais, mas sem correspondência prática nos activistas porque o modelo, não sendo acompanhado das “ferramentas” adicionais, confronta com a operacionalidade do trabalho político, nos termos em que se estava habituado a trabalhar, nomeadamente a nível do trabalho sindical e associativo.

Convém dizê-lo, não obstante inculcar-se a ideia contrária, que a actual forma de trabalhar tem dado jeito (a alguns ou a todos os “grupos” e funcionários do Bloco), para se afirmarem para dentro, num jogo de preponderância política, que dá ascensão no partido por “mérito”, mas que em consequência vai causando “danos” na confiança e credibilidade da força do projecto.

O que disse não são acusações a ninguém, não tenho pretensões a julgar ninguém, as boas ou as más práticas… são apenas registos individuais, ditos de forma reflectida, imparcial e respeitosa, para com todos os que continuam, dentro ou fora a alimentar o sonho de construção de um projecto socialista no partido e na sociedade.

Como sabem, passado estes anos de actividade no Bloco, pedi a minha renúncia da condição de aderente e por consequência do cargo público para o qual fui eleito nas listas do Bloco [entretanto suspensa] . À segunda foi de vez, depois de há precisamente um ano, ter pedido para sair, tendo sido dissuadido, face ao trabalho autárquico em curso e iminente e a proximidade das presidenciais, na qual estive de corpo e alma com Francisco Louçã.

Mas a condição de desvinculado do partido não é impeditiva de contribuir e a apoiar o Bloco, enquanto continuar a acreditar que, embora o processo não seja fácil, tem condições, com vontade e lealdade política, para andar e vencer.

O Bloco tem uma especificidade muito própria e foi essa que concorreu para fazer regressar alguns e captar outros. Reconheço não ser fácil lidar com a diversidade de pensamentos e a necessidade de não criar roturas irremediáveis. Revejo-me nos conceitos de organização assente nas regiões e não em núcleos nas empresas. Não vejo necessidade e até seria um pouco contraproducente o bloco ter uma organização de tipo leninista, com o Bloco organizado ao nível da empresa, do bairro, ou a ter uma linha própria sindical, associativa, cultural, organizada, bem definida ou concebida para intervir, tal como o PCP o faz.

O Bloco deve ser visto com uma organização nacional e quanto mais nacional for a estrutura do Bloco, mais a ”unidade” do partido se fará sentir. Penso que o Bloco não tem como fugir à definição da sua linha estratégica, nesta fase, senão por cima.

O Bloco é tão heterogéneo na concepção da actividade política, quanto é unido, na necessidade de construir uma esquerda nova, distinta das prática e de algumas teorias já gastas e inadequadas às novas realidades dos tempos actuais. Por isso é melhor que a organização ou o pensamento político seja centralista. Não um centralismo “democrático”, não um centralismo oligárquico, mas sim um centralismo que respeite os diferentes pensamentos, que promova o debate interno intenso, sem teias, sem preconceitos, sabendo ouvir, sabendo perceber a pluralidade de pensamentos, em nome da preservação, por parte de TODOS, de uma lealdade democrática em volta dos superiores interesses de um projecto em construção. E aí é que tudo está a falhar.

Não há debate, não há aproveitamento dos contributos democráticos, há uma ”balda” camuflada de independência, de democracia interna, de autonomia das bases. E depois há os “chefes”, as personalidades em cada local. São as figuras do Bloco. As figuras para a fotografia ou para a comunicação social, tal e qual como a nível nacional. Nada de perturbador se forem umas lideranças “consentidas”, nos sítios em que tal sucede, admitindo que os há, ou quando resulte de eleições internas. Apenas caberá estar atento aos “deslumbramentos” aos focos das câmaras ou dos microfones ou há projecção social. O Bloco é extremamente apetecível a alguns protagonismos e aproveitamentos mediáticos.

Posto isto e para não me alongar, acho escusada a intervenção do Bloco em batalhas inúteis … de despique pela liderança ou presença nos movimentos sociais, nos sindicatos, a conquista de lugares nas CT’s, etc, só para dizer que estamos ou para tentarmos influenciar o que quer que seja. Estaremos ou devemos estar em todas as frentes para defender ou lutar melhor pelos direitos, não como partido, mas sim como pessoas que querem e acham que têm condições para mudar para melhor, em benefício dos interesses superiores dos mais desfavorecidos e com base em consensos alargados e não partidários.

A agenda do Bloco não é nem deve ser a competição para ver quem tem mais ou para se “afirmar” para dentro do partido, os ganhos de posição. Esse não pode ser o combate. O que é preciso é “estar” para discutir os problemas e propor medidas acertadas. Continuar a batermo-nos como partido, por ter “números” nos movimentos sociais é uma estupidez e um absurdo. O que importa verdadeiramente é que contribuamos para encontrar as melhores soluções, dentro ou fora das lideranças, mas sem espírito “clubista”. Neste ponto estou de acordo com aquilo que me parece a estratégia do Bloco na teoria. Digo na teoria porque depois na prática, cantamos vitória porque participamos nestas ou naquelas eleições (mesmo não tendo condições por falta de “quadros” qualificados ou tendo essas condições nos vamos bater contra quem tem um bom desempenha do lugar de direcção) ou conquistamos um lugar numa CT, numa delegação sindical, ou num qualquer movimento cívico, só para contagem de números.

Por isso defendo que a organização da actividade se faça em torno de projectos concretos. Projectos que devem ser linhas gerais de actuação dos aderentes ou simpatizantes do Bloco. Nos sindicatos, nas associações, nas autarquias. Uma espécie de linha de modelos de intervenção, de uma definição clara e pública das motivações políticas do Bloco. Uma carta de ética política e de compromissos partidários, assumidos pelos aderentes. Será utópico? Não me parece. Para isso o Bloco precisa dizer o que quer fazer nesses órgãos. Precisa de discussão e clarificação das propostas políticas. Precisa que os dirigentes nacionais não descurem o trabalho de base e não centrem apenas a sua actividade no parlamento ou cujo impacto está ao nível do poder legislativo. Precisa olhar para os problemas mais pequenos, para os detalhes, para credibilizar uma alternativa autêntica.

Termino por agora, penso, com um aspecto crucial. O Bloco elegeu milhares de autarcas em todo o país. Exceptuando as linhas gerais e alguns conceitos globais de política autárquica como se desenvolve o apoio aos eleitos? Como e de que forma se discute a intervenção? Qual o apoio técnico, jurídico, político aos autarcas? Quantas reuniões se fizeram, envolvendo os eleitos, para clarificar questões e concretizar aspectos como a democracia participativa, o provedor do munícipe, os orçamentos participativos, a melhoria da participação dos munícipes nas sessões, a desigualdade dos tempos de intervenção dos membros eleitos, a estratégia autárquica?

Sem dúvida o Bloco precisa de ouvir os aderentes e simpatizantes e definir os processos de discussão e participação nas decisões e não ficar por pretensos processos democráticos de autonomia que não são mais que um escudo para a “desresponsabilização geral”.

O Bloco, está amarrado a compromissos dos “grupos” o que por si só poderá não ser um mal, só o sendo, se os mesmos persistirem na lógica de querer “mandar” ou querer “influenciar” decisões colectivas, nas grandes ou pequenas discussões, com ideias formatadas ou em concertação prévia que possam inviabilizar debates sérios e responsáveis. Serão estas lógicas de “grupo” (que auguram desconfiança no projecto) e dos equilíbrios necessários que estão a minar o Bloco e a confiança de ex-militantes, regressados à actividade partidária e que estão a fechar o Bloco a um partido centralista “oligárquico”.

O Bloco aguenta-se porque tem feito na Assembleia um excelente trabalho e tem na figura de Francisco Louçã, em especial, o consenso global, para o liderar à custa de uma grande competência técnica, política e de um grande combatente. O Bloco não sobrevivia com uma eventual saída de Louçã. E um partido não pode estar dependente de um homem. Alguma coisa tem de ser feita mais para aguentar os “velhotes” e atrair outra gente. Para isso é preciso repensar bem o Bloco. A concepção original do Bloco tem um tempo. Espero que não deixem esgotar esse tempo.

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11 comentários a “Sobre o Bloco e alternativas

  1. Fernando

    Perguntas-me, algures com qual das moções me identifico…

    Agora que as li, que as li sem ser na diagonal, estou em condições de me identificar com a Moção A. É verdade a mais completa, a que apresenta respostas, e respostas imediatas, é de facto a A. Do ponto de vista sentimental, sinto-me muito bem com a generalidade do texto da Moção B. No que diz respeito à Moção C, creio que a analise desta Moção corresponde a um estado de alma, isto é; a realidade e o estado das massas é ajustada ao pensamento ideológico que a sustenta, a analise não parte da realidade, mas ao invés julga e analisa a realidade segundo a sua vontade. Na análise internacional tenho serias reservas à leitura que se faz do problema do Médio Oriente… Contudo, ou apesar disso a Moção parece-me levantar questões pertinentes, nomeadamente de politica internacional bem como do mundo do trabalho. Quero aproveitar a oportunidade para expressar o meu apreço pelo artigo do Pascoal, subscrito da Moção C, publicado à tempos no Participação, sobre as negociações na Autoeuropa e que a meu ver fazem toda a diferença entre a visão reformista, social-democrata até, que nesta area (trabalho) é preponderante na cúpula do Bloco e uma leitura combativa e apoiada na melhor tradição do nosso, permitam-me o chavão “proletariado”. São estas particularidades que apesar de me sentir inclinado pela Moção A, me revejo em muitos dos pontos de vista da Moção C.
    Apesar de me identificar de uma maneira muito geral com a Moção A, tenho preconceitos em me associar a uma moção que tem como subscritores alguns dos, se não os travarmos antes, coveiros do Bloco. Não me sinto bem com alguns nomes que aparecem na lista dos 200 e tal subscritores…

    Mas como o voto para a Mesa Nacional é secreto, muito provavelmente vou aceitar o convite para ser candidato a delegado pela Moção A, sendo certo que não votarei na lista que a Moção apresentará para a Mesa Nacional, por não me rever nalguns nomes que irão ser propostos. Para além de que parte substancial dos nomes propostos por essa Moção (A) são funcionários do Bloco e isso vai coagir a sua própria liberdade de intervenção situação que juntamente com outros camaradas aqui do sul tenho criticado sobejamente. (Fico com uma areia no sapato… se me associar à maioria, em certa medida estou a reforçá-la e a calar as oposições, diria as diferenças… Esta coisa da proporcionalidade nas intervenções durante a convenção tem que se lhe diga. Provêm certamente de uma grande cabeça politica, presumo que sei qual, mas que contribui para domesticar o debate, ai disso não tenho dúvidas)

    Sem ser de forma exaustiva e sem grande substrato creio que clarifiquei a minha posição sobre as Moções

    Sobre a Moção D, aprecio bastante a tese 7, sobretudo quando apela a que a Convenção seja capaz de criar uma nova cultura de organização, uma estrutura de trabalho descentralizada, ou quando na mesma tese apela à responsabilização individual dos eleitos para os órgãos do Bloco.

    Muito provavelmente e apesar de tudo o que fica escrito sou capaz de aparecer na convenção como delegado eleito pela Moção da maioria, não garante estar com ela em todos os actos da convenção.

  2. João, em que é que discordas da nossa posição em relação ao Médio Oriente?
    Na discussão que vamos tendo no Blog da nossa Moção (o nosso Blog tem comentários…ok, foi uma farpazeca!!!), um camarada já nos apontou que não era clara a nossa posição quanto à GNR em Timor. Conforme o Regimento permite iremos, com certeza, alterar a Resolução de modo a que essa posição fique clara.
    Qunado cramos um Blog aberto á discusão foi para receber contributos e criticas de camaradas. Mas uma vez reitero que, infelizmente, com o Regulamento e com a posição da Maioria não vamos ter oportunidade de levar a discussão a todo o lado e a todos os aderentes do BE.
    Mas estamos abertos a propostas.

    Quanto ao facto de sendo tu eleito pela Moção da Maioria ires tirar tempo de intervenção às minorias…pois, essa é uma pedra no sapato. Mas não me parece que vá haver alternativa…a maioria descobriu mesmo o conceito de Democracia Proporcional…nós continuamos a preferi-la sem adjectivos.

    Já hoje grande parte da Mesa Nacional é composta por funcionários do Bloco…e essa é uma das nossas divergências de fundo. Políticas. Não queremos um Partido de funcionários. Não queremos camaradas a olhar em volta antes de votarem…

    A critica que nos fazes- a do estado de alma – é pertinente.
    Mas creio que o é, sobretudo, se te afastares das propostas concretas que apresentamos.

    (João, como te disse lá em baixo, sobre o Encontro do Trabalho falar-te-ia pessoalmente…mas com as imposições que a maioria está a fazer a nível de reuniões de discussão das Moções, há uma enorme possibilidade de isso não ser possível…contonuo sem querer falar nisso neste momento…aqui. Se quiseres envia-me o teu Email. O meu é:
    isfaria@gmail.com.)

    Fernando, é engraçado que eu me revejo em todas as análises que fazes…por iso me custa mais a entender como podes pensar que algo vai mudar se não se ultrapassarem os erros. Lá em baixo dizias-me que teremos que ser consequentes e fazer propostas para mudar os protagonistas…não tens razão. Ser consequentes é criar base para que os militantes do Bloco voltem a ser protagonistas. O que há muito deixou de acontecer.

  3. Já li todas as moções. Li hoje de manhã a B a D e acabei de ler a A.

    Apesar de a B logo de inicio ter dito que apresentava a mesma moção, porque mantinha a actualidade!!!!, (o que retirava logo a vontade de continuar a ler) com uns poucos acrescentos, o ponto sobre o trabalho autárquico está muito bem visto e devia ser ser tido em conta. Sobre o trabalho sindical também subscrevo alguma da filosofia que lhe está subjacente. A lista B é quanto a mim mais uma proposta de sugestões de trabalho que uma alternativa. Tanto quanto me lembro, relativamente à III convenção (na IV participei pouco), e porque estive na discussão com o Alcobia e o Céu, vejo uma atitude mais propositiva o que me agradou. Sobre a lista D não teria nenhum problema em assinar aquela moção. São análises políticas que nas suas linhas gerais concordo. É uma reflexão interessante que encontra eco na moção da lista A. também me revejo na forma e na “linguagem” que utiliza.

    É com a lista C que mais discordo. Assenta num projecto ideológico esquerdista; (não consigo encontrar outro termo e sei que ao dizer isto, serei catalogado, sei lá no mínimo de social-democrata, direitista, por aí… – a própria Isabel, se refere abaixo a mim, quando se refere à luta anti capitalista, “desculpa, Fernando, não sei dizer de outra maneira, como se esse termo me ” ofendesse”, -não é o meu caso- mas cujo tom é claramente segregacionista); procura moldar a realidade ao projecto, em vez do contrário; é assumidamente vanguardista no pior sentido da palavra. É também pouco rigoroso na análise política nacional, por exemplo sobre a diminuição do défice público, é contraditório e meramente CRITICISTA ao desvalorizar as lutas e a mobilização da CGTP (que seriam usadas apenas como tampão para travar a radicalização das lutas) de centenas de milhares de trabalhadores e vendo, na Grécia ou na Bélgica e também na França, as grandes lutas contra os direitos sociais. Sobre o período pós 25 de Abril, a propósito das ocupações das fábricas, das nacionalizações, da reforma agrária, sem qualquer sustentação, qualquer eventual análise critica é despachada, como “revisionismo” histórico.

    A moção C considera que definição do Bloco como “europeísta de esquerda” é considerada como uma linha que se “desenvolve num quadro social-democratizante (social-democratizante sem aspas, note-se, talvez um crime de lesa pátria) mas repare-se nesta perfídia …”com aspirações ou concretizações de gestão do capitalismo”.

    Não! Não se está a falar da política dos directórios essa está bem e correctamente definida; neoliberalismo e liberalismo económico. É assim que a moção C classifica a posição do Bloco sobre a Europa. Um delírio, só pode ser.

    Sobre a União Europeia define-a assim: ” A União Europeia não é apenas A PLATAFORMA COMUM PARA ATACAR OS trabalhadores, os jovens e os imigrantes, mas também o campo de batalha pela hegemonia da Europa … E O PARLAMENTO EUROPEU NÃO É SENÃO O MECANISMO “DEMOCRÁTICO” PARA LEGITIMAR AS SUAS DECISÕES [da Alemanha, França, Inglaterra]. Não acham que se fosse apenas isso não seria caso para questionarmos a nossa presença na UE? A mim sempre me pareceu que esses aspecto era pacífico dentro do Bloco.

    Passando por cima da citações na moção “ipsis verbis” dos seus congéneres da Liga Internacional no que reporta à análises do que se passa em alguma partes do mundo, acho caricato, entrar em considerações do tipo, Morales, apesar de … “não expropriou as multinacionais”, a “reforma agrária foi inconsequente”. Na Venezuela, “Chávez em vez de liderar a luta … pelo não pagamento das dívidas externas … paga a sua e a dos outros. Ou ainda sobre as nacionalizações “as empresas nacionalizadas estão a ser compradas e não nacionalizadas”, enfim.

    A moção C não se limita a analisar o que se passa no mundo num contexto das lutas dos povos contra o Império, dá lições, sobre políticas internas. E fá-lo na linha das posições política e ideológicas da FER, não como parece óbvio do que deve ser a política do Bloco; apoiar todas as medidas anti-capitalistas e/ou anti-império, comprometendo com as lutas e a mobilização popular, pelas exigências sociais e não com os regimes ou os governos.

    Também sobre o PEE não tenho as reticências que a lista C tem, pelo contrário, acho que pode ser um instrumento importante na unificação das lutas e de encorajamento na procura de soluções, independentemente das suas contradições internas.

    No plano nacional, também haveria muito a dizer. Sobre o papel menor atribuído ao trabalho parlamentar. Quanto ao papel do Bloco nos movimentos sociais, sobre o papel da CGTP, sobre as formas de organização.
    Há referências que não percebo e outros perfeitamente extemporâneas e “ad hominem” como “disputa da liderança da esquerda NÃO GOVERNAMENTAL”. Como a exigência de “participação das tendências nos cargos públicos electivos”. A recusa da “personalização” dos cargos de direcção, a limitação de mandatos nos cargos “uninominais”

    E também há algumas coisas que concordo, naturalmente, mas é na lista C que encontro as maiores divergências com a minha visão do Bloco.

    E é na lista A que encontro as maiores convergências com as minhas ideias. Sem prejuízo de achar que algumas “profissões de fé” sobre a necessidade de maior e melhor discussão, de estimular a participação e também a partilhas das decisões e da democracia ou funcionamento interno não fiquem pelo papel.

    Por fim e para a Isabel. Não podes rever-te nas análises que faço, ou algo não bate certo, porque embora ambos desejemos o melhor para o bloco, temos concepções diferentes sobre aspectos fundamentais do trabalho político e como diz e bem a moção A a determinado momento, é “a política que define a organização e a organização é erguida pela informação e pela organização”. Estando de acordo com a política estaríamos de acordo com a organização; a forma de organização não é distinta do Bloco que queremos e por isso as nossas discordâncias. Por fim acho mesmo que deveis apresentar uma proposta de novos protagonistas.

  4. Isabel,
    esqueci-me de referir que aqui em Viana, já falei como o membro da Mesa Nacional, vamos convidar todas as listas para um debate conjunto. Quem quiser vem, quem não quiser, problemas deles. Só mais uma coisa. As moções que se apresentam ao debate não podem esperar pela papinha toda. Organizem-se, desloquem-se às sedes, promovam debates, encontrem novas formas de discussão, por exemplo nos blogues, conversem com as coordenadoras, marquem reuniões de discussão, não esperem …se quiserem discutir as Vossas propostas. É assim que deve acontecer. Não será fácil conciliar agendas para marcar reuniões com todos. Pela parte que me toca, se puder, estarei presente em todas os debates, com todas as listas, que decidirem fazer. Para além desse debate onde todas as moções serão convidadas a participar, também não irá ser negada a abertura e anúncio de um qualquer debate que a Vossa ou qualquer outra moção deseje fazer. Penso que todas as coordenadoras estarão disponíveis para aceitar estes tópicos. Não será por aí que a discussão não se fará.

  5. Fernando não vou discutir mais as Moções fora do nosso Blog. È uma opção que tem razões de ser…fortes. Daquelas que se encaixam na parte do BE de hoje a que tu deixaste de dar importância (ok, tanta importância…). Se quiseres aparece pelo nosso Blog. No nosso Blog há comentários…se não falaremos numa qualquer reunião.
    Quanto ao teu conselho sobre protagonistas, deixa-me voltar a dizer-te que é um assunto com que não nos preocupamos. Não queremos ser dirigentes do Bloco. Em termos de lugares, apenas pretendemos conseguir eleger camaradas para a mesa Nacional. E contamos com eles e com os que forem eleitos pelas outras listas (todas, incluindo a da maioria) para inverter o que tem sido a Mesa Nacional dos últimos tempos. Para o que não tem servido. Para inverter a sua crescente profissionalização. Para inverter a sua crescente desresponsabilização. Desresponsabilização pela C. Políica e por eles próprios. Só isso. Fernando. Apesar de concordar contigo (desculpa insistir, não quero que leves a mal), que mal dum Partido quando depende de uma pessoa, não temos ninguém que queira o lugar do Francisco.

    Quanto ao teu último comentário. Acredito que a tua Distrital vá convidar todos. Mas creio que te posso já responder pela Moção A – só aceitam discussões se forem todas em 3 dias – creio que no 2º fim-de-semana de Maio. Claro que todos entendemos porquê e para quê. Ou estes golpes também não têm importância no nosso Partido?

    Claro que não esperámos…nós já tivemos a resposta…em conjunto com a Moção da maioria só naqueles diazitos…como deves compreender não temos uma máquina de funcionários montada, trabalhamos, temos vidas próprias, filhos, casas, não somos muitos, não nos podemos deslocar de Vila Real a Vila Real de Sto. António, assim do pé para a mão,…como deves compreender não vamos poder estar em todos os lados naqueles três dias…resta-nos, portanto, convidar os camaradas das outras listas e deixar os camaradas da lista A, democraticamente, a fazerem comícios. Com as datas marcadas por eles. 3 dias. Em quase um mês.

    Creio que eras tu no outro dia que falavas que a discussão se deveria fazer antes da Convenção não eras?

  6. Li e reli, voltei a ler e a ler… li mais uma vez e outra ainda…

    «Quem quiser vem, quem não quiser, problemas deles. Só mais uma coisa. As moções que se apresentam ao debate não podem esperar pela papinha toda. Organizem-se, desloquem-se às sedes, promovam debates, encontrem novas formas de discussão, por exemplo nos blogues, conversem com as coordenadoras, marquem reuniões de discussão, não esperem …se quiserem discutir as Vossas propostas. É assim que deve acontecer.»

    e, depois das leituras e releituras sem conhecer pessoalmente o ou a autora desta preciosidade, a julgar pelo formato e pela sobranceria, sem problemas diria que o texto é da autoria do lider parlamentar Luís Fazenda.

    Certo?

  7. Almira Viegas,

    Extraordinário. Para quem lê e relê começa por nem sequer descortinar se é um ou uma autor(a), quando o nome está para aí escarrapacho na assinatura do post e nos comentários e no canto superior direito, até com direito a fotografia.
    Começo a perceber o entendimento que tem do debate e das divergências alguns e algumas que se afirmam como oposição.
    Depois se lesse e relesse teria reparado que este autor se afirma, no texto e nos comentários, como critico (mas leal) … quando os outros se calavam.

    Sobre este trecho era especialmente dirigido a moção A (mais um azar) porque esta ao que consta, não estará disponível para debates conjuntos, logo “quem quiser vem quem não quiser problema deles…). E era um apelo a não ficarem caladas se querem alargar a discussão. Já participei em muitas eleições e sei que não basta pôr um documento cá fora ou afixá-lo num “placard” para ganhar posições.

    Para o debate vão ser convidadas obviamente todas as moções.

    Mas que alternativas sugere a camarada, que não seja a que propomos: marcar um debate conjunto e mostrar disponibilidade para comunicar aos aderentes, qualquer debate que qualquer lista, para além dessa deseje realizar? Sugira lá, faz favor.

    Não comento a sobranceria ou não do Luís Fazenda, não apenas porque não o conheço o suficiente, nem faço juízos pessoais públicos, enquanto forem meus camaradas, (ou eu deles) e porque, nestes últimos dias, aprendi, de que é exemplo o seu comentário, mas não só que determinadas concepções, de democracia interna, de debate, de participação, sofrem de dislexia. Seria de começar a olhar para a trave em frente ao nosso olho e não apenas para o dos outros.

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