25 de abril, sempre! Uma música por dia (VI)

Mário Viegas – Manifesto anti-Dantas

Biografia

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António Mário Lopes Pereira Viegas (Santarém, 10 de Novembro de 1948 — Lisboa, 1 de Abril de 1996) foi um actor e encenador português.

Unanimemente reconhecido como um dos melhores actores da sua geração, foi aluno da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa onde se inicia no teatro universitário. Frequentou o Conservatório Nacional de Teatro, em Lisboa. Estreia-se como actor profissional no Teatro Experimental de Cascais, trabalhando com Carlos Avilez. Passa pelo Teatro Universitário do Porto em 1969.

Fundador de três companhias teatrais (a última das quais foi a Companhia Teatral do Chiado), interpretou peças de autores como Stadt Hamm, Raul Baal, Fernando Krapp ou Wayne Wang e encenou peças de Beckett, Eduardo De Filippo, Bergman, Tchekov, Strindberg, Pirandello, Peter Shaffer, entre outros.

Actor regular no cinema, participou em mais de quinze películas, entre elas O Rei das Berlengas de Artur Semedo (1978), Azul, Azul de José de Sá Caetano (1986), Repórter X de José Nascimento (1987), A Divina Comédia de Manoel de Oliveira (1991), Rosa Negra de Margarida Gil (1992) ou Sostiene Pereira de Roberto Faenza (1996), onde contracenou com Marcello Mastroianni. É ainda de salientar a sua presença nos filmes de José Fonseca e Costa, como Kilas, o Mau da Fita (1981), Sem Sombra de Pecado (1983), A Mulher do Próximo (1988) e Os Cornos de Cronos (1991).

Fez também televisão, popularizando-se, particularmente com duas séries de programas sobre poesia – Palavras Ditas (1984) e Palavras Vivas (1991). Trabalhou também na rádio, principalmente como divulgador de poesia e de teatro e foi colaborador regular do jornal Diário Económico, para onde escreveu artigos sobre teatro e humor.

Deu-se a conhecer pelos seus recitais de poesia, gravando uma discografia com poemas de, entre outros, Fernando Pessoa, Luís de Camões, Cesário Verde, Camilo Pessanha, Jorge de Sena, Ruy Belo, Eugénio de Andrade ou ainda de autores estrangeiros (Brecht, Pablo Neruda, entre outros). Divulgou nomes como Pedro Oom ou Mário-Henrique Leiria. Viajou por inúmeros países, fazendo teatro em Moçambique, Macau, Brasil, Países Baixos ou Espanha.

Pela sua actividade teatral foi premiado diversas vezes pela Casa da Imprensa e pela Associação Portuguesa de Críticos. Recebeu o Prémio Garrett, como Melhor Actor, pela Secretaria de Estado da Cultura (1987), para além de distinções em Festivais de Teatro e Cinema Internacionais (1979 – Festival de Teatro de Sitges, em Espanha, com a peça D. João VI; 1978 – Festival Europeu de Cinema Humorístico da Corunha, pelo filme O Rei das Berlengas de Artur Semedo). Em 1994 é ordenado Comendador pela Ordem do Infante D. Henrique, pelo Presidente da Républica Mário Soares.

Preocupado com a política, candidata-se em 1995, como independente, à Presidência da Républica Portuguesa, pela União Democrática Portuguesa.

Escreveu Auto-Photo Biografia (edição do autor) em 1995 que não foi autorizado a publicar. Em 2001 foi homenageado pelo Museu Nacional do Teatro com a exposição Um Rapaz Chamado Mário Viegas.

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6 comentários a “25 de abril, sempre! Uma música por dia (VI)

  1. Não tenho ideia de Mário Viegas alguma vez ter sido candidato à Presidência da Republica apoiado pela UDP.

    Candidatos apoiados pela UDP tanto quanto me lembro foram Otelo (duas vezes, 1976 e 1980. Uma delas, a primeira creio, sob o lema “O 25 de Abril ao poder”), em 1986 a UDP apoiou a Engª Mª de Lourdes Pintassilgo, depois em 1991 o candidato da UDP foi o Engº Carlos Marques actual deputado municipal em Lisboa, mais tarde em 1996 se não estou em erro, apoiou o Prof. Alberto Matos que se tinha destacado na luta contra o aumento das portagens na ponte 25 de Abril, tendo este acabado por desistir a favor do Dr. Jorge Sampaio que derrotou o Cavaco. Em 2001 já sob a égide bloquista o candidato foi Fernando Rosas e em 2006 quando toda a gente esperava que Luís Fazenda avançasse foi Francisco Louçã quem deu a cara.

    Mário Viegas escreveu inspirado no Manifesto Anti-Dantas de José de Almada Negreiros o MANIFESTO ANTI-CAVACO E POR EXTENSO
    PELA U.D.P UNIÃO DE POETAS “DA ESQUERDA A VALER” HUMORISTAS, FUTURISTAS, REVOLUCIONÁRIOS E BOA GENTE E TUDO
    Que se tomo a liberdade de colocar no próximo comentário.

    Foi candidato a deputado pela UDP e também chegou a ser pelo PSR

  2. MANIFESTO ANTI-CAVACO

    MANIFESTO ANTI-CAVACO
    E
    POR EXTENSO
    PELA U.D.P
    UNIÃO DE POETAS
    “DA ESQUERDA A VALER”
    HUMORISTAS, FUTURISTAS,
    REVOLUCIONÁRIOS
    E
    BOA GENTE E TUDO

    MANIFESTO ANTI-CAVACO
    BASTA PUM BASTA

    Uma geração que consente deixar-se representar por um Professor Aníbal Cavaco Silva é uma geração que nunca o foi. É um coio d´indigentes, d´indignos e de cegos! É uma resma de charlatães alaranjados e de vendidos, e só pode votar e parir abaixo de zero!
    Abaixo a geração laranja!
    Pôrra pró Cavaco, pôrra! Pim!
    Uma geração com um Cavaco Silva a cavalo, é um burro algarvio incompetente!
    Uma geração com um Eng. António Guterres à proa é uma canoa em seco!
    O Manuel Monteiro é um magano!
    O Fernando Nogueira é meio-mangano!
    O Anibal Silva saberá gramática, saberá sintaxe, saberá vender gasolina, saberá inglês, saberá tudo, menos dirigir económica e politicamente o País, que é a única coisa que ele quer fazer e nunca o fez bem, nem soube fazer!
    O Cavaco pesca tanto de Economia, que até faz quadras à António Aleixo, com as ligas da sua Maria Cavaca!
    O Gueterres é um habilidoso!
    O Carlos Carvalhas veste-se mal!
    O Manuel Monteiro usa ceroulas de malha!
    O Paulo Portas especula e inocula os concubinos!
    O Cavaco é Aníbal!
    O Cavaco é Guterres!
    Pôrra, também pró Gueterres, pôrra! Pim!
    O Professor Cavaco tem feito uma política para Portugal, que tanto podia ser como a do Fernando Nogueira ou a Maria Cavaca ou a Leonor Beleza, ou o Eng. António, ou a Teresa Patrício Gouveia, ou a Nau Catrineta, ou a cantora Dina do Partido Popular!
    E o Cavaco teve claques e maiorias absolutas!
    E o Nogueira teve palmas! E o António Guterres agradeceu de mão dada com o Jaime Gama!
    O Francisco Louçã é um manganão!!
    Não é preciso ir para a Fonte Luminosa vestido de laranja, para se ser uma laranjada!
    Não é preciso saber contar pelos dedos, para se ser Professor de Economia, basta fazer contas pelos dedos como o Silva! Basta não ter escrúpulos, nem morais, nem artísticos, nem humanos! Basta andar com as modas europeias, com as políticas comunitárias e com as opiniões de Bruxelas! Basta usar o tal sorrizinho com escuma ao canto dos lábios, basta ser muito penteadinho por um barbeiro de bairro, usar figos algarvios e cócos marroquinos e olhos de Sá-Carneiro mal morto em Camarate! Basta ser Judas! Basta ser Fernando Cavaco Nogueira Silva!
    Pôrra pró Cavaco! Pôrra! Pim!
    O Professor Aníbal Cavaco Silva nasceu para provar, que nem todos os que governam sabem governar.
    O Fernando Nogueira é um autómato extra-terrestre que deita para fora o que os trabalhadores pobres já sabem que vai sair… Mas é preciso que os trabalhadores pobres paguem impostos! Os ricos, não!!
    O Nandinho Nogueira é um verso-de-pé-quebrado dele próprio!
    O Cavaco em génio nem chega a uma garrafinha de mau-cheiro e em talento o Nogueira é pim, pam, pum!
    O Cavaco nu é horroroso!
    O Cavaco escuma dos cantos da boca!
    Pôrra pró Cavaco, Pôrra! Pim!
    O Nogueira é o escárnio da consciência!
    Se o Cavaco Silva é Europeu eu quero ser Australiano!
    O Vasco Graça Moura é a vergonha da intelectualidade portuguesa!
    O Vasco Pulido Valente é a meta da decadência mental!
    E ainda há quem não core quando diz que apoia o Cavaco!
    E ainda há quem lhe estenda a mão!
    E quem lhe lave a roupa, manchada de sumo de laranja, que custa imenso a sair!
    E quem tenha dó da gazolineira dos Cavacos!
    E ainda há quem esteja indeciso de que se votar no Nogueiro-Cavaco não vale nada, e que não serve para nada, e que nem é inteligente, nem decente e é um voto contra si próprio, que nem chega a zero!
    Vocês não sabem quem é a senhora Mariani do Cavaco? Eu vou-lhes contar:
    A princípio, por notícias das “Olás”, entrevistas, tempos de antena e outras preparações com as quais nada temos a ver, pensei tratar-se da cantora lírica Francesca De Mariani, italiana, que lhe escreveu várias cartas em italiano, apaixonadíssima por ele quando o viu a dormir na primeira fila do S. Carlos, durante uma récita, há uns anos atrás e a subir a um coqueiro em S. Tomé. Depois de ler todas as “Revistas do coração”, de “Maria” a “Manuel”, da “Dona” ao “Diabo”, do “Crime”, ao “Jornal de Letras e Artes e Ideias”, também não fui capaz de distinguir, porque a lâmpada da minha mezinha de cabeceira é muito fraca, era noite muito escura e só a meio dum pesadelo, aí pela madrugada é que tive um sobressalto e lembro-me de consultar a “Nova Gente”, a “Visão” e “Casa, Jardim e Decoração”. E não é que descubro que a tal Mariani do Cavaco era a sua Vivenda algarvia! Adormeci mais descansado e comecei a sonhar o que seria viver naquele paraíso algarvio, só possível à nova sociedade de novos-ricos, criados pelo cavaquismo.
    Sonho que a Maria Cavaco vem descendo uma escada estreitíssima, mas não vem só, traz também o Jacques Chirac, que eu não cheguei a ver, ouvindo apenas uma voz muito conhecida dum apaixonado por experiências nucleares e repressões aos Emigrantes em França. Pouco depois o agente do SIS é que me disse que ele vinha com uma camisola do PS, com um grande coração laranja.
    A Maria Cavaco e o Chirac estão sozinhos na Vivenda, e às escuras, dando a entender perfeitamente que estiveram indecentemente a conspirar à beira da piscina, sobre a candidatura do Aníbal, à presidência da República, e o tabú do Aníbal. Depois o Chirac, completamente francês e satisfeito, despede-se e salta pela janela, com grande mágoa da Maria Laranjada borbulhante e lacrimosa. E ainda hoje os pobres turistas algarvios, a GNR, a Guarda-Fiscal, a Guarda Florestal, a PSP, e os agentes do SIS têm ocasião de observar a janela arrombada do primeiro andar da Vivenda Mariani, perto de Boliqueime, na Rua do Touro, (perdão, do Aníbal), por onde se diz que fugiu o célebre político em Portugal e bombista nuclear em Paris.
    A Maria que é histérica, começa a chorar desatinadamente nos braços da sua confidente e excelente pau de cabeleira, a famosa tia Anica de Loulé…
    … Vêm descendo pla dita estreitíssima escada, varias Marias todas iguais e de cigarros acessos, menos uma que usa óculos, dentes saídos para fora como uma vampira, horrorosamente feia, o que quer dizer que é a deputada Conceição Monteiro.
    E seria até uma excelente personificação das bruxas de Goya, se quando falasse não tivesse aquela voz tão fresca e maviosa da ex-secretária de Sá-Carneiro. E reparando nos dois vultos interroga espaçadamente com cadência social-democrata, austeridade e imensa falta de camarate:
    “Quem está aí?! E de cigarros apagados?”
    – Foi o Freitas do Amaral, foi o Otelo, foi o General Eanes, foi o Mário Tomé, foi o Eng. Carlos Marques, foi o Mário Soares, foi o Álvaro Cunhal, foi o Major Canto e Castro, foi o Pinto Balsemão, foi a viúva do Soares Carneiro, foi o vento… dizem as pobres inocentes “Marias Vão Com As Outras”, varadas de terror pluripartidário… E a Conceição Monteiro que só é horrrorosa nos dentes saídos, nos binóculos, nos destroços da avioneta, e em andar sempre a chatear todos os grupos parlamentares, telefona imediatamente para a sede do SIS, em Faro, que é um dó d´alma ouvi-la assim tão sá-carneirista desempregada. Vão todas para a casa de banho, mas eis que, de repente, batem no portão e sem se anunciar nem limpar-se da poeira nortenha, sobe a escada e entra p´lo salão o Eng. Eurico de Melo, que quando era novo fez brejeirices com a menina da alfarroba e da fava-rica algarvia.
    Agora completamente nortenho e emendado, revela à dentuças, que sabe por relatórios secretos do ministro Dias Loureiro que há homens que vão com as “Marias Vão Com As Outras”, na Vivenda e que ainda há pouco, fora detectado, por radar, um a saltar pela janela. A Sãozinha Monteiro diz que efectivamente já há tempos que Maria Cavaco vinha dando p´la falta de figos e galinhas no quintal e tão inocentinha, coitada, que naqueles oitenta anos, ainda não teve tempo para descobrir a razão da humanidade estar dividida entre homens e mulheres do PSD e homens e mulheres do PS e de outros partidos. Depois de sérios embaraços do tio Eurico é que ela deu com o atrevimento político e mandou chamar as Marias de há pouco, com os cigarros apagados. Nesta altura, este meu pesadelo policial toma um pedaço de interesse, porque o engenheiro Melo ora parece o Loureiro disfarçado de polícia-sinaleiro, ora um polícia de trânsito com a falta de educação dum agente da polícia de choque, e tão perspicaz que descobre em menos de meio minuto, o que o povinho está farto de saber – que o Cavaco anda a dormir com o Guterres!!!
    O pior é que a Maria Silva foi à serra com as indiscrições do Barão do Norte e desata a berrar, a berrar como quem se estava marimbando para tudo aquilo. Esteve mesmo muito perto de se estrear com um par de murros na coroa do Chefe do Grupo da Sueca, no que se mostrou de um atrevimento, de uma insolência e de decisão social-democrata que excedeu todas as expectativas.
    Ouve-se uma corneta tocar o Hino da Comunidade Europeia e da França e Maria, sentindo no ruído do escape do avião super-sónico francês, toda a alma tricolor do ser preferido, foi qual passarinha engaiolada, a correr até ao portão da Vivenda Mariani, a gritar desalmadamente pelo seu Jacques. Grita, assobia e redopia e pia e rasga-se e magoa-se e cai de costas com um acidente, de que já previamente tinha avisado o jornal “O Público” e a bandeira gigante do PSD também cai e os antigos votantes sociais-democratas também caem em si e desatam numa dessas ondas de contestação, abstenção e arrependimento tão enorme e tão monumental, que todos os jornais de Lisboa, Loulé e do Porto, no dia seguinte, foram unânimes naquele êxito político do Engenheiro Eurico de Melo e da Conceição Monteiro.
    A única consolação que os ex-votantes decentes tiveram, foi a certeza de que aquilo não se tinha passado na Residência Oficial de S. Bento, mas na Vivenda Mariani em Boliqueime, com uma Maria escavacada e encavacada, que tem cheliques e exageros esquerditas.
    Continue o Sr. Cavaco a mandar governar assim, que ha-de ganhar muito com as cavacas das Caldas e há-de ver que ainda apanha uma estátua de prata laranja por um ourives de Loulé e uma Exposição das maquetas pelo seu monumento erecto por subscrição social-democrata pelo “Povo Livre” a favor das vítimas da sua péssima política de apoio aos Timorenses, e a praça Dr. Francisco Sá-Carneiro mudada em Praça Professor Aníbal Cavaco Silva e com festas da cidade no Centro Cultural de Belém e sabonetes em conta. “Aníbeis Silvas” e pastas Cavacas prós dentes, e graxa Guterres prás botas, e bananas Jardim, e Niveína Durão Barroso, e comprimidos Paulo Mendo, e autoclismos Santanas e Santanas, Santanas, Santanas, Santanas… E limonadas Ferreira do Amaral – Magnésia.
    E fique sabendo o Fernando Nogueira que se um dia houver justiça em Portugal, todo o mundo saberá que o autor de “Os Lusíadas” foi a Agustina Bessa Luís, que num rasgo memorável de modéstia só consentiu a glória do seu pseudónimo “A bruxa da Areosa”.
    E fique sabendo o Carlos Carvalhas que se todos votassem como eu, haveria tais munições de punhos fechados, de “Esquerda a Valer” e não “A Necessária” que levariam dois séculos a gastar, sem “sair da rotina da esquerda” do Francisco Louçã!
    Mas julgais que nisto se resume a política portuguesa? Não! Mil vezes não!
    Temos além disto o Jorge Sampaio, que já fez decretos para a Câmara de Lisboa, que deixou de ser a derrota do machão Macário Correia, para poder passar a ser a derrota do Dr. Sampaio, com notas negativas do Professor Rebelo de Sousa.
    E as pinoquices do Vasco Pulido Valente passadas no tempo em que “emborcava copos” na Secretaria de Estado da Cultura e no semanário “O Independente”! E as infelicidades de Carlos Pimentinha? E o talento insólito de Urbano Rodrigues! E as gaitadas do Vilhena! E as traduções só para homens do ilustríssimo excelentíssimo senhor António Barreto? E o Frei Hermano da Câmara!
    E a Leonor Beleza co-responsável por uma série de contaminações de sangue nos nossos hospitais! E as imbecilidades do Pacheco Pereira! E mais pedantices do Albeto Pimenta! E o Pinto Coelho, o cavaquista do desenho! E alguns jornalistas cavaquistas, socialistas e fascistas d´”O Público”, e da “Capital”, e do “Diário de Notícias”, e d´ “O Diabo”, e d´ “O Dia”, e d´ “O Crime”, e do “Correio da Manhã”, e do “Expresso” e de todos, todos os jornais que não derem sempre notícias sobre a UDP nas primeiras páginas e ainda tempos de antena diários de meia hora na rádio e na TV.
    E os Actores de todos os quatro canais de televisão e de todos os teatros pseudo-vanguardistas! Mário Viegas, incluído.
    E todos os artistas que andaram a mamar dinheiro de Lisboa Capital Europeia da Cultura de 94 e futuramente da Expo 98 de que nós já desconfiamos! E os Valentins Loureiros do Porto e os palermas de Coimbra que não votarem UDP! E a estupidez do caso das gravuras de Foz Coa e o Dr. José de Figueiredo e oh oh os Mota Pinto hu hi e os burros de Boliqueime e os menus das festas do Centro Cultural de Belém e a Caixa Geral dos Depósitos feitos pelo Michel! E o raquítico Marques Mendes, palerma do PSD a quem o Dr. Soares com imensa piada intrujou que era mais alto do que parecia numa recepção em Belém! E todos os que são Políticos e Artistas, excepto os da UDP, como é evidente.
    E as Exposições anuais no A.C.A.R.T.E. da Gulbenkian! E todas as obras de fachada? E as do Eduardo Prado Coelho em Paris; e os Vaz da Silva, os Estrela, os Josés de Magalhães, os Pintos da Costa, os Louçãs, os Arnaldos Matos, os Hermínios Martinhos, os Almeidas Santos, os Narcisos de Miranda, os Falcões e Cunha, os Jaimes Gamas, os Torres Coutos, os Fernandos Gomes, os velhos antigos salazaristas, os idiotas eanistas, os arranjistas socialistas, os racistas, os impotentes do PSN, os celerados do PP, os vendidos do PRD, os imbecis do MRPP, os párias vendedores de droga, os ascetas democratas-cristãos, os Fernandos Teixeiras da Maçonaria, os das coligações das Câmaras, os diabo que os leve, os Filipes Menezes, os Jardins, os Ricardos Pais, os La Férias, os Guedes, os Manúeis Alegres, os Esteves Cardosos, os Abrunhosas, as Veras Lagoas, os Motas Pinto, os Joões Bosco, os Alpoins Galvões, os Duartes Pios de Bragança, os Silvas Melos, os Marcos Paulos, as Zitas Seabras, as Simonetas Luz Afonso, os Mendes Botas, os Jaimes Neves, e todos os laranjas cor de rosa que houver por aí!!!!!
    E as convicções urgentes do Soares Pai e as convicções catitas do Soares Filho!…
    E os concertos de “Os Madre de Deus”! E as estátuas a fascistas, ao Amaro da Costa e ao despertar e a tudo! E tudo o que seja Arte e Cultura, em Portugal! E tudo! Tudo por causa do Cavaco disfarçado de Nogueira afónico!
    Pôrra pró Cavaco, pôrra! Pim!
    Portugal que com todos estes senhores conseguiu a classificação de País mais atrasado da Europa e de todo o Mundo! O País que tão pouco tem ajudado os irmãos Africanos e Timorenses! O exílio dos desiludidos, dos abstencionistas e dos desacreditados e indiferentes dos políticos! A África reclusa dos europeus! O entulho de lixos tóxicos europeus, da poluição e da entrada de droga internacional! O Paraíso dos ricos que não pagam impostos, nem pagam a Crise e a Fome! Portugal inteiro (incluíndo Madeira e Açores) há de abrir os olhos no dia 1 de Outubro de 1995 – se é que a sua cegueira não é incurável – e então gritará comigo, a meu lado, a necessidade que Portugal tem de ter vozes diferentes na Assembleia da República, Deputados duma “Esquerda a Valer”! Deputados da UDP, claro, e a necessidade que Portugal tem de ser qualquer coisa de asseado e despoluído.
    Pôrra pró Cavaco, (e seus camaradas de várias cumplicidades, cores, silêncios e futuros compromissos), Pôrra! Pim!
    Mais de oitenta anos depois do Manifesto dum tal Almada Negreiros.

    UDP
    UNIÃO DE POETAS “DA ESQUERDA A VALER”
    HUMORISTAS, FUTURISTAS, REVOLUCIONÁRIOS
    E
    BOA GENTE E TUDO!!!

  3. Não sei se este “comentário” encaixa neste artigo se no de baixo… de José Mário Branco

    Inquietação

    A contas com o bem que tu me fazes
    A contas com o mal por que passei
    Com tantas guerras que travei
    Já não sei fazer as pazes

    São flores aos milhões entre ruínas
    Meu peito feito campo de batalha
    Cada alvorada que me ensinas
    Oiro em pó que o vento espalha

    Cá dentro inquietação, inquietação
    É só inquietação, inquietação
    Porquê, não sei
    Porquê, não sei
    Porquê, não sei ainda

    Há sempre qualquer coisa que está pra acontecer
    Qualquer coisa que eu devia perceber
    Porquê, não sei
    Porquê, não sei
    Porquê, não sei ainda

    Ensinas-me fazer tantas perguntas
    Na volta das respostas que eu trazia
    Quantas promessas eu faria
    Se as cumprisse todas juntas

    Não largues esta mão no torvelinho
    Pois falta sempre pouco para chegar
    Eu não meti o barco ao mar
    Pra ficar pelo caminho

    Cá dentro inqueitação, inquietação
    É só inquietação, inquietação
    Porquê, não sei
    Porquê, não sei
    Porquê, não sei ainda

    Há sempre qualquer coisa que está pra acontecer
    Qualquer coisa que eu devia perceber
    Porquê, não sei
    Porquê, não sei
    Porquê, não sei ainda

    Cá dentro inqueitação, inquietação
    É só inquietação, inquietação
    Porquê, não sei
    Mas sei
    É que não sei ainda

    Há sempre qualquer coisa que eu tenho que fazer
    Qualquer coisa que eu devia resolver
    Porquê, não sei
    Mas sei
    Que essa coisa é que é linda

  4. António Graça.
    Obrigado pelo manifesto anti-Cavaco. Lembro-me dele. Não posso confirmar se Mário Viegas foi candidato a Presidente da República pela UDP. A deputado foi isso é certo. A sua biografia diz que foi mas pode ter sido um lapso.

    João C. Lopes
    O Inquietação de José Ma´rio Branco cabe sempre bem em qualquer sítio. É porventura a minhas canção preferida, mas é difícil de dizer. Tudo o que é José Mário Branco para mim é marcante.

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