Especulações bolsistas

O banco suíço UBS-Investment Research é o banco estrangeiro mais activo em Portugal em análises financeiras sobre o mercado accionista. O UBS, tal como outras instituições de consultoria financeira, analisa o desempenho das empresas cotadas na Bolsa de Lisboa e recomenda ou desincentiva o investimento em acções nas empresas cotadas.

Mas nem tudo é assim claro e transparente. Por detrás de determinadas recomendações estão interesses escondidos e aparentemente à margem da lei, não se descortinando onde entra a análise séria e rigorosa e os seus próprios interesses, como accionistas, em algumas dessas empresas, alvo de análises e pareceres técnicos supostamente independentes.

Segundo o DN de hoje, o UBS que acompanha em pormenor a gestão de um conjunto de empresas cotadas na bolsa, como é o caso da EDP, (esta acompanhada por 27 analistas financeiros) da PT, BCP, Sonae SGPS, Cofina entre outros, detém uma participação accionista nas mesmas, sendo que os seus pareceres sobre as mesmas, provocaram uma valorização accionista, e logo após, o UBS, vende essas participações, obtendo lucros fabulosos num lapso de tempo muito curto.

O DN faz referência a dois casos concretos e recentes, perfeitamente elucidativos:

No dia 9 de Março, a UBS reviu em alta o preço-alvo da PT de 10,10 para 10,20. Note-se que depois da “morte” da OPA todos os analistas, apontavam para uma descida do seu valor, considerado inflacionado. Mas a UBS 3 dia antes de fazer a recomendação em alta, adquiriu 8,4 milhões de acções, com estas a 9,64 euros, e uma semana depois, estava a vendê-las a 9,84 euros. A UBS com esta recomendação, valorizou as acções e numa semana, embolsou 700 mil euros.

Para beneficiar o presidente do Banif, Horácio Roque que pretendia alienar 10% das suas acções, a UBS subiu a recomendação duas vezes, em dois meses e meio, provocando uma subida das acções para um valor que permitiu um encaixe de mais de 8,75 milhões de euros.

A UBS parece ser o caso mais evidente deste “conflito de interesses” mas não será um caso único. E é assim que se ganham muitos milhões de euros, fintando a lei. E o país o que ganha com isto? Sabe-se que a maior parte dos movimentos bolsistas não são tributados em sede de IRS e IRC. Por exemplo no caso das OPA’s as empresas que recorrerem a empréstimos bancários, para suportar essas operações, deixarão de pagar impostos, mesmo que essas empresas sejam altamente lucrativas, enquanto o empréstimo não for pago.

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Um comentário a “Especulações bolsistas

  1. Para além dos compadrios e jogadas financeiras suficientemente obscuras o dinheiro que nem sequer é tributado em irc/irs vai para contas estrangeiras.

    É tempo de parar com isto.

    O povo tem de sair para a rua.

    Abraço

    [[]]

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