Europa ou voltar aos nacionalismos?

Uma afirmação minha sobre a Europa, no post sobre Cavaco, suscitou algumas discordâncias. Referi apenas o seguinte em resposta a um comentário: “Não consigo imaginar Portugal fora da UE. A Europa das nações e dos povos foi importante para a paz e o progresso. Agora é preciso defender as conquistas sociais; o “povo europeu”, esteve à altura na defesa da causa social europeia, contra a constituição e a directiva Bolkestein e contra a guerra no Iraque. É este o caminho.

Não vou acrescentar muito mais. Tal como em tantas matérias não sou propriamente um versado em assuntos europeus. Também não ligo muito aos dados estatísticos sobre a nossa presença na EU (há para todos os gostos) ou sequer fiz um balanço aprofundado. Sobra a minha intuição e a análise empírica, arrolada numa visão periférica das situações, que a experiência da vida vivida, concede. É pouco mas, à falta de “especializações” concretas (e não há especialistas em tudo, embora alguns o creiam), é esta visão global, não mesquinha, não primária, não comodista, ou porventura circunscrita e guiada pelo pensamento mais comum, que sempre oriento as minhas decisões e opiniões.

Dito isto, reafirmo algumas posições:

A presença de Portugal na UE é uma necessidade objectiva. Com a criação da UE à escala do continente desenvolveram-se condições para gerar políticas comuns, num contexto de interdependências iniludíveis que exigem respostas comuns, em matérias transversais às sociedades, num contexto de globalização acelerada. Isto serve para as questões económicas, políticas, sociais, da segurança, mas também serve, para encontrar soluções e responsabilidades conjuntas, em matérias de preservação do ambiente, de provisões energéticas, do controle das matérias-primas, de exigências ecológicas, de controlo das alterações climáticas.

Sem a UE unificada, (de 27 países e mais de 500 milhões de pessoas) as “defesas” dos países mais pequenos e de mais fracos recursos, estariam hoje condenadas a um isolamento e a um atraso ainda maior. Os riscos de uma divisão europeia e consequentes alinhamentos indesejáveis, a possibilidade de rupturas sociais desorientadas, uma maior desigualdade entre nações e povos, a forte possibilidade de aparecimento de regimes autoritários, seriam possibilidades conjecturáveis e factores de mais instabilidade no mundo.

Sem prejuízo de saber que neste barco e a concorrer com os interesses mais particular dos povos, o grande capitalismo intenta impor políticas restritivas de direitos, determinar regras, fazer valer os seus interesses distintos, não obstante isso e os riscos adjacentes a uma política de globalização inevitável, os povos igualmente, dispõem de oportunidades únicas, para lutar por causas comuns, defender políticas sociais e económicas comuns, combater assimetrias, diminuir a pobreza, defender a paz.

Querer estar de fora ou com um pé dentro e outro fora, a defender pretensos interesses nacionalistas, quando a Europa se alarga, descuidando de saber que os avanços na ciência, nas tecnologias, com uma sociedade e economia globalizada, seria um suicídio político e um atraso de consequências irreversíveis.

Por essa razão é que também defendo o foco da intervenção política, da intervenção partidária, da intervenção social, ambiental e sindical, se centre no plano europeu, criando, incrementando ou expandindo, as organizações dos trabalhadores e dos povos em geral e até ache útil uma constituição europeia, atenta aos factores que atrás referi, sendo que é melhor estar consagrado em forma de lei as linhas políticas globais europeias e dos poderes a constituir de que manter esta forma encapotada e não escrutinada de poder de Bruxelas e dos grandes Estados Europeus.

Por estas razões considero-me um europeísta, de esquerda, claro.

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3 comentários a “Europa ou voltar aos nacionalismos?

  1. “Europa para mim é mais ou menos como a ida ao dentista – é inevitável.”
    ??????

    Que se entende por “Europa”? União Europeia? EEA (European economic Agreement)? EFTA?

    A Europa pode ser inevitável mas essa organização sinistra que é a União europeia essa é e será evitável!

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