Por trás das palavras

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O governo de Guterres, pela mão de Ferro Rodrigues, introduziu talvez o mais forte sinal social, nos pós 25 de Abril, com o princípio do rendimento mínimo garantido, uma medida de extraordinário alcance no combate à miséria extrema.

A sociedade globalizada criou novos desequilíbrios e novas exigências, a que os governos não souberam e não quiseram dar respostas. O país investiu no cimento, na construção, nas auto-estradas, nos estádios de futebol e renunciou aos fundamentos de uma sociedade social, equilibrada, justa. A saúde, a educação, as qualificações, a aposta em políticas de combate à pobreza e à inclusão social, foram propositadamente deixadas de lado. Não são esquecimentos. São opções políticas.

Como portugueses devemos sentir-nos envergonhados de ver Portugal no primeiro degrau da pobreza na Europa. Nos anos sessenta, recorríamos ao socorro social, para ter qualquer coisa para vestir, à misericórdia para comer um prato de sopa, a um centro de acolhimento de pobres, para comer um prato de “prezigo” e para ter uma cama. Hoje, quarenta anos depois, em muitos pontos do país nada mudou e em muitos casos piorou.

Hoje o país coabita com novas formas de pobreza e de miséria social. Algumas famílias sobrevivem em equilíbrio precário e o desemprego atinge famílias inteiras. Uma visita por alguns bairros, por algumas cidades, pela noite, dá o retrato de um país de contrastes. Um país de ricos e de pobres. E uma classe média de faz de conta.

O título do jornal choca-me. E choca-me pelo que está subjacente. Como me chocou quando Bagão Félix, pelo mesmo motivo, mudou o nome de rendimento mínimo garantido para rendimento de social de inserção. Porque o que se quer dizer é que “nós” estamos a sustentar a outra metade dos beneficiários (esses malandros que não querem é fazer nada).

No entanto vale a pena ler alguns depoimentos para se perceber que não há planos de inserção que resistam, sem um plano de integração completa, com o recurso a assistentes sociais, ao apoio psicólogo, a uma educação cultural, a condições de existência dignas.

O rendimento mínimo garantido é o expoente de uma democracia mínima e não exclui, pelo contrário, a procura de soluções de integração e inserção no mercado de trabalho, mas vai para além disso. O Estado não pode demitir-se dessa responsabilidade.

O rendimento de inserção social é um embuste porque carrega uma concepção falsa.

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Um comentário a “Por trás das palavras

  1. O Ferro Rodrigues foi abatido políticamente pelos que dentro do PS não sabem nem querem ser socialistas.

    Ainda acredito que com ele na liderança teria sido feita uma aprximação real e honesta ao BE e ao PCP.

    Estarei enganado?

    [[]]

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