O que fazer com as acções da PT?

Vender as acções agora quando estão abaixo da valor da nova oferta da Sonaecom fazem tanto sentido, como fazia vender quando o valor da oferta da Sonaecom era mais baixa do que o valor do mercado. Nenhum. Numa ou noutra situação seria perder dinheiro.

Vender depois da OPA da PT quer esta tenha sucesso ou não, também não fará sentido, pois é sabido que as acções irão baixar para valores próximos dos 8 euros, segundo os analistas.

Guardar as acções esperando que os resultados da PT, com o Granadeiro ou o Belmiro, tragam melhores resultados operacionais é um risco elevado. Com a separação dos negócios e a alienação de uma das redes, os resultados tendem a piorar; com o endividamento de Belmiro na operação; com a necessidade de cobrir o défice do fundos de pensões; com a remuneração dos accionistas, deixam pouca margem de crescimento à empresa.

Mais seguro, para quem pretende fazer dinheiro, seria vender as acções na OPA a 10,5 euros, um valor acima do valor de compra, desde o ano 2000. Mas com esta operação de venda estarão a entregar a PT à Sonaecom.

As minhas acções foram oferecidas pela PT pelo contributo nos resultados da empresa. Se a minha opção dependesse de ganhar o mais dinheiro possível, não teria dúvidas, vendia as acções a Belmiro de Azevedo.

Mas não é esse o meu objectivo por isso prefiro perder mais de quinhentos euros (o que para mim ainda é um dinheiro a não desprezar) do que ajudar a viabilizar com este meu gesto o sucesso da operação. Por mim, Belmiro de Azevedo, não será o dono da Portugal Telecom.

Importante será manter uma PT genuína, impedindo que os cofres do Estado deixem de receber mais de mil milhões de euros de impostos, defender os postos de trabalho, os cuidados de saúde, as pensões dos trabalhadores da PT e os consumidores não sairem prejudicados.

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por Fernando Publicado em OPA PT

4 comentários a “O que fazer com as acções da PT?

  1. Fernando
    Permite-me algumas considerações acerca deste teu artigo.

    1 – Mesmo que as acções baixem depois da OPA, o que não é líquido, para valores na ordem dos 8 euros, na minha opinião continua a ser um mau negocio vender a 10,5. Os dividendos anunciados são na ordem dos 4,8 euros por acção, logo há uma perca de 0.3 euros por acção. Isto para alem evidentemente perder ao vender a oportunidade de continuar a receber dividendos no futuro.
    Numa visão meramente economicista vender as acções a 10.5 é perder dinheiro. Esta opinião é corroborada por accionistas de referência da PT como facilmente se comprova na leitura da imprensa.
    Portanto por este aspecto estou em total desacordo com a opinião do amigo Fernando.

    2 – Quanto ao vender ou não ao Belmiro, confesso que me sinto inclinado a seguir a opinião do Fernando. Embora não tenha grandes ilusões acerca da gestão Granadeiro e dos interesses que representa, nomeadamente os do BES.

    (Estes tipos do BES, são dos maiores trafulhas que apareceram na PT. A sua nefasta influencia nos destinos da PT começou logo no processo de privatização.
    Lembras-te quem avaliou a PT para a privatização?
    Exacto, foi o BES! Que avaliou por baixo, a metade do preço com a complacência dos governos, se não estou em erro, do governo do Padre António Guterres, e depois, pouco depois da privatização, todos puderam verificar que o negocio foi bom para todos, menos para o país, e para a própria PT e sobretudo para os consumidores de telecomunicações…
    E o BES é dono de 10% da nossa PT, comprando essa quota a preço de saldo)

    Não há, como bem sabemos, bons capitalistas e maus capitalistas. Há capitalistas. Uns são mais f.p. que outros, apenas. Apesar disso, detesto a esperteza saloia do clã Azevedo e dos mentecaptos que nos querem apresentar como gestores modelo. Paulo e Belmiro são a mesma coisa. (Ricardo Salgado também, embora este ultimo não carregue consigo o espectro do empresário que vem do nada e atingiu o titulo do português mais rico)

    3 – Uma nota sobre a tua opinião sobre as ORT’s da PT, inserta noutro post.
    Vou ler, ou reler, o teu artigo conforme recomendas. Adianto no entanto que é minha convicção que as ORT’s não são cândidas organizações representativas dos trabalhadores. As ORT’s são, para minha mágoa, correias de transmissão dos partidos, dos movimentos, de tudo aquilo que se aceite e reconheça com capacidade para influenciar a sociedade.
    E isto é tanto mais verdade, sobretudo hoje que assistimos (embora a proliferação de movimentos “sim” e “não” na questão do aborto, possa fazer crer que assim não é) a uma cada vez menor intervenção dos cidadãos. A cidadania está nas ruas da amargura (mais uma ressalva, não confundir cidadania com elites ansiosas de protagonismo) e isto é tanto mais verdade quando assistimos aos mais torpes atropelos a direitos consignados na constituição a par do entronamento de Sócrates sem que, quem o faz e promove core de vergonha, sem que as maiores vitimas dos atropelos se mobilizem para os travar.
    Sem partidos organizados e profundamente democráticos no seu seio, (espero com esta ressalva “profundamente democrático” exclua qualquer epíteto de baluarte do PC que os teus leitores, ou outros, possam deduzir e colar-me a esse partido que no meu entendimento só tem trazido prejuízos aos trabalhadores e à sua luta), continuando, sem discussão politica e sem debate de ideias nesses ou noutros fóruns, não vamos a lado nenhum.

  2. Caro João C. Lopes, escrever “… PCP… só tem trazido prejuízos aos trabalhadores e à sua luta”, é de um radicalismo extremo e uma inverdade. O programa, a estratégia, a tactática não são as melhores no PCP, agora, até aos prejuízos vai muito…

  3. Fernando,

    Não sei se o que defendes é líquido mas se fosse verdade que “Se a minha opção dependesse de ganhar o mais dinheiro possível, não teria dúvidas, vendia as acções a Belmiro de Azevedo”, então a OPA tinha sucesso garantido. Os accionistas têm que pensar no lucro e apelar aos cidadãos portugueses que são simultaneamente accionistas no que é melhor para o país vai ter um efeito muito curto, reservado aos idealistas puros.

    Como sabes há pormenores desta OPA que claramente deixam-me desagradado – venda de posições no Brasil, incerteza quanto à concorrência, entre outras – e outros pormenores que me agradam – separação da rede de cobre e óptica, menos dependência em relação ao Estado – e não sei se o balanço final vai ser bom ou mau mas, para além da regulação (concorrência, bolsa) que deve ser feita, confio no mercado para chegar a uma solução, que não será a do dia seguinte à OPA já que os acertos vão ser de longo prazo, que será benéfica para o consumidor e para o país. Já o accionista não tem que se preocupar com isso, talvez até deva mas não é esse o seu papel primordial, já que este é um investidor e só convém investir no que pode criar mais-valias. Se este, o accionista, achar que manter o investimento na PT compensa no horizonte temporal que impôs não deve vender mas, se como tu dizes, é melhor vender a 10,5€ então não tenhas dúvidas que a esmagadora maioria vai vender.

    Abraço,

  4. Quem te manda a ti sapateiro…podia ser aplicada a mim no tocante à minha afirmação de que se a minha opção de venda das acções dependesse de ganhar o mais dinheiro possível, vendia as acções na OPA.
    Esta afirmação é controversa como bem sublinharam o João Carmo e o Ricardo.

    O João Carmo fez as contas, baseou-se também no que dizem alguns accionistas de referência e conclui que para o accionista o valor ainda é baixo se adicionar-mos os generosos dividendos que a PT decidiu atribuir de 5 euros por acção. Contudo, penso que este dividendo é só para o exercício em curso. Logo num espaço temporal mais largo, essa vantagem desapareça, a não ser que, uma vez mais e para responder a esta nova oferta a administração, decida remunerar ainda mais os accionistas. Mas como os lucros não são elásticos e resultam em grande parte de engenharia financeira e de cortes nas remunerações aos trabalhadores (veja-se o aumento do ano passado e o proposto para este ano e ainda os aumentos que não foram concedidos aos trabalhadores não subscritores do AE), na não cobertura do défice do fundo de pensões e na diminuição nas comparticipações dos cuidados de saúde e encontramos muita da explicação para esses lucros. Mas com a continuidade destas políticas, o que sobra para investimento, investigação, formação e para os trabalhadores? Tempos difíceis.

    Se este for o cenário é possível que os accionistas ainda possam ganhar a curto prazo um pouco mais do que os 10,5 euros, e não será por acaso que puros especuladores bolsistas como Joe Berard não se predispõe a aceitar a proposta de Belmiro. Recordo que Joe Berard e outros accionistas, já entraram na estrutura accionista com a OPA em curso e portanto a comprar acções muito perto dos 10 euros.

    Mas para quem vê a sua participação a médio prazo e mesmo longo prazo, não me parece que vá ganhar muito tendo em conta o nível de endividamentos e os compromissos com fundos de pensões. Seja com a actual estrutura ou uma nova liderada pelo Belmiro.

    Daí a minha afirmação. Em qualquer dos casos, a curto prazo (até à distribuição dos próximos dividendos) e por força da remuneração extraordinária do dividendo como lembrou o João Carmo, não será mesmo mais lucrativa. Claro que estou a falar de pequenos accionistas. Para os outros médios e grandes accionistas, o que disse parece-me ajustado. Um risco que só quem apostar forte nas lideranças se atreverá a correr. Não será propriamente uma aposta que agrade aos especuladores e será pouco entusiasmante para um pequeno (muito pequeno) accionista.

    Eu pelas razões que expus nunca venderia as minhas acções em OPA. Mas rectifico o que disse para quem para quem não tem o tipo de preocupações que eu e outros, acabará por não ganhar mais se as vender antes das mais valias dos dividendos, como bem explanou o João Carmo.

    O Ricardo alertou para a outra circunstância. É que os pequenos accionistas se acharem que o valor de 10,5 euros considerarem um bom preço, na linha do raciocínio que desenvolvi, então seria o mesmo que dizer que a OPA seria um sucesso. Tem lógica. O pequeno accionista olha apenas para quem a muito curto prazo lhe oferece mais valor. Funciona um pouco na lógica do especulador bolsista. E o pequeno accionista dada a dispersão das acções tem muito peso, não sendo por acaso que Belmiro de Azevedo, tem publicado anúncios na imprensa, directamente dirigidos aos pequenos accionistas, incluindo, a tentativa de entrada no movimento de pequenos accionistas.

    Também me é um pouco indiferente se o patrão da PT é o Belmiro ou outro qualquer. Já não me parece bem que um potentado como a PT e as telecomunicações, imprensa e conteúdos multimédia esteja nas mãos de uma única e poderosa família.

    O Ricardo confia no mercado e nos reguladores. O Ricardo confia que os acertos de longo prazo serão benéficos para o consumidor e para o país. O Ricardo dá cheques em branco ao mercado. Pontos de vista. O Ricardo tem uma (de)formação do economista (de alguns). Eu não sendo economista, olho para outros números. Para os números; alguns mil milhões de euros que o Estado deixa de receber de impostos de IRC – sendo que a PT vai continuara a dar lucros e vai deixar de pagar impostos – lucros que vão pagar parte dos juros e do empréstimo de Belmiro. Para o número de trabalhadores que irão ver o seu posto trabalho em causa; para os 600 milhões de euros do buraco do fundo de pensões que o Belmiro se recusa a dizer como vai resolver; para o sistema de saúde privado que fica em causa; para uma concorrência menor nas comunicações fixas; para uma concentração excessiva dos móveis (TMN+OPTIMUS) num operador; para a perda de dimensão internacional da PT; para o corte de investimentos por força do endividamentos; para uma diminuição da função social.

    Ricardo, havendo um comprometimento público da PT qualquer que seja o resultado da OPA de alienar uma das redes, de cabo (PT Multimédia) ou fixa (PT Comunicações), sendo assegurado que o Grupo PT abdica da simultânea condição de grossista e retalhista das infra-estrutura físicas, gerida por uma entidade independente, que garantem as condições indispensáveis para uma sã concorrência, livre de posições excessivamente dominantes no mercado das comunicações, o que ganha o país e os consumidores com a mudança de mãos da Portugal Telecom, para uma família Azevedo? Em minha opinião absolutamente nada. Seria bem melhor que o grupo Sonaecom, dispondo destas condições se dispusesse a disputar uma posição no mercado. Ganhariam todos.

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