Nojo

“Um dia quando estava feliz a brincar no mais íntimo das tuas entranhas senti algo de muito estranho, que não sabia como explicar: algo que me fez estremecer. Senti que me tiravam a vida!… Uma faca surpreendeu-me quando eu brincava feliz e quando só desejava nascer para te amar (…) Mãe, como foste capaz de me matar?…”

A carta de um pretenso feto à mãe que decidiu interromper a gravidez é, de facto, muito violenta. “Diz-me Mãe: quem poderia entrar cruelmente dentro de ti e chegar onde, com tanta segurança eu me encontrava, a fim de me matar? (…) Como poderia eu imaginar que uma mãe fosse capaz de matar o seu filho quando, em casa, não maltratam nem o gato, nem a televisão?

E continua. “Agora, Mamã, sei tudo. Estou aqui no outro mundo e um companheiro que teve a mesma sorte do que eu, disse-me que sim, que foste tu… Disse-me que há mães que matam os filhos antes de nascerem. Mãe, como foste capaz de me matar? (…) Por acaso pensavas comprar uma máquina de lavar ou um aspirador, com os gastos que talvez eu te iria causar?

A carta remata com a ameaça do Juízo Final e com um apelo. “Ele me disse que terás de Lhe dar contas do que fizeste! (…) Mamã, antes de me despedir de ti, peço-te um favor, que esta carta que te escrevo, a dês a ler às tuas amigas e futuras mães, para que não cometam o monstruoso crime que tu cometeste.

Este é apenas um excerto de uma carta que foi colocada nas mochilas de crianças de dois infantários de Setúbal, o Aquário e a Nuvem, da rede de instituições particulares de solidariedade social (IPSS), e por isso comparticipados pelo Estado, no caso dirigidos pelo Centro Paroquial de Nossa Senhora da Anunciada. A missiva de apelo ao “não” ao aborto, sem estar assinada, motivou a indignação de alguns pais, que protestaram junto das educadoras.

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por Fernando Publicado em Aborto

4 comentários a “Nojo

  1. SETÚBAL PELO SIM

    COMUNICADO DE IMPRENSA

    A coordenação, SETÚBAL PELO SIM, toma posição face à situação noticiada pelo Diário de Notícias de dia 1 de Fevereiro de 2007, vivida nos Jardins-de-infância do Centro Paroquial de Nossa Senhora da Anunciada em Setúbal, onde crianças utentes deste equipamento social foram utilizadas como veículos de propaganda dos movimentos do não ao referendo sobre a despenalização da interrupção voluntária da gravidez, através de folhetos radicais e hediondos (carta de um feto a uma mãe) colocados nas suas mochilas.

    É com total desagrado que vimos uma instituição reconhecida e apoiada pelo Estado, promover de forma inaceitável, desrespeitadora das crianças e das suas famílias e violenta na mensagem que veiculou, a desinformação relativa à pergunta que vai ser colocada aos portugueses e às portuguesas dia 11 de Fevereiro.

    Os movimentos do Sim que compõem esta coordenação defendem uma campanha séria, respeitadora das liberdades e garantias de um estado democrático através de uma discussão saudável na defesa das diferentes posições face à pergunta do referendo.

    Afirmamos os princípios da tolerância, da liberdade e do respeito pelo debate sério e plural desta campanha, reafirmando a nossa total rejeição pela utilização e instrumentalização das crianças neste processo e pela falta de ética plasmada na atitude do Centro Paroquial de Nossa Senhora da Anunciada, reconhecido pelo Estado Português através do estatuto de utilidade pública, o qual lhe confere importante responsabilidade na forma como actua no contexto da comunidade onde se insere.

    Responsabilidade e Cidadania pelo SIM
    Voto SIM
    Jovens pelo SIM
    Médicos pela Escolha

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