Pensamentos

Os anos passam depressa, os dias passam depressa, porque é que o “fim do mês” custa tanto a chegar?

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por Fernando Publicado em Geral

Dos leitores.

De um leitor atento e amigo, recebi um artigo de Emir Sader. Fico um excerto das suas palavras e o artigo.

…tens, de uma maneira geral, [no Foice dos Dedos] abordado as questões do dia a dia, as questões que também encaixam nas minhas angústias ou, de uma forma geral, que fazem parte do meu panorama de afectos. Como me sinto muito próximo das tuas preocupações, dos teus tormentos, dos teus envolvimentos… Até com as tuas partidas e as tuas constantes chegadas, pressinto afinidade e de quando em vez vou até à “Foice dos dedos”. “Numa destas ultimas espreitadas a propósito do concurso os “Grandes Portugueses” abordaste a figura de Álvaro Cunhal. Porem a tua escolha no concurso provocou um certo esgrimir de argumentos entre ti e o Lopes, recorrendo ambos, mais ele que tu creio eu, a algumas expressões que Emir Sader, o autor do texto que refiro, tipifica como características dos ex-esquerdistas, nomeadamente daqueles que aceitaram as famosas “propostas irrecusáveis” e são hoje chefes nos grandes meios de comunicação privados. [Aqui lembrei-me logo, de entre muitos, do José Manuel Fernandes.]

Sobretudo tu, que penso conhecer suficientemente bem, mas também, apesar de não conhecer o teu interlocutor, creio que nem um nem outro se identificam com esses ex-esquerdistas. Portanto o chapéu nada tem que ver convosco… mas como a contenda ainda está fresca … deixo à tua consideração a publicação desse artigo.”

Claro que sim até porque me identifico genericamente com o que está escrito.

Guia para ser ex-esquerdista, por Emir Sader

Servem para quem aceitou as famosas “propostas irrecusáveis” e assumiu cargos de chefia em grandes publicações da mídia monopolista ou em alguma grande empresa privada, que exigem silêncio ou declarações adaptadas aos interesses dos “patrões” (esquecendo-se de que não existem “propostas irrecusáveis” mas sim espinhas dorsais excessivamente flexíveis).

Não seriam casos isolados, afinal as redacções desses órgãos da mídia privada estão apinhados de ex-comunistas, ex-trotskistas, ex-esquerdistas em geral, “arrependidos” ou simplesmente “convertidos” e que passam a vida inteira – como certos “intelectuais” das universidades, que ganham em troca amplos espaços na grande imprensa – a dizer que já não são o que foram, “limpando-se” aos olhos da burguesia dos seus “pecadilhos de juventude”.

Indispensável a referência a que “se é imbecil aos 20 se não se é radical, se é imbecil aos 40 se ainda se continua a sê-lo”, ou alguma alusão como passar “de incendiário aos 20 a bombeiro aos 40”, deixando no ar a afirmação de que se teve uma juventude agitada antes de chegar à idade da razão.

Um bom começo pode ser dizer que “o socialismo fracassou”, que “está decepcionado com a esquerda”, “que são todos iguais”. Já estará em condições de dizer que “não existe mais esquerda e direita”, que alguns que se dizem de esquerda na verdade são uma “nova direita”, são piores que a direita e que é melhor então ficar equidistante. Do cepticismo se passa fácil ao cinismo de “votar na direita assumida” para derrotar a “direita disfarçada”.

Outra via é criticar veementemente Stalin, depois de dizer que ele foi igual a Hitler – “os dois totalitarismos” –, afirmar que ele apenas aplicou as ideias de Lenine, para finalmente dizer que as origens do “totalitarismo” já estavam na obra de Marx. Dizer que Weber tem mais capacidade explicativa do que Marx, que Raymond Aron tinha razão contra Sartre. Que o marxismo é redutivo, só leva em conta a economia, que seu reducionismo é a base do “totalitarismo” soviético. Que não deixa lugar para a “subjectividade”, que reduz tudo à contradição capital – trabalho sem levar em conta as “novas subjectividades”, advindas das contradições de género, de etnia, do meio ambiente etc.

Não falar de Fidel sem fazer preceder seu nome com um “ditador” e chamá-lo de Castro em vez de Fidel. Desqualificar Hugo Chávez como “populista” e, ao mesmo tempo, como “nacionalista”, dando a este a conotação de “fanatismo”, “fundamentalismo”. Concentrar a atenção na América Latina sobre a Bolívia e a Venezuela como países “problemáticos”, “instáveis”, sem fazer nenhuma menção à Colômbia. Sempre que falar da extensão da democracia no continente, acrescentar “excepto Cuba”. Nunca falar do bloqueio norte-americano a Cuba, mas sempre da “transição” – deixando sempre supor que transitariam em algum momento para “democracias” como as que andam por aqui.

Dizer que a América Latina “não existe”, são países sem unidade interna – mencionar “cucarachos”, de forma bem depreciativa. Que nossa política externa tem de olhar para o alto, relacionar-se com as grandes potências e tratar de ser uma delas, em lugar de ficar convivendo com os países da região e os do sul do mundo – África do Sul, Índia, China etc.

Pronunciar-se contra as cotas nas universidades, dizendo que introduzem o racismo numa sociedade organizada em torno da “democracia racial” – uma citação de Gilberto Freire e o silêncio sobre Florestan Fernandes são bem-vindos –, que o mais importante é a igualdade diante da lei e a melhoria gradual do ensino básico e médio para que todos tenham finalmente – vai saber quando, mas é preciso ter paciência – acesso às universidades públicas. Dizer, sempre, que o principal problema do Brasil e do mundo é a educação. Que empregos há, possibilidades existem, mas falta qualificação da mão-de-obra. Que o principal não são os direitos, mas as oportunidades – falar da sociedade norte-americana como a mais “aberta”.

Desqualificar sempre o Estado, como ineficaz, burocrático, corrupto e corruptor, em contraposição à “economia privada”, ao “mercado”, com seu dinamismo, sua capacidade de inovação tecnológica. Exaltar as privatizações da telefonia – “antes ninguém podia ter telefone, agora qualquer pobre diabo na rua anda falando em celular” – e da Vale do Rio Doce, calar sobre o sucesso da Petrobras ou afirmar ainda: “imagine se tivesse se tornado Petrobrax, como estaria melhor!”.

Em suma, há tantos motivos para quem tiver decidido deixar de ser de esquerda – bastaria o “farinha pouca, meu pirão primeiro” – e buscar ganhar a vida de costas pró mundo e para sua própria biografia. O “mercado” retribui generosamente os que renegam os princípios em que um dia acreditaram.

Mas muito mais fácil é continuar a ser de esquerda. Nem são necessários pretextos, bastam as razões sobre o que é este mundo e o que pode ser o outro mundo possível.

(*) Emir Sader nasceu em São Paulo, no ano de 1943. Formou-se em Filosofia na Universidade de São Paulo. Fez Mestrado em Filosofia Política e Doutorado em Ciência Política, ambos na Universidade de São Paulo. Na mesma universidade, trabalhou como professor, primeiro de filosofia, depois de ciência política. Foi, ainda, pesquisador do Centro de Estudos Sócio Económicos da Universidade do Chile, professor de Política na UNICAMP e coordenador do Curso de Especialização em Políticas Sociais na Faculdade de Serviço Social da UERJ. Actualmente dirige o Laboratório de Políticas Públicas na UERJ, onde é professor de sociologia.

Ópera do malandro

Adenda: A Ópera do malandro é um disco de Chico Buarque da Holanda e foi lançado em 1977 em plena ditadura militar. O Álbum é preenchido com canções de critica à ditadura e à corrupção militar e tem a participação de muitos artistas que interpretam vários temas. A canção Geni e o Zepelim retrata a hipócrisia de uma sociedade, que despreza uma prostituta de nome Geni, mas que é alvo da cobiça de um comandante militar que ameaça destruir tudo, se ela não se entregar a ele. Mas Geni também tinha o seu orgulho e recusa tal pedido, fazendo com que toda a população se vergue e vá suplicar a Geni, logo ela, que servia a qualquer um, tendo ela condescendido, pensando desse modo ganhar o respeito geral. Só que logo que o comandante abandona a cidade, o povo atira-se novamente contra Geni.

Geni e Zepelim

De tudo que é nego torto
Do mangue e do cais do porto
Ela já foi namorada
O seu corpo é dos errantes
Dos cegos, dos retirantes
É de quem não tem mais nada
Dá-se assim desde menina
Na garagem, na cantina
Atrás do tanque, no mato
É a rainha dos detentos
Das loucas, dos lazarentos
Dos moleques do internato
E também vai amiúde
Co’os velhinhos sem saúde
E as viúvas sem porvir
Ela é um poço de bondade
E é por isso que a cidade
Vive sempre a repetir
Joga pedra na Geni
Joga pedra na Geni
Ela é feita pra apanhar
Ela é boa de cuspir
Ela dá pra qualquer um
Maldita Geni

Um dia surgiu, brilhante
Entre as nuvens, flutuante
Um enorme zepelim
Pairou sobre os edifícios
Abriu dois mil orifícios
Com dois mil canhões assim
A cidade apavorada
Se quedou paralisada
Pronta pra virar geléia
Mas do zepelim gigante
Desceu o seu comandante
Dizendo – Mudei de idéia
– Quando vi nesta cidade
– Tanto horror e iniqüidade
– Resolvi tudo explodir
– Mas posso evitar o drama
– Se aquela formosa dama
– Esta noite me servir

Essa dama era Geni
Mas não pode ser Geni
Ela é feita pra apanhar
Ela é boa de cuspir
Ela dá pra qualquer um
Maldita Geni

Mas de fato, logo ela
Tão coitada e tão singela
Cativara o forasteiro
O guerreiro tão vistoso
Tão temido e poderoso
Era dela, prisioneiro
Acontece que a donzela
– e isso era segredo dela
Também tinha seus caprichos
E a deitar com homem tão nobre
Tão cheirando a brilho e a cobre
Preferia amar com os bichos
Ao ouvir tal heresia
A cidade em romaria
Foi beijar a sua mão
O prefeito de joelhos
O bispo de olhos vermelhos
E o banqueiro com um milhão
Vai com ele, vai Geni
Vai com ele, vai Geni
Você pode nos salvar
Você vai nos redimir
Você dá pra qualquer um
Bendita Geni

Foram tantos os pedidos
Tão sinceros, tão sentidos
Que ela dominou seu asco
Nessa noite lancinante
Entregou-se a tal amante
Como quem dá-se ao carrasco
Ele fez tanta sujeira
Lambuzou-se a noite inteira
Até ficar saciado
E nem bem amanhecia
Partiu numa nuvem fria
Com seu zepelim prateado
Num suspiro aliviado
Ela se virou de lado
E tentou até sorrir
Mas logo raiou o dia
E a cidade em cantoria
Não deixou ela dormir
Joga pedra na Geni
Joga bosta na Geni
Ela é feita pra apanhar
Ela é boa de cuspir
Ela dá pra qualquer um
Maldita Geni

Porquê a OPA sobre a PT?

“… É evidente que a OPA da Sonae sobre a PT tem objectivos claros: evitar o desaparecimento da Sonae.com que, como terceiro e mais pequeno operador do espaço radioeléctrico nacional, mais cedo ou mais tarde, provavelmente mais cedo que tarde, seria absorvido numa qualquer vaga de fusões do sector … Além disso, constitui um bom negócio para a família Azevedo.

… A estratégia do grupo Sonae, talvez melhor a sua simples ideia, é velha e vem nos compêndios: pagar o cão com o pêlo do próprio cão.

É que toda a gente percebeu que como esta OPA é na sua essência um destruidor de valor sem que se vislumbre a criação de algo correspondente. Uma parte do próprio mercado veria assim com bons olhos o fracasso da OPA pelo que isso significaria o evitar de uma sobrecarga da dívida da empresa por causa do forte endividamento da Sonae para comprar a operadora.

Em vez de investimentos e dividendos teremos, na lógica do cão, de pagar o capital pedido em empréstimo e os juros da operação; em vez de potenciar o negócio brasileiro, venda da VIVO à Telefónica para reduzir a factura da compra e o endividamento resultante; em vez dos investimentos que, apesar das provadas incompetências da anterior gestão, transformaram a PT num dos maiores investidores nacionais, teremos todos que andar a trabalhar para pagar as dívidas.

… No fim contabiliza-se uma enorme vantagem: a de que nada ficará como antes depois da separação das redes do cobre e do cabo, argumento aliás atrás do qual todos se refugiam para elogiar o movimento da Sonae. Terá valido a pena? Não será uma magra consolação para tão grande estrago?”

J. M. Brandão de Brito
(Jornal de Negócios, 24 Janeiro de 2007)

por Fernando Publicado em OPA PT

Obrigar uma mulher a ter um filho indesejado é um acto de terrorismo.

Os defensores do Não estão a inquinar o debate sobre a pergunta que vai a referendo. As coisas são muito simples. A lei já prevê excepções em que é permitido o aborto. Agora pretende-se acrescentar mais uma excepção. Permitir o aborto legal até às 10 semanas. Não para obrigar as pessoas a abortar, mas para proteger as mulheres que se vêem obrigadas a abortar, do enxovalho público, dos julgamentos, da devassa da sua vida privada, de serem condenadas ou até presas. Só isso.

Obrigar uma mulher a ter uma criança não desejada é um acto de terrorismo. Manter uma lei que condena as mulheres por fazer um aborto é empurrar essas mulheres para o aborto clandestino e para a forte possibilidade de contrair graves riscos de saúde e até pôr em causa a própria vida.

A discussão sobre o momento em que há vida humana é uma discussão interessante, mas neste referendo apenas pode interessar aos especialistas. Não interessa a quem tem de decidir o que fazer perante uma gravidez indesejada. É uma discussão interessante sem dúvidas mas para outro momento.

Para a mulher ou um casal, que deseja ter um filho, que almejam ser mãe e pai, a “vida” começa no instante em que fazem amor com esse fim, começa no dia em que o resultado da gravidez é positivo. Para eles começa aí a vida do bebé. A vida do filho desejado. Todos os segundos, a partir desse momento, são segundos de vida do seu bebé.

Já quem engravida sem querer, a “vida” só chega no dia do parto. Para elas interromper a gravidez, é impedir que nasça uma vida não desejada. São estes os dilemas com que as mulheres se confrontam. Quem faz um filho por gosto, a vida começa na concepção. Quem engravida sem desejar a vida começa no parto.

O resto é discussão científica, filosófica, médica. Não é isso que vai contar neste referendo. Não é isso que está em causa.

O que está em causa é dizer sim ou não a uma lei que condena as mulheres ao julgamento e a uma pena até 3 anos de prisão, por ter decidido interromper a gravidez até às 10 semanas. Tudo o resto é de uma profunda hipocrisia, em minha opinião.

Nota: No próximo sábado, pela 10 horas, na rua da Bandeira em Viana do Castelo, é inaugurada a sede do núcleo local do Movimento Cidadania e Responsabilidade pelo Sim, seguido de uma distribuição de comunicados à população. A sessão é aberta à participação dos interessados.

por Fernando Publicado em Aborto

O maior Português de sempre

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O meu voto foi para Álvaro Cunhal. Os portugueses durante 48 anos estiveram privados das liberdades. A liberdade é para mim o bem mais precioso. Muita gente lutou e morreu pela liberdade. Álvaro Cunhal é para mim o símbolo da resistência antifascista em Portugal. É um voto emotivo, reconheço. Mas sem liberdades não conseguia viver.

Nunca fui militante do Partido Comunista e nunca irei ser. A sociedade que defendo está longe do paradigma do modelo defendido pelo Partido Comunista. Sou um dos que “explica a razão pela qual somos actualmente o mais atrasado país da Europa”, nas palavras do adiantado mental Miguel Sousa Tavares.

Sequestro?!

Uma mãe que não tem condições de criar uma criança, saída de uma relação acidental de uma noite de sexo. Um pai que não quis saber e recusou assumir a paternidade, deixando a companheira dessa noite, desempregada, entregue à sua sorte. Uma família que acolhe o bebé, com cinco meses, entregue pela mãe e lhe dá todos os cuidados indispensáveis. Dá-lhe amor, carinho, dá-lhe os afectos que um bebé precisa. Um bebé, agora uma criança com cinco anos, que não reconhece outros pais, que não sabe distinguir entre pai biológico e adoptivo. Uma criança que conhece apenas quem lhe dá amor.

Estes são os ingredientes para uma história surreal.

O pai biológico depois de ser obrigado a reconhecer a paternidade, “quis” ficar com a criança. Antes disso, mesmo depois de alertado pela mãe, não quis saber, não acompanhou a gravidez, o nascimento da criança, nem os primeiros tempos de vida.  Por birra, bizarria ou outra razão mesquinha, intentou uma acção contra os pais adoptivos e o Tribunal deu-lhe razão. O Tribunal deu-lhe razão, sem ouvir a mãe biológica, sem ouvir os pais adoptivos, sem ouvir especialistas da psicologia infantil, sem auscultar peritos na área psico-social, sem cuidar de saber as autênticas motivações do pai biológico.

Um homem, no caso um Juiz, sem a preparação necessária, em áreas tão sensíveis, por sua conta e risco, decide-se pela condenação de sequestro quem acolheu a criança e sempre lhe deu carinho desde os três meses. Uma aberração jurídica. Condenar por sequestro quem acolhe, generosamente, um bebé, entregue por uma mãe, desesperada, sem condições para o criar, e sabendo que o pai biológico nunca ligou à criança, e lhe dá toda a ajuda, protecção e amor durante cinco anos.

O Juiz decidiu, está decidido! E a criança sem poder escolher, sem direito a ter opinião, de pé para a mão, arrisca-se a perder os seus pais a sério, os que lhe deram o leite materno, o biberão, lhe mudaram as fraldas, lhe deram educação e amor, para ser entregue a uma pessoa, que por um acaso de uma noite de sexo, é o seu pai biológico.

Segundo as informações de pessoas, dentro do processo, que investigaram o caso, o pai biológico, só depois de obrigado a fazer o teste de paternidade e por pressão de um seu familiar, intentou a acção de lhe ser entregue a criança.

Nisto tudo sobra a injusta e cega decisão do Tribunal. O processo que conduziu à decisão e a própria decisão não defendeu os interesses da criança. E o que estava em causa não eram os interesses do pai biológico ou dos pais adoptivos. O que estava em causa era apenas e só proteger os interesses da criança.

A justiça não pode estar nas mãos de um homem só. O Direito por si não garante a justiça. Impõem-se que a decisão seja revogada e feito um novo julgamento. A criança não pode ser um joguete ou o troféu de interesses mesquinhos. Só os pais adoptivos, neste momento, desfrutam de condições para ficar com a criança.

Os gestores públicos continuam com o mesmo regime de privilégios.

Apesar de resoluções de vários Conselho de Ministros e das promessas deste Governo, os gestores públicos continuam a beneficiar de regimes de remunerações especiais.

Os gestores públicos continuam a receber salários acima da remuneração base aprovada, em mais de 200 por cento do estipulado no diploma. Ao salário acresce ainda as “despesas de representação”, os “prémios de gestão”, o pagamento de despesas com telefone e telemóvel, a possibilidade de ficarem com a viatura de serviço, ao fim de três anos, pelo valor residual, a oferta de planos complementares de reforma pagas pelas empresas.

Outra falta apontada pelo Tribunal de Contas é a não entrega da declaração dos rendimentos, bem como uma inventariação do seu património e cargos sociais exercidos, com indicação dos rendimentos brutos auferidos o que implica a falta de controle da riqueza dos titulares dos órgãos públicos.

Bem prega Frei Tomás.