Brutalidades

A EDP quer dispensar 600 trabalhadores da área de distribuição, entre 2007 e 2010, tendo alocado 200 milhões de euros para rescisões de contrato e reformas antecipadas.

Até aqui, em principio, tudo bem. Quer as rescisões, quer a antecipação da reforma, dependem, em última análise, da concordância do trabalhador, com as propostas que lhes irão ser apresentadas, não obstante as “pressões” de que serão alvo, mesmo que aparentemente as condições possam ser atractivas. Sei-o por experiência própria.

O que está aqui em causa é que a EDP quer fazer repercutir nos consumidores os custos com a redução do pessoal. A proposta já foi feita à entidade reguladora (ERSE) que fixa os preços das tarifas e esta já disse que sim, espantem-se, se “existirem benefícios evidentes para os consumidores”. Benefícios para os consumidores como? Em quê?

Andam a brincar connosco! No início deste ano, os consumidores viram as suas tarifas aumentadas em 6 por cento. Mas como todos sabemos a EDP e a ERSE queriam que fosse 15,7 por cento. Queriam um aumento superior, para serem os consumidores a suportar os custos acumulados da construção das infra-estruturas de instalação e transporte da energia eléctrica, o chamado “défice tarifário”. Agora querem um novo aumento para poder dispensar trabalhadores. Parece que finalmente estamos a descobrir o rabo do gato escondido. Afinal o aumento pretendido de 15,7 por cento e que levou à demissão do Presidente da ERSE, já traria consigo um suporte adicional para estas reduções de pessoal. Ou conseguem imaginar um aumento de 15,7 seguido de mais outro, subtraído aos consumidores? Não me parece. Seriam aumentos ainda mais escandalosos.

O que não consigo perceber mesmo é como sendo a EDP, uma empresa com lucros fabulosos, precisa de ir mais ao bolso dos pobres consumidores.

O Primeiro-Ministro diz que é altura dos portugueses deixarem a fase do queixume e passarem à acção…

Eu também acho! (de que se está à espera?)

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2 comentários a “Brutalidades

  1. Esta administração da EDP, só pensa nos lucros pois caso contrário não tinha ideias brilhantes e/ou iluminadas como esta. Se todos nos apercebermos do que pretendem não é dificil de adivinhar que preparam rápidamente a privatização da empresa. Gostaria de ver o Sr. Primeiro Ministro passar à acção demitindo esta administração, mas atenção sem direito a indemnização, porque é isso que eles estão à espera. CHULOS.

  2. O sistema capitalista é um sistema altamente contraditório.
    Por um lado a sua lógica de crescimento “obriga-o” a criar grandes assimetrias na distribuição da riqueza, por isso assistimos “passivamente” [Por enquanto!] ao desmesurado enriquecimento de uns e o empobrecimento vertiginoso de outros. Estes muitos mais que aqueles.
    Mas a lógica capitalista é contraditória, porque o sistema só é funcional se o dinheiro circular, se os produtos (riqueza produzida, muitas vezes a reduzido custo) forem vendidos. Para haver vendas tem que haver poder de compra. Ao depauperar as classes trabalhadores no geral e a classe média no particular, o capital retira poder de compra aos potenciais compradores. Se persistirem nessa lógica de empobrecimento não têm clientes, isto é; se a classe média, potencialmente a maior consumidora, não tiver poder de compra, não pode comprar os produtos. Produtos que por sua vez têm custos (mais-valias, lucro, especulação etc, etc… associados e dos quais o capital, os senhores do capital melhor dizendo, se apropriam), sem essa condição não há movimentação de capitais. Se não há movimentação não há geração de riqueza (escrevo numa lógica de capital). Se não há mercado a consequência é a estagnação das economias e por consequência cessam os dividendos descomunais que permitem as empresas apresentar milhões de lucro. Temos o exemplo do endividamento das famílias, e de cidadãos individuais. Começa, é aliás já um caso muito sério, o facto de não poderem por dificuldades económicas, honrarem os compromissos assumidos.
    [Por exemplo o endividamento para aquisição de casa própria, e a incapacidade em cumprir os compromissos, decorrente da não concretização das expectativas, tem provocado um excesso de casas nas mão dos bancos, que pode criar um problema nos custos das habitações. Os bancos quererão livrar-se dessas habitações, a preços verdadeiramente concorrências, isto é mais baixos, e isso acarretará problemas para os constritores que são também eles clientes dos bancos…]
    Não estou a inventar nada, limito-me a escrever, com o meu pouco talento é certo, o que todos nós que nos preocupamos com esta coisa a que chamamos ciência politica, ou por outras palavras, gestão da “cousa publica”, observamos do dia a dia e das bases de sustentação do sistema capitalista.
    Mas, o que verdadeiramente me preocupa, é que este sistema vai inevitavelmente criar milhões e milhões de desempregados, de deserdados…
    [Todos os dias há despedimentos, o “Foice dos dedos” tem a seu modo denunciado essa situação. Deserdados cá e lá, nessa Europa que se quer dos cidadãos mas que não é. (Algum dia será?).]
    O que me preocupa verdadeiramente é que os milhões de deserdados um dia dirão BASTA! E quando tal acontecer, se acontecer, pode não haver racionalidade na acção e pode até acontecer que o prevaricador não seja propriamente o alvo da fúria, que se crê incontrolada…
    Esse é o verdadeiro problema, porque a revolta, particularmente neste sistema, é uma questão de cidadania que eu quero chamar de cultura.

    “(…) é altura dos portugueses deixarem a fase do queixume e passarem à acção…” (José Socrates)

    Claro! Mas cuidado porque “do rio que tudo arrasta, dizem violento, mas ninguém diz violentas as margens que o comprimem.” (B. Brecht)

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