A impunidade nas empresas públicas

Não sei se ele é um bom gestor. Os jornais dizem que sim. Como administrador da CP entre 1995 e 2001, foi responsável pela modernização das linhas férreas, pela criação dos Intercidades e Alfas e o transporte ferroviário de encomendas, o Tex. Foi também administrador do Metro do Porto e do Metro do Mondego e na Rede de Alta Velocidade, sendo o co-autor do desenho da rede de alta velocidade escolhido por Durão Barroso. Não sei se isto o define com um bom gestor, repito.

Depois de afastado da administração, esteve cinco anos e meio, sem fazer rigorosamente nada, até pedir a demissão há dias. Neste tempo, segundo o próprio, apenas participou em três reuniões de quadros da empresa. Sem nenhuma função atribuída, recebia 3500 euros líquidos mensais, mais telemóvel e automóvel, com direito a secretária. Por ano, só em salários a empresa despendia com ele, 100 mil euros.

Esta merda porcaria de notícia, não teria importância nenhuma, se não estivessemos a falar de uma empresa do Estado, que soma prejuízos todos os anos. Mas poderia ser de outra forma por acaso, tendo em conta estes exemplos?

O problema é que os gestores públicos das empresas públicas não são responsabilizados pelos resultados negativos e pela má gestão da coisa pública, reinando a plena impunidade. Mas mesmo com prejuízos, os responsáveis por estas empresas, no fim do ano, em regra e sem escrúpulos nenhuns, ainda recebem prémios chorudos, oferecidos por eles a eles próprios, a juntar aos seus generosos salários e benefícios chorudos.

E quem paga tudo isto somos nós claro…

Dirão que que isto só acontece, numa empresa pública. É verdade, mas isso apenas significa que muitos dos gestores públicos, são uns “bandidos” que se aproveitam da impunidade de um Estado balda.

Não tenho dúvidas de que é possível ter empresas do Estado bem geridas, com bons resultados e a prestar um serviço público de qualidade. Basta apenas ter com as empresas do Estado, em particular com os gestores públicos, um grau de exigência e de responsabilidade, consentâneo com os vencimentos e regalias que auferem. Aquilo que afinal, acontece em muitas das empresa privadas.

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