Contra uma ETA terrorista

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Em 26 de Setembro de 1975, num fim de tarde, se bem me lembro, deu-se o assalto, seguido de incêndio à Embaixada de Espanha no Porto, em protesto contra a condenação à morte de 5 militantes da ETA e da FRAP. A palavra de ordem gritada a plenos pulmões, por centenas de pessoas era “Viva a FRAP, Viva a ETA, Viva a luta dos povos de Espanha”.

Tenho bem presente as imagens do edifício da Embaixada a arder e da polícia militar, a tentar proteger o que era possível e a afugentar violentamente os manifestantes. Eu estava lá! Esta acção visava colocar pressão contra pena de morte, denunciar o regime fascista de Franco e apoiar os movimentos nacionalistas.

Não me arrependo, pelo contrário, em ter participado naquela acção, apelidada de provocatória pelo PCP e condenada pelos restantes partidos do sistema. Hoje tudo é diferente. Se ontem vim para a rua apoiar a ETA e condenar o regime franquista, hoje viria para a rua protestar contra a ETA em apoio e de solidariedade às famílias das vítimas dos ataques terroristas da ETA.

Mudaram-se os tempos mudaram-se as circunstâncias. A Espanha não é nenhuma ditadura e a independência ou autodeterminação nacionalistas, não se conseguem pelas armas, pelo terror e pela morte de inocentes.

Por isso a minha condenação a esta tentativa de atentado terrorista, reivindicado pela ETA, neutralizado pela polícia espanhola, que a tempo, conseguiu detonou o explosivo colocado numa viatura, no aeroporto de Barajas, em Madrid.

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6 comentários a “Contra uma ETA terrorista

  1. Concordo contigo: Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades. E não há que ter vergonha de admitir, afinal os contextos também mudam.

    Um bom 2007 para ti, Fernando. Tudo de bom.

  2. Estar de acordo com a decisão de Zapateiro em primeiro suspender e agora dar por findas as negociações com a ETA é uma coisa. Ceder à Comissão “Em nome das vitimas” (acho que é assim que se chama) recusando todo e qualquer dialogo é outra coisa. Não se pode ceder também a esta atitude de força. Até porque em nome da memoria dessas vitimas inocentes impõe-se evitar novas vitimas.
    Pessoalmente penso que apesar de serem terroristas não se devia acabar com o dialogo.
    Não sei bem como, mas sou de opinião, que não se devia fechar as portas ao dialogo, nomeadamente com os sectores mais moderados do nacionalismo basco. Entendo ainda que a decisão de ilegalizar o Batasuna é absurda e “legitima” a ETA clandestina e terrorista.
    Afinal se não há dialogo como pediram os manifestantes das “portas do Sol” a solução é qual? Ocupar todas as ruas do País Bascos? Com a legião estrangeira? Como?
    A memória dos mortos exige dialogo sem cedências ao terrorismo com todos os agentes e todos os sectores da população basca.

    Obviamente que a solução para o problema passa pelo estado espanhol deixar os bascos escolherem o seu futuro, livremente, sem pressões nem chantagens…

  3. Importa agora é reflectir sobre os métodos da ETA. Importa pensar se a explosão de uma bomba num sitio público como é um aeroporto com a previsível morte de dezenas ou centenas de pessoas ajudará a causa do povo basco. Importa saber se quem dirige a ETA está mesmo interessado na independência do País Basco. Tenho muitas dúvidas. Já o Herri Batusana podia ter sem dúvidas assumir um importante papel na luta política. Mas infelizmente a tendência mais moderada do movimento não consegue ganhar posições e o apoio que tinha vai se dissipando. As tréguas estavam aceites e o diálogo estava a ser feito. Foi este acto que obrigou o Governo a rever a sua atitude e a tomar uma posição de força rompendo as negociações. Sem dúvida que as negociações vão ter de se reiniciar, mas não neste quadro. O Zapateiro não teve margem de manobra para tomar outra posição que não a que tomou.

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