“Democratizar” a democracia.

Nuno Melo líder do grupo parlamentar do CDS/PP teceu critica pública à direcção e ao presidente, defendendo o regresso de Paulo Portas à liderança do partido.

A posição de Nuno Melo e as reacções dos pataratas dos dirigentes do CDS/PP poderiam suscitar um debate interessante sobre a qualidade da nossa democracia. Vou deixar a minha opinião e confesso que gostaria de conhecer outras.

Em minha opinião, a liberdade de um militante exercer, em público ou em privado, a critica deve ser um dos valores absolutamente inquestionáveis no funcionamento de um partido democrático. Considero mesmo que um partido que não aceite este princípio é um partido-coutada de alguns senhores. É um partido fechado à sociedade e ao activismo partidário. No meu entendimento, um partido de “alma” intrinsecamente democrata, deve ser apelativo à participação cidadã, exigente e responsável e não se deve nunca perturbar, com a exposição pública de divergências.

Quantos partidos existem com esta “alma”? Que partido aceita com respeito, naturalidade e tranquilidade a diferença de opiniões no grupo? Nenhum. Nos estatutos alguns, mas na prática, apenas vão tolerando desde que não provoque “danos”.

Nos grandes partidos, até se permitem fazer esse tipo de criticas, mas são apenas “aparências” democráticas porque o que subjaz são “assaltos” à liderança, apanhar lugares e os crónicos alinhamentos oportunistas aos potenciais chefes.

Tentando ser claro. Uma coisa é a lealdade e a responsabilidade política dos intervenientes que deve ser preservada. Outra bem diferente é tentar silenciar as posições críticas de quem entende ser adequado tornar publica uma diferença de opinião.

Numa situação destas não há nada a fazer que não seja aceitar a regra do jogo democrático. Sem sobressaltos. Não consigo vislumbrar uma situação onde a intervenção do colectivo partidário poderá se sobrepor à livre expressão de um pensamento ou de uma critica.

Uma crítica bem arrumada no plano político e ético pode incomodar, ser injusta, mesmo desagradável, mas renegar este valor fundamental da democracia é impróprio de um partido democrático.

Por isso e independentemente das razões de Nuno Melo (também ele um patarata) só por patetice e pouca cultura democrática, se pode exigir uma demissão, mesmo tratando-se do líder parlamentar, por ter manifestado a sua opinião sobre o curso do seu partido e da sua liderança.

No dia em que os partidos (os militantes) souberem conviver pacificamente com estes aspectos, teremos sem dúvidas uma democracia melhor.

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2 comentários a ““Democratizar” a democracia.

  1. A minha opinião é igual à tua no que respeta à pataroquice do Nuno Melo ao não ter pensado no que lhe ía acontecer por tornar pública a sua saudade pelo antigo líder.
    Quanto ao resto acho mais “produtivo” as críticas começarem por privadas antes de se tornarem públicas. E ele tem alguma responsabilidade dentro do partido dele. É claro que tem direito à sua opinião mesmo que seja discordante mas talvez internamente ele se pudesse fazer ouvir com mais resultados práticos do que vir afrontar dirigentes na praça pública.

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