A morte saiu à rua

Um tiro certeiro, à queima-roupa, em plena rua, matou José Dias Coelho há 45 anos. A besta da pide não fazia por menos aos mais incómodos. José Dias Coelho tinha apenas 38 anos de idade. Era um jovem artista plástico, militante comunista e um revolucionário. Lembrar, José Dias Coelho é um testemunho de gratidão. José Afonso deixou para a história, “A morte saiu à rua” em sua homenagem. 

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A morte saiu à rua num dia assim
Naquele lugar sem nome para qualquer fim

Uma gota rubra sobre a calçada cai
E um rio de sangue de um peito aberto sai

O vento que dá nas canas do canavial
E a foice duma ceifeira de Portugal

E o som da bigorna como um clarim do céu
Vão dizendo em toda a parte o Pintor morreu

Teu sangue, Pintor, reclama outra morte igual
Só olho por olho e dente por dente vale

À lei assassina, à morte que te matou
Teu corpo pertence à terra que te abraçou

Aqui te afirmamos dente por dente assim
Que um dia rirá melhor quem rirá por fim

Na curva da estrada há covas feitas no chão
E em todas florirão rosas de uma nação

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3 comentários a “A morte saiu à rua

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