Quem diria?

Para muitos o meu blogue era um blogue bloquista. Para alguns, os que me conhecem bem, não era, não foi, nunca seria. Na parte que me toca disse sempre que apesar de ser um aderente do Bloco, de ter actividade partidária, de ter sido eleito para um lugar público em listas do Bloco, nunca fui um “bloquista” e nem este espaço seria uma tribuna de qualquer partido. Talvez alguns se lembrem de algumas perguntas que fiz na “A hora que há-de vir!..” e da minha resposta a todas as questões. Vou recuperar todas embora algumas sejam laterais a esta conversa:

É possível ser deputado municipal e não ser um político?
É possível ser militante de um partido e não ter partido?
É possível ser um activista sindical e não ser sindicalista?
É possível ser de esquerda e gostar do conforto e bem-estar?
É possível ser considerado um radical por uns e um moderado por outros?
É possível ser considerado um conflituoso por uns e um conciliador por outros?
É possível ser um machista e considerar as mulheres mais fortes que os homens?
É possível estar na política sem procurar interesses pessoais?
É possível desejar uma sociedade de tipo comunitário, sem ser anarquista ou comunista, tal como são olhadas?
É possível ter uma actividade pública, vestir simples e usar um brinquinho?
É possível ser extremamente liberal nos usos e costumes, defender o casamento e a adopção de crianças por casais homossexuais, o divórcio unipessoal, a convivência pacífica e multicultural dos povos, raças, etnias, religiões, sem achar isso estranho?
É possível defender o aborto e a eutanásia livre por desejo dos próprios, a qualquer momento, sem que se considere um criminoso?
É possível ser fiel à companheira e admitir a (minha) sexualidade fora do casamento?
É possível que eu não regule muito bem?

O Título do post era elucidativo: A minha resposta é sim

Porque repego isto agora? Apenas por duas razões. A primeira é que, depois disso, quem passou a estar mais atento teve oportunidade de verificar que quem preserva princípios de independência de liberdade de ética, nunca em nenhuma condição, se sentirá limitado na sua acção prática. Penso que isso foi amplamente demonstrado no percurso do blogue. A segunda razão é para dar conta de que, por onde menos esperava (quando alguns começaram a sentir a minha total e inabalável independência e sentido critico, sem esconder criticas públicas a quem tinha e tenho afinidades ideológicas) alguns se afastaram daqui.

Refiro-me a alguns dos aderentes, simpatizantes e dirigentes do Bloco que eram presenças habituais por aqui a comentar ou postando. Não terá sido pela descaída de qualidade dos textos, nesse aspecto nada mudou. Bons, medianos ou fracos nesse aspecto tudo está igual. Não posso afirmar que o lado pessoal também saiu afectado. Estou a ver ainda…

Agora que lamento, lamento … e fico muito triste. Parece-me que alguns Bloquistas só o são de fachada. Estou convencido eu que não sou agora aderente do Bloco, continuo a identificar-me mais com a filosofia “anunciada” e subjacente ao projecto de que muitos que ainda estão no Bloco. Provavelmente eu é que deveria estar dentro e muitos outros de fora.

Não tivesse eu 51 anos de idade e muita pouca pachorra para discussões de lana caprina e as coisas seriam diferentes. Ah, os meus 20, 30, 40 e muitos anos…

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9 comentários a “Quem diria?

  1. Olha que alguns (aderentes do Bloco) só não comentam pela mais criticável das razões…preguiça. Pura e simples. Imbatível. Irreversível. Monstruosa preguiça. Mas vêm cá…e gostam. Até acho que gostam mais agora e tudo.

    Aos 49 e meio, ainda fazem parte dos 40 e muitos e ainda há pachorra? È só para ver o tempo que me resta…

  2. O meu caminho é para a frente, para os lados, para trás às vezes, Helena …à procura. Há procura da altura certa e do melhor caminho, para ir para a frente … porque é para a frente o caminho.

    Isabel, essa preguiça é-me comum, mas é bom ler que é por preguiça apenas…. Embora saiba que no que te toca é isso mesmo.

    Aos 49 e meio, como será o teu caso, (tens mesmo essa idade?) ui, minha amiga… ainda te falta muito tempo. Os “meus” 51 é que já pesam muito.

  3. Não Fernando, ainda não…ainda estou nos 47…só que como falaste nos 51…queria saber se ainda tinha oelo mesno 2 anos e meio para ter pachorra…partindo do principio que normalmente perco a pachorra antes aa maioria das pessoas…portanto…ok…restam-me mais ou menos 2 anos…não sei se deva dizer “ainda bem” ou “tou feita”…

  4. A esquerda necessita de pessoas assim, sejam independentes, sejam bloquistas, sejam comunistas, mesmo existindo discordância politica em muitas “coisas”, existe uma que nos momentos cruciais tem que se sobrepor a todas as outras, que é a consciência da esquerda, daquela esquerda que defende os valores sociais, daquela esquerda que põe o bem estar do Homem e a sua dignidade acima de tudo.
    Continua a lutar pelos teus ideais, pois “atrás de cada esquina” existe alguém que observa, e assimila esses valores…. e esse “alguém” no futuro, quem sabe…
    Já agora, por vezes penso se vale a pena, se vale a pena sacrificar-me por esta sociedade, se vale a pena tentar defender os direitos de quem se está a “borrifar” para os outros, mas quando viro-me para o lado e vejo pessoas que já viveram o dobro do que eu vivi, e continuam “solidamente” a dignificar o valor humano… ganho ainda mais força para continuar a nossa luta…

  5. Entrei neste site há pouco tempo e gostei do que tens escrito. Digamos que tenho preocupações semelhantes às tuas. Vejo que estás bem informado e que tens boa formação. O que é um luxo hoje em dia.
    Quando vieres a Lisboa teria gosto em conhecer-te. Daquelas perguntas que fizeste e respondeste sim, apenas discordo duma. A dos interesses pessoais. Eu acho que toda a gente defende sempre interesses pessoais. Mas acredito também que há uns tantos (felizmente) que englobaram nos seus interesses pessoais uma forma de nobreza que os obriga a servir po bem comum (ou a inteligência) e a não servir-se. Preciosismos talvez. Mas para mim a Esquerda é ainda, e continuará a ser, uma forma de nobreza de carácter com a qual me identifico e que procuro de igual forma.

  6. Obrigado a todos. Ser de esquerda não é afirmar-se de esquerda. Ser de esquerda é para além de princípios sólidos ter uma prática adequada e ser independente de “interesses” de qualquer natureza.
    A Helena é uma companheira desde o inicio, talvez a que me conheça melhor (ou a que faço passar). A jmfaria creio que apareceu aqui pela primeira vez, pelo menos a comentar, mas gostei de saber que sendo bloquista se afirmou satisfeita com a minha independência que não necessariamente com as minhas posições o que particularmente me apraz registar. É com estes bloquismos que conto para um projecto de esquerda mais consequente e mais responsável.
    O Miguel Adónis, pareceu-me depois de consultar o seu blogue um adepto do partido comunista. Saúdo a “disponibilidade” para aqui comentares e antes de tudo a tua opinião que subscrevo.
    O Leal Franco subscreve as questões polémicas que coloquei, excepto uma. Uma questão ou outra por tão polémica, pensei apenas ser subscrita por muitos poucochinhos. Curiosamente a parte que discordas é que mais me irrita que digam. Compreendo que muita gente se move por interesses pessoais. Mas acredito a sério mesmo que há pessoas que apenas que estão nas coisas desinteressadamente. Eu estive sempre, sem pensar em obter qualquer interesse pessoal.
    Um abraço a todos!

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