Vassourada para os dirigentes das organizações dos trabalhadores da PT

p1014225.JPG

Os dirigentes das organizações dos trabalhadores da Portugal Telecom (sindicatos e comissão de trabalhadores) mereciam a destituição dos seus lugares se os estatutos o permitissem se a “cegueira” ideológica de alguns ou indiferença dos outros, trabalhadores e dirigentes, não lhes perturbasse o discernimento.

A divisão sindical na empresa existe desde sempre e não perceber as razões é ignorar que as organizações dos trabalhadores se movem por interesses partidários, interesses particulares ou grupos de interesse. O Partido Comunista controlava e dominava o sindicato a seu belo prazer e os trabalhadores eram armas de arremesso para as lutas de acordo com a sua agenda político/partidária.
Sou uma particular testemunha, de sempre, desta estratégia. Fui sempre um activista, fui delegado sindical, participei em inúmeros conselhos nacionais de delegados, em toda a minha vida contam-se pelos dedos de uma mão as vezes em que não pude estar presente em reuniões, assembleias, plenários, e em todos estes fóruns, fiz sentir a minha posição, defendi desde sempre o princípio de uma empresa um sindicato, cheguei a ser suspenso temporariamente. Não falo por falar. Apesar disso, mesmo em discordância, nunca deixei de estar em todas as lutas, em nome da unidade sindical.

Um dia os mesmos que foram dirigentes, actores e cúmplices, engendrando um conjunto de intrigas dilatórias de que todos foram responsáveis, procuraram fazer cair o “ónus” de todos os erros, trapalhadas e complicações no Presidente do sindicato. Essa tentativa não resultou (afinal eram todos coniventes), os dirigentes dividiram-se e em duas eleições subsequentes, o Partido Comunista perdeu o sindicato e o Presidente manteve-se como Presidente. Já na Comissão de Trabalhadores, continuaram a manter a sua influência e controlo, sendo que a nova direcção sindical não se apresentou às eleições, nem apoiou nenhuma das listas concorrentes.

É pois na sequência destes “dois” poderes que a divisão nos trabalhadores se tem vindo a acentuar. A Comissão de Trabalhadores quer ser o que não é …o Sindicato. E de repente um órgão inócuo como sempre foi a sua Comissão de Trabalhadores, passou a fazer marcação cerrada ao sindicato. Com alguma inteligência, diga-se.

Mas a actuação da CT, da grande maioria dos seus membros, é de uma esperteza saloia. Na essência, não tem grandes diferenças com o passado e continuidade das políticas erradas do Sindicato Nacional dos Trabalhadores das Telecomunicações e Audiovisuais (SINTTAV), embora, com um discurso mais suave, aparentemente, mais unitário. Convém. Quem estiver mais atento verá apenas estratagemas para “seduzir” os trabalhadores, mas na essência, tudo é igual. Vislumbro apenas uma nova estratégia de “assalto” ao SINTTAV um dos sindicatos mais ricos e poderosos do país. O algodão não enganaria.

Por outro lado o SINTTAV está cada vez pior. A resposta que oferece é contraditória, desadequada, atrasada, e acima de tudo revanchista a tudo que venha do outro lado, leia-se Comissão de Trabalhadores, leia-se PCP. É uma atitude profundamente errada. É pior a emenda que o soneto.

O SINTTAV aparece aos olhos dos trabalhadores como desinteressado, despreocupado, virado para dentro, obediente ao “chefe”, para aparecer de forma desastrosa, com um discurso panfletário, acusando tudo e todos, camuflando a sua responsabilidade, as suas incoerências, a sua distracção sobre os grandes problemas.

Se não soubesse o trabalho que alguns dos seus dirigentes desenvolvem em particular, no que concerne ao trabalho nos CalCenter’s, no trabalho precário, no trabalho invisível, diria que o sindicato aparece de vez em quando para dizer que existe.

Iniciei esta crónica dizendo que se fosse possível os dirigentes associativos deveriam ser demitidos. A razão é simples. Os trabalhadores da PT estão preocupados com o seu sistema de saúde. A Comissão de Trabalhadores, numa jogada de antecipação, agarrou este problema, dramatizou-o, chamou os restantes sindicatos a construírem uma frente contra as alterações no modelo de comparticipação. A pretexto de criar uma unidade na luta, tentou “comprometer” o SINTTAV. Este conhecedor destas estratégias partidárias de correia de transmissão de outros interesses, disse que não alinhava em actividades premeditadas. Escudou-se nos seus próprios timings e afirmou com alguma razão, que discordava do método de concepção destas “frentes”. Fez mal deveria mesmo assim aderir e defender as suas posições “divergentes” (serão assim tão divergentes …não me parece.)

Por mim acho que ambos, Sindicatos e Comissões de Trabalhadores, laboram num erro crasso.
O de responsabilizar a Empresa, consagrando greves ou fazendo manifestações à pressa, quando é sabido que a responsabilidade primeira, dessas alterações é o Governo, com a cumplicidade das Empresas obviamente que se “banqueteiam”com estas dádivas.

O cúmulo do desrespeito pelos trabalhadores é um sindicato, o SINTTAV, marcar uma manifestação nacional no mesmo dia em que a Frente marca uma greve nacional.

Não interessa agora saber quem teve primeira a iniciativa e quem se sobrepôs com outra forma de luta. Por certo o SINTAAV dirá que já tinha esta data agendada e que houve quem, terá falado e terá sido aproveitada pela outra parte, como do lado da Frente se dirá que foi uma tentativa de diminuir o impacto da mesma. Em qualquer dos casos não deixo de dizer que depois de a data ser tornada pública o SINTTAV, nunca deveria teimosamente insistir no mesmo dia. E se quer continuar a merecer ainda alguma consideração, deveria abdicar da forma de luta nesse dia.

Merecem assim algum respeito quem, de um lado ou de outro, à revelia dos interesses dos trabalhadores, persiste nesta guerrilha institucional e política? A mim não! Vassourada seria a palavra de ordem, apesar dos amigos que tenho de ambos os lados, em particular na direcção do SINTAAV.

O Governo sabe-se querer acabar com todos os subsistemas de saúde, em nome do equilíbrio das contas públicas. Todos os sistemas e subsistemas de saúde que obrigam a uma comparticipação do Estado vão acabar, é certo. É uma questão de tempo e oportunidade. Em 2007 vai acabar subsistema da classe jornalística. Depois será o da PT-ACS.

Só não acabam todos já, não por falta de vontade política, não por receio das reacções, mas apenas porque sabem que o Sistema Nacional de Saúde não aguenta mais centenas de milhares de utentes a engrossar e entupir as urgências, as consultas, os internamentos, as intervenções cirúrgicas. Não seria bom para as estatísticas da União Europeia.

Ah, não podia deixar de dizer que a Comissão de Trabalhadores, para mobilizar os trabalhadores da PT, usa na propaganda uma frase do mais reaccionário que pode existir. Um atestado de camelice, interesse egoísta, de marketing barato e rasteiro, que é dizer que “pela saúde os trabalhadores lutam”. Uma vergonha!

Para melhor sinalizar a minha opinião, direi que não iria para estas formas de luta, mas para um esclarecimento profundo da opinião pública, em comunicações pagas nos órgãos de comunicação social, em comunicados distribuídos à população, em pequenas concentrações locais dos beneficiários do sistema, para desmontar as falácias do governo e as razões sobre os “privilégios”, explicar que estes sistemas não acarretam custos acrescidos dos contribuintes, que também defendemos um Sistema Nacional de Saúde, único para todos. E que a razão primeira para manter estes sistemas alternativos ou complementares ao SNS destes subsistemas serve para não carregar os serviços públicos de saúde. A alteração total das circunstâncias faria o sistema entrar em rotura e só por oportunismo e mentira é que o Governo não assume esta evidência.

Iria mais longe. Diria mesmo para desmontar a argumentação do Governo para este ter a coragem de acabar com todos os sistemas e subsistemas de saúde, incluindo a ADSE e desterrar mais de um milhão de pessoas para encher os hospitais e centros de saúde.

Depois ver-se-ia como é que era.

Insisto que falta tacto político aos nossos dirigentes e que os interesses políticos e partidários imediatistas e mediáticos de intervenção política se sobrepõem aos interesses gerais dos trabalhadores e do povo em geral.

Adenda: Peço desculpas aos meus amigos do SINTTAV e da Comissão de Trabalhadores … mas há coisas que precisam de ser ditas…

Anúncios

6 comentários a “Vassourada para os dirigentes das organizações dos trabalhadores da PT

  1. “Pela saúde os trabalhadores lutam” diz tudo! Mete-me nojo certas pessoas que enchem a boca para se dizerem defensores do nosso povo e depois fazem palavras-de-ordem destas.

  2. A frase está fora de contexto. Vou citar um pequeno excerto da resposta que dei ao Fernando, sobre o artigo em causa, que por razões que ele conhece não posso publicar na integra. Mas para que não deturpemos os factos aqui fica outra leitura:

    Não há nenhum dramatismo na palavra de ordem “Pela saúde eu luto”. Trata-se de uma palavra de ordem, que pode não ter alcançado o pretendido, mas que tem por trás a convicção profunda de todos nós, escrevo todos nós propositadamente, porque era do senso comum que os trabalhadores da PT não lutam, que pelas mais variadíssimas razões, incluindo a falta de liderança, estão do ponto de vista politico a recuar, e que apenas “a saúde” os mobilizaria. Não sendo uma verdade absoluta, não deixa de corresponder à realidade. O erro não está na utilização da frase, nem ela é demagógica como afirmas. O erro é cingir-se aos seus efeitos isolados de tudo o resto.
    Escreves: «Ah, não podia deixar de dizer que a Comissão de Trabalhadores, para mobilizar os trabalhadores da PT, usa na propaganda uma frase do mais reaccionário que pode existir. Um atestado de camelice, interesse egoísta, de marketing barato e rasteiro, que é dizer que “pela saúde os trabalhadores lutam”. Uma vergonha!» Quem está a fazer gincana é o meu distinto camarada, não vislumbro nenhum laivo reaccionário na frase em causa. Limitação minha talvez, porem penso que não é crime lutar pelo direito à saúde, e invocar essa situação. Mas se reparares o contexto é outro. Ninguém afirma, apesar disso, que “pela saúde os trabalhadores lutam”. Diz-se, isso sim, “PELA SAÚDE EU [trabalhador da PT] LUTO.”
    Se tu achas que a afirmação é reaccionária, tenho que rever os conceitos porque efectivamente não faço essa leitura. Agora vou deliberadamente provocar-te: Não era o Sérgio Godinho quem cantava ” Só à liberdade a sério quando houver, PAZ, PÃO, HABITAÇÃO, SAÚDE, EDUCAÇÃO (…)”?

  3. Agora co azevedo vai comprar a merda da pt, voxes andam aki à porrada os sindicatos.
    Yá! Bué de fixe!

    Não kerem antes fazer um altar para o azevedo?

  4. Recebi algumas respostas pessoais, através do meu e-mail a este post, de alguns trabalhadores da PT e esta tarde fui de propósito à PT para “conhecer” algumas opiniões. Posso dizer que fiquei agradado com a reacção. Parece que não só estou isolado como colheu o apoio de muitos. Mas essa visita permitiu-me saber mais que naturalmente por já estar de “fora” (aposentado) da Empresa me escaparam.

    De facto foi a CT que marcou para o mesmo dia uma greve, quando estava já anunciada uma concentração nacional promovida pelo SINTTAV e não o contrário como pensava.

    Por isso as minhas desculpas ao SINTTAV e o meu mais profundo repúdio para mais esta GOLPADA.
    E não me venham dizer que foram os trabalhadores que apresentaram a proposta e que eles não tinham nada a ver com isso. Não! Todos sabemos que estas coisas são preparadas na “célula” e o cunho partidário do PC é mais que evidente, eles que tem a larguíssima maioria na CT. Só acredita nestas coincidências quem quiser. Por aqui se vê quem privilegia as “guerrilhas” com um alvo bem claro e usa os trabalhadores nessa estratégia. Mas esta prática não é nova é até bem batida.

    Aliás o próprio COORDENADOR da CT, já tinha posto a nu essa estratégia, quando um lapso lhe descobre a careca pois que era o próprio a fazer e a dar instruções aos “camaradas” de um inexistente “Grupo de trabalhadores da PT” para citando “fazer sair um comunicado que já estava na hora”. Essa nota foi enviada (a partir dos meios da CT) para uma coordenadora regional do sindicato. Para quem tinha dúvidas …

    Sobre o SINTTAV voltarei, talvez, a dizer mais alguma coisa se tal se mostrar necessário mas pareceu-me não terem ficado dúvidas, sobre o que penso do seu trabalho. Só o JC parece não ter percebido o que me deixou intrigado, pois ele é “testemunha” das minhas posições criticas e que estão bem expressas no post. O JC assumiu neste tema, a posição cómoda, de não se chatear com alguns dos seus parceiros, mas profundamente corporativista o que não me deixou de surpreender.

    Como penso que este debate vai continuar quero explicar ao JC e já agora ao João Lopes (que parecendo concordar comigo na apreciação que faço dos factos) discorda e acha também que é demasiado forte) o epíteto de reaccionária à frase “pela saúde luto”. Embora o JC, num exercício estilístico, pretenda encontrar diferenças com o que escrevi no post “ “Pela saúde os trabalhadores lutam” o significado é exactamente o mesmo.

    Fazer um apelo à luta com “pela saúde eu luto” significa o quê? Fazer um pouco de pedagogia fazia bem. Não se luta pela “saúde”. Lutam-se por direitos, pela dignidade, pela justiça social, por uma sociedade mais justa. A saúde é uma parte da luta. Mas há tantas razões para lutar… Uma organização de trabalhadores responsável, não compara formas de luta, não apela ao “sentimento primário”, [por “isto” o que quer que seja “isto”) eu luto], não recorre ao que de mais baixo tem o ser humano, o “seu” problema, que é o mesmo que dizer que o dos outros, os de todos, importa pouco.

    Por isso digo que é reaccionário, retrógrado, reles politicamente. Foi uma forma rasca de apelar à participação. Vamos ver secontra a OPA eu luto”. Contra os “baixos aumentos salariais eu luto”. “Contra o fim das progressões eu luto”. Vamos ver se “Contra, contra, contra … eu luto”.

    Se esta frase fosse dito por um qualquer trabalhador, percebia-se. Se um trabalhador se auto-mobiliza por um interesse particular percebe-se. O que não percebo é que Organizações de Trabalhadores (e considero ainda pior ter o apoio de alguém como o JC e o João Lopes que sei possuírem uma cultura e experiência política, (vou dizer razoável para não dizer grande) não consigam entender isto.

    Um dos grandes problemas das Organizações de Trabalhadores (e a responsabilidade é de quem as dirige apenas como armas de arremesso partidário, insisto) é além de serem corporativistas o que até posso compreender, mas não concordo, é de não fazerem pedagogia política junto de quem representam. É de usar as pessoas, conforme as conveniências tácticas. É por isso que temos o sindicalismo e os dirigentes que temos. Qualquer um serve para sindicalista … umas lições após temos novos burocratas sindicais.

    Acho mesmo que tens de rever esses conceitos, JC. A luta pela paz, saúde, educação … é uma luta de todos e para todos, é para a sociedade em geral, não é para alguém em concreto, para um eu. É uma grande diferença. Não instiga aos interesses “animalescos” que o eu comporta.

    A Trilby entendeu tão bem como eu o sentido da frase. A palavra de ordem não precisa de um contexto. No contexto ou fora dele é simplesmente esclarecedora.

    Disse. Um abraço!

    Nota1: O Kapa tem alguma razão. Alguma só …porque não se deve calar o que está mal, exactamente para que as organizações dos trabalhadores andem de costas voltadas para o que verdadeiramente interessa.

    Nota2: este comentário foi aditado.

  5. Eu sei que tudo isto não passa de palavreado, narcisismo talvez, voyerismo porque não?… De convicções conciliadas com filosofia politica…

    Mas quem é que se interessa pelo que eu realmente penso?

    A quem interessa a minha opinião?

    Que significado, que valor tem no contexto desta miscelânea de vontades, deste conjunto de interesses e de desinteresses, a opinião do JC?

    No meio do pragmatismo de alguns e das palavras de circunstancia de outros ou, repito-me do voyerismo de uns tantos, a confirmação de que o JC, é (será?) o JC eleito pela ex-Lista B para a CT da PT-C? Que relevância tem para a defesa do PT ACS a posição desse tipo?

    Que relevância tem o pensamento de um “empedernido alentejano” [Para que conste esclareço, eu que o conheço, que JC é alentejano, do alto diga-se] na esfera minhota dos afectos que circunscrevem o “A hora que há-de vir” antes e agora “Foice dos dedos”? Nenhuma certamente!

    E já agora que valor, ou melhor que significado tem associar a sigla “JC” a José Carrilho? [José Carrilho, para os leitores familiarizados com estas coisas talvez valha a pena explicar, foi cabeça de lista, o primeiro nome melhor dizendo, da Lista B que em 2003 concorreu às eleições para a CT da PT-C, sob a égide dum programa ambicioso mas justo e necessário, onde o cunho de um tal Fernando Marques então técnico comercial da PT, estava bem patente.

    Esse José Carrilho, preencheu o primeiro lugar da lista, apenas pelo facto de residir perto de Lisboa e o Fernando e outros, mas no caso dele, viver numa distante Viana… e já agora, por ter expressado a intenção de se aposentar, como efectivamente aconteceu. Não houve mérito ou demérito no preenchimento desse lugar, foram apenas questões futeis e geográficas que arredaram o Fernando desse lugar e o ofereceram ao José Carrilho, podendo este ser ou não o mesmo JC, autor do comentário acima.

    O José Carrilho tem 48 anos, três filhos, 33 anos de militância politica, na chamada esquerda revolucionária, passou pela ORPC (ML), pela UDP, pelos GDUP’s, pelo PCP (R), pela agora Associação UDP, é militante (por enquanto) do Bloco, e em termos profissionais, já fez de tudo.
    Foi pastor (guardador de ovelhas numa cooperativa agrícola de que foi ocupante), foi almeida (recolha de lixo enquanto trabalhador eventual de uma CM), leccionou alfabetização em 1974/75, dinamizou grupos culturais, foi escrevinhador de opinião na imprensa regional (ainda hoje mantém uma crónica no NCV), fez trinta por uma linha… Ah!… foi dirigente associativo estudantil.
    Na PT foi AUX (auxiliar de telecomunicações), foi ELT, foi TOT e foi EPT, é actualmente TSE (por concurso) na PT-C. Foi formador no antigo CET de Aveiro, foi chefia (trocou por uma candidatura à CT), etc, etc, tudo coisas de somenos.
    Ah… importante! Foi funcionário politico ([do PCP (r)] mas não recebia do partido era pago pela segurança social, estava desempregado.) quando foi para a tropa deixou de o ser. E, porque falamos de tropa, parece que foi expulso do quartel de Estremoz… terá escrito no “Brados do Alentejo” e no “Em Marcha” uma crónica pouco abonatória para os militares de então]

    Voltando à PT, que é isso que interessa [o artigo que despoletou tudo isto é sobre as ORT’s da PT, convém ter isso presente] apresentou e defendeu um projecto de recandidatura da actual CT a um novo mandato, com base na ordem de eleição dos actuais 11 membros dessa ORT, no pressuposto de que essa ORT era a mais clarividente e a que efectivamente tinha liderado os prenúncios que aqui e ali no interior da PT se revelaram de resistência ao neo-liberalismo, à OPA, ao ataque ao Plano de Saúde dos trabalhadores da PT-C. Infelizmente as coisas não avançaram como o previsto (a hermética maioria não soube abrir e fechou-se na concha para gáudio da ortodoxia) e por outro lado um conjunto de pessoas telecomandadas por funcionários políticos de duvidosa competência, externos à PT, aposta na segregação, no saneamento e outros adjectivos que o bom senso manda calar, decidiu apresentar uma candidatura revanchista, sectária tanto quanto (tanto quanto a maioria da actual CT) e absolutamente divisionista à CT da PT-C. Tudo isto, e outras decepções tê-lo-ão feito ponderar e retirar-se. Parece que se vai dedicar apenas ao alentejanismo, que é uma doença de que padece. Diz que se a situação e as circunstâncias o determinaram que voltará a vestir o facto macaco, mas que para já está a gostar daquela pele.

    Ah… segredou-me, desconhece todo e qualquer acordo, abaixo-assinado ou seja lá o que for que tenha havido entre o Fernando Marques e o Francisco Gonçalves ou qualquer outro elemento da maioria da CT. Pelo que não se sente obrigado a justificar-se perante o post do Fernando que o questiona sobre a matéria. Apenas referiu que foi apresentada uma das duas providências cautelares

    E para, em definitivo terminar os comentários, que significado tem o facto de o JC, seja ele quem for, poder eventualmente ter vendido a alma à hermética maioria da CT da PT-C, duvido que o tivesse feito, se outros parecem render-se à confusa miscelânea que funciona no SINTTAV e endeusar, glorificar ou no mínimo silenciar os devaneios dos dirigentes do SINTTAV, a começar pelo seu presidente?
    O poeta, não sei qual, escreveu um dia, “VIVER MUITO TAMBÉM CANSA”. Eu que o não sou, já me sinto CANSADO DAS MINHAS (muitas) HORAS PERDIDAS.

    Para não suscitar confusão, ou alimentar infundadas insinuações quando refiro neste comentário “palavreado”, “narcisismo”, “voyerismo”, etc, etc… estou apenas e só a comentar as palavras, a escrita do “JC”, seja ele ou não o José Carrilho.

    Ponderada a decisão e conscientemente assumida, este é o meu último comentário neste blogue, ao qual desejo os maiores êxitos.
    O Fernando é um homem de combate e um incansável e indelével militante das nobres causas que sustentam as utopias. Eu bato-me por utopias, [Porque tudo o é, antes de o ser, antes de alcançado!]. Merece por isso e por muito mais a estima e a consideração de quem se reviu em muitas das suas posições politicas, e de quem com frontalidade não encontra noutras a mesma acutilância e a mesma coerência.
    Pontos de vista apenas, amizade e respeito fundamentalmente.
    Até sempre!

    Notas:
    NOTA 1:O Fernando escreve: «Mas essa visita permitiu-me saber mais que naturalmente por já estar de “fora” (aposentado) da Empresa me escaparam. De facto foi a CT que marcou para o mesmo dia uma greve, quando estava já anunciada uma concentração nacional promovida pelo SINTTAV e não o contrário como pensava. Por isso as minhas desculpas ao SINTTAV e o meu mais profundo repúdio para mais esta GOLPADA»

    Ficava-lhe bem dizer que o José Carrilho escreveu num mail que lhe foi dirigido tão só isto:

    «Quando na concentração das Picoas, se aprovou uma moção convidando as pessoas, os trabalhadores em geral, para uma concentração no próximo dia 15 de Dezembro, não me apercebi, e como eu muitos mais que se estava a apostar, na greve para esse dia. O meu entendimento foi que se estava a fazer convergir a luta da frente com o SINTTAV. A greve é uma marcação de terreno e obviamente uma questão de agenda do PCP, a que o Félix (STPT) tem dado cobertura porque nitidamente está cansado e desejoso de deixar a liderança do Sindicato. (…)
    Mas fica ciente que foi de facto uma jogada de antecipação, golpada da CT, que eu pessoalmente e pelas razões expostas não me apercebi na altura do exacto contorno, que visa fazer a marcação ao SINTTAV. Quem marcou primeiro a luta para dia 15/12 foi inequivocamente o SINTTAV. Mas o problema aqui não é como escreves saber quem marcou primeiro ou quem se colou. Como também não é para «(…) continuar a merecer ainda alguma consideração, [o SINTTAV] abdicar da forma de luta nesse dia.» Não! Ninguém deve abdicar. Devem isso sim sentar-se a uma mesa e marcar uma jornada que envolva todas as partes, sem radicalismos e com muita prudência e bom senso político e, acima de tudo, no absoluto respeito pelos trabalhadores da PT.»

    Ao Fernando ficava bem dizer que o José Carrilho tinha esta opinião, a marcação da greve para dia 15 «foi de facto uma jogada de antecipação, (uma) golpada da CT». Mas não o escreveu e é pena… parece que foi na sua visita à PT que se lhe revelou a luz. Pois!

    Nota 2 – Quando o Fernando escreve «Aliás o próprio COORDENADOR da CT, já tinha posto a nu essa estratégia, quando um lapso lhe descobre a careca pois que era o próprio a fazer e a dar instruções aos “camaradas” de um inexistente “Grupo de trabalhadores da PT” para citando “fazer sair um comunicado que já estava na hora”. Essa nota foi enviada (a partir dos meios da CT) para uma coordenadora regional do sindicato. Para quem tinha dúvidas …» podia, porque teve conhecimento que o tal José Carrilho se manifestou junto do universo PT contra essa situação, mas também contra os que quiseram tirar disso proveito, como se fossem umas virgens sem pecado e escreveu textualmente o que se segue:

    « Vamos lá por os pontos nos is

    Desconheço em absoluto a natureza deste anexo, (que presumo foi enviado pelo SINTTAV de Aveiro) bem como o que supostamente lhe deu origem.

    Como é obvio a situação a ter acontecido como é relatada indicia claramente ocorrências que de todo não deveriam acontecer e com as quais, repito, a confirmarem-se, não posso estar de acordo. Por isso não posso aceitar que a CT no seu todo seja envolvida neste processo, que de todo não reflecte o sentir da totalidade da CT. Lembro a esse propósito que a Comissão de Trabalhadores é eleita pelo método de Hondt, permitindo assim que todas as sensibilidades, ou a maioria delas sejam representadas no colectivo. A presente CT tem pelo menos três sensibilidades representadas, a maioria que é encabeçada pelo coordenador Francisco Gonçalves (Lista A), uma outra representada pelo Manuel Nunes eleito pela Lista C e a que eu represento (José Carrilho) eleito pela Lista B.

    Assim, ao divulgar este e-mail que me chegou pelo correio electrónico interno, mais não pretendo que clarificar as aguas em que navegamos, uns e outros, sendo certo e isso é o que me move, que a CT tem órgãos próprios, que a responsabilizam e a vinculam, mas não é uma só cabeça, uma só pessoa ou uma só sensibilidade. Por isso rejeito a pergunta que é feita: «É para este trabalho que temos uma CT?». Como todos sabemos a resposta é: NÃO! E isso sei eu, sabe quem faz a pergunta e sabe quem, com verdade ou sem verdade, é acusado.

    Obviamente que me dispenso de comentar as desavenças que têm vindo a publico, sobre as questiúnculas surgidas no seio das ORT’s. Porque se é verdade que ninguém está isento de responsabilidades, (Quem atira a primeira pedra? Cuidado não lhe caia em cima…) o que importa no momento presente é juntar e unir os trabalhadores para que todos, e todos ainda somos poucos, possamos travar a ofensiva (da Sonae.com) contra a economia nacional, a ofensiva (fusão dos moveis) contra os consumidores e preservar os nossos direitos arduamente alcançados por sucessivas gerações de trabalhadores.

    Penso que no momento presente tudo o resto é secundário, ainda que em sede própria e nos actos indicados, os trabalhadores devam responder em conformidade.

    José Carrilho
    Membro da CT da PT-C»

    NOTA 3: Também podia escrever, porque disso foi informado, o José Carrilho, sofreu uma sanção da maioria da CT registada em acta. Actas que curiosamente deixaram de se fazer logo a partir da terceira ou quarta reunião, mas fez-se esta para que conste no futuro.

    Já chega! Até porque “EU” já não sei se é, num exercício estilístico, o JC que pretende encontrar diferenças , com o José Carrilho se um e outro, e “EU” também somos a mesma pessoa.

  6. Diz o JC :
    “Eu sei que tudo isto não passa de palavreado, narcisismo talvez, voyerismo porque não?… De convicções conciliadas com filosofia politica…

    O JC parece sofrer de tudo isso, diz o próprio. Mas o JC não é o José Carrilho, apesar de quem tem assinado como JC ser o José Carrilho, ficaram todos a saber agora, com este último comentário, do JC ou do José Carrilho? Para quê todos estes expedientes?
    O José Carrilho investiu duramente contra mim, num e-mail, por ter cometido o “lapso” de o identificar como membro da CT. Agora “mostra-se”, depois de me ter desancado, por uma “escorregadela”, ao no “calor da contenda” ter feito uma referência que o JC era membro da CT. Foi um lapso que aconteceu apenas porque a “polémica” sobre as Organizações dos Trabalhadores se travou a dois níveis, aqui no Blogue e nas nossas caixas de correio electrónica.

    Tive a resposta que ele achou merecida. Não gostei nada que não me desse o benefício da dúvida (de um lapso) especialmente se quando tive com ele (e o inverso também é verdade) sempre uma troca de impressões respeitosa. Ele não desmentirá isso, que ia para além das nossas, agora cada vez mais claras, divergências (e algumas concordância) em muitos capítulos.

    Feito o seu “reparo” fui a correr fazer um aditamento ao meu comentário para evitar problemas e disso lhe dei conhecimento de imediato. Depois deste trabalho, deste meu desassossego pelo lapso o JC, vem a terreiro, num jogo de palavras, arquitectar um modo de afirmar que o José Carrilho é o JC. Sinceramente não te (o) percebo.

    O JC sabe usar as palavras e é uma pessoa que a tenho por séria. Atrapalha-se é na argumentação e divaga, divaga …por falta de consistência política e de uma prática consequente, em minha opinião. Não estou a falar de coerência, penso que desse mal ou bem depende, …o Carrilho não me parece padecer.

    O José Carrilho como o próprio afirma foi cabeça de lista de uma candidatura à Comissão de Trabalhadores da PT. Está em minoria. Também fiz parte dessa lista em quinto lugar salvo erro. Nunca questionei a posição em que fiquei na lista. Também não fui convidado a encabeçar a mesma, como se poderia inferir. Fui apenas mais um. Um que teve um papel decisivo (para não ser acusado de falso modesto), na formação da lista e nos resultados eleitorais (no País apenas no distrito de Viana do Castelo, a lista B, ganhou as eleições (com 58,8% dos votos em Viana, 70%, em Valença e 100% em Ponte da Barca) e obteve os melhores resultados em valor absolutos e percentuais. Mas que fique claro que não me ofereci, não fui convidado (nunca seria, Carrilho) e também não aceitaria porque para além das minhas limitações, a possibilidade de sair da Empresa e o poder estar de facto em Lisboa, aconselharia a que fosse alguém perto daí. A escolha recaiu no José Carrilho e eu dei a minha aprovação, sem reticências algumas.

    Já disse ao Carrilho mas ele insiste(s) que não há acordos com o Francisco, Coordenador da CT. Não há acordos com maiorias, há acordos (se é que se pode chamar acordos) com a CT que patrocinou a iniciativa e bem. Quis saber dele (de ti) o que pensava um membro da CT e um membro da CT não deve (não pode) dizer que está a “leste” e que apenas ouviu uns zuns-zuns. Como não pode não deve chamar de “golpada” a um acto da CT (e de facto foi o José Carrilho que me falou nisso primeiro embora depois confirmasse isso na PT e nos sites dos sindicatos) e se cale publicamente.

    Nós que votamos nele, os que votaram e confiaram na lista B esperam outro tipo de resposta que não o silêncio. Esperamos a denúncia pública, a demarcação clara, o repúdio. Com o silêncio ou complacência é que não contava. Registe-se porque é verdade que o Carrilho sobre a questão que descrevi sobre o envolvimento do Coordenador da CT se demarcou publicamente dessa prática, embora brandamente, mas dou de barato que pudesse ser a atitude mais correcta naquele momento. Não o critiquei por isso.

    Sobre a nota 3 – Não sei se foste admoestado se o dizes é porque foste. Já não tenho a certeza se me disseste alguma coisa sobre isso e quais foram os motivos para essa admoestação. Mas mesmo que se soubesse não sei porque o havia de dizer, não me parece que adiantasse algo e até porque distingo os tempos. O de antes e o de agora (de hoje, de hás uns dias, a análise ao teu trabalho está por fazer e sei que a culpa não é tua).

    O Carrilho que ajudei a eleger pensei que não se calasse perante o caso que ele próprio confirmou. E por isso o critico fortemente. Até porque muitos foram induzidos em erro. Eu fui-o. Mas sãos os tais corporativismos. É pena porque determinadas práticas (que conhecemos e por isso concorremos em oposição) são para serem denunciadas não são para ser “amaciadas” em nome de não sei quê.

    Sobre a nota 4 – Será mesmo assim. O JC sendo o José Carrilho já não sabe quem é. Por mim amigo estás perdoado.

    Adenda: Peço desculpas ao(s) meus amigo(s) do SINT …(desculpem) da Comissão de Trabalhadores … mas há coisas que precisam de ser ditas…

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s