Louçã lidera a oposição

Ora aqui está uma verdade inquestionável, segundo uma sondagem do Correio da Manhã. Mesmo quase sem falar, nos últimos tempos, Francisco Louçã faz melhor oposição de qualquer líder dos outros partidos. Diria mesmo que ganha com maioria absoluta. Também não é difícil quando os “competidores” são Marques Mendes, Ribeiro e Castro, Jerónimo de Sousa.

Mas Francisco Louçã é sem dúvida o político mais competente e mais acutilante no plano técnico e político.

E fora do quadro partidário, só Carvalho da Silva da CGTP lhe “disputa” esse terreno. Pena é que a CGTP ainda esteja subordinado a uma táctica política externa, empurrando-o para a gestão das lutas sindicais, algumas extemporâneas ou desajustadas no formato.

Mas uma coisa é reconhecer a sua capacidade de líder, a sua inteligência, o mérito e a competência, o seu desempenho parlamentar, a sua capacidade de luta, a firmeza das convicções, a sua coragem e desassombro político, outra coisa bem diferente é a desconfiança, a falta de audácia, o temor pela mudança, pelo novo, o conservadorismo típico dos portugueses, os fantasmas que povoam as nossas mentes, o medo de novas políticas ao arrepio do pensamento único neoliberal.

As mudanças à esquerda estão a acontecer nos países da América do Sul. Foi na Venezuela, na Bolívia, Equador, Chile, Brasil, ali à beirinha dos Estados Unidos. Na Holanda um partido considerado da extrema-esquerda, teve 26 deputados em 150. O que é preciso acontecer em Portugal mais ainda, para se atirar a pedrada ao charco? O que falha em Portugal?

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3 comentários a “Louçã lidera a oposição

  1. O Fernando convidou-me a escrever, cá vai.

    Louçã é evidentemente um líder, singular infelizmente. Francisco Louçã passou a fase da moda e assume-se, e pelos vistos é reconhecido, como um homem de convicções, de princípios. Um líder inteligente, competente e lutador.
    Porem a liderança é também uma questão de estar consciente do que está acontecer ao grupo, ao seu partido, e agir apropriadamente. Aqui tenho serias dúvidas de que Louçã se afirme.
    Não há dúvida de que se destaca, até pela afabilidade, do grupo dos quatro que lideram o partido que ajudou a fundar. A sua estrela brilha mais que qualquer uma, dos outros três aliás, alguns são meras candeias. Mas a liderança tem também uma outra vertente, um outro aspecto se quisermos, eventualmente administrativo, mas fundamental na capacidade de harmonizar as necessidades e disponibilidades dos indivíduos, dos militantes com as exigências da organização. Nesta questão, creio que Louçã tem ainda muito para calcorrear. Enquanto não se espartilhar por completo os acordos tácitos do bando dos quatro, não é possível dar respostas à questão que colocas quando escreves «outra coisa bem diferente é a desconfiança, a falta de audácia, o temor pela mudança, pelo novo, o conservadorismo típico dos portugueses, os fantasmas que povoam as nossas mentes, o medo de novas políticas ao arrepio do pensamento único neoliberal».
    Liderança é a influência exercida e dirigida, através do processo de comunicação e de organização para a prossecução de propósitos comuns, de objectivos do partido. E isso Louçã não consegue. Ainda, espero eu.
    Não consegue por causa dos equilíbrios. Louçã tem carisma suficiente para poder romper com praticas que gradualmente vão ganhando corpo no partido que ajudou a fundar. Se não tiver coragem para romper com elas, se em nome dos famosos equilíbrios fizer ouvidos de mercador aos rumores que vão chegando. Se, Louçã aceitar que a próxima convenção seja mais um estafado exercício de pseudo-democracia. Isto é: Se Louçã, se escudar nas couraças dos grupos de trabalho, ditos imbuídas da génese da democracia plena, onde toda a gente discute e manda bitates mas porque esses fóruns são órgãos abertos, onde a participação é um acto voluntário, dependendo da vontade do momento. Se não se tomam decisões, porque são órgãos abertos (não eleitos) l deixam terreno para que os “chicos espertos” do tipo pato-bravo (O pato bravo não é apenas uma ave que nidifica e procria na construção civil) chamem a si a decisão. Toda a gente que participa nesses fóruns são meras figuras decorativas, servem apenas para mesclar, com tintas de democracia as decisões que já estão tomadas. A democraticite é falsa democracia, escrevo mesmo inimiga mortal da democracia plena.
    Louçã, não apenas mas também, tem que saber romper com este estado de coisas.
    Se o fizer é credor de toda essa simpatia que este povo que temos lhe devota, escrevi intencionalmente “devota”, se o não fizer corre o risco de ser mais uma desilusão, como já foram alguns dos seus companheiros do projecto original.

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