O PCP comporta-se como um Capitalista selvagem

O Partido Comunista Português exerceu sobre mim, um grande fascínio na minha precoce adolescência. Os comunistas eram o rosto da resistência ao fascismo. Os homens que abandonaram tudo pela defesa das liberdades. Preteriram a família, uma carreira profissional, um bem-estar pessoal, para organizar a resistência antifascista.

Quando se invoca o combate ao fascismo, lembramo-nos dos comunistas. Sobrevém à memória, os homens sem vida própria, as prisões, as torturas, a morte de muitos deles. Rememoramos a ausência de uma vida social. Os sacrifícios pessoais, o abandono de carreiras académicas, de uma profissão, o abandono do emprego, a passagem à clandestinidade, a luta contra a guerra colonial, a deserção, a imigração. As companheiras, os filhos, os amigos, todos passaram a um segundo plano, em nome dos mais nobres ideais, das liberdades colectivas, da justiça social, de uma sociedade mais justa.

Eram todos comunistas para o regime fascista, não deixando de ser um pouco verdade, durante largos tempos da ditadura. Pelo Partido Comunista passaram quase todos os resistentes antifascistas. De Mário Soares a Emídio Guerreiro, de Álvaro Cunhal a Francisco Martins Rodrigues. Com o passar dos anos, os regimes de referência comunista foram postos em causa e as divisões e novos alinhamentos ideológicos, iam acontecendo no seio do movimento comunista internacional. Uns continuaram ainda comunistas mas romperam com o PCP e deram origem aos grupos da extrema-esquerda, outros ainda, deixaram pura e simplesmente de ser comunistas.

Eu era um jovem. O meu contacto político deu-se através de uma organização comunista dissidente do PC. Mas o fascínio pelas figuras de mais relevo do PCP, mantinha-se, não obstante as discordâncias políticas e ideológicas que iam tomando relevância a cada dia.

Mais tarde o meu comunismo, as minhas referências, deixaram de fazer sentido. Acabei por deixar a actividade partidária e o sonho autêntico de “reconstrução” do partido comunista. O tempo veio a demonstrar o quanto o poder, mesmo o mais pequeno poder, muda as pessoas. Deixava de fazer sentido a actividade partidária. Restou a generosidade da entrega, a genuinidade das convicções, um novo homem. E não foi pouco.Hoje o Partido Comunista perdeu tudo. Deixou de ser um partido de causas, passou a ser um sindicato corporativista. Deixou a pureza das convicções. Passou a ser mais um tomado por carreiristas políticos. Agarrou-se para sobreviver à causa dos trabalhadores, sem nexo, sem pedagogia, usando-os conforme as conveniências tácticas, as estratégias políticas, transformou grandes pessoas em funcionários do partido, em empregados, em novos burocratas, deu-lhe poder, são novos chefes, novos patrões dos trabalhadores, com uma missão; assegurar o controle dos movimentos sociais, sindicais, cívicos, para se manter à superfície do pântano carreirista da política.

O PCP é simultaneamente um sindicato contra as empresas e um patrão reaccionário contra os seus trabalhadores. De repente ao fim de anos e anos de ligação umbilical ao partido, os empregados são despedidos, são mandados procurar emprego, depois de anos e anos de dedicado serviço, são afastados como peça de ferramenta gasta.

Tem razão Luísa Mesquita quando afirma que não é agora com a idade que tem, assim do pé para a mão que é despedida, que lhe é dito para arranjar um novo emprego.

“Será agora que vou voltar à universidade ao ensino, será com esta idade que vou iniciar uma nova carreira?”. O PCP comporta-se como os grandes capitalistas, as grandes empresas monopolistas. Descarta os empregados, depois de lhes comer a carne.

O PCP ou muda a sua filosofia de trabalho, a sua forma de ver a politica, ou está condenado a desaparecer ou ficar reduzido a um partido residual. O que é pena. Porque faz falta. Por isso logo vou estar na manifestação da CGTP. Não pelo PCP não pela CGTP mas pelo protesto contra as políticas do Governo. O PCP até pode vangloriar-se do êxito desta grande jornada de luta, os seus dirigentes e funcionários até podem comemorar com champanhe, mas isso não acrescenta nada ao partido em termos externos.

Penso que hoje se vai compreendendo melhor, o papel do PC no xadrez político.

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11 comentários a “O PCP comporta-se como um Capitalista selvagem

  1. Olá fernando….
    Estive um pouco ausente…. mas vejo que tudo permanece igual…
    Fico um pouco desiludida ao ver que certas coisas na vida sao imutaveis…
    mas podia ser pior… pelo menos li uma poesia aqui… ja me era familiar mas bela na mesma….

    Se calhar ja esta na hora de deixar de observar a politica e começar a olhar para dentro de nos e deixar falar o coraçao… deixar a tua veia poetica fluir… esta na hora de gritar aquilo que se sente por dentro….
    Por isso tenho uma coisa a pedir-te….
    POSTA UM POEMA… QUE DE TRISTE BASTA A VIDA!!!

    nao existe nada mais belo do que escutar o coraçao… ja que é ele que nos faz humanos…
    ate uma proxima…..

    beijo
    Barbara Duarte

  2. Olá Bárbara que bom ver-te por aqui. Tu poeta queres que eu poetise. Como amiga, se eu não sei?. Se te lembras o poema que aqui está ao lado foi um repto a um pedido teu, tal como agora. Mas a minha inspiração acabou-se ali. Mas hei-de colocar poesia dos outros concerteza. Um beijo

  3. Para a “Alentejana”
    Se não acreditas no coração talvez seja por “já” não teres. Tudo o que é demais é como o que é de menos, diz-se na minha terra. O excesso de suposta racionalidade (excessivamente cerebrais, calculistas) que impera no PCP fá-los ser, ao contrário do que querem parecer, desumanos e por consequência capazes de pisar, destruir todo e qualquer um que se lhe oponha, ou, não é preciso tanto, basta que não diga sempre amem, basta que um dia se afirme como gente e não como autómato.
    Esse é o problema do PC mas não apenas. É também o problema dos que, carregados de reminiscências de uma passado próximo, exibem os mesmos tiques, as mesmas praticas persecutórias que os seus parentes do Hotel Vitória, embora de uma forma mais soft. Uns eram e são discípulos de Stalin, outros eram (São! Embora finjam não ser.) seguidores da dupla Stalin/Mão Tse Tung (curiosamente os discipllos de Stalin ao perderam referenciais agarram-se com unhas e dentes ao legado de Mão Tsé Tung). Ainda não há muitos anos se digladiavam na praça publica…
    Alentejana, tudo isto é paleio ao ritmo de “pop chula”… na verdade o cérebro é crucial… contando que saiba dar ouvidos ao coração!

  4. João Lopes,
    Como podes ler neste meu post fui um dos tais “maiostas” dissidentes do PC. Militei numa organização “comunista” que cindiu com o PCP antes do 25 de abril. Mais tarde vi que esse “comunismo” era tão comunista como a URSS e os países de leste. Uma falsificação. Também gritei “Staline está vivo nos nossos corações”. Fui “seguidor” por desconhecimento, por cegueira ideológica, por estar envolvido num “partido” com uma organização de tipo leninista (o mesmo do PC) mas com um discurso mais radical. Mas como nunca fui um alinhado fui percebendo algumas coisas desses países, apercebi-me que a imagem que nos vendiam desses países n correspondiam. Li e aprofundei mais os conhecimentos e depois de entender que com a forma de organização do partido, com o tipo de dirigentes que tinha deixei a militância a meados dos anos oitenta. Lembro-me de ter numa conferência regional ter apresentado uma proposta alternativa que tinha o acolhimento dos delegados, o então deputado da UDP, agora falecido e que depois foi deputado do PS, ter feito uma pressão enorme para retirar a minha proposta. Eu acabei por sair desiludido e disposto a não voltar à actividade partidária, mais tarde o Acácio Barreiros foi parar ao PS. Outros foram mais para a direita. Lembro-me do João Carlos Espada (hoje o maior defensor das políticas atlantistas dos EUA e de Bush, de José Fernandes, hoje director do Púbico, ou Henrique Monteiro, director do Expresso, dois dos maiores neoliberais conhecidos.

    Saí em rotura ideológica à “direita” (eram (e são assim) que eram apelidados todos os que tiveram divergências. Também tive outros que ainda andaram uns tempos pelo PC e hoje deixaram tudo, inclusivé a luta política, sindical, associativa. Eu mantenho-me por aqui.

    Sempre empenhado. O João Lopes, como funcionário da PC procure saber alguma coisa da minha actividade na empresa se quiser. Nunca me agarrei a legados ideológicos, nem hoje. E foi isso que me fez voltar à política partidária com o Bloco, porque era um projecto de esquerda, de várias esquerdas, interessado em construir uma alternativa nova e adequada, sem estar agarrado a preconceitos ideológicos ferreos.

    Bem mas também o Bloco tem os seus defeitos, persistem muitos e outros problemas, velhos e novos. Também penso que há alguma arrogância intelectual. Também há, haverá oportunismo. Também o sectarismo existe no Bloco. Mas o Bloco é sem dúvida um espaço plural da esquerda. É com o Bloco que nas politicas centrais, na forma de fazer política, na forma como vê os movimentos sociais me identifico.

    Ao contrário do que acha o se terem “degladiado” na praça pública e hoje conseguirem
    hoje ter uma unidade própria, uma matriz comum, ultrapassando ou discutindo saudavelmente, divergências, opiniões, depois de percursos diversos, isso é um bom sinal. Tomara que toda a esquerda fosse assim.

    Mas eu é que já não estou disposto a discutir “merdisses”. A discutir pequenas coisas, tratados “ideológicos”, a lidar com supostas superioridades, com protagonismos, com alinhamentos que dão jeito, quando os grandes problemas estão aí por resolver e que é preciso é encontrar formas de convergência.
    Por isso deixei a militância partidária outra vez. Com pensava antes a luta por não se faz, exclusivamente, dentro dos partidos. Os partidos são importantes mas é difícil para quem quer apenas dar contributos, estar sempre a falar no mesmo, como julgo que sempre tenho feito.

    Agora para Alentejana. Reafirmo o que disse e tenho dito sobre o PC. Conheço bem a matriz ideológica em que se segura. E essa matriz ideológica tem feito, por muito que custe a ouvir, ou faz mais mal que bem aos trabalhadores e por isso temos ido de “vitória em vitória”, até à derrota final. Não tem sido sempre assim?Não é esse o discurso sindical? As coisa são sempre más, mas logo a seguir vem um governo alterar o que então achamos mal e dizemos que aquilo é bom. É preciso alguma pedagogia política e o PC n a sabe fazer.

  5. Senhor Fernando

    Ou eu não sei escrever, troco as ideias digamos assim, ou então o Fernando não leu o que eu escrevi e partiu de um qualquer pressuposto que lhe enviesou o raciocínio.

    1 – Não sou do PCP, nunca fui e, embora aquele que está vivo, e eu estou, nunca deva dizer nunca, imagino que nunca serei do PCP. Não sei de onde tirou essa ideia obtusa de que eu serei funcionário do PCP.

    2 – Quando falei em digladiarem-se referia-me, julguei que era perceptível, referia-me escrevia, ao PCP (o actual, o de sempre) e aos maoistas, sobretudo os da UDP, onde o Fernando diz que militou, e os do MRPP, onde militou o Durão Barroso e o historiador Fernando Rosas, o fiscalista Saldanha Sanches, que mais tarde escreveu “MRPP como instrumento da contra-revolução e virou ele próprio dirigente da Associação Portugal-Albania.

    3 – Quando escreve que hoje “têm uma matriz comum” não se está a referir ao PCP e ao Bloco pois não? Fala suponho, de ex-maistas (UDP), de ex-trotsquistas (PSR), de ex-qualquer coisa (Rosas e independentes), de ex-PCP/ala direita se assim se pode falar (Politica XXI), fala dos ainda trotsquistas (FER/Ruptura), fala dos marxistas-lenisnistas (Associação Politica UDP), etc… Eu não falei de matriz comum entre o PCP e tudo o que aqui referi. O que eu escrevi, se não percebeu, eu escrevo com todas as letras (desculpe lá este laivo de arrogância) foi: “Reminiscências de um passado próximo”. Refiro-me só e apenas aos não PCP, ao Bloco em concreto. Ao PCP nem os considero no campo da mudança. Sei que o senhor discorda, isto é, acha que o PCP faz parte do campo da esquerda… admitamos que sim. Se eu os comparar com o CDS. Que no PCP estão muit@s militantes que hão-de engrossar o campo da mudança, não tenho duvidas… embora isso seja na “hora que há-de vir”, porque ainda não perceberam que dali “nem bom vento nem bom casamento”.

    4 – O Fernando não está disposto a discutir “merdisses”… o senhor é que sabe da sua vida, mas foram sempre as pequenas “merdisses”, que levaram à grande trampa em que se transformaram muitas das utopias mais bonitas que o a pessoa humana alimentou.

    Ultimo

    APELO

    Discorde de mim, chame-me o que lhe aprouver, mas por favor reveja as suas fontes, e não me chame funcionário do PCP. Nem de outro qualquer, nem sequer do partido onde milito (milito? Não sei!) ou voto habitualmente nos últimos sete ou oito anos.
    Eu ganho o meu dia a dia vendendo a minha força de trabalho ao patrão, que sendo uma forma de subordinação não é da mesma estirpe que a dos funcionários dos partidos.
    Por mim, acabavam no meu partido particularmente, os funcionários. A política deve ser uma atitude cívica e nunca um ganha-pão!

  6. João Carmo Lopes.
    Eu bem avisei no segundo comentário que não li o que escrevi e que por isso tinhas erros que só verifiquei quando li o comentário por inteiro e os descobri. Quando o reli achei que não valia a pena, apesar de tudo, reescrever um novo, pois seria mesmo assim compreensível a sua leitura, sobretudo para quem tem acompanhado o que aqui tenho escrito. Aliás porque não conseguia ver o que escrevia e até já me tinha “queixado” dessa situação em resposta à Helena é que mudei de template uma vez mais. Agora consigo ver o que escrevo. Posto isto passo aos esclarecimentos que o seu comentário me suscita.

    1 – Lamento profundamente o erro do texto que o atribui como funcionário do PC. O que eu queria dizer era funcionário da PT. Penso que o João Carmo Lopes num qualquer post meu sobre a OPA da PT tinha referido que era empregado da PT. Se não foi peço desculpa mais uma vez. Foi a pensar que era empregado da PT que lhe pedi para falar com pessoas da Empresa que me conheçam, para lhe dizerr que o “legado ideológico” ou as chamadas “remeniscências de um passado próximo” no sentido depreciativo, que lreferiu não “cola” comigo. Nunca fui uma pessoa sectária. Rompi politica e ideologicamente com o m-l que na sua génese pouco ou nada se diferenciava da do PC. Mas não passei para o lado dos que renegam esse passado e não deixei de acompanhar a evolução que sabia estar a acontecer nesses grupos, em particular na UDP e no PSR.

    Caro amigo, como diz não tenho razão nenhuma para o identificar como funcionário do PC, pelo contrário, tenho lido os seus comentários e em particular o que se dirige à Alentejana e não sobra margens para dúvidas, mas mesmo que fosse não teria nada a ver com isso. Mas se quer saber eu acho que os funcionários dos partidos não deveriam ter responsabilidades políticas. Nem sequer concordo com carreiras políticas. Para todos os lugares públicos de representação política deveria haver limitação de mandatos. E agora, passada mais uma experiência partidária, defendo que nos estatutos do partido em que tivesse, os funcionários também não deveria ter lugar nos órgãos directivos por muito bons que fossem. Um funcionário político age sempre constrangido.

    2 – Eu percebi que quando se referiu a “ainda há não há muitos anos se degladiarem na praça pública” se estava referir aos partidos que deram origem ao Bloco. Ainda agora relendo o que escreveu me parece isso mas se diz que não e que se refere ao PC versus esses grupos, tudo bem. Mas também não deixa de ser verdade que de facto esses grupos, UDP, PSR, etc se degladiavam e sou testemunha disso.
    Foi com base nesse raciocínio que disse que isso não é mal pelo contrário, Esses movimentos, partidos ou grupos como se queira chamar, fizeram o que tinha de ser feito. Pôr de lado divergências ideológicos, pôr em “causa” ( isso não significa abandoná-los. Significou antes, creio, não considerá-los tabús, indiscutiveis) os grandes princípios ideológicos, m-l, trotskistas, marxistas e partir para um debate sem preconceitos e com base numa lealdade política, aceitar as diferenças, aceitar pontos de vista diferentes e avançar com projecto novo. Só assim se entende que consigam coabitar no Bloco, Ex-FP25A, FER, UDP, PSR, Política XXI e outras organizações com actividade cívica. Eu achei e acho esse projecto fascinante. Mais acho que é o único projecto capaz de vingar para uma esquerda, descomplexada, moderna, para lutar por uma sociedade melhor e conseguir o poder.

    O estarem lá, o Fernando Rosas, o Louçã, o Miguel Portas, o Fazenda e outros, com percursos tão distintos só engrandeceu o projecto. Estão lá não foram para o PS ou PSD. Estão lá não foram para partidos onde poderiam estar na órbita ou no poder. Isso faz uma grande diferença.

    3 – Quando falei em matriz comum estava a falar dos partidos que constituíram o Bloco. Essa matriz comum foi o maior denominador comum que lhes permitiu avançar com o projecto. A necessidade de dar novas respostas à esquerda da esquerda que tínhamos; por um lado uma esquerda amorfa, uma esquerda conservadora, uma esquerda “patrão” e outra esquerda em morte lenta, sem saída, incapaz, tolhida em discussões internas e a reboque dos acontecimentos. Uma esquerda que globalmente não existia, “resistia” e que tarde ou cedo acabaria por desaparecer do mapa política se é que já não estava.

    O João Carmo Lopes é um homem atento e percebeu que eu ainda ia (vou) mais longe e que queria integrar o PCP nessa matriz de esquerda. Queria e quero. Como quero e desejo ardentemente que os Renovadores se incluam de corpo e alma. E tenho lutado por isso. Acho mesmo indispensável que estejam. Ou seja eu defendo uma esquerda ainda mais ampla. Dirá ou não que se o Bloco é um pouco uma “salgalhada” no bom sentido, se for mais ampla ainda como seria possível a convivência dessas correntes todas? Pois é. Esse é o problema. Um grande alargamento na sua base ideológica não é possível. Não é possível uma frente política grande para um projecto político sólido. Seria uma espécie de “saco de gatos” onde todos se degladiariam. É verdade. Um projecto não resiste sem uma unidade ideológica. Uma unidade ideológica, no que é importante e que está a ser construída espero eu no Bloco. Mas não quero afastar o PC. Não quero pôr o PC à margem. Se alguém quer ficar á margem que seja por responsabilidade própria e não empurrado. Só assim, penso, é possível confrontar as todas as pessoas de esquerda com o que cada um quer. E tirar as ilações devidas. Infelizmente o PC está a regredir, a fechar-se ainda mais, a não aprender com os erros e o passado. Sinto o PC mais estalinizado, mais leninizado. Um partido que diz que estão a crescer as forças da “superação revolucionário do capitalismo”. Um partido que tem como amigos e convida para as suas acções, os dirigentes da China, da Coreia do Norte, de Cuba, etc. Com esta direcção não é possível qualquer tipo de contacto, infelizmente. Mas também penso que uma estratégia de abordagem deste tipo ajuda a clarificar muita coisa e a fazer pensar os militantes do seu partido. Tal não significa que não deva criticar-se o PC. Basta ver os meus posts em especial este que aqui estamos a comentar e o seguinte.

    4 – As discussões que não estou disposto a discutir se aspectos de lana caprina. Tenho 51 anos de idade já passei por muita discussão, por muito debate e quase sempre estive disponível para esses confrontos. Não fujo deles. Estive no Bloco desde o inicio. Acreditei e acredito no projecto político. Mas não estou disponível para aspectos laterais da discussão. Não penso também que o Bloco tem a verdade toda. Aliás penso ser um dos grandes problemas que o Bloco agora enfrenta. Alguma arrogância intelectual, também sectarismo, pensamos que somos os melhores e os maiores, perdemos capacidade critica e auto-critica, julgamos-nos intocáveis, superiores. O Bloco passou a ser um partido de personalidades, de notáveis e de eleitores. São estas merdisses que me chateiam e para o qual me faltam a força e a vontade para discutir e combater. Preferi por isso comodamente, egoistamente, ficar de fora e esperar que outros o façam. Também tenho esse direito, porra. No meu caso deixei de estar interessado em me desgastar com estes “combates” necessários e inevitáveis, num partido novo e com características únicas como são as do Bloco.

    Deixei nos anos oitenta a UDP a pensar que a UDP, não era aquilo que queria e já era um partido comunista (com discurso mais radical apenas) em miniatura, com todos os defeitos e também qualidades que isso comporta. Agora não deixei o Bloco a pensar que o Bloco é um partido socialista em miniatura. Não é claramente. Mas claramente o Bloco precisa de mudar alguma coisa a nível de algumas práticas políticas e pessoais.

    Estou de fora a torcer. Ao fim de oito/nove anos de militância no Bloco o meu tempo já passou. Para já sinto que os bloquistas mais empedernidos não têm gostado das minhas posições públicas aqui no blogue. Mais do que sentir tenho quase a certeza. O que é prenúncio do que afirmei acerca de um certo estilo de alguns militantes do bloco. Mas que hei-de fazer?

    Ultimo

    Não tenho fontes amigo.
    Nem tive a intenção em algum momento de o magoar ou criticar tão-pouco. Pretendi apenas fazer um enquadramento face à suas afirmações nomeadamente quando se refere a que nós (os do Bloco -eu que até já deixei de o ser, veja lá, como as minhas raízes ainda estão lá) temos os “mesmos tiques, as mesmas praticas persecutórias … embora de uma forma mais soft. Uns eram e são discípulos de Stalin, outros eram (São! Embora finjam não ser.) seguidores da dupla Stalin/Mão Tse Tung (curiosamente os discipllos de Stalin ao perderam referenciais agarram-se com unhas e dentes ao legado de Mão Tsé Tung)…”. Senti que estava a ser injusto porque são afirmações gratuitas, não concretizadas com factos.
    Apenas isso.
    Um abraço e mais uma vez as minhas desculpas pela troca involuntário do seu patrão. Estou como embora sendo uma forma de insubordinação “é de outra estirpe”.

    PS. Subscrevo por inteiro o seu último parágrafo. Por falar nisso ainda tenho comigo os dois avisos para receber as senhas de presença (se calhar a primeira já perdeu validade) na assembleia municipal. Para mim esse dinheiro não vai ficar garanto-lhe
    . Aceitei participar, no caso de ser eleito como veio a acontecer, por vontade própria e não para ganhar dinheiro.

  7. Somos (Melhor dizendo fomos, o amigo parece que já está reformado) colegas. Eu estou no activo e, se isto não levar uma volta, apodreço aqui. Ainda cá tenho que andar mais um carradão de anos, se os f. da p. não me condenarem a mais anos de trabalho… (Viver, queria escrever trabalhar, muito também cansa).
    Quanto ao resto, amigo Marques absolutamente de acordo. Não tenho a facilidade que o amigo tem em expressar ideias… prontes, que importa isso? Estou de acordo com as suas opiniões, destaco com particular acuidade essa sua opinião sobre os funcionários políticos, subscrevo-a totalmente. Penso que aos funcionários dos partidos deveria estar vedado o acesso aos órgãos de direcção. Um desses dias, se concordar voltaremos à vaca fria e havemos de falar disso.
    Há no entanto uma coisa em que discordo completamente de si e creio que, o seu “amor” à democracia não pode confundir as coisas, como parece que o fez. Refiro-me em concreto à mistura que o meu amigo faz entre a Coreia, China e Cuba.
    Estes regimes são distintos, absolutamente distintos. O código genético da revolução cubana e até do actual regime cubano, sendo certo que não pode desculpar certas situações, não pode também ser confundido com os dois exemplos que refere. Meu amigo, eu sou bloquista não activista, digamos que voto no Bloco e que a minha matriz politica se cruza quase na perfeição com o bloco, mas discordo em absoluto com essa mistura que o senhor fez e que muitos bloquistas também fazem.
    Por exemplo Hugo Chavez é um populista, ninguém duvida… mas isso não faz com que eu o confunda com outros populistas que abundaram na América Latina. São naturesas diferentes.
    Também Cuba é diferente dos pares que lhes arranjou.
    Mas dou-lhe outro exemplo. O amigo Marques não concorda, suponho, com os actos criminosos do governo israelita sobre o povo palestino. Da mesma forma, suponho também, que não aplaude os atentados e as acções dos bombistas suicidas palestinianos. No entanto, suponho ainda, o amigo Marques é solidário com o povo palestino. É ou não? Suponho, tenho quase a certeza que sim. Já se questionou acerca da democracia daquele povo? Acha que as instituições palestinas são democráticas? E se eu lhe disser que o regime cubano apesar de tudo, é mais democrático que a Palestina? Apesar das prisões, apesar do partido único, apesar de tudo repito, do ponto de vista de progresso e de cultura, da saúde e da educação Cuba da lições aos nossos amigos, camaradas e companheiros da OLP. Mas tem mais, Fidel e os dirigentes cubanos não são corruptos, nem têm contas na Suiça. Quando Fidel morrer, tenho a certeza que os seus herdeiros não ficam podres de ricos como por exemplo ficou a jovem esposa do Arafat.
    Eu sou um admirador do ex-Presidente da Autoridade Palestiniana, que não se pense que estou a escrever que foi corrupto. Nada disso… estou apenas a estabelecer paralelismos. Percebe onde quero chegar?

  8. Sobre Cuba.
    Embora me custe pelo simbolismo e o fascínio que Cuba desperta em todos nós, não posso deixar de incluir Cuba como um país de ditadura. Não conheço o país, não conheço o seu povo, mas tenho um profundo respeito, estima, por toda a sua história de combate e resistência. Tenho conhecimento de que o povo cubano é simplesmente fantástico. Admiro as pessoas e a cultura cubana. O povo cubano, lembra-me tempos passados em Portugal, em particular nos sítios mais remotos do país (e que saudades tenho desses modos de ser) em que quando uma pessoa batia à porta de outros, era convidado a entrar e só depois se perguntava quem era ( Entre! Quem é?) Sei os problemas e as dificuldades porque passa, por força do bloqueio feito ao país. Também julgo que Fidel não é um corrupto ou um ditador tão déspota, pelo menos ao nível dos outros de que falei. Mas caro amigo, nunca aceitaria viver num país ou deixava de combater os seus dirigentes, se me fossem impedidas os mais elementares ideais das liberdades: de reunião, de expressão, de manifestação, de organização de partidos, de eleições. E aí não há justificação possível. Não posso aceitar que um Estado prenda, torture, mate ou não permita a livre circulação de pessoas e bens. Que não permita que possa criticar publicamente os dirigentes ou dizer mal do governo. E muito haveria ainda mais a dizer. Como posso classificar um país assim? Pode perguntar-me mas haverá outra saída? Sim. A democracia sempre. Com todos os seus problemas e dificuldades.
    Relativamente aos outros países de que fala, Bolívia, Venezuela, agora o Equador, há uma grande diferença são eleitos pelo povo e já agora digo-lhe que essa classificação de populismos, servem só para denegrir as imagens de Chavez ou Morales. Nas próximas eleições veremos mas creio que continuam a ter o apoio maioritário dos seus povos. Na Palestina é exactamente a mesma coisa. Houve eleições livres e ganharam as eleições e claro que que as instituições são democráticas, embora isso não signifique que concorde também com todas as suas acções. O caso de Arafat é um sinal de como o poder não pode estar concentrado num homem ou numa máquina partidária onde se “confundem” Estado e partido.
    A questão de melhores cuidados de saúde, os progressos científicos, os avanços na educação, são perfeitamente irrelevantes, para mim, num quadro em faltam as liberdades.
    Esse será sempre para mim um aspecto crucial na avaliação dos regimes.
    De resto, creio que só iria a Cuba se fosse acompanhado pela cubanita, Cris, uma grande amante daquele país, uma sua filha adoptiva. Com ela como cicerone ficaria concerteza melhor esclarecido e até podia mudar de opinião. Mas acharia difícil tendo em conta as minhas concepções de vida. Um abraço e ainda bem que ficou esclarecido o meu erro no comentário anterior. Já agora e ao contrário do que diz e sem estar aqui a armar-me, consigo expressar muito mal as minhas ideias e por isso é que às vezes geram incompreensões. Já quanto a si, dou-lhe os parabéns sinceros, porque a sua escrita é clara. Já agora fica o convite para se quiser e quando quiser pode escrever um artigo para publicação. Vejo aí uma pessoa com independência critica e isso é bom.

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