Rodrigo Leão

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Rodrigo Leão vai lançar um novo disco depois do Cinema. Este novo disco é uma compilação trazendo contudo sete temas originais. Gosto muito da música do Rodrigo Leão. Um músico que ajudou a formar, salvo erro, o Sétima Legião e que depois se abalançou a solo numa carreira musical em que que Rodrigo Leão não canta mas é um dos melhores nacionais e porque não internacionais. As músicas são todas da sua autoria e é acompanhado nas gravações e ao vivo por um grupo de excelentes músicos.

Apenas assisti a um concerto de Rodrigo Leão e fiquei extasiado com a melodia e a beleza dos sons, Leão (sintetizadores) e Einaudi (piano), Celma da Piedade (acordeão), Viviena Toupikova (violino) e Marco Decimo (violoncelo). Foi apenas um espectáculo acústico, mas foi uma noite inesquecível.

Aqui Vos deixo uma música excepcional desta vez acompanhada da bela voz da Ana Vieira ou da Ângela Silva não sei bem qual, pois ambas acompanharam o músico na gravação do Álbum Cinema. Esperem lá para Fevereiro/ Março e se tiverem oportunidade não falhem a um dos concerto na sua digressão nacional. Por mim espero revê-los.

“Em nome dos equilibrios, Louçã não pode fazer ouvidos de mercador”

O texto que abaixo transcrevo é mais do que um comentário do João Carmo Lopes ao meu post, “Louçã lidera a oposição”. É um artigo que em minha opinião coloca questões muito concretas sobre o Bloco de Esquerda, sobre os equilibrios das diferenças tendências, sobre o futuro do Bloco. Revejo-me muito no que é dito e parecendo-me um documento de extrema importância para o debate, sobre as mudanças na esquerda e sobre o projecto do Bloco, deixo-o aqui completo, esperando que suscite alguma discussão. Vamos a isso!

Por João Carmo Lopes

Louçã é evidentemente um líder, singular infelizmente. Francisco Louçã passou a fase da moda e assume-se, e pelos vistos é reconhecido, como um homem de convicções, de princípios. Um líder inteligente, competente e lutador.Porem a liderança é também uma questão de estar consciente do que está acontecer ao grupo, ao seu partido, e agir apropriadamente. Aqui tenho serias dúvidas de que Louçã se afirme.

Não há dúvida de que [Louçã]se destaca, até pela afabilidade, do grupo dos quatro que lideram o partido que ajudou a fundar. A sua estrela brilha mais que qualquer uma, dos outros três aliás, alguns são meras candeias. Mas a liderança tem também uma outra vertente, um outro aspecto se quisermos, eventualmente administrativo, mas fundamental na capacidade de harmonizar as necessidades e disponibilidades dos indivíduos, dos militantes com as exigências da organização. Nesta questão, creio que Louçã tem ainda muito para calcorrear.

Enquanto não se espartilhar por completo os acordos tácitos do bando dos quatro, não é possível dar respostas à questão que colocas quando escreves «outra coisa bem diferente é a desconfiança, a falta de audácia, o temor pela mudança, pelo novo, o conservadorismo típico dos portugueses, os fantasmas que povoam as nossas mentes, o medo de novas políticas ao arrepio do pensamento único neoliberal».Liderança é a influência exercida e dirigida, através do processo de comunicação e de organização para a prossecução de propósitos comuns, de objectivos do partido. E isso Louçã não consegue. Ainda, espero eu.

Não consegue por causa dos equilíbrios. Louçã tem carisma suficiente para poder romper com praticas que gradualmente vão ganhando corpo no partido que ajudou a fundar. Se não tiver coragem para romper com elas, se em nome dos famosos equilíbrios fizer ouvidos de mercador aos rumores que vão chegando. Se, Louçã aceitar que a próxima convenção seja mais um estafado exercício de pseudo-democracia. Isto é: Se Louçã, se escudar nas couraças dos grupos de trabalho, ditos imbuídas da génese da democracia plena, onde toda a gente discute e manda bitates mas porque esses fóruns são órgãos abertos, onde a participação é um acto voluntário, dependendo da vontade do momento. Se não se tomam decisões, porque são órgãos abertos (não eleitos) l deixam terreno para que os “chicos espertos” do tipo pato-bravo (O pato bravo não é apenas uma ave que nidifica e procria na construção civil) chamem a si a decisão. Toda a gente que participa nesses fóruns são meras figuras decorativas, servem apenas para mesclar, com tintas de democracia as decisões que já estão tomadas. A democraticite é falsa democracia, escrevo mesmo inimiga mortal da democracia plena.Louçã, não apenas mas também, tem que saber romper com este estado de coisas.

Se o fizer é credor de toda essa simpatia que este povo que temos lhe devota, escrevi intencionalmente “devota”, se o não fizer corre o risco de ser mais uma desilusão, como já foram alguns dos seus companheiros do projecto original.

Adenda: Alguém ao lado sopra-me que os meus amigos do Bloco não vão gostar desta postagem. Era o que faltava! Se assim acontecer apenas lamento. O “meu” Bloco é isto. A livre discussão, a discussão sem limites, a discussão sem paredes (mesmo de vidro). Dizer bem e dizer mal, criticar ou aplaudir mas com lealdade, para continuar a privilegiar o projecto.

PS: Adenda minha (do Fernando).

Correio dos leitores

Este espaço foi aberto à colaboração dos leitores, para o tornar mais aberto, mais abrangente, mais plural. Existem umas pequenas regras para a sua publicação que estão mais lá para baixo numa caixa de nome Participe. A publicação irá assumir duas formas. Uma será do tipo correio de leitores em que os textos poderão ser “encolhidos” tentando assegurar que não se perca o essencial. A outra forma será publicá-lo como post. Abaixo fica a primeira colaboração. Peço apenas que nestes casos me enviem para o e-mail que indico abaixo.

por JC

Como estão lembrados estes senhores [os do PS] enquanto oposição prometeram que se fossem maioria, iriam reformular o código do Bagão, expurgá-lo pelo menos dos seus aspectos mais gravosos. Pois agora que são maioria, não só não o expurgam como o agravam (…) estes mentirosos para não lhes chamar outra coisa, [pretendem implementar] agora o chamado “flexisegurança” [um modelo] dinamarquês [mas apenas] importar o seu aspecto nocivo, isto é a liberalização dos despedimentos? Mas haverá alguém que no seu perfeito juízo pode acreditar nesta corja de aldrabões?

Maria Paz Lima, professora universitária do Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa que estudou o “flexisegurança”, considera que «O risco é fazer a importação [para Portugal] da flexibilidade quanto as questões do despedimento individual, e não trazer um conjunto de outras condições. E passaríamos a um modelo que não só mantêm os baixos salários, como teria uma mão-de-obra precária.»
(…) Eu queria que a minha indignação soasse mais alto, que tivesse repercussão, que pudesse acirrar o descontentamento dos que por aqui passam, gostaria que muitos dos teus leitores também fizessem coro, um coro de tal maneira sonante que fizesse borrar de medo os filhos da puta que apostaram tramar-nos o futuro.

Acabei de ler “O poder dos sonhos” de Luís Sepúlveda. (…) ele conta o seguinte episódio:
Depois do fim da ditadura na Argentina, vingou uma lei … tipo reconciliação. Isto é os assassinos e torturadores poderiam passear livremente por todo o país enquanto as vitimas e seus familiares se comprometiam a esquecer que foram torturados, que foram vitimas. Um dia uma vítima encontrou um torturador, um militar de Videla, um tal El Tigre Acosta e dirigiu-se-lhe. O torturador cobarde porque despido do seu uniforme, porque sem as bestas armadas para o protegerem, porque sem a “pátria” como salvo-conduto, cagou-se. Literalmente borrou-se todo na frente dos filhos e da amante que o acompanhavam. Fedendendo a merda por todo o lado El Tigre Acosta balbuciou: «Não se irrite, não se aborreça, eu fazia o que me mandavam.» Miguel Bonasso, assim se chamava a vitima, cuspiu na cara do “valente” militar argentino.
Porque é que contei a historia … Apenas porque de momento não posso cuspir nas ventas dos filhos da puta que nos tramam a esperança e hipotecam o futuro.

Tenho esperança de um dia lhes cuspir nas trombas…
Desculpa a linguagem mas esta corja põe-me fora de mim!

Louçã lidera a oposição

Ora aqui está uma verdade inquestionável, segundo uma sondagem do Correio da Manhã. Mesmo quase sem falar, nos últimos tempos, Francisco Louçã faz melhor oposição de qualquer líder dos outros partidos. Diria mesmo que ganha com maioria absoluta. Também não é difícil quando os “competidores” são Marques Mendes, Ribeiro e Castro, Jerónimo de Sousa.

Mas Francisco Louçã é sem dúvida o político mais competente e mais acutilante no plano técnico e político.

E fora do quadro partidário, só Carvalho da Silva da CGTP lhe “disputa” esse terreno. Pena é que a CGTP ainda esteja subordinado a uma táctica política externa, empurrando-o para a gestão das lutas sindicais, algumas extemporâneas ou desajustadas no formato.

Mas uma coisa é reconhecer a sua capacidade de líder, a sua inteligência, o mérito e a competência, o seu desempenho parlamentar, a sua capacidade de luta, a firmeza das convicções, a sua coragem e desassombro político, outra coisa bem diferente é a desconfiança, a falta de audácia, o temor pela mudança, pelo novo, o conservadorismo típico dos portugueses, os fantasmas que povoam as nossas mentes, o medo de novas políticas ao arrepio do pensamento único neoliberal.

As mudanças à esquerda estão a acontecer nos países da América do Sul. Foi na Venezuela, na Bolívia, Equador, Chile, Brasil, ali à beirinha dos Estados Unidos. Na Holanda um partido considerado da extrema-esquerda, teve 26 deputados em 150. O que é preciso acontecer em Portugal mais ainda, para se atirar a pedrada ao charco? O que falha em Portugal?

Escrever

Escrever um livro não é para qualquer um, embora qualquer um, publique um livro.

Li ontem que Manuel Alegre vai publicar mais um livro a juntar à sua extensa obra literária em particular na poesia mas também na ficção.

Manuel Alegre é uma figura ilustre da literatura portuguesa. O jornal Expresso em 1999 distinguiu-o com o prémio Fernando Pessoa, um prémio que atribui à figura que se tenha distinguido na área científica, artística ou literária, nesse ano.

ma.gifnão é pois, um qualquer. Por isso fiquei surpreendido. Aliás, Manuel Alegre há algum tempo que não deixa de me surpreender.

O que levará Manuel Alegre a publicar em livro as suas crónicas desportivas para um jornal, dos últimos, campeonatos Europeu e Mundial? Interessará a alguém saber o que Manuel Alegre pensa deste ou daquele jogo, da actuação do Ronaldo ou do Figo, se o campeão foi justo ou se o árbitro foi parcial?

Sinceramente tendo lido algumas das suas crónicas, não encontrei nenhum valor acrescentado, nem do ponto de vista da análise desportiva, nem do ponto de vista literário.  A quem interessa um livro deste tipo?

 Manuel Alegre bem podia ficar pela poesia.

Quase me sinto tentado a publicar em livro o “A hora que há-de vir!.. “. Que acham?

por Fernando Publicado em Geral

Zélia Duncan

[odeo=http://odeo.com/audio/3329473/view]

Alma….
Alma, deixa eu ver sua alma, a epiderme da alma, superfície,
Alma, deixa eu tocar sua alma, com a superfície da palma da minha mão, superfície
Easy, fique bem easy, fique sem nem razão, da superfície,
Livre fique sim, livre, fique bem com razão ou não, aterrize,
Alma, isso do medo se acalma,
Isso de sede se aplaca,
Todo pesar não existe,
Alma, como um reflexo na água,
Sobre a última camada
Que fica na superfície,
Crise,
Já acabou, livre,
Já passou o meu temor, do seu medo sem motivo,
Riso, de manhã, riso, de neném a água já molhou a superfície,
Alma, daqui do lado de fora nenhuma forma de trauma, sobrevive,
Abra a sua válvula agora, a sua cápsula alma, flutua na superfície,
Lisa, que me alisa, seu suor o sal que sai do sol, da superfície,
Simples, devagar, simples, bem de leve a alma ja pousou na superficie.

Alma, daqui do lado de fora nenhuma forma de trauma sobrevive,
Abra a sua válvula agora, a sua cápsula alma, flutua na superfície,
Lisa, que me alisa, seu suor o sal que sai do sol, da superfície,
Simples, devagar, simples, bem de leve a alma ja pousou na superficie,
Alma, deixa eu ver sua alma, a epiderme da alma, superfície,
Alma, deixa eu tocar sua alma, com a superfície da palma da minha mão, superfície

Alma…
deixa eu ver…
deixa eu tocar…
superficie…

ALMA.

Lhasa de Sena

Uma cantante extraordinária.

[odeo=http://odeo.com/audio/3167003/view]

Nunca tinha ouvido falar de Lhasa de Sena até há dois anos atrás depois de dois concertos em Portugal.

Lhasa de Sena é de facto uma voz extraordinária com uma versatilidade nas cordas vocais espantosa, mesmo que dito por alguém, como eu, que não é um especialista.

Ao ouvi-la sente-se ali qualquer de diferente e simultaneamente, lembra-nos outras vozes como, Edith Piaf, Amália Rodrigues, Leonard Cohen, Jacques Brel, etc, não consigo explicar bem.

Lhasa de Sena é concerteza uma boa companhia e por isso acompanha-me sempre no meu MP3 e por isso a deixo aqui para os meus amigos e amigas.

Obrigado Lhasa de Sela.
Aqui em vídeo outra música

O PCP comporta-se como um Capitalista selvagem

O Partido Comunista Português exerceu sobre mim, um grande fascínio na minha precoce adolescência. Os comunistas eram o rosto da resistência ao fascismo. Os homens que abandonaram tudo pela defesa das liberdades. Preteriram a família, uma carreira profissional, um bem-estar pessoal, para organizar a resistência antifascista.

Quando se invoca o combate ao fascismo, lembramo-nos dos comunistas. Sobrevém à memória, os homens sem vida própria, as prisões, as torturas, a morte de muitos deles. Rememoramos a ausência de uma vida social. Os sacrifícios pessoais, o abandono de carreiras académicas, de uma profissão, o abandono do emprego, a passagem à clandestinidade, a luta contra a guerra colonial, a deserção, a imigração. As companheiras, os filhos, os amigos, todos passaram a um segundo plano, em nome dos mais nobres ideais, das liberdades colectivas, da justiça social, de uma sociedade mais justa.

Eram todos comunistas para o regime fascista, não deixando de ser um pouco verdade, durante largos tempos da ditadura. Pelo Partido Comunista passaram quase todos os resistentes antifascistas. De Mário Soares a Emídio Guerreiro, de Álvaro Cunhal a Francisco Martins Rodrigues. Com o passar dos anos, os regimes de referência comunista foram postos em causa e as divisões e novos alinhamentos ideológicos, iam acontecendo no seio do movimento comunista internacional. Uns continuaram ainda comunistas mas romperam com o PCP e deram origem aos grupos da extrema-esquerda, outros ainda, deixaram pura e simplesmente de ser comunistas.

Eu era um jovem. O meu contacto político deu-se através de uma organização comunista dissidente do PC. Mas o fascínio pelas figuras de mais relevo do PCP, mantinha-se, não obstante as discordâncias políticas e ideológicas que iam tomando relevância a cada dia.

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Ninguém é de ninguém.

O pcp-pt.gif está a renovar.

Renova nas pessoas mas não renova nas politicas. O PCP traveste-se apenas. Fá-lo no momento adequado. Em acalmia interna e a liderar a contestação popular. Inteligentes mas não sérios.

Sou absultamente contra o saneamento político.

Não cabe aos directórios partidários nem podem, decidir a substituição de alguém que foi eleito. Já disse isto, mas não me canso de repetir. Nenhum partido é dono de um eleito. O eleito tem deveres de lealdade com o partido, mas também com os eleitores.

O partido pode pedir, conversar, tentar um entendimento em nome de qualquer coisa. Pode também, no caso de perder a confiança política, retirar o apoio a um militante eleito. O que não pode, não deve, é forçar a saída, pressionar, para levar adiante os seus propósitos contra a vontade do outro

Na eleição cada parte tem a sua cota de mérito. Não interessa agora dizer que a cota maior é do partido ou do eleito. Cada parte faz a sua análise. Mas os partidos não mandam nos seus militantes.

Por isso retirar o apoio (e como virá a ser o caso de Luísa Mesquita se mantiver a intenção de continuar como deputada) e a possível condição de militante é um aviltre, um desrespeito, uma prepotência. Não diria o mesmo se a uma reacção negativa, como é um caso, o PCP não respondesse com medidas intimidatórias e disciplinares.

Estas renovações dos eleitos, pouco tempo após serem eleitos, são operações de cosmética e não correspondem a mudanças estratégicas nas políticas e nos protagonistas.

É de centralismo democrático que estamos a falar. É de um conceito marxista-leninista em que os eleitos não representam o povo mas o partido que por sua vez representa o povo. Enfim, coisas da ortodoxia.