Escrever um livro não é para qualquer um, embora qualquer um, publique um livro.
Li ontem que Manuel Alegre vai publicar mais um livro a juntar à sua extensa obra literária em particular na poesia mas também na ficção.
Manuel Alegre é uma figura ilustre da literatura portuguesa. O jornal Expresso em 1999 distinguiu-o com o prémio Fernando Pessoa, um prémio que atribui à figura que se tenha distinguido na área científica, artística ou literária, nesse ano.
não é pois, um qualquer. Por isso fiquei surpreendido. Aliás, Manuel Alegre há algum tempo que não deixa de me surpreender.
O que levará Manuel Alegre a publicar em livro as suas crónicas desportivas para um jornal, dos últimos, campeonatos Europeu e Mundial? Interessará a alguém saber o que Manuel Alegre pensa deste ou daquele jogo, da actuação do Ronaldo ou do Figo, se o campeão foi justo ou se o árbitro foi parcial?
Sinceramente tendo lido algumas das suas crónicas, não encontrei nenhum valor acrescentado, nem do ponto de vista da análise desportiva, nem do ponto de vista literário. A quem interessa um livro deste tipo?
Manuel Alegre bem podia ficar pela poesia.
Quase me sinto tentado a publicar em livro o “A hora que há-de vir!.. “. Que acham?
Novembro 29, 2006 às 8:26 am
Discorde da sugestão de que «Manuel Alegre bem podia ficar pela poesia» pelo simples facto de que ele tem prosa fabulosa. Agora cronicas da bola eram dispensáveis.
Mas se até o Sérgio Godinho não resistiu e é comentador de “futebolêz” porque não deve o Alegre, que os camaradadões do PCP chamam de “Pateta” Alegre escrever e publicar em livro crónicas da ciência popular?
Novembro 29, 2006 às 8:26 am
Queria escrever “discordo”…
Novembro 29, 2006 às 5:10 pm
Desculpe voltar ao tema:
Os títulos que se seguem [Cão Como Nós, Alma, A Terceira Rosa, O Homem do País Azul, Rafael, Arte de Marear, O Quadrado] são obras em prosa de Manuel Alegre, desses apenas não li “Rafael”. Julgo-me abalizado a opinar sobre a sua escrita, pelo que é sem rebuço que os considero obras superiores, diria do que melhor se escrever na nossa língua. Se a postura politica do homem Manuel Alegre fossem da estirpe das do escritor Manuel Alegre, com especial destaque para a prosa, então este país não seria o que hoje é.
As pequenas resenhas que anexo não são da minha autoria.
Cão Como Nós
Cão… como nós. Como nós, porque sabe da amizade (o cão é o melhor amigo do homem), da solidariedade, protege a criança, consola o dono, pressente a desgraça, «chora» a morte. Mas também é altivo e irrequieto. Às vezes desobediente e exibicionista. Chama-se Kurika, e acompanhou o escritor e a sua família ao longo de anos. Aliás, ele «é» parte da família, diz Manuel Alegre. Um livro alegre e comovente.
Alma
A memória nostálgica dos lugares encantatórios de Alma, a vila da infância. Dessa infância, donde vêm as imagens e as emoções que norteiam a vida. Toda a vida: não há flecha que não tenha o arco da infância. Um romance onde Manuel Alegre “regressa” a Águeda, às brincadeiras de criança, o berlinde, o botão, o futebol, as tardes no rio, as criadas atrevidas, a escola, os primeiros namoros, as conversas conspirativas dos adultos.
A Terceira Rosa
Prémio Literário Fernando Namora, A Terceira Rosa, ilustra o que em Manuel Alegre tem que ver com a aplicação de uma sabedoria feita de vida e paixão escritas.
Um magnífico romance, passado desde os tempos da ditadura até aos primeiros dias da Revolução de 1974, sobre o sempre marcante primeiro amor, construído de “sítios, cheiros, episódios” que o autor viveu.
O Homem do País Azul
O Homem do País Azul veio revelar uma outra consistente faceta da criação literária de Manuel Alegre: o conto. Nela se conjuga o mais particular e o mais secreto de cada homem com a imensidão do fantástico e do arquetípico. E a dualidade, tratada com acentuada riqueza estilística, confere-lhes sentido universal. O sentido universal da errância e da procura, do real e do imaginário, das rotinas e do inesperado, que em qualquer momento tudo pode subverter
Rafael
Andará de casa em casa, de hotel em hotel, mudará o nome, mudará o rosto, deixará crescer o bigode, usará óculos sem lentes, um passaporte para os hotéis, outro para viajar, em cada novo documento um nome e uma profissão diferente, está clandestino dentro de si mesmo, perdeu os sítios, as referências, a identidade. É ele e já não é, não usa o nome próprio, tem quatro ou cinco pseudónimos que são um ou outros, heterónimos do desaparecido que traz dentro de si, ora é francês, ora espanhol, ora argelino, ele é sozinho, não propriamente, como queria o outro, uma literatura, mas uma nova brigada internacional
Arte de Marear
Arte de Marear é um roteiro, uma outra forma de viagem que parte da revelação da poesia até à descoberta de outros poetas, à evocação de acontecimentos, lugares, livros, pessoas que marcaram a vida do autor. Sophia, Torga, Eugénio de Andrade, Mário Soares, F. Sousa Tavares, F. Assis Pacheco, Nuno Bragança, Pepetela, João de Melo, Álvaro Guerra, Amália, José Afonso. Mas também Figo. Uma arte poética que de repente é uma arte de tourear, uma arte política e até mesmo uma arte do futebol. Porque tudo se conjuga, a escrita e a vida, em demanda dos “pontos luminosos” de que falava Dante, ou da Porta do Oriente, ou simplesmente do verso que não há. Fazendo o mapa do mundo no mapa sempre por fazer da poesia
O Quadrado (e outros contos)
Personagens soltas trazem frases persistentes neste segundo livro de contos do poeta Manuel Alegre. «A minha vida está perdida em Singapura», diz uma, «está tudo perdido», grita outra, «uma tristeza canta debaixo de água», «as armas e os barões assinalados», «alguém à esquina da tristeza», repetem.
Narrador e outras personagens lançam assim os motes para onze histórias que são breves diálogos íntimos com o leitor. «Quem sabe se não serei eu quem assim está», pergunta-se a meio ou no fim do caminho. «Para quem se escreve, afinal?»
As interrogações sucedem-se a partir de um café numa praça, de um barco, de um sonho, de uma cor ou de um quadrado. «Defendo este reduto», responde o soldado inventado. «É o meu quadrado. Talvez não tenha sentido estar aqui a defendê-lo, mas se o perdesse eu próprio me perderia. O único sentido, que talvez não tenha grande sentido, é estar aqui a defender este quadrado», insiste o soldado
Novembro 30, 2006 às 12:15 am
Obrigado por trazer estas pequenas linhas mas altamente significativas sobre alguns dos trabalhos de Alegre. Não posso dizer que concordo com a critica literária, porque não li os livros, mas fiquei desperto para a sua leitura. Talvez compre um ou outro. De Manuel Alegre conheço mais a sua poesia com particular destaque para o Trova do Vento que Passa e as Mãos. Excepcionais.
Mas é exactamente porque reconheço a sua grande qualidade literária, que eu destacaria mais na poesia, mas que parece ser patente também na ficção é que me faz impressão porque é que Manuel Alegre se lança na publicação de um livro sobre as suas crónicas desportivas (basicamente análise aos jogos embora com algumas outras incursões) aos aspectos meramente desportivos. Se calhar a seguir temos o Marcelo Rebelo de Sousa também a publicar as sua crónicas para A Bola do último mundial simplesmente inenarráveis. Não havia nexexidade. Um abraço. Vou comprar sim depois do que escreve. Não sei é quais. talvez o falado “quadrado” e um outro. Já agora agradeço-lhe sugestões.
Novembro 30, 2006 às 9:32 am
Meramente sugestão: Do “A alma” e do “Cão como nós” gostei particularmente… do “Quadrado” nem por isso,
Mas, já agora um alerta, não te fies nos meus gostos literários.
Quanto à poesia do Manuel Alegre evidentemente que é excepcional e, muito importante, de combate.
Dei ênfase a prosa, apesar de também o considerar eminentemente um poeta, porque precisava de “combater” aquela frase «Manuel Alegre bem podia ficar pela poesia». Por isso particularmente.
Dezembro 1, 2006 às 6:33 am
sera que sou
quém vocês querem que eu seja ?
so que eu agora vou ser
quém sempre quiz ser
mas se nao é quem vocês querem
que importancia
logo que eu seja quem eu quero ser
Escrevi estas linhas ha poucos dias, e até acho que vao bém neste post teu, que pensas ?
Ele faz o que sente e o que gosta..
E agora Fernando, quando escreves esse livro ” A hora-que-ha-de-vir ” ?
um beijo
Julho 10, 2008 às 11:34 pm
a cada dia que se passa diante dos meus olhos
eu me sinto imobila diante das situações maix patéticas
que oas olhos de quém naum está vivenciando
é ridiculo eu naum saber o que fazer ……
maix eu naum sei,quando penso que um passo “errado”
e tudo o que desejo para mim pode vir a ser
impossivél de se realizar como jah aconteceram milhares de vezes,
agir sem pensar é pejudicial na maioria das circunstâncias
maix em algumas poucas, o pensamento nos leva a deixar de viver
algo magico e ulnico …… o que fazer quando
o mundo naum nos dá há direção exata a que se deve seguir ou quando
naum ah maix quem nos diga exatamente o que fazer ???
vc sabe ??
se alguém souber por favor diga-me
pq eu naum faço há minima idéia do que éh preciso fazer
para naum deixar passar nada nem se arrepender por ter feito demais
ps:danielle campos
10/07/2008